Capítulo 19 - Em terras desconhecidas

Por Estela

O clima ameno e um pouco mais frio do que de costume, chicoteou meu rosto assim que desci do avião, juntamente com Enzo Vogrincic.

Como eu já poderia imaginar, um grupo de fãs já aguardava meu namorado no saguão do aeroporto, e como medida de proteção, deixei que ele fosse na frente com medo de já ser retalhada logo de cara.

Enzo, a princípio,  não parecia estar muito de acordo com o meu recuo, mas concordou em seguir sem fazer grandes alardes. Quanto mais próximos estávamos, mais eu podia ouvir os gritos e perceber alguns olhares curiosos em minhas costas.

A ideia de ir para o Uruguai tinha sido do moreno em minha frente, e de imediato fiquei pensativa, mas levando em consideração os últimos acontecimentos, fugir um pouco do caos que minha vida virou parecia bom.

- Venha chiquita, vamos dar a volta por trás. – Enzo sussurrou em meu ouvido após fazer algumas selfies com as fãs.

Automaticamente, os olhares das garotas pousaram em mim, algumas pareciam empolgadas com a visão, outras nem tanto. E nesse mesmo instante, alguns fotógrafos perceberam a minha presença e alguns cliques foram feitos, enquanto Enzo me guiava para fora do aeroporto.

Quando chegamos do lado de fora, um carro todo preto nos aguardava e de maneira automática cutuquei Enzo um pouco desconfiada.

- Fique tranquila, é o Matías. – Ele riu.

Suspirei aliviada. Por alguns segundos pensei que fosse Guilhermo e já estava me preparando para discutir à altura com ele.

- Achei que fossem ficar uma eternidade naquele saguão. – O argentino falou assim que Enzo abriu a porta de trás. – Finalmente conhecendo você pessoalmente, Estela! – Ele continuou, abrindo um sorriso que só poderia ser identificado pelo retrovisor interno do carro.

- Finalmente conhecendo você pessoalmente, Matías! – Devolvi me aninhando à Enzo.

- Para qual destino iremos, casal vinte? – O mais novo quis saber. – Sua casa está cercada, Encito! Guilhermo já montou um acampamento te aguardando.

- Então vamos para algum hotel, pelo menos por enquanto. – Enzo decidiu.

- Sabe que não vai conseguir evitá-lo por muito tempo, não é mesmo?! – Indaguei para o moreno ao meu lado.

- Sim, mi amor, mas teremos oportunidade para tudo, quero apenas aproveitar esses momentos com você. – Ele beijou o topo da minha cabeça.

- Por favor, não transem no meu carro. – Matías pediu, quase como suplicasse.

- Não enche, Matías! – Enzo gargalhou.

Seguimos o trajeto cantando algumas músicas ruins que o mais novo colocou para tocar. Enquanto íamos percorrendo as ruas, minha atenção ficava quase que 100% voltada para a arquitetura e para as paisagens que se faziam presentes.

O Uruguai era realmente encantador.

Depois de uns dez minutos de trajeto, Matías estacionou o carro em um hotel de pequeno porte e com aspecto vitoriano, parecia que tinha saído desses filmes de época, o que me deixou fascinada.

- Vamos, chiquita! – Enzo segurou minhas mãos, me auxiliando a descer do carro.

Aceitei seu gesto de bom agrado e seguimos, nós três, recepção adentro.

- Um quarto para casal, por favor. – O uruguaio solicitou com um sorriso no rosto, deixando suas covinhas amostra.

A recepcionista, de pouco mais de 50 anos, nos encarou por alguns minutos, parecia estar fazendo algum tipo de reconhecimento facial, seu olhar passou de mim para Enzo e depois Matías, ela não estava com aquele semblante de que conhecia as duas sensações do cinema em sua frente, na verdade, seu rosto demonstrava um pouco de confusão e logo eu soube o motivo.

- Acho que ela está assustada porque estamos em três. – Sussurrei para o mais velho ao meu lado.

Enzo soltou um pigarro, voltando em si.

- Meu amigo só veio nos ajudar com as malas. – Justificou.

Matías, que até então estava entretido no telefone, caiu na real quando prestou atenção nas palavras do amigo.

- É, isso mesmo, senhora! Não somos um trisal. – Ele sorriu e eu segurei o riso.

A mulher em nossa frente arregalou os olhos e prontamente entregou um formulário para que Enzo preenchesse.

De uma forma bem prática, o uruguaio não gastou nem cinco minutos para devolver o papel para a recepcionista, que vagarosamente depositou as chaves no balcão, sem desgrudar o olhar de nós.

Acenamos com a cabeça e seguimos, ainda segurando o riso, até o elevador.

- O que foi aquilo? – Me permiti gargalhar depois da porta fechar em nossa frente.

- Matías e seu humor...apurado?! – Enzo também deu uma risada contida.

- Não fala como se eu não estivesse aqui, hein! – Matías ralhou. – Espero que não se incomode, eu tenho esse jeito mais...

- Divertido? – Completei.

- Isso! Essa é a palavra certa. – Ele respondeu animado. – Já adianto que pode me considerar seu amigo, Estela.

- Isso é ótimo, vai ser bom ter amigos por aqui. – Sorri gentil.

Enzo coçou a cabeça ainda com um certo divertimento no olhar, parecia que ele estava feliz em ver como as coisas estavam indo bem até o momento.

Paramos no 8º andar e seguimos até a porta de número 808, Enzo fez as honras e entramos logo em seguida.

O quarto era amplo e muito cheiroso, os tons mais claros traziam uma luminosidade gostosa, havia uma cama de casal espaçosa, um banheiro grande e uma sacada onde poderíamos nos sentar e ver o trânsito, era perfeito.

- Bem, acho que os pombinhos estão bem alocados, volto mais tarde para buscar vocês. – Matías depositou as malas no canto do quarto, com a ajuda do amigo.

- Buscar? Para onde vai nos levar? – Perguntei curiosa.

- Não esquenta, o Enzo já já te conta. – Ele piscou um olho e Enzo revirou os olhos.

- Ele sempre acha que a vida é uma festa. – O uruguaio veio a meu encontro.

- Mas é! Apenas estejam prontos, sim? Vou deixá-los sozinhos. – Matías se despediu de nós e saiu rapidamente.

- Ele é legal. – Falei.

- Sim, é estranho pensar que somos amigos, somos tão diferentes. – Enzo deu de ombros.

- Não acho que há tanta diferença assim, e para ser bem sincera, acho que é justamente por isso que vocês são amigos, Alice e eu somos bem parecidas com vocês dois. – Beijei sua bochecha.

- Bem, quem sabe a gente não consegue unir esses dois? Imagina o caos. – Enzo riu com a ideia e eu o acompanhei.

- Falarei com ela a respeito.

Enzo e eu passamos o restante da tarde juntos, desfizemos as malas e percebi ele rejeitando algumas ligações incessantes, que eu desconfiava ser de Guilhermo.

Algo dentro de mim me dizia para ter cuidado com ele, mais do que eu já imaginava que teria, e estando em terras desconhecidas, aquilo me causava ainda mais anseio.


____________________________________

Estelinha já está em território estrangeiro! O que será que vem por ai?

Compartilhem suas teorias e não esqueçam de deixar seu votinho <3

Um beijo da tia Vick!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top