Epílogo

Eros Stackhouse:

Sete anos Depois:

O vento rugia com força, levando consigo uma cacofonia de detritos pelo ar. Poeira dançava no vendaval, acompanhada por pacotes de batata que rodopiavam como folhas secas, páginas de jornal amarrotadas e velhas receitas que voavam pelas calçadas. Jeremy, meu irmão, estava do outro lado da rua, esperando pacientemente, com Rafael, agora com doze anos, saboreando seu milk-shake enquanto acenava animadamente em minha direção.

Haviam se passado anos desde a última vez que vi Jeremy, desde que ele partiu para estudar em outra cidade com seus amigos, Tate, Tatiana e Luna, após concluir o ensino médio. No começo, foi difícil me acostumar com sua ausência, mas eu sabia que ele estava correndo atrás de seus sonhos.

Lembro-me de como todos os dias eu o fazia prometer que me ligaria. Afinal, essa era a primeira vez que ele se afastava de casa por um longo período, trabalhando e estudando em outra cidade. Agora, depois de sete anos, ele estava de volta, e percebi que, embora o tempo tivesse passado, Jeremy não tinha mudado muito em sua aparência.

Eu, por outro lado, não pude visitá-lo na cidade em que estava morando, pois, como líder dos anjos naquele momento, estava ocupado com a tarefa de aprimorar meus poderes mágicos e garantir que os novos dragões que surgiram se adaptassem à sua nova vida e existência. Embora fossem apenas filhotes há alguns meses, tornou-se cada vez mais desafiador mantê-los ocultos, principalmente com sua proliferação constante.

Maxuel já havia informado que algumas pessoas sabiam da existência dos novos dragões e estavam seguindo as ordens do novo líder dos anjos. Eu admitia que o título de líder dos anjos era algo que ganhou respeito, mesmo daqueles que antes me desprezavam. Lauhar ficou satisfeito quando a nomeei como minha aliada e segunda no comando, pronta para assumir em minha ausência.

— Nossa, é bom estar de volta! — Jeremy exclamou, abraçando-me com força. — Eros, você precisa me visitar mais vezes. Parece que esqueceu que tem um irmão.

— Você sabe como é, estou ocupado demais. — Respondi tranquilamente.

— Eu também estava ocupado com os estudos e o trabalho. Por um milagre, consegui tirar férias junto com os outros. — Jeremy apontou para trás, onde Tate e as meninas se aproximavam carregando suas malas. — Mas me conte como vão as coisas com os dragões.

— Estamos indo muito bem! Estou aprendendo a voar com eles. — Rafael respondeu com entusiasmo, e pude ver o encanto que ocultava sua verdadeira aparência se desfazer por um breve instante, suas asas que já estavam do tamanho de seus braços. — Opa.

— Já disse que seus poderes estão um pouco instáveis, especialmente quando fica animado com algo. — Comentei tranquilamente. — Lembre-se de manter a calma ao falar sobre coisas que gosta.

Rafael ficou envergonhado, e o resto do grupo finalmente se juntou a nós, abraçando-nos calorosamente.

— Eros, conte-nos o que está acontecendo nos últimos dias. Meu irmão não diz nada quando ligo, e ainda proibiu minha mãe e o Carter de falarem qualquer coisa. — Luna disse, com um toque dramático.

— Apenas coisas normais do nosso dia a dia, que podem parecer um pouco incomuns para os outros. — Respondi.

— Então estavam apenas conversando sobre suas vidas corridas. — Tatiana sorriu. — Ainda me sinto mal por não ter vindo ao casamento da Ramona.

— Ela entende como é difícil conciliar trabalho e estudos, especialmente quando o cansaço se acumula. — Expliquei, lembrando que o casamento de Ramona aconteceu meses depois de eles terem entrado na faculdade. — Ela adorou o presente que enviou, então está tudo bem.

— Falando nisso, ouvi dizer que Ramona fez uma parceria com o restaurante da minha família. Isso certamente ajudará na expansão dos negócios. — Tate comentou enquanto começamos a caminhar. — Experimentamos a comida que eles prepararam, e estava incrível.

— Imagino que ela esteja enganando muito bem a mãe do Tate do porque fazer tudo muito rápido. — Luna disse. — Afinal está usando a velocidade de vampira dela diversa vezes.

— Qual o problema? Ela tem que usar isso ao favor dela assim como eu estou usando para criar o Rafael. — Respondi e abracei meu filho de lado.

— Está sendo difícil ter segredos tendo dois pais que são Vampiros, como também um que pode me fazer dizer as coisas que ele deseja a qualquer momento. — Rafael respondeu e olhei para sua direção com um enorme sorriso. — Então tenho que ser o melhor filho do mundo.

— Esse é o meu garoto. — Falei bagunçando seus cabelos.

— Eros, porque o Braxton não veio com vocês? — Tatiana perguntou.

— Ele e o Carter estão cuidando dos dragões em seus estábulos, ambos ficam de boa e podem cuidar desse pequeno serviço. — Respondi. — Então podem cuidar muito bem disso para ajudar. Alan também está ajudando junto da Marceline quando não estão sendo os aprendizes dos experimentos da Robin ou da Lauhar.

— Estou louca para ver como está o Xuro depois de tantos anos — Luna disse e quase não a reconheci por demonstrar animação.

É realmente verdade quando dizem que algumas pessoas amadureceram para melhor

Esse pensamento me fez sorrir amplamente.

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Primeiro, deixei as malas dos outros em suas respectivas casas, e todos estavam ansiosos para ver os dragões e o restante do pessoal. Chegamos à propriedade Compton, onde Robin nos esperava do lado de fora, discutindo algo com Damaiel.

— Essa cena já se tornou comum no último ano. — Comentei antes que alguém perguntasse. — Eu desisti de insistir em qualquer coisa.

— Então isso responde a minha primeira pergunta. — Luna disse. — Agora, a segunda pergunta é: por que você não pegou o sobrenome do meu irmão? Espero a muito tempo por essa resposta.

— Braxton decidiu que eu só deveria pegar o sobrenome dele quando Rafael se tornasse maior de idade. — Expliquei. — Isso evitaria muita burocracia e explicaria a data de nascimento de Braxton. Além disso, seria uma maneira de manter uma conexão com meus pais e minha família.

— Então ambos manterão seus sobrenomes. — Tate desceu do carro e observou. — Isso é algo importante.

— Eu também não vou aceitar o seu sobrenome. — Jeremy pegou a chave do bolso e apontou para o ar. Uma porta mágica se materializou, e entramos no estábulo dos dragões. Tudo estava calmo, e os dragões se aproximaram assim que sentiram minha presença, chamando por mim. Xuro liderou a saudação e fez uma reverência.

— Olá, garotão. — Fiz carinho em sua cabeça.

— Meu rei, é bom vê-lo novamente na companhia dos outros. — Xuro falou, e Luna deu um passo à frente, jogando uma fruta que ele pegou no ar. — É um prazer revê-la também.

Braxton apareceu com Carter, Alan e Marceline ao seu lado, acenando para nós.

— Odeio limpar os dragões. — Braxton resmungou e tentou me abraçar, mas eu me esquivei devido ao odor. — Já sei, estou cheirando mal.

— Pode apostar. — Cobri o nariz. — Vai tomar um banho.

Ele piscou para mim com um sorriso enorme no rosto. Enquanto ajudava os outros, lembrei de Maeru e Maxuel, que estavam aproveitando sua lua de mel pelo mundo, depois de perderem a primeira.

Tudo parecia estar bem, e não havia sinal de problemas no horizonte. E isso me fazia feliz.

— Eros, preciso lhe pedir um favor. — Tate me chamou para um canto.

— Pode falar. — Eu disse, abrindo os lábios com um olhar sério. — Do que precisa?

Tate explicou o "favor" em detalhes, e eu entendi imediatamente. Rapidamente, virei-me para os outros, pois sabia que essa situação exigia um momento perfeito.

Braxton planejou esperar até que Jeremy estivesse presente e observar a situação. Se Jeremy saísse primeiro sem motivo, a situação poderia dar errado. No entanto, à medida que ouvia Tate explicar seu plano para pedir meu irmão em casamento, eu não conseguia parar de rir com a ansiedade de Tate para que tudo acontecesse. No final, Tate, incapaz de conter mais sua empolgação, deu um passo à frente.

Eu ouvi atentamente, com os outros fazendo o mesmo. As palavras fluíram de Tate enquanto ele abria uma pequena caixa, revelando a aliança. Jeremy ficou em silêncio por um momento e depois beijou Tate após pronunciar um emocionado "sim".

Senti a mão de Braxton se entrelaçar com a minha, e percebi que, por maiores que fossem as dificuldades que enfrentamos, estávamos todos bem e felizes juntos.

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Fim.

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