Capítulo Trinta e Cinco
Eros Stackhouse:
No decorrer do dia, discutimos em detalhes como proteger nosso lar e a melhor maneira de esconder armas em roupas que não foram projetadas para isso. No entanto, eu notei como Tate e Tatiana se encolhiam ao mencionar formas de proteção sobrenatural. Era compreensível, pois estava claro que eles ainda estavam se adaptando à ideia de que a família de alguém que lhes era querido guardava um segredo sobrenatural e que um mundo oculto existia além do que conheciam. Talvez tenham percebido que eu não era muito habilidoso em explicar essas coisas sem o uso do meu charme.
Rafael estava mais calmo, mas não se afastava nem de mim nem de Braxton. Acabamos adormecendo na cama dele, com Rafael entre nós dois. Quando finalmente acordei, ouvi batidas altas e repetitivas na porta da frente. Corri em direção à porta e a abri.
Do outro lado, Lauhar estava de pé, vestindo calças jeans e um casaco que, apesar de parecer sujo e rasgado, tinha um toque artístico. Alguém havia gasto tempo e dinheiro rasgando aquele casaco.
— Oi, posso pedir que faça algo por mim? — ela perguntou, indo direto ao ponto.
— Claro, entre e me diga o que precisa — respondi calmamente, dando-lhe espaço. Percebi que no bolso do casaco dela havia uma pequena figura. — Damaiel?! — O pequeno Damaiel acenou para mim. — O que aconteceu com ele?
— Meus irmãos estão brigando desde a sua luta, já que você literalmente humilhou a honra dos anjos ao vencer a luta — Lauhar explicou, sentando-se no sofá em minha frente. — Taeljama, pelo que parece, amaldiçoou Damaiel por se opor a ele e defendê-lo em um plano dos anjos para recuperar o colar de Jade e quebrar o encanto que os impedia de agir contra vocês. Damaiel só voltará ao normal quando você aceitar as palavras do nosso irmão como verdadeiras.
— Entendi. Mas por que você veio aqui? — perguntei.
— Damaiel encontrou algo que indica que alguns anjos estão se unindo a Logan — Lauhar respondeu, e eu olhei chocado em sua direção. — Ele os convenceu a ajudar e sei que ele planeja fazer algo para nos destruir. Drucuivalon está em perigo.
— Ainda não entendo por que vocês vieram até aqui. Você não consegue reverter a maldição? — perguntei novamente.
— Eu vim também para falar sobre aquele veneno. Examinei um pouco do veneno que estava no corpo de Maxuel. Fiz comparações com diferentes toxinas e descobri que se tratava de uma cataplasma, um concentrado raro de beladona com veneno demoníaco. Logan o modificou para torná-lo ainda mais letal. Se Max não fosse parte anjo, teria morrido em segundos — Lauhar explicou, fazendo meu coração acelerar com essas palavras. — Não posso desfazer facilmente a magia do meu irmão. Os ingredientes são poderosos demais e requerem uma grande quantidade de energia. Além disso, se eu fizer isso em casa, a fúria de Taeljama cairá sobre mim.
— Então Logan está usando as pessoas que ele deseja destruir em seu próprio plano — murmurei incrédulo. — Ele realmente é hábil em fazer com que as pessoas façam o que ele quer. Você pode ficar aqui para cuidar de seu irmão, e Robin será de grande ajuda para reverter o feitiço.
— Agradeço pela informação e já vou até a casa dela — Lauhar disse, sorrindo, enquanto seu irmão Damaiel fez uma careta. — Mas antes de começar a fazer o feitiço de reversão... — Ela sorriu amplamente, segurando o pequeno Damaiel em sua palma. — Tem algumas roupas de bonecas aqui.
Damaiel olhou para a direção da irmã, completamente horrorizado, e isso nos fez soltar uma risada.
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Minha mente estava trabalhando a todo vapor, tentando encontrar uma maneira de entender como poderíamos impedir Logan. Era perturbador pensar que nossos dias tranquilos poderiam ser interrompidos a qualquer momento. Sempre havia a possibilidade de alguém estar preparado para deter aquele louco, mas, por alguma razão, eu duvidava que fosse o caso. Afinal, por trezentos anos, ele conseguiu se esconder do mundo e manipular as pessoas para fazerem o que ele queria.
Parecia que Maxuel não tinha ideia do quão perto esteve da morte pela segunda vez em muito tempo. Logan estava sempre pronto para se defender e causar o caos. Meus pensamentos sobre venenos e conspirações desapareceram quando finalmente cheguei à porta do quarto de Jeremy. Bati e entrei, encontrando-o sentado na cama, abraçando os joelhos.
Um coelho de pelúcia feito por nossa mãe anos atrás estava deitado à sua frente. Eleys era o nome do boneco que sempre o acompanhava.
— Faz tempo que não vejo este coelho — comentei, sorrindo ao pegar a pelúcia. — Nem lembro a última vez que você o usou.
— Estou com muita coisa na cabeça — Jeremy suspirou. — Eros, eles vão pensar que sou um estranho por causa de tudo o que ouviram hoje.
Sentei-me à sua frente, segurando suas mãos pela primeira vez em muito tempo, percebendo que sua mente estava à beira do colapso.
— Calma, foi muita informação para um único dia — tentei tranquilizá-lo. — Não se preocupe com isso. Quando Tatiana e Tate te virem, eles vão querer que você faça algum truque de mágica para eles, e possivelmente, algo relacionado a esportes. — Ele me olhou com atenção. — Sabe como eu sei que eles estarão ao seu lado e não vão se importar com esse nosso outro lado? Porque ambos te amam e sempre farão parte da nossa família. Eles não podem me deixar lidar com você completamente sozinho.
Jeremy riu, e uma pontada de felicidade atravessou meu coração. O som de sua risada era genuíno, sem qualquer tentativa de escondê-la ou de achar que deveria disfarçá-la.
— Você tem um pouco de razão — Jeremy admitiu, recuperando-se. — Eles também não podem me deixar sozinho para te aturar.
Respondi mostrando a língua para ele e, em seguida, ele jogou um travesseiro em mim, fazendo-nos gargalhar. Era um momento de alívio, um lembrete de que, mesmo com todos os desafios sobrenaturais à nossa volta, a conexão e o amor entre nós continuavam inabaláveis.
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No meio da noite, deitado na cama, olhei para o teto e desejei poder voltar aos meus dias de paz e calma. Braxton, que estava ao meu lado na cama, aproximou nossos corpos, como se soubesse que algo me perturbava profundamente.
— O que está passando pela sua mente, a ponto de deixar seu coração tão ansioso assim? — Sussurrou suavemente. — Posso ver que algo está dominando seus pensamentos apenas olhando em seus olhos.
Eu sabia que ele não deixaria isso passar em branco por muito tempo. Para acalmar um pouco minha ansiedade, respirei profundamente. Os próximos momentos seriam um teste árduo, com meus nervos se transformando em um trampolim e minha mente em um turbilhão. O desafio era atravessar as fases do pânico e depois fortalecer-me quando o medo se dissipasse.
— Tive um pensamento sobre o que poderia pedir ao colar — comecei. — Senti em meu coração que poderia pedir meus pais de volta. Eu sei que isso causaria um desequilíbrio no mundo. Os mortos devem permanecer mortos. Mas eu sinto falta deles todos os dias, é uma dor constante. Cresci com eles sendo meus heróis. — Meu coração apertou, e minha garganta começou a se fechar, as lágrimas encheram meus olhos. — Quando eles se foram, algo dentro de mim se quebrou. Sinto falta dos conselhos que eles me davam, das broncas e até das nossas brigas bobas.
Braxton colou seu corpo ainda mais ao meu, me abraçando suavemente contra seu peito.
— Agora entendo por que você estava tão pensativo nos últimos dias — Braxton sussurrou, envolvendo-me com seus braços calorosos. — Não posso imaginar a intensidade de sua dor, mas quero que saiba que qualquer decisão que você tomar terá todo o meu apoio.
Ficamos assim, com ele ao meu lado, sendo minha âncora e confidente neste momento de profunda reflexão. Era reconfortante tê-lo ali, compartilhando o peso das minhas preocupações e medos.
O silêncio na sala estava carregado de sentimentos que só podiam ser expressos pelo calor do nosso abraço. À medida que as palavras se dissipavam, Braxton continuou a me segurar com ternura, e eu afundei mais em seu abraço, buscando conforto e consolo na sua presença constante.
Meus pensamentos ainda estavam repletos de dúvidas e conflitos internos. O desejo de trazer meus pais de volta era avassalador, mas a compreensão de que isso poderia ter consequências devastadoras pairava sobre mim como uma sombra. A escolha que eu fizesse não afetaria apenas a minha vida, mas também a de todos ao meu redor.
Braxton permaneceu em silêncio, permitindo que eu processasse meus sentimentos. Seu toque era um bálsamo para minha alma, e eu sabia que podia contar com ele, não importasse qual caminho eu escolhesse.
— Obrigado, Braxton — sussurrei finalmente, rompendo o silêncio. — Por estar aqui, por entender, por ser meu porto seguro.
Ele beijou suavemente o topo da minha cabeça e murmurou palavras de carinho. Juntos, compartilhamos aquele momento de conexão profunda, enfrentando o futuro incerto com coragem e amor. Era reconfortante saber que, independentemente das escolhas que eu fizesse, Braxton estaria ao meu lado, enfrentando os desafios e as incertezas da vida sobrenatural juntos.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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