Capítulo Oito

Eros Stackhouse:

Na manhã seguinte, Braxton e eu nos dirigimos a uma pequena construção escondida nas profundezas do submundo. O lugar era estranho e misterioso, com um ar de segredo que pairava no ar. Mal sabia eu que aquele dia me levaria a descobertas inimagináveis.

Enquanto nos acomodávamos na primeira fila dos assentos VIP, observei o ambiente ao redor. O local do leilão estava ricamente decorado, com uma aura de mistério e elegância que envolvia os presentes. O olhar de Braxton percorria a lista de itens a serem leiloados, e eu me concentrei em suas palavras.

No entanto, fui interrompido por uma comoção ao meu redor. Vozes em pânico ecoaram pelo recinto, e as pessoas ao nosso redor pareciam reagir a algo surpreendente. Segui o olhar de Braxton e me deparei com duas mulheres incrivelmente belas entrando no local.

A mulher mais alta, vestida em um deslumbrante vestido roxo que se arrastava pelo chão, parecia uma estrela de cinema. Seus cabelos estilizados em um penteado retrô europeu caíam graciosamente sobre seus ombros. Sua pele clara realçava sua beleza.

Acompanhando-a, a outra mulher vestia um terno sereia cinza-rosado pálido, exalando uma aura de confiança e elegância. Conforme nossos olhares se cruzaram, elas se aproximaram, exibindo sorrisos brilhantes.

— Emma? Emma Shan?— Braxton perguntou com surpresa, e a mulher alta confirmou com um aceno.

— Exatamente— ela respondeu, enquanto sua esposa, Sabrina, se sentava ao nosso lado. — Sua mãe entrou em contato conosco para falar sobre o dom do seu namorado.

— Não somos namorados — Braxton e eu dissemos simultaneamente, corando com a suposição.

— Está tudo bem, mas podemos discutir isso após o leilão — Emma sugeriu, e nós concordamos relutantemente.

O leilão começou, e Emma parecia desinteressada nos primeiros itens. Ela explicou que estava ali para licitar na quarta exposição, uma água-marinha, e não se interessou pelos demais objetos.

A água-marinha foi apresentada pelo leiloeiro como uma pedra de grande valor, com cerca de 200 gramas, azul por dentro e verde por fora, além de ser clara e transparente. O lance inicial foi de cinco milhões de dólares, e Emma, que parecia determinada a adquiri-la, levantou a placa com um incrível cem milhões de dólares.

Fiquei atônito com o valor, enquanto Sabrina explicou que Emma pretendia transformar a água-marinha em um colar. Enquanto o leilão prosseguia, Braxton se levantou abruptamente e saiu com o telefone em mãos, dizendo que precisava fazer uma ligação urgente.

Quando Braxton retornou, o leilão já havia terminado, e a água-marinha estava nas mãos de Emma. Intrigado com a situação, ele perguntou a ela o que tinha licitado para minha mãe. Foi quando Emma revelou que não havia comprado nada para ela, mas tinha adquirido uma linda safira rosa para mim, um anel de verbena para os amigos e o irmão de Braxton.

Minha reação não foi contida, e gritei alto de indignação, chamando a atenção de todos no leilão. Emma manteve-se calma e sorriu misteriosamente, afirmando que era uma clarividente e que gostava muito de mim. Prometeu que teríamos muito o que discutir e, sem olhar para trás, nos convidou a segui-la para uma conversa que prometia desvendar muitos segredos e mistérios.

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Depois de caminharmos por alguns minutos, chegamos a uma majestosa mansão. Sentamos em uma sala bem iluminada, com Emma à minha frente e Braxton ao meu lado. Braxton virou a cabeça brevemente para olhar Sabrina, que estava absorta em sua leitura. Um franzir de testa sutil atravessou seu rosto.

— Seu dom é chamado de charme — declarou Emma. — Embora eu saiba que você não seja um semideus, posso afirmar que sua habilidade deriva dos anjos com a graça divina.

— Então ele tem parte de anjo em si? — Braxton questionou.

— Não há magia divina em seu sangue, mas a capacidade de usar a graça divina se diluiu ao longo do tempo. Parece que essa não foi a primeira vez que isso ocorreu em sua família— explicou Emma, apertando minha mão gentilmente sobre a mesa. —Eu tentei clarear sua mente para que você possa me ajudar.

— Eu não sei se serei capaz de fazer isso — respondi, sentindo-me inseguro. Emma, no entanto, respondeu com um sorriso caloroso, compreendendo meu estado emocional.

— Não há problema em se sentir assim. Apenas limpe sua mente e concentre-se em ver junto comigo — instruiu ela, fechando os olhos. Segui suas orientações.

Minha mente pareceu se abrir de repente, como um elástico de borracha esticado ao limite, revelando um turbilhão de imagens projetadas contra a escuridão atrás das minhas pálpebras cerradas. Emma pediu que eu me concentrasse ainda mais, e as imagens se tornaram mais vívidas.

Vi minha mãe segurando duas adagas duplas, treinando ao lado do meu pai. Ela estava preocupada com a presença de Jeremy e eu, alertando que seu passado estava enterrado.

A seguir, vi um céu baixo e sombrio, árvores negras e despidas, minha mãe abraçando-me com lágrimas nos olhos enquanto encarava meu pai, cujas pontas dos dedos estavam queimadas.

As imagens passaram mais rápido, como páginas de um livro cujas ilustrações pareciam ganhar vida a cada virada. Vi minha mãe olhando um antigo colar com um pingente de jade, pedindo-me para manter segredo sobre esse objeto.

Em outra cena, estávamos em um parque, com pequenas luzes verdes do tamanho de palitos de dente zumbindo entre flores vermelhas, fazendo pequenas tranças em nossos cabelos. Minha mãe observava a cena com um sorriso divertido, enquanto meu pai parecia preocupado. Próximo a eles, um rapaz chamado Maxuel ria suavemente do meu pai.

As imagens deram lugar a cenas de fogo e sangue, um cheiro de fumaça pairando no ar e destroços de um carro. Figuras misteriosas rodeavam-me e a Jeremy, que chorava desesperadamente. Ao longe, identifiquei uma figura com duas séries de asas de anjo, sendo o primeiro conjunto maior que o segundo. Seu olhar transbordava de desprezo e ódio, e em sua mão estava o colar de jade.

As imagens começaram a se desvanecer, girando ao meu redor, e eu lutei para manter minha consciência enquanto tentava compreender o significado de tudo aquilo.

As imagens continuaram a rodopiar em minha mente, e eu me sentia completamente imerso nesse turbilhão de memórias. A sensação era avassaladora, como se eu estivesse experimentando cada cena, cada emoção, como se fosse parte delas.

À medida que as imagens passavam diante dos meus olhos interiores, eu sentia uma variedade de emoções profundas. Havia tristeza e dor ao ver minha mãe chorando e meu pai ferido. Havia curiosidade e encantamento ao observar as luzes verdes brincando em meu cabelo. Havia medo e desespero quando as cenas de fogo e sangue surgiam diante de mim.

A figura com as asas de anjo e o colar de jade emanava uma aura de ameaça, e eu podia sentir a intensidade de seu ódio. Era como se eu estivesse compartilhando suas emoções, como se a hostilidade dele estivesse fluindo para dentro de mim.

Conforme as imagens se desvaneciam e minha mente voltava à realidade, eu estava exausto e atordoado. A experiência tinha sido avassaladora, e eu me sentia emocionalmente drenado. Emma ainda segurava minha mão enquanto respirava pesadamente, Sabrina entregou algo para ele.

— Suas memórias estão protegido, por magia de uma criança de um arcanjo que é bastante poderosa. — Ela disse. — O bloqueio na sua mente é forte demais, pode ser desfeito em segurança por quem o aplicou. Se eu tentar força ainda mais as suas memórias para ver tudo que deseja saber iria acabar o matando.

As palavras de Emma ecoaram na sala, e a gravidade da situação pairou no ar. Ela explicou que minhas memórias estavam protegidas por uma magia poderosa, lançada por uma criança de um arcanjo. O bloqueio era tão forte que qualquer tentativa de forçar o acesso às minhas lembranças poderia me matar.

— Mesmo assim, eu agradeço por me ajudar a entender um pouco mais sobre meu poder— agradeci a Emma enquanto nos levantávamos da mesa. Braxton e eu trocamos olhares carregados de preocupação e curiosidade.

—Braxton, preciso falar com você em particular — disse Emma, recuperando completamente seu sorriso. —Eros, em quatro dias, enviarei os presentes para você.

Assenti e segui Sabrina para fora da sala, onde aguardaria o retorno de Braxton, ciente de que muitos segredos ainda pairavam no ar e que aquela jornada estava apenas começando.

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Permaneci em silêncio enquanto Sabrina estava imersa em seu livro. Braxton saiu abruptamente da sala e me agarrou pelo braço. Juntos, voltamos para a área aberta do local. Respirei profundamente o ar da manhã, que estava carregado de uma atmosfera única, típica de um mundo repleto de seres sobrenaturais.

Minha mente começou a ser inundada por lembranças fragmentadas. As adagas duplas que pertenciam à minha mãe apareceram em minha mente, suas lâminas brilhando com uma luz verde etérea. Recordações do rapaz misterioso chamado Maxuel, o misterioso colar e até mesmo imagens do acidente que havia mudado minha vida para sempre.

Parecia que eu já havia mergulhado no mundo sobrenatural anteriormente, mas as lembranças eram confusas e fragmentadas.

Braxton, com uma expressão fechada no rosto, entrou no carro alugado, e nós partimos dali. Ele permanecia imerso em seus próprios pensamentos, e eu sabia que havia muito mais a descobrir sobre meu passado e o mundo misterioso que me rodeava.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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