Capítulo Dezessete
Eros Stackhouse:
Quando Rafael finalmente adormeceu, decidi que era hora de ter a conversa séria que tanto precisávamos. Chamei Jeremy e Maxuel para se sentarem na sala, e o clima tenso pairava no ar.
Sentamos em volta da mesa de centro, nossos olhares ansiosos fixos em Maxuel, aguardando as respostas que tanto ansiávamos.
— Maxuel, o que exatamente você quis dizer com o "selo" nas nossas memórias? — Perguntei, minha voz carregada de expectativa.
Ele suspirou profundamente antes de começar a explicar. — É uma história longa, Eros, mas acredito que já é hora de vocês conhecerem a verdade sobre quem são e o que isso implica.
Jeremy olhou para mim, seus olhos cheios de curiosidade e ansiedade. — Por favor, conte-nos.
Maxuel começou a compartilhar conosco a história da nossa linhagem, revelando nossa descendência como caçadores de seres sobrenaturais e a bênção do mundo divino que corria em nossas veias. Ele explicou como, com o tempo, nos tornamos algo que os anjos detestavam, uma ameaça potencial, e como isso levou à criação do "selo" nas nossas memórias para nos proteger.
Enquanto ele falava, meu coração disparou de incredulidade. Era difícil absorver tudo aquilo, mas ao mesmo tempo, senti que estava finalmente entendendo o que sempre foi um enigma em nossas vidas.
Jeremy olhou para mim com olhos arregalados, e eu sabia que ele estava processando a mesma avalanche de informações.
— O que precisamos fazer agora? — Perguntei a Maxuel.
Ele olhou pensativo por um momento. — Primeiro, vocês precisam aceitar quem são e o que representam. Depois, vou ajudá-los a aprender a controlar seus dons e a entender as regras do mundo sobrenatural. Há muito a ser feito.
À medida que a noite avançava, Maxuel continuou a compartilhar sua sabedoria conosco. À medida que a conversa progredia, começamos a ver o mundo de uma maneira completamente diferente. Era o começo de uma jornada que nos levaria a lugares que nunca imaginamos, e nós estávamos dispostos a enfrentá-la juntos.
— Maxuel, quer começar a falar de uma vez tudo que precisamos saber? — Pedi, ansioso por mais informações.
Meu tio vampiro assentiu enquanto suspirava lentamente.
— Acho melhor fazer isso de uma vez. Ambos precisam saber um pouco sobre mim e o passado da sua mãe antes de ela se tornar Jéssica Stackhouse. — Maxuel falou, sentando no braço do sofá. — Sei que desejam saber tudo sobre o colar de Jade. Sua mãe era integrante dos caçadores sobrenaturais, mas, diferentemente dos outros membros da família dela, nunca desejava fazer mal às criaturas do mundo invisível.
— E o nosso pai? — Jeremy perguntou, querendo entender seu papel nessa história.
— Ele tinha a habilidade de enxergar o Mundo Invisível e seus descendentes herdaram afinidades com os dons do mundo divino, mas com o tempo, esses dons se desgastaram. O último da família a possuir esses dons foi o filho mais novo do meu irmão. — Maxuel explicou, seus olhos perdidos em pensamentos.
Houve um breve silêncio antes de Jeremy dar um passo à frente, suas palavras carregadas de emoção.
— O anjo que Eros viu nas memórias, aquele que tirou nossos pais de nós... por que não os deixou simplesmente pegar o maldito colar? — Jeremy perguntou, sua voz se tornando ríspida.
— O colar é poderoso, com a capacidade de recriar algo. Se a família da sua mãe conseguisse esse poder, poderiam destruir o que quisessem. Aquele anjo foi enviado para recuperá-lo e protegê-lo. — Maxuel explicou com calma. — Os anjos são criaturas implacáveis e farão de tudo para cumprir as missões que lhes são dadas por seus superiores.
Ouvir essas palavras aumentou meu medo e ansiedade.
— Por que você decidiu bloquear nossas memórias e, em seguida, permitiu que Eros as buscasse com alguém desconhecido? Queremos que desfaça isso agora, elas fazem parte de quem somos e das memórias dos nossos pais. — Jeremy falou com firmeza, suas mãos tremendo ligeiramente.
Eu apertei o ombro de Jeremy, sentindo a tensão na sala. Finalmente, Maxuel moveu a boca e sua expressão se tornou a de alguém que compreendia completamente a situação que Jeremy estava passando. Ele parecia orgulhoso das escolhas de seus parentes mais novos.
— Seus pais pediram que eu fizesse isso caso algo acontecesse com eles. Mesmo que não achasse que fosse a melhor ideia, fiz para protegê-los. — Maxuel explicou com sinceridade. — Devo admitir que usar um feitiço para bloquear memórias nunca foi o meu forte. Sabia que estava defeituoso quando o fiz e torcia para que nada de ruim se tornasse real. O desejo dos seus pais era que tudo ligado ao submundo que vocês pudessem ver fosse esquecido imediatamente. Nenhuma imagem de fadas, duendes, ou qualquer ser sobrenatural. O dom de Eros não desapareceria, mas eu poderia fazer com que as pessoas ao seu redor não acreditassem que era real. Afinal, para os mundanos, a magia não existe. — Maxuel suspirou, mas seu sorriso ainda estava presente. — Entretanto, entendo que essa é uma decisão que vocês querem desfazer. Avisando de antemão que, quando desfizer o bloqueio, todas as memórias voltarão. Cada sensação e experiência que vocês tiveram com o mundo sobrenatural retornará.
Jeremy e eu trocamos olhares preocupados, enquanto Maxuel levantou a mão e traçou letras no ar. Quando retirou a mão, as letras permaneceram, brilhando em dourado, algo em minha mente começou a brilhar também.
— Isso vai doer? — Jeremy perguntou, preocupado com o que estava por vir.
— Anos de memórias bloqueadas, então vai doer. — Maxuel admitiu.
Uma pequena faísca se acendeu em minha mente, e uma enxurrada de lembranças me atingiu com toda a força. Uma série de imagens se desenrolou diante de mim: pequenos seres feéricos compartilhando um piquenique conosco, um garoto que parecia um leão brincando conosco, e uma última memória de nossa família em uma clareira, quando éramos crianças, observando nosso pai pintar.
— Chega! — Maxuel interveio, uma lufada de ar passou por nós, e Oscar estava ao nosso lado, olhando preocupado para mim. — Lembrem-se, as memórias já estão voltando, precisam controlar a intensidade para evitar dores de cabeça.
Jeremy tentou assimilar as memórias com calma, enquanto eu também me esforçava para manter a mente sob controle.
— Quem é Agari? — Perguntei a Maxuel, curioso sobre essa figura misteriosa.
Ele olhou para mim com uma expressão de tristeza.
— Ela era uma feérica que desafiou o desejo de casar com um arcanjo e, como castigo, foi condenada a viver presa em uma floresta para sempre. Sua mãe a conheceu por acaso e costumava visitá-la, mostrando-lhe como o mundo é. Elas se tornaram amigas, e durante as estações, se encontravam. A última vez que se viram foi no dia do acidente.
Senti pena dessa mulher que foi condenada a uma eternidade de solidão por seguir seu próprio coração.
Maxuel olhou para o relógio e decidiu que deveríamos dormir. Ele nos informou que teríamos treinamento com espadas no dia seguinte.
— Oscar me contou tudo, e também gostaria de conversar com essa Robin e seus filhos amanhã. — Maxuel disse, levantando-se do sofá enquanto nos preparávamos para ir para a cama. Era evidente que havia muito mais a ser descoberto e compreendido sobre nosso passado e nosso lugar no mundo sobrenatural.
**************************
Naquela noite, a insônia me atormentou enquanto eu me revirava na cama, os lençóis se enrolando em minhas pernas à medida que eu tentava evitar as memórias que teimavam em emergir. As imagens vinham à minha mente com força, desfilando lentamente, amarradas a centenas de sentimentos e milhares de sensações há muito enterradas, deixando-me sem fôlego ou completamente apavorado pela dor que traziam consigo.
Quando a manhã finalmente chegou, senti meus membros pesados, como se tivessem sido sobrecarregados pela avalanche de lembranças. Ao esticar o braço para desligar o alarme do celular, minhas pontas dos dedos latejaram de dor, fazendo meu coração bater mais rápido em resposta.
Com a testa franzida, afastei as cobertas e me levantei, dirigindo-me diretamente ao banheiro. Liguei o chuveiro na temperatura mais quente que conseguia suportar, deixando a água quente cair sobre meu corpo, uma tentativa desesperada de relaxar meus músculos doloridos.
Depois de sair do chuveiro, terminei minha higiene matinal e vesti uma roupa limpa. Ao descer as escadas em direção à cozinha, pude ouvir as risadas de Rafael e Maxuel vindas do andar de baixo. Respirei fundo, reunindo minha coragem para enfrentar as memórias que continuavam a me atormentar.
Jeremy apareceu na cozinha alguns minutos depois, e o café da manhã transcorreu em silêncio, apenas o som do rádio preenchendo o ambiente. Enquanto nos preparávamos para sair, Maxuel estava no banco do motorista. Durante todo o trajeto até o destino desconhecido, mal trocamos palavras, mergulhados em nossos próprios pensamentos.
— Maxuel, um dia você poderia me levar até a floresta onde Agari está presa? — Perguntei, olhando fixamente para a estrada à nossa frente.
Ele considerou minha pergunta por um momento antes de responder.
— Claro, posso fazer isso. A grande questão será se Agari estará disposta a nos receber.
___________________________________
Gostaram?
Até a próxima 😘
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top