Prólogo
Em um quarto de hospital de uma província na Escócia, depois da invasão britânica, uma garota acordava sem saber quem era.
A luz suave da manhã que invadia o pequeno quarto através das janelas a despertava. Aos poucos a garota foi recobrando a consciência.
Então, abriu os olhos, sobressaltada.
"Onde estou?", a jovem dama se perguntava, tentando desesperadamente encontrar algum pensamento coerente em sua mente.
Olhou ao redor, reconhecendo ali como um quarto de hospital, e ficou ainda mais apreensiva.
"Hospital ou sanatório? Já que não tenho posse de minhas memórias, devo ser uma demente!"
Não houve mais tempo para conjecturas, pois nesse momento a porta se abriu, e um homem entrou. Um belo homem, de cabelos negros e olhos castanhos, usando um jaleco branco e com uma prancheta em mãos.
Ele sorriu quando viu a paciente desperta.
Finalmente! Ela estava desacordada há dias, e o médico temia que a jovem tivesse tido danos cerebrais irreversíveis.
- Senhorita Montblanc! Deveria ter nos chamado assim que despertou! Como se sente? - Dr. Cooper questionou, aproximando-se da cama para examinar a paciente.
- Quem é o senhor? Onde estou? O que houve? - a jovem ficava mais confusa a cada batida de seu coração acelerado.
O médico, atento e experiente como já era, mesmo com a tenra idade, notou o que estava acontecendo. Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado do leito.
- Preciso que me diga a última coisa que se lembra. Qualquer coisa, senhorita! - o médico pediu, suavemente, olhando nos olhos azuis de sua paciente. Ou seriam verdes? Uma mistura fascinante dos dois tons, ele notou.
- Eu...
A dama deixou o olhar vago por um momento, e Doutor Cooper quase podia ouvir o esforço que fazia para se lembrar de algo, de qualquer coisa. Sentiu pena, então, da jovem e bela dama em sua frente.
- Eu não.. consigo. Apenas - ela deixou a frase morrer em seus lábios em um ínfimo sussurro, e encarou o médico a sua frente, que quase sobressaltou-se com a intensidade daquele olhar. - O que aconteceu comigo? Diga-me. Agora mesmo. Diga-me!
O corpo da jovem tremia, o médico temia que ela tivesse uma crise histérica a qualquer momento. Ele decerto também perderia a cabeça caso acordasse um dia com um grande vazio em sua mente. Ele apressou-se a tentar acalmá-la.
- Senhorita Montblanc, vou explicar tudo, mas preciso que respire calmamente, sim? Assim - Doutor Cooper expirou profundamente mostrando a jovem o que ela deveria fazer e segurou o ar nos pulmões aguardando que ela fizesse o mesmo, assim que ela o imitou, ele expeliu lentamente o ar, e a jovem também, acalmando-se um pouco em seguida. - Melhor?
- Sim. Desculpe-me. Apenas diga-me eu lhe imploro!
- Lembra-se de seu nome?
A dama pensou e notou, com aflição, que não se lembrava. Acenou a cabeça negativamente.
- Annelizy Montblanc. - o médico, então, aguardou sua paciente absorver essa informação. E também tomou alguns segundos para se preparar para a dolorosa informação que deveria dar em seguida. A jovem, por sua vez, repetia incessantemente o nome em seus pensamentos, questionando-se se o médico mentira para ela. Decidiu então que não, pois de alguma maneira sabia que aquele nome lhe pertencia. Lhe parecia certo. Acenou a cabeça, positivamente desta vez. - Senhorita, o que devo lhe contar não é de maneira alguma algo agradável.
- Para eu ter acordado num leito de hospital sem saber quem sou eu já esperava por uma história terrivelmente triste, doutor. Diga por qual tormento passei. Eu aguento, desde que me diga a verdade. Por mais dolorosa que seja.
Doutor Cooper notou como a jovem era forte. Não devia esperar menos da filha do general dos exércitos britânicos. Ele obviamente a criou para ser forte e encarar seus desafios. E ela aprendeu com excelência.
- A senhorita e seus pais foram atacados em sua residência, a casa Blanc. Eles, infelizmente, não sobreviveram. A senhorita levou uma forte pancada na cabeça, ficou desacordada por dias. - novamente ele aguardou que ela absorvesse a informação, mas a jovem parecia ansiosa para saber tudo o quanto antes. Não que o médico pudesse lhe dizer muito mais, isso era basicamente tudo o que sabia.
- Quantos? Quantos dias? O assassino foi pego?
- Oito, senhorita. Está aqui há oito dias hoje.
- Meus pais já foram enterrados, então. - a dama disse, simplesmente. Sem gritos, sem dramalhão.
Quando o médico ia lhe responder a porta do quarto foi abruptamente aberta e um homem entrou e estancou.
Não qualquer homem, o noivo dela, Lorde Ethan Coen.
Doutor Cooper notou, então, o quanto sua paciente empalideceu ao vê-lo ali. Suas pupilas dilataram-se. Suas narinas abriram-se puxando mais ar para os pulmões. Seu corpo voltou a tremer. Aqueles não eram bons sinais.
- Estou examinando a paciente, devo pedir que se retire, Lorde Coen.
- Não. Ela vai embora comigo. Imediatamente. Vista-se, Lizy.
Tudo o que Annelizy Montblanc sentia naquele momento era terror. Terror brutal. A imagem daquele homem alto e de cabelos e olhos negros lhe despertou uma memória. Na verdade, um aviso. Fuja. Era isso que sua mente vazia e confusa pedia que ela fizesse. Afastar-se o máximo possível daquele homem.
- Não, ela acabou de acordar. Ainda está fraca e confusa e não sairá daqui até que eu a libere. Então retire-se.
O homem parado a porta praticamente rosnou, mas virou-se e saiu a passos largos. Doutor Cooper então relaxou a postura, agradecendo mentalmente por lorde Coen não ter discutido por mais tempo.
- O senhor não pode permitir que aquele homem me leve. - Annelize o olhou - Por favor, doutor. Não permita.
- Mas, senhorita, ele é seu noivo. E até onde sei, é a pessoa mais próxima de um parente que ainda lhe resta.
- Ele é um monstro!
- Lembra-se de algo? Ele lhe despertou alguma memória?
- Me despertou um sentimento. Medo. Eu não irei com ele. Eu juro ao senhor. Eu morrerei antes de permitir que aquele homem me leve.
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