Capítulo XXXIV
Hoje completavam onze dias que eu estava usando meu lindo anel de noivado.
Onze dias que eu estava noiva de Jamie, e eu não via a hora de me tornar Annelizy Mackenzie, a mulher mais feliz desse mundo.
Ian ficou empolgado com a notícia quando o informamos na manhã seguinte ao pedido de Jamie, dizendo que já estava mesmo já hora.
E, desde aquele dia, graças aos céus, ele voltou a ser o rapaz animado e um pouco irritante que era.
Quando retornarmos para casa, espero que ele e Nita se entendam de uma vez.
Agora era quase anoitecer e estávamos chegando ao nosso destino.
Ao longe já podemos ver o cinza da construção, suas muralhas longas e altas protegendo a fortaleza, suas torres de sentinela mantendo a vigília, mesmo que agora ali só vivam lembranças de outrora.
Toda aquela imponência em veio ao verde exuberante das planícies é um pouco grotesca. Mas, talvez eu ache isso apenas porque sei que ali fora o palco de um massacre, um espetáculo de horrores.
Quando finalmente chegamos e atravessamos os portões de madeira maciça, é impossível não sentir o peso do que ali aconteceu.
Desmontamos dos cavalos e os prendemos em um pedaço de carroça quebrada que havia no pátio, e andamos um pouco pelo lugar.
Conforme adentramos a fortaleza, eu e Jamie de mãos dadas e Ian indo a nossa frente, eu sinto a obscuridade que ali ficou.
O ataque e as mortes em massa deixaram sua marca. O ar é denso, o ambiente silencioso, meus pelos ficam eriçados. Enlaço meu braço ao de Jamie, apoiando-me nele.
- Está tudo bem? - ele pergunta preocupado.
Apenas aceno positivamente, não confiando em minha voz para respondê-lo.
Mais a frente Ian para seus passos, e logo paramos ao lado dele. Sigo o olhar de Ian para o chão e o vejo enegrecido.
Então, após alguns segundos, noto que aquela grande mancha é sangue.
Mesmo após todos esses anos.
- Jamie isso é… - não consigo terminar a frase, tamanho enjôo que toma conta de mim.
- Lizy, você está bem? Está estranha já algum tempo.
- Eu acho que vou… - antes que termine de falar eu vomito no chão, num grande jato.
Pelo menos consigo mirar longe dos nossos pés.
- Céus, Lizy! - Jamie segura meu cabelo enquanto eu continuo vomitando.
Percebo que Ian sai correndo para buscar água e um pano para mim.
Quando termino Jamie me carrega para longe dali em seus braços. Se eu olhar aquela poça enegrecida sei que passarei mal novamente.
Voltamos a entrada, onde estão os cavalos, e Ian vem ao nosso encontro, trazendo o cantil para eu poder lavar a boca.
Sento-me na carroça quebrada, ainda trêmula.
- Sente-se melhor? - Jamie pergunta, agachado a minha frente, preocupado.
- Aquilo era.. era sangue?
Ele me dá um aceno positivo.
- Coisas ruins aconteceram aqui, Lizy. Sinto muito.
- Se eu fosse você não ficaria na frente dela. - Ian diz.
- E quer que eu fique aonde? - Jamie pergunta.
- Mais ao lado, se ela vomitar novamente irá tudo na sua cara. - ele diz, rindo.
Percebo que ele está tentando me distrair.
- Talvez eu me vire para jogar meu vômito sobre você. Acidentalmente, é claro. - digo, sorrindo.
- Obviamente. - Ian diz. - Bem, que tal montarmos acampamento já? Não tardará a anoitecer.
- Pensei que gostariam de passar a noite lá dentro. - digo apontando a fortaleza com a cabeça.
Bebo mais um pouco de água enquanto Ian olha para a estrutura, assombrado.
- Não. Não há nada ali para nós, aqui já não é nosso lar há muito, muito tempo, não é Jamie?
- Sim, deixemos a fortaleza para os fantasmas. Ficaremos bem aqui. - Jamie diz, acariciando minha mão, meu anel.
- Bem, irei ver se o poço está cheio, creio que precisamos de um banho, mesmo que seja frio, que tal?
Ian sai e nos deixa a sós.
- E eu irei procurar galhos para a fogueira.
- Nem pensar!
- Ah, é? E porque não? - digo, levantando-me.
- Porque está passando mal! - Jamie diz já em pé, exasperado.
- Mas eu não estou mais! Seu brutamontes mandão!
- Eu? Eu sou mandão? Você que é uma criaturinha irritante e teimosa ao extremo!
- Pois bem, tem razão. Por isso eu digo que irei juntar a maldita lenha e é o que farei. - digo saindo dali.
Paro alguns passos a frente, e olho para trás, onde Jamie olha para mim num misto de irritação e divertimento.
Porém em mim só há irritação.
- E vá montar as barracas! - grito.
Sigo furiosamente para fora dos muros da fortaleza, e caminho por ali juntando galhos para alimentar o fogo.
Não há tantas árvores próximas e levo algum tempo para juntar a quantidade necessária.
Quando decido que tenho madeira suficiente, viro-me para voltar e vejo um homem olhando para mim, fixamente.
- Ah! Ian, seu maluco, você me assustou! - sinto meu coração acelerado.
- Desculpe! Eu não fui silencioso ao chegar, imaginei que estivesse apenas me ignorando.
Ian pega os galhos de meu braço e começamos nosso caminho de volta a fortaleza.
- Ouvi que você deu uns berros com Jamie. O que aconteceu?
- Ele não queria me deixar apanhar a madeira para a fogueira.
Ian apenas dá uma sonora e gostosa gargalhada.
- Porque está rindo? - pergunto, segurando-me para não rir também.
- Pois agora sei quem manda na relação. - ele diz, simplesmente.
- Até você já entendeu isso, e Jamie ainda não. - digo, entrando na brincadeira.
Quando estamos quase chegando não aguento mais a ansiedade que estou sentindo, e desabafo com Ian.
- Eu tenho um mal pressentimento, Ian. - digo num sussurro, temendo que as palavras ganhem força e que de alguma forma façam meus medos tornarem-se realidade.
- Por estar aqui?
- Não. É como... Se alguma parte minha estivesse me avisando para estar preparada. A mesma sensação que tive quando houve o incêndio no hospital.
Ele pensa nisso por um momento.
- Disse isso a Jamie?
- Não. Eu o vejo tenso, sempre olhando para todos os lados, como se temesse que algum perigo surja de qualquer sombra. Não quero atormentá-lo.
- Mas deveria. Serão marido e mulher em breve, Lizy. Quer razão maior para ter o direito de atormentá-lo do que essa? - ele diz com um sorrisinho.
- Você é um idiota. - não aguento e sorrio com ele.
- Mas, falando sério, eu acho que você se sentirá melhor quando contar a ele. E Jamie merece, e aposto que gostaria de saber. E, quanto a mim, sabe que antes de se envolver com meu irmão, e tornar-se minha cunhada, - ele me dá uma cotovelada de brincadeira - somos amigos. E, se esse perigo que sente a espreita realmente chegar, estarei ao seu lado. Ao lado de vocês. Não está sozinha, Lizy. Nunca mais estará.
Essas palavras me acalmam. E sei que Ian tem razão. Conversarei com Jamie essa noite.
- Obrigada, Ian.
Assim, retornamos até onde Jamie estava, e o encontramos ali sentado com as barracas já montadas.
Ian despeja os galhos ao chão.
- Bem, eu trouxe três baldes de água, felizmente haviam alguns baldes ainda inteiros no poço. A água é fria mas é limpa. - ele aponta para os baldes e diz olhando para mim - As damas primeiro.
Jamie permanece sentado.
- Você me ajuda, Jamie?
Ele me olha, então, e pela sua expressão tenho certeza que está se perguntando se eu sou maluca.
- Claro. - ele diz, balançando a cabeça, como se expulsasse seus pensamentos, sorrindo.
Creio que tenha se decidido que sim, eu sou maluca.
Jamie pega os baldes e segue até um corredor, do lado oposto de onde eu passei mal. Eu apanho os alforjes com nossas roupas e sigo até ele.
Ali, naquele pequeno corredor, há apenas sujeira comum, e sinto-me aliviada.
Coloco as coisas no chão e, Jamie começa a se retirar.
- Aonde você vai?
- Deixar que tome seu banho com privacidade. - ele responde.
- Privacidade? - pergunto, indignada.
- Sim, Lizy.
- Ora! Como se você ainda não tivesse me visto nua. Está doido, Jamie? - pergunto rindo e cruzando os braços.
- Eu não estou. O que Ian pensará se nos banharmos juntos aqui?
- Você acha que ele não sabe o que temos feito todas essas noites?
- Bem.. Nós somos discretos, pelo menos tentamos, não é? - ele diz, passando as mãos pelos cabelos.
Sorrio, olhando para ele que agora está corado.
- Ande, vamos logo com isso. Quero passar frio o mínimo possível.
Nos despimos e nos lavamos rapidamente.
Claro que havíamos nos limpado nesses dias, mas apenas as partes íntimas. Agora teríamos um banho completo. Mesmo que a água esteja quase congelante.
Terminamos rapidamente, nos secamos e vestimos. Eu notei o olhar dele passeando pelo meu corpo, e notei seu membro semi enrijecido.
E sabia que se eu me aproximasse de Jamie um passo, ele endureceria completamente.
Mas não o fiz, pois havia algo mais urgente para fazer.
Precisávamos conversar.
Quando voltamos até a fogueira para nos aquecer, Ian já estava terminando o jantar.
- Não vai se limpar? - Jamie pergunta.
- Sim, logo após a refeição eu irei, e dormirei em seguida. Creio que estamos em segurança aqui, não precisamos fazer turnos. Quero acordar bem cedo, visitar Jeny e partir daqui.
Apenas concordamos.
Ian leu meus pensamentos, dormir cedo e ir embora desse lugar era o que eu mais queria.
Eu apenas lamentava que Jeny estivesse enterrada num lugar tão sombrio.
Comemos rapidamente o restante do coelho que Jamie caçou ontem, e logo Ian se retira, dando-nos boa noite.
Assim que estamos a sós apresso-me a iniciar a conversa com Jamie.
- Eu sinto muito.
Ele me olha, e eu observo mais uma vez, maravilhada, as luzes bruxuleantes do fogo iluminando seu lindo rosto.
- Pelo quê? - ele pergunta.
- Por ter gritado com você.
- Você gritou comigo muitas outras vezes, Lizy. - ele diz, rindo.
Levanto-me e sento em seu colo, o abraçando pelo pescoço.
- Sim, mas dessa vez eu exagerei um pouco.
Ele me abraça pela cintura e cola sua testa na minha.
- O que está acontecendo com você, Lizy? Está irritadiça há alguns dias, tem comido pouco, sempre cansada. Está doente?
Sua preocupação me comove, e perceber que Jamie tem me observado detalhadamente faz com que eu me sinta ainda pior por ter gritado com ele.
Na verdade, durante a última semana meu humor anda péssimo!
Tenho os nervos a flor da pele.
A verdade é que eu sei que o embate final com Ethan Coen está próximo, e eu temo perder tudo que consegui com Jamie.
- Não estou doente. Estou com medo, Jamie. - confesso a ele.
- De quê?
- Dele. De Coen. Ele está para nos encontrar, eu sinto.
Jamie olha em meus olhos, e me acaricia o rosto, suavemente.
- Eu também, meu amor. Mas, não vamos permitir que ele abale nossa sanidade antes desse encontro. Vamos deixa o amanhã no amanhã.
- Ficarei mais calma, pois tem toda razão, meu senhor Mackenzie. Obrigada.
Jamie sorri.
- Estou aqui para servi-la, minha quase senhora Mackenzie.
Solto uma gargalhada quando Jamie me chama assim, e sentindo-me mais leve do que antes, tomo sua boca em um beijo.
Acaricio seus cabelos, tão macios, enquanto nossas línguas acariciam uma a outra, no começo lentamente, e depois que a chama do desejo acende dentro de nós, o beijo se transforma em algo selvagem.
- Vão trepar dentro da barraca, por favor! - Ian grita para nós, retornando de seu banho.
Rompemos o beijo, e Jamie responde aos sorrisinhos.
- Olha a boca, Ian!
- Mas eu pedi "por favor"! - ele diz, inocente - Ou se refere a palavra "trepar"?
- Ian!
- Ora! Vocês tem feito muito isso ultimamente, tenho certeza de que Lizy não se importa! Não é, Lizy?
- Eu lhe disse que ele sabia! - digo a Jamie, rindo e levantando-me.
- Vocês formam uma bela dupla quando querem me atormentar, sabiam disso? - Jamie se levanta também.
- Irmãos e esposas servem para isso, meu caro!
Nos despedimos de Ian e seguimos para nossa tenda.
Estavam com saudades de mim?
Do Jamie vcs estavam que eu sei!
Hahahahah
O próximo capítulo é todo dele e vai pegar 🔥
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