Capítulo XXXII

Estávamos os quatro sentados.

Ian em uma poltrona, Jamie e eu em um sofá, e Nita a nossa frente, no outro sofá.

Os rapazes levaram meus berros a sério, pois não abriram mais a boca, e estávamos ali há alguns poucos minutos já, apenas observando Nita contorser as mãos, nervosa.

Ela parecia não saber por onde começar.

- Conte-nos sua história, Nita. Ninguém irá interrompê-la. - digo, suavemente.

Ian olha para o chão, Nita olha para as mãos, e Jamie parece absorto em pensamentos, mas sei que está atento ao que está acontecendo.

- Eu vivia em uma aldeia, nos limites da Escócia, ao norte. Ali conheci um viajante, e me apaixonei. Foi preciso fugir para que ficássemos juntos, e foi o que fiz. Vivíamos como nômades, sem residência fixa, nossos pertences numa carroça puxada por um cavalo marrom. Indo de cidade em cidade atrás de qualquer trabalho que fosse, e partíamos quando Emmet se cansava do lugar ou do trabalho.

"- Vivemos assim por cinco anos até que ele padeceu em uma febre, e me tornei viúva. Eu não poderia voltar para casa, tudo o que eu tinha era uma carroça e um cavalo. Eu estava próxima da fortaleza do clã Mackenzie quando aconteceu, e segui até lá pedir abrigo e trabalho.

"- Quando eu cheguei ali, Jeny tinha nascido à poucas semanas, e sua mãe ainda não havia se recuperado. Ela estava de cama desde que pariu, recusáva-se a ver a criança ou a sair do quarto. Então, Declan Mackenzie me encarregou de cuidar do bebê e de você, Jamie.

Nita finalmente ergue o olhar de suas mãos e olha para Jamie.

- Você também era um bebê. Mal havia completado a segunda primavera. E eu, em meu luto, me dediquei a vocês, inteiramente. Sua mãe nunca se recuperou da tristeza que a assolou, e outras doenças surgiram e, dois anos depois a febre a levou.

Jamie acena a cabeça em concordância, talvez lembrando-se da morte da mãe.

- E eu segui cuidando de minhas crianças. Você e Jeny eram como meus filhos... Ainda são.

Nita para alguns segundos para secar algumas lágrimas que ainda insistiam em cair.

- Os anos foram passando. Vocês iam crescendo fortes e travessos deixando-me louca. - ela sorri perdida em alguma lembrança, porém o sorriso some rapidamente.

- Eu me envolvi com Declan Mackenzie uma noite apenas. Eu havia acabado de colocar Jeny na cama e seguia aos meus aposentos, quando o encontrei no corredor. Ele havia bebido, não muito, pois Declan odiava bêbados. Ele bebeu apenas aquela quantia perigosa que nos dá coragem para fazer algo que não teríamos estando sóbrios.

"- E, quanto a mim, quando ele insinuou estar interessado em… passar a noite comigo, eu aceitei, pois, desde meu marido eu não tive ninguém. Eu estava tão solitária, eu era jovem, e ele era um homem belo e, eu aceitei. - ela suspira.

- Está tudo bem, Nita. - digo a ela.

- Fora apenas essa noite. Na manhã seguinte, concordamos que aquilo não deveria ter acontecido e nunca mais sequer tocamos no assunto. Porém, algumas semanas se passaram e eu percebi...

- Estar grávida de mim. - Ian diz, ainda olhando para o chão.

- Sim. Mas eu sempre tive alguns quilos a mais, e ninguém percebeu, e eu também não disse a ninguém. Decidi que eu fugiria antes de dar a luz, eu só precisava encontrar alguém adequado para cuidar de minhas crianças. Disse a Mackenzie que iria retornar a casa de meus pais, e algum tempo depois encontramos alguém para cuidar de Jamie e Jeny. Na mesma noite eu parti. Mas deixei ali metade de meu coração, com vocês.

- Eu me lembro… Mas você voltou, logo depois. - Jamie diz.

- Eu dei a luz um mês depois de partir, numa taverna que trabalhava, e onde morava de favor. E ali ficamos Ian e eu, até que você adoeceu, Ian.

Apenas nesse momento Ian levanta seu rosto e olha para ela.

Olha para sua mãe.

- Eu não recebia pagamento, trabalhava para ter um teto e comida, eu não podia pagar um curandeiro. Então eu fiz a única coisa que podia por você, meu menino. Voltei para implorar que Declan me ajudasse a salva-lo.

"- Quando ele me viu, com o pequeno bebê ardendo em febre nos braços, ele soube que o filho era dele, e logo o curandeiro estava ali, e em poucos dias você estava curado.

"- Declan, então, deu-me duas opções: ou eu iria embora sem você; ou poderia viver ali, cuidando de meu filho e das minhas outras crianças, contanto que nunca contasse a ninguém que era sua mãe.

- Mas que… cruel. - eu digo, indignada.

- Ele disse que não abandonaria o filho, que tinha seu sangue, mas que se soubessem que se envolveu com a criadagem sua reputação seria arruinada, o nome da família seria jogado na lama. "O que pensarão meus subalternos ao saber que me deito com criadas!", ele disse.

"- Eu era jovem e não tive coragem de enfrentá-lo. E eu não poderia correr o risco de enfurecê-lo, senão me mandaria embora sem você ou faria coisa pior. E eu não podia fugir com meu bebê e correr o risco de vê-lo morrer em meus braços por fome ou doença. Então, eu novamente fiz a única coisa que podia. Aceitei ser a criada que sempre fui, junto de minhas crianças, junto de meu filho amado. Eu os criei, os vi crescer. E fui feliz apenas por estar perto de vocês.


Nita, eu te amo ❤️

Vamos dar um abraço conjunto nela?

Votem e comentem ⭐😘

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