Capítulo XXXI
Na manhã seguinte acordei primeiro que Jamie.
Fiquei o observando por alguns momentos, lembrando-me dos acontecimentos da noite anterior.
Depois que aquele homem, Edmund Kedard, fora embora com o nariz quebrado e jorrando sangue, Ian parabenizou Jamie por finalmente ter-lhe quebrado a fuça, dizendo que aquele homem sempre fora desprezível.
Depois, Ian disse que sabia que estávamos juntos, apenas estava esperando que contássemos, e retornou a festa.
Jamie e eu voltamos logo depois, e sem aquele homem presente, conseguimos nos divertir mais. E, surpreendentemente, algumas pessoas se aproximaram e até trocaram algumas palavras comigo, o que me fez crer que fora Kedard que os estava envenenando contra mim.
Ao final da festa, Jamie e eu seguimos ao nosso quarto e fizemos amor.
Ardentemente.
Cada vez era melhor que a anterior.
E eu me me perguntava quando isso chegaria ao limite, quando eu pararia de me apaixonar mais por ele a cada dia.
Talvez quando o sol nascer a oeste, e se pôr a leste, imagino, sorrindo. Coisas que nunca aconteceriam.
Hoje, logo após o almoço, iríamos viajar até a fortaleza Mackenzie, para visitar o túmulo de Jeny.
Essa viagem levaria algumas semanas, somada ida e volta, pois praticamente atravessaríamos metade da Escócia.
E pensar que Jamie era dono de praticamente todo esse território, me faz perceber o quanto ele é trabalhador, pois conquistou um império nos anos subseqüentes a guerra.
Aproximo-me dele e lhe dou um beijo no rosto, na bochecha.
- Bom dia, Jamie.
- Bom dia, querida Lizy. - ele diz, mantendo os olhos fechados.
Aconchego-me mais a ele, que me abraça apertado.
- Estou feliz que Ian já saiba sobre nós.
- Ah é mesmo? - pergunto.
- Sim! Agora a senhorita poderá dormir em minha tenda nas noites em que viajaremos. Isso facilita as coisas, pois agora não precisarei esgueirar-me até sua barraca e nenhum de nós passará frio nas noites geladas.
- Ian passará! - digo rindo.
- Sim, vamos levar uma manta a mais para ele. Agora, vamos descer, o café deve estar nos esperando e tenho que arrumar tudo para a viagem.
Nos levantamos e visto minha roupa, Jamie verifica o corredor e quando estou prestes a sair ele me impede, puxando-me pelo braço.
- Espere, espere! - Jamie me dá um beijo arrebatador, e quase desisto de voltar ao meu quarto - Pronto, agora sim a senhorita pode ir.
Sigo aos meus aposentos e troco o vestido de ontem por um limpo e encaminho-me a sala de jantar.
Jamie e Ian já estão ali, conversando animadamente.
- Bom dia, meninos! - os cumprimento.
- Bom dia, cunhada! - Ian diz, animado.
- Ian, olha a boca, lembre-se que é um segredo. - Jamie responde.
Sento-me e sirvo-me dos bolos deliciosos que estão na mesa.
- Segredo! - Ian gargalha - Como se vocês estivessem enganando alguém. Estão todos esperando que anunciem o casamento.
Isso me chama a atenção.
Jamie nunca tocou nesse assunto comigo, e eu pergunto-me o porquê.
Será que ele não quer ter tal compromisso comigo?
- Ian! - Jamie diz, o repreendendo.
- O que esse menino está aprontando agora, heim? - Nita pergunta, entrando no cômodo, trazendo um bule de chá nas mãos.
- Só estou contando a eles o que aconteceu depois que Jamie e Lizy se retiraram da festa.
- Bem, pelo menos eu não sou o assunto das fofocas de hoje!
Nita deposita o bule na mesa e sai em seguida.
- Mais algum escândalo? - pergunto.
- Bem, mais ou menos.
- Diga logo, Ian.
- Sullivan sumiu. Estamos procurando ele caído em alguma moita ou nos estábulos, mas ainda não o encontramos.
- Deve estar inconsciente em algum canto, talvez tenha sufocado no próprio vômito, é um bêbado, isso que ele é. - Jamie diz, terminando sua refeição.
- Sim, provavelmente logo aparecerá. - concordo.
- Agora vamos trabalhar, partiremos em algumas horas e temos coisas a fazer, Ian! - Jamie diz, levantando-se - E quanto a senhorita, prepare algumas roupas quentes para levar, faz muito frio a noite naquelas planícies.
- Farei isso assim que terminar aqui.
Jamie me dá um beijo na testa e puxa o irmão para os afazeres, Ian pega um pãozinho e me dá uma piscada de despedida, saindo dali arrastado, mas com um sorriso no rosto.
E eu como mais um pedaço de bolo antes de arrumar minhas malas.
Levei mais tempo do que imaginei ser possível na organização de minha mala.
Tudo parecia ser necessário, desde roupas e capas, até sabão, escova de cabelos, velas e alguns livros.
O que eu faria com livros numa viagem a cavalo, eu não sabia.
Portanto, logicamente abandonei os itens que eu não poderia levar e os guardei de volta aos seus lugares.
Separei apenas duas trocas completas de roupas, vestido, capa, sapatos e roupas íntimas.
E uma peça de sabão e meu pequeno vidro de óleo perfumado.
Quando finalmente guardei tudo no alforje, que quase não fechou de tão cheio de coisas que estava, desci até a sala de jantar.
Já era quase o horário do almoço, e ali encontrei Nita começando a arrumar a mesa para a refeição a seguir.
- Nita! Finalmente a encontrei sozinha! Precisamos conversar.
Nita não me ajudou com a mala pois passou a manhã toda na organização pós festa.
Um mutirão fora feito hoje para a limpeza, e o gramado em frente a casa já quase nem mostrava sinais da festividade, a não ser o local onde a fogueira queimou.
- Diga, menina, precisa de algo? - Nita pergunta, distribuindo os pratos na mesa.
- Sim, eu estive observando algumas coisas.
- Que coisas, Lizy?
- Você.
Ela olha rapidamente para mim, com um semblante confuso.
- E porque estaria me observando?
- Pois eu notei que olha para Ian de uma maneira diferente.
Vejo, pouco a pouco, o rosto dela empalidecer, e seus olhos se arregalam, assustados.
Apesar dessa reação, Nita permanece estranhamente calada.
- Sabe, não é comum uma relação em que a mulher seja mais velha, mas poderia acontecer. Caso ambos queiram.
- Lizy… - ela sussurra.
- Talvez devesse dizer a ele como se sente.
- Lizy, não diga essas coisas, não sabe o que está dizendo, menina!
- Mas, Nita! Eu vi como olha para ele, como seus olhos brilham, o seu sorriso! Está apaixonada por Ian!
Nita cambaleia e se apoia na mesa.
"Oh, céus", ela parece murmurar mas não tenho certeza.
- Não diga asneiras, Lizy... Não é nada disso que está pensando.
- Ora, não imagino outra razão para…
- Ele é meu filho!
Nita diz, quase gritando, interrompendo minha fala.
Vejo lágrimas acumuladas em seus olhos, prestes a serem derramadas, e uma feição torturada em sua face.
Meu coração se aperta por ela, mas a surpresa e o choque da notícia não me passam despercebidos.
Porém, não consigo falar nada.
Fico apenas pensando em como isso é possível, pois vejo a verdade em sua expressão de sofrimento.
- Ian é meu filho, é meu filho, Lizy! - Nita diz, num misto de soluço e choro.
E, quando dou o primeiro passo para seguir até ela e abraça-la, uma voz me impede.
- Eu sou o que?
Nita e eu olhamos para a porta de entrada da sala de jantar e ali vemos Jamie e Ian parados, com olhares assombrados.
- Diga-me, Nita! Está falando de mim?? - Ian pergunta, soando quase desesperado.
- Oh, céus, que a terra se abra e me leve… - Nita murmura.
- Fale, Nita! E fale a verdade! - Ian pede.
- Você.. você é meu filho. É meu menino. - Nita diz, agora suas lágrimas escorrendo livremente.
- Então.. você me rejeitou!
Quando Ian diz esse absurdo, vejo sua expressão de raiva, e vejo o completo pavor no rosto de Nita.
Isso está dando, muito, muito errado. E, por culpa minha. Preciso concertar as coisas.
- Ian, eu..
- Me abandonou. Me deixou crescer sem mãe e…
- CALADO! - eu grito.
- Você não se intrometa, Lizy! - Ian grita para mim.
- Eu já me intrometi e você irá calar essa boca ou Jamie o fará se calar.
- Eu farei? - Jamie pergunta, confuso.
- Fará sim! Agora, a única pessoa que tem permissão de falar é Nita e nós iremos ouvir cada palavra que ela tem a dizer. Fui clara? - estou quase rouca de tanto gritar, mas pelo menos Ian permanece em silêncio, emburrado.
- É melhor se sentarem. - Nita diz, numa voz triste.
- Vamos todos a biblioteca. - ordeno, pegando a mão de Nita e seguindo até lá.
Chocada com esse segredo da Nita!!!!
E vcs???
O que acharam?
Votem e me digam nos comentários meus amores ⭐😘
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