Capítulo XXVII

Jamie

Lizy parecia decidida a embebedar-se esta noite.

Então, eu fiz com que Nita a levasse para comer a fim de evitar que ela passe mal até o fim da festa.

Ian me faz companhia enquanto aguardo que ela volte, e seguimos tomando aquele licor que realmente é muito bom.

- Quantos mercenários conseguiu?

- Trouxe oito homens comigo, Jamie. Alguns se acovardaram quando souberam quem é nosso inimigo, outros vieram exatamente por esse motivo.

- Eu imagino que muitos tenham contas a acertar com o Cachorro Louco. Mas ainda precisamos de mais homens.

- Realmente acha que ele logo chegará até nós?

- Eu sei que sim. Principalmente depois do que Lizy me contou, o que aconteceu naquela noite. Ele quer silenciá-la.

- Ela lembrou-se finalmente?

- Sim. - Ian aguarda que eu continue - Eu não deveria dizer-lhe, isso cabe a ela.

- Tem razão, claro.

Ian olha ao redor e acompanho seu olhar, vejo que Lizy está voltando até nós.

- Então, pretende tirá-la para dançar ou eu terei de fazê-lo? - Ian diz em tom de provocação.

Eu sei que ele desconfia de nós, e não me importo, mas não lhe darei a confirmação, deixe que ele se corroa em dúvidas um pouco mais.

- Nem pense nisso, Ian.

Meu irmão apenas ri, cruzando os braços, e eu observo cada passo de Lizy enquanto se aproxima, majestosa, parecendo uma rainha andando pelo seu reino, com passos confiantes e elegantes, sorrindo e cumprimentando seus súditos.

Ela chega até nós, e sinto um sorriso bobo em meus lábios, que não consigo desfazer.

E nem quero.

- Olá, rapazes! O caldo está uma delícia! Espero que comam, pois estou com bolhas nas mãos de tanto descascar batatas!

- É aquele caldo com batatas e carne salgada que Nita faz?

- Esse mesmo!

- Bem, então vou garantir a minha porção agora mesmo! Até mais, vocês dois. 

Ian se retira apressadamente. Estendo uma mão para Lizy, num convite.

- Aceita dançar comigo, senhorita?

Ela me olha, receosa, mas com um brilho lindo no olhar.

- Eu não conheço essas músicas, ou esses passos, Jamie.

- Eu a ensinarei. Venha.

Lizy pega em minha mão, e eu aperto a sua, tão pequena e macia, e seguimos até próximo dos músicos, onde há várias pessoas dançando.

- Assim, Lizy...

Mostro a ela os passos, uma mistura de giros, pequenos pulos e palmas.

E ela pega rápido, mas permanece acanhada, tímida.

Seguimos nos movimentando ao ritmo da música, e percebo sua timidez de dissolvendo, esvaindo-se.

A cada passo, ela fica mais confiante e sedutora, mexendo os quadris, o corpo lindamente desenhado nesse vestido de meia noite, o olhar fixo em mim cheio de desejo e prometendo devassidão.

Ah, como eu queria agarrá-la aqui mesmo,  poder beijá-la e abraçá-la.

Mas me contenho.

Lizy já me fez quebrar alguns princípios, mas esse é o meu limite.

Apenas farei isso em público quando for minha esposa.

O que, claro, espero que seja em breve.

Logo os músicos fazem uma pausa para comerem e beberem, e seguimos de volta aonde está Ian.

- Ian! Você acabou com o licor! - Lizy diz, irritada.

- Vocês dançaram por um bocado de tempo. Não foi culpa minha.

- Sim, claro, a garrafa forçou-se sobre você, o obrigando a beber, não é?

- Lizy, como adivinhou? Foi exatamente o que aconteceu! - Ian responde, rindo.

- Vocês são dois bebuns - digo, rindo - Eu tenho um conhaque com mel de que irão gostar, vou buscá-lo e volto logo.

Dou um olhar significativo para Ian, pedindo que ele fique junto de Lizy, ele me entende prontamente e acena positivamente.

Rumo até a casa principal rapidamente, cumprimentando alguns criados no caminho.

Chegando lá, pego a garrafa que estava escondida em meu escritório e retorno para a festa.

Mas, ao passar pela biblioteca, vejo ali uma figura solitária, olhando melancólica através da janela.

Aproximo-me de Nita, e percebo que está com o rosto molhado pelas lágrimas que ela derrama livremente.

- Nita? Está se sentindo mal?

- Oh, não senhor. - ela limpa o rosto desesperadamente - Não, desculpe-me, eu não deveria estar aqui. Que abuso de minha parte!

- Ora, não seja boba, Nita! Mas, conte-me, se não está doente, então porque chora? Lhe fizeram algum mal?

- Não, menino. De forma alguma. O único mal que me aconteceu foi há anos e anos atrás, menino Jamie. Agora não há nada que eu possa fazer.

- Eu não entendo, Nita.

Ela sorri para mim, carinhosamente.

- Eu sei, meu menino. E nem deve entender. Imagino que a velhice esteja me deixando emotiva. - Nita dá um forte suspiro, expulsando o olhar triste do rosto - Mas, vamos voltar a festa, que tal? O senhor precisa de alguma coisa?

- Sim! Preciso que se divirta! E, caso precise de qualquer coisa não hesite em falar comigo. Sabe que é parte da família, Nita! Nossa pequena e estranha família.

- Obrigada, Jamie... Isso é.. Significa muito para mim. Ver meus meninos bem, ter a menina Lizy conosco, obrigada por me permitir fazer parte disso.

- Não há o que agradecer, Nita. Agora vamos nos divertir, sim?

Seguimos, então, de volta a movimentação da festa, e Klan nos encontra e chama Nita para dançar, e eu sigo até Lizy e Ian.

Vejo, então, que eles estão dançando na grande roda junto com os outros, numa dança animada e em grupo.

Sorrio com a cena, Ian tentando ensiná-la os passos, e Lizy mais preocupada em apenas mexer o corpo em seu próprio ritmo.

Seus olhos logo encontram os meus, e Lizy então dança para mim, girando e balançando os quadris com seus olhos fixos em mim.

Vê-la assim já me deixa extremamente excitado.

Ela é sempre tão desinibida, tão espirituosa e ousada.

Lizy é um sopro de vida em qualquer lugar que esteja.

Quando termina a música eles vêm até mim, ambos rindo e conversando alegremente.

- Eu não imaginava que a senhorita fosse tão ruim na dança! - Ian diz a provocando.

- Eu sou ruim? Ian, você dança parecendo uma cobra mau matada, contorsendo-se todo! É extremamente assustador. - Lizy responde em meio às gargalhadas.

- Ei, vocês dois, aqui está o que fui buscar. - me intrometo erguendo a garrafa.

- Vamos provar essa bebida de gente rica, então. - Ian diz, me estendendo o copo.

Sirvo nossas doses e tomamos. Essa é uma daquelas bebidas perigosas, pois o sabor do mel esconde quase totalmente a acidez e amargor do álcool, o que a torna deliciosamente fácil de beber.

Preocupo-me com Lizy, porém noto que ela apenas bebericou de seu copo.

Já Ian, entornou sua dose rapidamente e já se serviu de outra.

Dou-lhe logo a garrafa de uma vez, e ele agradece alegremente e sai com ela nos braços, rumando novamente para junto das pessoas dançando ao redor da fogueira.

- Se continuar assim ele ficará inconsciente antes mesmo do fim da festa. - Lizy diz, preocupada com Ian.

- Talvez seja essa a intenção dele. - brinco - Ele é jovem, Lizy, está apenas se divertindo. Nas outras celebrações, Ian sempre esteve retraído pelos cantos. Dessa vez é diferente. Ele está aqui como meu irmão, não como um bastardo indesejado. Imagino que esteja celebrando isso.

Ela sorri para mim, e assente positivamente.

- Sim, todos temos nossas próprias celebrações a festejar, não é? Ian finalmente fez as pazes com você. E eu comemoro que, mesmo após ter minha vida destruída, eu a refiz. Com o homem que amo ao meu lado. Com você, Jamie. E você, qual sua celebração?

- Minha celebração é única e exclusiva por você, Lizy. Eu comemoro hoje de coração transbordando felicidade por tê-la em minha vida.

Lizy se aproxima discretamente de mim.

- Eu sei que ainda está chateado pelos acontecimentos de hoje, Jamie. Mas, olhe ao seu redor e diga-me o que vê.

Eu faço o que ela me pede. Vejo ali todos os empregados da casa, e dos estábulos e fazendas.

- Estão todos divertindo-se.

- Sim, Jamie. Pois você proporcionou isso a eles. Deu a eles uma noite maravilhosa para apenas divertirem-se. Você é bom, Jamie. Você acolheu uma  mulher fugitiva, filha de seu inimigo. Você é honrado. Você salvou um inocente de pagar por crimes que não cometeu. Você é justo.

Nesse momento, há apenas Lizy e eu.

Enquanto ela me diz essas palavras, lembrando-me das coisas boas que fiz, acalentando meus pensamentos ruins a respeito de mim mesmo,  os músicos e todos os presentes tornam-se invisíveis ao nosso redor.

Eu a observo, seus olhos de uma cor que ainda não foi nomeada, suas bochechas rosadas pelo álcool e a dança anterior.

Sua expressão tão verdadeira, tão... ela.

Apenas Lizy seria capaz de aplacar aquela sensação de pesar em meu peito.

Durante a guerra eu sujei minhas mãos de sangue muitas vezes. Porém, sempre que havia chance de poupar alguém, eu o fazia.

Isso mudou quando vi o corpo de minha irmã no chão de seu quarto, violentada e apunhalada com sua própria adaga.

Depois desse dia, eu matei cada oficial que pude, na esperança de um dia vingar minha irmã, mesmo ainda não tendo matado o verdadeiro culpado.

Ao final da guerra, percebi como estive perto de me tornar quem eu mais odiava, me tornar um maníaco como o Cachorro Louco.

Então, decidi nunca mais matar, decidi que apenas tiraria a vida do Cachorro Louco.

Mas, como nada na vida é como esperamos, Lizy surgiu em meu caminho, me fazendo repensar essa decisão, como fez com tantas outras.

Passo a mão por suas costas, e ela se inclina mais para mim.

- Que tal fazermos nossa festa particular agora? - pergunto.

Ela sorri lindamente, e seus olhos mostram uma faísca de desejo.

- Eu temia que o senhor não fizesse tal convite logo.

Seguimos para a casa principal, então, discretamente.

Passamos direto pela porta do quarto de Lizy, e rumamos ao meu quarto.

Nosso quarto.

Entramos e tranco a porta, Lizy já está sentada na cama, me esperando, olhando-me com um sorriso devasso em seu belo rosto.

Sinto-me endurecer dentro das calças, já a estou desejando desde que dançou para mim, e agora quero saciar toda minha vontade de Annelizy.

Aproximo-me dela, já retirando minha camisa e a  faixa do kilt.

Lizy passa os olhos por meu abdômen, e lambe os lábios em seguida.

- Acho que está na hora de amontoar nossas belas roupas festivas no chão do quarto, como a senhorita sugeriu.

Ela se levanta e se vira de costas para mim, puxando seus longos cachos dourados para frente.

- O senhor poderia me ajudar com isso? - ela pede.

A abraço por trás, encaixando meu corpo em suas curvas, e inalo seu perfume passando o nariz por seu pescoço.

Lizy solta um gemido e dá um passo em minha direção, apoiando-se ainda mais em mim.

- Com toda certeza, senhorita. - sussurro em seu ouvido, e lhe mordo o lóbulo da orelha suavemente.

Lizy se retorse e inclina os quadris em direção a minha ereção.

- Ah, Lizy, como você é impaciente... - digo, rindo, e apresso-me a abrir os botões de seu vestido.

Alguns segundos depois o vestido está no chão, e em mais alguns segundos, seu espartilho e suas roupas de baixo também.

Lizy se vira para mim.

- Agora é o senhor quem está usando muitas roupas, meu lorde. - ela diz, passando as unhas pelo meu peito e descendo pela barriga, arranhando-me suavemente.

Estremeço com a carícia, é muito sensual.

Lizy abaixa meu kilt, retiro meus sapatos, e logo estamos nus.

A noite passada fora mágica, porém eu precisei me conter para não machuca-la.

- Não está dolorida, Lizy? - pergunto, passando as mãos por sua cintura, aproximando-me num abraço.

- Não. A única coisa que dói é meu desejo, Jamie. O quero dentro de mim.

Quando ela fala assim, quando Lizy se expressa dessa forma, minha parte racional para de funcionar e a selvagem toma conta.

E eu imagino que ela o faça exatamente por essa razão.

- Então vamos saciar nosso desejo, meu amor.

Eu a beijo, furiosa e ardentemente.

Hoje eu não irei me conter, hoje eu lhe darei todo o prazer que ela merece e irei me esbaldar dela.

Nossas línguas dançam e se acariciam, Lizy passa as mãos por meus cabelos, e sinto seus seios já com os mamilos endurecidos pelo tesão.

Desço minhas mãos por sua pele macia, lhe acariciando os quadris, e sigo uma mão até sua intimidade, que já está completamente molhada, pronta para me receber.

- Ah, minha doce Lizy, seu corpo responde muito rapidamente ao meu.. veja.

Lhe acaricio o ponto sensível, e Lizy abre as pernas para mim.

Ela desce uma mão de meus cabelos e agarra minha masculinidade, e faz os movimentos que eu a ensinei aquele dia no piquenique devasso que fizemos.

Minha vontade cresce e nossas respirações já estão aceleradas.

Dou alguns passos e levo Lizy até a cama, onde ela se deita, e eu deito-me sobre ela.

Lizy é impaciente, mas eu não sou, e quero desfrutar de cada centímetro de seu corpo.

Sendo assim, começo um caminho de beijos; deposito um beijo suave atrás de sua orelha, e rumo ao seu pescoço lentamente, deixando que minha barba raspe em sua pele no caminho.

Lizy se contorse embaixo de mim, e eu apenas a seguro mais apertado.

Beijo seu pescoço, e em seguida a beijo entre seus seios, pego um deles em minhas mãos e aperto suavemente seu mamilo entrumecido.

- Jamie…

Sorrio, seguindo meus beijos em Lizy, agora descendo pela sua barriga, a beijando abaixo do umbigo.

- A paciência é uma virtude, Lizy.

- Sim, mas é uma que eu não possuo! Por favor…

Agora, estou descendo e a beijo em sua virilha, em ambos os lados.

- Então eu ficarei feliz em lhe ensinar a ser paciente.

Ela resmunga algo ininteligível, e sigo meu caminho de beijos a fazendo ferver de desejo.

Beijo suas coxas, seus joelhos, e, finalmente seus pés.

Lizy tem os olhos fechados, os cabelos bagunçados, a respiração rápida e profunda, e um sorrisinho nos lábios entreabertos.

Uma visão memorável, que quero levar para sempre.

Mordo suavemente o dedão de seu pé e ela abre os olhos.

- Divertindo-se em me torturar?

- Imensamente.

- Jamie..

Lizy para de falar e arqueia as costas, pois eu imediatamente levo minha boca até a sua intimidade, a lambendo, e chupando, provando de sua lubrificação.

Seu sabor, seu sexo quente em minha boca me enlouquecem de lascívia.

Lizy geme suavemente e puxa meus cabelos.

Introduzo um dedo em sua entrada apertada a preparando para me receber.

- Jamie.. por favor.. eu estou quase..

Paro imediatamente minhas carícias e Lizy suspira, frustada.

Deito-me sobre ela, encaixando minha masculinidade entre suas pernas.

- Se eu a machucar me avise.

LLizy assente e puxa meu rosto para um beijo caloroso, enquanto eu a penetro.

As sensações que nossos corpos unidos me causam são indescritíveis.

Sinto prazer, felicidade, êxtase.

Lizy geme alto em minha boca, seu prazer a invadindo e tomando conta.

E ela, como sempre, aproveita cada segundo dele.

Continuo me movimentando e não tarda para que os tremores tomem conta dela, a libertação de seu gozo, e Lizy mexe os quadris acompanhando meu ritmo, contorsendo-se e gemendo meu nome.

Quando ela se acalma, eu saio de dentro dela.

- Vire-se de lado.

Ela faz o que peço e me deito na cama atrás dela, encaixando nossos corpos e a preencho novamente, abraço seu corpo e o colo junto ao meu.

Inicio os movimentos, e posso sentir minha própria libertação chegando.

Acelero e me delicio da sensação.

Levo uma das mãos e levanto um pouco uma das pernas dela.

- Assim, Lizy...

Ela permanece com a perna aberta, e levo minha mão até seu ponto sensível e começo a acariciá-lo suavemente.

- Oh Jamie.. isso é.. é demais para mim… - ela diz num meio gemido, meio suspiro.

- Quer que eu pare, Lizy? - sussurro em seu ouvido.

- Não! Não pare, Jamie..

Lhe dou um beijo no pescoço, e continuo meus movimentos e carícias e logo estamos sentindo o prazer do gozo, juntos.

Aperto Lizy em meus braços e digo seu nome em meio a gemidos.

Quando nossa respiração e batimentos cardíacos voltam a normalidade, eu me retiro de dentro dela.

Lizy se vira de frente para mim e ali ficamos um momento, abraçados, nos observando.

- Estou com uma sensação estranha. - ela diz.

- Que sensação?

- Minhas pernas estão trêmulas.

Sorrio com sua confissão.

- Isso é devido ao excesso de prazer que lhe proporcionei.  - digo, dando-lhe um beijo na ponta do nariz.

- É uma sensação boa. - ela ri, fechando os olhos.

- Eu a estou entediando, senhorita? - pergunto, sorrindo.

- Não, meu amor, apenas vou fechar os olhos um instante.

Eu a observo enquanto Lizy pega no sono.

Tivemos um dia agitado e tenso, também estou cansado, mas as preocupações tomam conta de mim.

Sei que aquele maníaco logo estará aqui, querendo me tomar o que eu mais amo: Annelizy.

O medo que eu tenho desse dia é enorme, quase irracional, pois sei que aquele homem é implacável quando quer.

Além de ser insano.

Eu apenas espero ser capaz de detê-lo.

Mas, se eu não for, morrerei tentando proteger a coisa mais preciosa que possuo, que dorme agora profundamente em meus braços.

Capitulo que vem teremos outra festa, heim pessoal
Hahahahah

Não esqueçam de apertar a ⭐
e me dizer o que estão achando
😘

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