Capítulo XX

Enquanto dirijo-me até a cozinha atrás de Nita, penso em como Jamie tem se esforçado para se aproximar do irmão.

É maravilhoso ver quão honrado e de palavra ele é, mesmo sendo rabugento e um tanto teimoso, ele realmente tem feito sua parte na promessa que me fez sobre concertar seus defeitos.

- Nita!

A encontro terminando de arrumar a mesa para o jantar, que aliás, está cheirando maravilhosamente bem!

- De novo me assustando com esses passos leves, menina!

- Nita, eu acho que talvez você que seja distraída. - ela me faz uma careta e eu dou risada. - Preciso que ponha mais um lugar a mesa, teremos um convidado de honra!

- Algum dos homens pomposos, que fazem negócios com Jamie? Não gosto da maioria deles, todos cobras venenosas, prontos para dar o bote a qualquer momento.

- Ian! - digo apenas.

- Ian? O menino Ian? - ela pergunta assustada - Jamie convidou Ian para o jantar?

- Sim! Não é maravilhoso?

Ela está visivelmente emocionada, e vem até mim, abraçando-me.

- A senhorita é um anjo, isto que é! Desde que chegou a esta casa, fez-nos reviver. Salvou meus meninos. Salvou Jamie da amargura e solidão.

Sorrio.

- Salvamos um ao outro, Nita.

- Sim, é verdade minha criança. Agora vá chama-los, colocarei mais um lugar a mesa em um minuto.

Assim, retorno até a sala de estar, onde encontro os três cavalheiros conversando sobre cavalos.

- Desculpem interrompe-los, mas o jantar está servido.

- Lizy! É você mesmo que faltava em nossa conversa! Estamos em um impasse! - diz Ian, empolgado!

- E qual seria tal impasse, Ian?

- Estamos discutindo sobre a melhor raça! Como a conhecedora dos equinos que é, qual a senhorita escolhe? Clydesdale ou Mustang?

- Nem um, nem outro, todos sabemos que a melhor é o Puro Sangue Inglês!

- O que?? - grita Jamie, e Ian apenas ri.

- Eu lhe disse que ela apareceria com outra opção.

- Vamos, discutiremos os prós e contras de cada raça no jantar. - digo aos rapazes, rindo de suas reações.

Seguimos, então, até a sala de jantar, sentamo-nos e servimo-nos, e Richard diz, retornando ao debate.

- Creio que estejam se esquecendo do Frisão.

Isso, certamente, nos levou a uma conversa acalorada, com opiniões divergentes e, claro, cada um considerando sua a sua correta.

Finalizada a refeição, e a discussão, chegamos ao consenso de que cada raça tem suas qualidades.

Mas claro que o Puro Sangue Inglês era o melhor, eles apenas não queriam assumir tal coisa.

- Bem, agora é o momento de provarmos o licor que Ian nos trouxe. Vamos todos até a biblioteca? - disse Jamie.

- Eu agradeço a oferta, mas irei me retirar. Estou cansado e partirei amanhã. Necessito de uma boa noite de sono. - disse Richard.

- Mas o senhor já partirá? Mal recuperou as forças. Acho precipitada a sua decisão, doutor Cooper.

- Quero seguir o quanto antes, Anne, entenda-me, não sou um covarde. Porém não suporto a possibilidade do Cachorro Louco aparecer aqui a qualquer momento, eu apenas não...

- Eu entendo. De verdade, doutor Cooper. - digo-lhe suavemente. - Deixaremos as despedidas para amanhã. Tenha uma boa noite de sono.

Com um aceno de cabeça para cada um de nós, Richard se retira e vai aos seus aposentos.

- A garrafa será toda nossa, então. - diz Ian.

Nos levantamos e vamos até a biblioteca.

Jamie busca alguns copos em seu escritório e serve bebida para cada um de nós.

O copo que me é entregue está visivelmente com menos bebida, mas não reclamo, pois nunca provei nada que contivesse álcool.

- Um brinde! Aos sonhos que são realizados. - diz Ian, olhando para o irmão, em seguida para mim.
Jamie bate em seu copo e depois no meu.

- À vida. - digo.

Brindamos e bebemos, o licor é inicialmente doce, mas conforme desce pela minha garganta, sinto que  estou consumindo chamas acesas, minha garganta e estômago queimam, e eu começo a tossir.

- Acalme-se, Lizy. Queima apenas no primeiro gole. - diz Ian, segurando para não rir de mim.

Jamie passa as mãos em minhas costas, tentando ajudar-me a recuperar o fôlego.

- Talvez não seja uma boa ideia Lizy beber isso. - ele diz a Ian.

- Não fale de mim como se eu não estivesse aqui.

- Desculpe-me.

- Viu? Ela já está ótima. Beba mais um gole, Lizy.

- Está querendo embebeda-la?

- Estou querendo que se divirta!

- Ei, vocês dois, eu ainda estou aqui! - quase grito.

Ambos se calam, e eu, irritada, tomo o restante da bebida que há em meu copo.

A queimação é menor, e eu consigo engolir sem fazer caretas, e apreciar melhor o sabor.

- Isso é muito bom, Ian! - digo.

- Sabia que iria gostar!

- Apenas não exagere! - diz Jamie.

Olho para ele, que tem um olhar preocupado no rosto, então contenho a minha irritação, mas peço uma nova dose.

- Sirva-me mais um pouco enquanto toco uma música para nós. - digo oferecendo a Jamie meu copo e um grande sorriso.

Ele suspira, resignado, e coloca mais da bebida para mim.

- Tocará para nós? - pergunta Ian com os olhos azuis brilhando.

- Quer escolher alguma canção? Se eu souber tocá-la, é claro. - digo sentando-me ao piano.

- Oh não, não conheço nenhuma. Apenas ouvi uma pessoa tocando piano em minha vida. Jeny. E ela tocava de maneira… única.

- Quer dizer que ela tocava incrivelmente mal, não é mesmo? - diz Jamie, em meio às gargalhadas.

- Isso mesmo! - respondeu Ian o acompanhando.

- Ela não deveria ser tão ruim.

- Os cães de caça de papai uivavam nos canis quando ela tocava. - Jamie diz, ainda rindo.

- E papai nos dizia que seu estômago tentava digerir a si mesmo ao ouvir os acordes todos errados e agressivos. - diz Ian - Mas nenhum de nós tinha coragem de dizer a ela que era péssima, pois Jeny amava música.

- Sim! Mas não pense que ela não tinha talento, Lizy! O que lhe faltava nas artes da música, ela compensava nas pinturas. - diz Jamie.

- Jeny pintava quadros? Tem algum aqui? - pergunto, animada.

- Todas as pinturas nesta casa são dela. - Jamie diz, abrindo os braços, mostrando ao redor.

Desde que cheguei aqui, notei que haviam pelo menos dois quadros em cada cômodo.

Todos de belas paisagens, e alguns ainda, com pessoas também. Mas eu nunca imaginaria que Jeny seria a artista.

- Você conseguiu resgatar todos? - pergunta Ian.

- Apenas alguns poucos, os que foram poupados durante a invasão a fortaleza Mackenzie. Depois que a enterrei, trouxe todos seus pertences para cá, junto das pinturas.

Ian fica em silêncio por um momento, apenas olhando desacreditado para Jamie.

- Você a enterrou? Como? Pensei que ela estivesse em alguma cova comunitária junto aos outros.

- Quando soube que um contingente estava indo em direção a fortaleza, eu estava lutando na batalha de Montevik. Eu não podia simplesmente deixá-los. - Jamie explicava, exasperado - Estávamos vencendo, por pouco, mas seria uma vitória que elevaria os ânimos de nossos homens. Então eu fiquei. E ela morreu. Assim que a batalha terminou cavalguei até a fortaleza, quase matando o cavalo de exaustão. Os corpos estavam espalhados, aos montes. Jeny estava em seu quarto, no chão, com um punhal no peito. Eu soube que o Cachorro Louco liderou o ataque porque… ela estava…

A voz de Jamie é um sussurro, um fio de voz, carregado de dor.

Ele não termina a frase, não é necessário.

Sabemos do que Coen é capaz. Ele abusou dela e a matou.

Ian absorve a informação, olhando para os próprios pés por longos minutos, enquanto eu vejo o rosto de Jamie contorcido por pesar e luto. E remorso.

- Se tivesse ido até lá, se tivesse estado lá durante o ataque a fortaleza, sabe o que teria acontecido? - pergunta Ian ao irmão.

- Ela estaria aqui.

- Não. Tudo o que você conseguiria seria ter morrido junto dela. A fortaleza caiu com cem homens a protegendo, um homem não faria diferença.

Aquela conversa, percebo, foi a confissão de Jamie. E o perdão de Ian.

- Eu gostaria de visitar Jeny. - digo olhando para Ian que me devolve o olhar cheio de gratidão - Ambos gostaríamos.

- Eu os levarei lá. Mas, apenas na próxima semana, pois a Celebração acontecerá em três dias.

- Eu havia me esquecido dessa maldita festa. - resmunga Ian.

- Celebração? - pergunto.

- É uma festividade anual, uma recente tradição, onde comemoramos o fim da guerra. - Jamie me explica.

- É uma desculpa para que as melhores famílias que faziam parte do clã, os que sobreviveram, façam Jamie lhes encher a barriga de comida e bebida uma vez ao ano.

- É uma excelente forma de explicar, Ian. E acontecerá em três dias, e os quero ao meu lado como anfitriões. Vocês dois.

Jamie me olha com um olhar significativo.Enquanto Ian cruza a testa, pensativo.

- Isso desagradará a muitos.

- Pouco me importa.

- Ótimo! Vou adorar ver a cara que aquele bando de aproveitadores farão ao ver Lizy e eu.

- Não sei se é uma boa ideia, Jamie.. isso pode lhe causar problemas.

Jamie me olha com fogo no olhar.

- Está é minha casa, e você faz parte dela, assim como Ian, eles não terão opção. A não ser que a senhorita não queira ter esse papel em nossa festa.

- Eu já lhe disse, que quero tudo que seja com você, Jamie. - digo num sussurro.

- Hã..  eu acho que talvez seja a hora de me retirar. - diz Ian, constrangido com minha declaração.

- Não, Ian. Ainda não toquei uma música, e a garrafa ainda não está nem pela metade! Agora - bebo toda a bebida de meu copo - Sirva-me mais, por favor, enquanto toco.

Estávamos sentados Jamie e eu no sofá, olhando a tal garrafa que agora jazia vazia e deitada na mesa da biblioteca.

Ian estava jogado no outro sofá, a cabeça sobre uma almofada e um dos braços pendendo para fora quase encostando no chão, roncando suavemente.

Se eu tivesse o talento de Jeny, certamente pintaria a cena.

Claro, se a tontura que eu sentia no momento permitisse ao menos que eu acertasse o pincel na tela.

- Ele precisa de uma coberta, Jamie. - digo numa voz estranhamente pastosa.

Jamie me olha, e eu tento o focalizar, vendo três dele em minha frente.

Não aguento a estranheza da situação e caio em uma grande gargalhada, imaginando quão maluca três dele me fariam, já que me sinto assim tendo apenas um Jamie na minha vida.

- Posso saber do que está rindo, senhorita? - ele pergunta tentando soar sério, contendo a própria risada.

- Você está engraçado! - digo e continuo rindo.

- Ora, fico feliz que eu a divirta, minha Lizy. - Jamie diz, passando a mão em mim devagar, subindo pelos joelhos e seguindo até meu rosto, onde ele faz-me um carinho, suave.

E, claro, isso me aquece mais do que o licor de Ian.

Levanto-me prestando atenção total aos meus movimentos, tomando cuidado para não cair, e me sento no colo dele.

Passo a mão por seu rosto, em seguida em seus cabelos, e junto minhas mãos em sua nuca, onde lhe fico fazendo carícias.

- O senhor fez com que eu me divertisse muito no dia de hoje.

Seus olhos acendem num fogo ardente quando faço menção as intimidades que tivemos no piquenique.

- E eu também aproveitei muito. - ele se aproxima e beija meu ombro - Cada momento - em seguida beija meu pescoço - Com você - e depois beija o topo de meus seios - É simplesmente - Jamie morde o lóbulo de minha orelha e sussurra sensualmente em meu ouvido - Fenomenal!

Com essas carícias devassas eu perco o pouco controle que ainda há em mim, e tomo os lábios de Jamie nos meus, esquecendo-me completamente onde estamos, e que não estamos sozinhos.

Há apenas Jamie e eu.

E nossa paixão e desejo.

Ele devora minha boca, como se tivesse fome e sede que apenas eu o posso saciar.

Suas mãos passeiam pelo meu corpo, apertando-me junto ao seu, como se quiséssemos nos unir em um.

Jamie então retira meu seio do vestido, e o toma em sua boca, me fazendo gemer em êxtase.

- Calada! - ele murmura, com meu seio entre seus dentes, dando uma leve mordida no mamilo.

Puxo seu cabelo.

- É difícil fazer silêncio com você fazendo isso, Jamie. - sussurro entre gemidos.

Ele continua saboreando-me, deliciando-se de meu corpo, enquanto meu desejo cresce mais e mais.

- Deveríamos subir. - peço.

Ele dá uma espiada em Ian, que não se mexeu um centímetro.

- Ele acordará apenas de manhã. Fique calada entendeu? Lhe darei o que quer, querida.

Ele enfia uma mão por baixo de meu vestido, indo diretamente até meu sexo.

- Abra suas pernas para mim, minha Lizy. - o faço imediatamente e Jamie invade minha intimidade já úmida de desejo. - Sinta querida, sinta como seu corpo responde ao meu. Sinta o desejo lhe preparando para me receber dentro de você.

Jamie sussurra essas palavras em meu ouvido, me enchendo ainda mais de lascívia.

É muito desejo, muita depravação.

Começo a mexer meus quadris no ritmo de sua mão.

- Isso meu bem, mexa-se para mim. Você é deliciosa Lizy, e agora preciso sentir seu sabor. Sente-se no sofá.

Jamie me levanta, então, como se eu não pesasse nada, e me põe no sofá, ajoelhando-se a minha frente em seguida e abrindo minhas pernas.

Sem cerimônias, trás sua boca a minha intimidade, fazendo as mesmas maravilhas ali que fez esta manhã.

Meu prazer não demora a chegar, e sinto-me estremecer fortemente, mas mantenho-me calada e puxo seus cabelos suavemente para extravasar pelo menos um pouco o meu alívio.

Jamie então olha para mim, ali ajoelhado entre minhas pernas, os lábios e queixo brilhando com minha umidade neles.

- Eu quero passar o resto da vida fazendo isso, Lizy.

Esses dois estão muito sem vergonha pro meu gosto kkkk (adoro)

Votem e me digam o que acham ❤️

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