Capítulo XVII
Jamie
Subo rapidamente até onde estão Ian e o médico, entro às pressas e estanco quando vejo o que foi feito ao corpo do homem, que está retirando a camisa lentamente auxiliado por Ian.
Suas costas estão em retalhos, feitos por violentas açoitadas.
Nos pulsos, feias marcas de cordas, arroxeadas e com pequenas queimaduras, devido a tanto puxa-las na tentativa de se soltar.
Seu pescoço está assim, também, e imagino que os tornozelos estejam iguais.
É uma cena verdadeiramente horrenda.
Uma batida na porta me faz voltar a ativa.
- Senhor Mackenzie! Vim perguntar o que precisa que eu faça! - é a voz de Nita do outro lado da porta.
Abro e a encontro, com aquele olhar em seu rosto, que mostra estar pronta para fazer tudo o que for necessário.
- Nita, peça para algum criado que prepare um banho, quando o doutor estiver vestido você poderá tratar das feridas dele, prepare uma refeição enquanto isso.
Ela apenas acena positivamente e sai, rumando com determinação para fazer o que lhe pedi.
Volto para dentro.
Richard agora está sentado em uma poltrona, olhando tristemente para o chão. Ian está próximo, observando através da janela.
- Você se lembra de tudo o que lhe aconteceu? - pergunto.
O médico me lança um olhar afiado.
- Eu gostaria de não me lembrar.
- Quem fez isso com o senhor, doutor?
- Quem acha? E, a propósito, quem são vocês? O que fazem com Annelizy Montblanc aqui? A estão fazendo cativa?
- Ela pareceu uma prisioneira para o senhor? - diz Ian.
- Eu sou Jamie Mackenzie dono dessas terras, e este é Ian Mackenzie, meu irmão. - Ian me olha, meio impressionado - Encontrei a senhorita Montblanc vagando após sua fuga do hospital, e desde então a estou mantendo segura.
- Segura? Não há lugar seguro aqui. Ele pode não tê-los encontrado ainda, mas irá. E lhes fará coisas ainda piores do que fez comigo.
Noto que um estremecimento passa por seu corpo.
Um criado chega em seguida, trazendo água morna para o banho, e o ajuda a toma-lo, enquanto Ian e eu aguardamos no quarto.
- É a primeira vez que diz que somos irmãos. E nem mesmo gaguejou.
- Não foi tão ruim quanto pensei que seria. - digo - Lizy me fez perceber que sou um idiota.
- Você o é, certamente, mas é o meu irmão idiota. Eu agradeço que Lizy tenha aparecido em nossas vidas.
- Ela trouxe cor a este lugar, não é mesmo? - pergunto, num sorriso emocionado.
- Ela trouxe cor a você, Jamie.
Eu observava Richard Cooper dar as últimas colheradas na refeição, enquanto me preparava para lhe encher de perguntas difíceis.
Eu precisaria fazê-lo reviver os últimos dias para finalmente entender como ele foi parar naquela cela.
Como o cachorro louco o fez confessar, apesar de já saber que havia tortura envolvida.
- Pronto, terminei. O que quer saber? - o médico empurra a bandeja com os pratos da refeição e se ajeita na cadeira, mexendo as ataduras em seu tronco, que Nita enfaixou sobre o ungüento que aplicou em suas feridas.
- Tudo. Imagino que tenha começado no incêndio.
- Nada foi o mesmo desde a fuga de Annelizy. Haviam sempre sujeitos estranhos e mau encarados nas redondezas do hospital. Clary e eu nos sentíamos perseguidos. Lorde Coen estava brincando conosco antes mesmo do hospital pegar fogo, nos desestabilizando. Naquele dia, estávamos no beco fumando um cigarro, como sempre fizemos, quando ele apareceu. Colocou uma adaga no pescoço de Clary, e mandou que eu confessasse o que fizemos, a ajuda que demos a Annelizy. Clary foi firme e fez que não com a cabeça, mas eu confessei na esperança de que ele a poupasse. Eu não o conhecia ainda, não sabia do que aquele maníaco era capaz.
- Ele a matou. - diz Ian - Não foi o fogo, foi ele.
- Cortou a garganta dela de uma ponta da orelha até a outra. Beth estava ali também, assustada e perdida, sem entender o que estava acontecendo. Um dos capangas a silenciou antes que conseguisse gritar. O incêndio foi para chamar atenção para os corpos, fazer daquilo um espetáculo maior do que já era. E depois me levaram com eles. Veja bem, eu pensei que Annelizy estivesse a quilômetros daqui, apenas por isso disse a verdade. Mas Coen disse que ela não conseguiria embarcar mesmo que chegasse lá, pois seus homens já a estavam caçando antes mesmo do sol se pôr completamente no dia em que fugiu, eles estavam em seu encalço, e já haviam outros de olho no porto, caso ela chegasse lá. Desde então eles me torturaram para que eu dissesse onde ela estava escondida.
- Mas você não sabia. - digo.
- Não. Eu não sabia. Então, acharam uma utilidade para mim: ser o culpado da morte do ex general e sua família, assim os oficiais parariam suas investigações, e do ataque ao hospital. O médico e o monstro. Assim Coen sairia totalmente impune de tudo. Então, foi-me dado duas opções: ou eu confessava ambos os crimes, ou a tortura continuaria, e eles tomariam o cuidado de não se excederem para que eu não fosse agraciado com a morte tão cedo. Então, preferi a confissão e a morte certa. E, mais uma vez, aquele psicopata sai impune de seus crimes, recebendo honras por ter feito justiça ao ex general que foi como um pai para ele.
- Eu sinto muito que a fúria do Cachorro Louco tenha caído sobre o senhor, mas como eu disse, está seguro agora. Fique o tempo que quiser, será muito bem vindo.
- Eu agradeço, mas partirei para a Inglaterra assim que retomar minhas forças.
- Ele o está procurando, doutor, com toda certeza. Não conseguirá embarcar.
- Eu atravessarei algumas cidades, até que encontre um porto onde não haverão olhos do Cachorro Louco observando. Como eu disse, ele chegará aqui mais cedo ou mais tarde.
- O senhor é livre para fazer suas próprias escolhas.
- E senhorita Annelizy também o é?
- É claro que sim. - digo, irritado, o que esse homem pensa estar insinuando?
- Que bom, pois eu a convidarei para seguir comigo até a Inglaterra.
Coitadinho do doutor Cooper 😢
Votem e comentem e me digam o que estão achando, tutupon ♥️
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