Capítulo XII

Jamie conseguia bagunçar totalmente meus sentidos, e me fazer ser espontânea e ousada.

Quando percebi eu já havia pulado em seus braços, e estávamos agarrados um ao outro como se nossas vidas dependessem disso, desse contato.

Olhei para ele, que estava mais próximo do que imaginei.

Eu quis que ele me beijasse ontem, será que ele o faria agora?

Passo a língua em meus lábios, o que faz Jamie perder o controle que lhe resta.

- Lizy… - ele sussurra meu nome, e eu dou-lhe permissão.

Então, nossos lábios estão juntos.

Seu aperto em meu corpo é mais firme e eu me apoio totalmente nele, pois minhas pernas parecem fracas para suportar o peso de minhas emoções.

Sinto sua respiração em meu rosto. A firmeza e o calor de seu corpo. Tudo isso me inebria e causa sensações novas.

E, cedo demais, ele se afasta.

Mas permanecemos abraçados. Respirando e nos acalmando.

Abro os olhos e o encontro me encarando.

Sorrio, me sinto atrevida, e gosto dessa sensação.

- Eu fiz corretamente? - pergunto.

Ele sorri.

- É difícil se errar em um beijo desses, Lizy. - Jamie diz, colocando alguns fios de cabelo atrás da minha orelha.

Retribuo a carícia, passando minhas mãos pela sua nuca.

- Como um beijo desses? Há mais de um tipo?

Ele pensa um momento, antes de responder.

- Este foi, digamos, um beijo casto.

Penso nisso. Jamie com certeza já deu beijos mais ousados do que esse. Isso me irrita.

- Então, me ensine o outro tipo, mais.. hã.. íntimo. - ele me olha desconfiado - Apenas, sabe, para praticar para futuramente.

Sei que sou mesquinha em o provocar dessa maneira, mas não consigo evitar.

Jamie me aperta mais ainda em seus braços, o que eu adoro.

- E quem a senhorita está pensando em beijar, heim? Diga-me.

- Ora, precisarei me casar em algum momento. Não poderei viver aqui para sempre. E, porque não usar esse momento para aprender a agradar meu futuro marido?

- Quer aprender a agradar um homem, Lizy? - Jamie diz, dando alguns passos e me levando consigo, me prensando entre seu corpo e as baias.

- Sim. - sussurro.

Jamie tem um olhar irado, cheio de desejo, mas seus lábios são gentis com os meus.

E, diferentemente do beijo anterior, sua língua roça em minha boca pedindo passagem, e eu lhe dou.

Assim Jamie e eu começamos uma dança íntima, onde nossas línguas acariciam uma a outra.

Uma das mãos de Jamie me prende a ele em minhas costas, na altura da cintura, enquanto a outra está descendo lentamente na minha perna, até que ele puxa meu joelho e o apoia em seu quadril, o que faz com que nossos corpos se encaixem deliciosamente e eu me apoio mais ainda nele.

Isso está fazendo com que partes do meu corpo criem vida, e me sinto quente, me sinto viva.

Me sinto uma mulher de verdade.

Passo minhas mãos pelos cabelos de Jamie, tão macios quanto sempre pensei que fossem, e o trago ainda mais para perto de mim.

Ele geme em minha boca. E se afasta, mas não antes que eu lhe morda o lábio inferior, carinhosamente.

Ele me olha, visivelmente abalado pelo beijo. Assim como eu me sinto, claro.

Abaixo minha perna porém ele não se afasta.

- É assim, que se agrada um homem, Lizy. - ele diz.

- Eu o agradei? - pergunto, sorrindo.

- Grandemente. - então Jamie passa o nariz do meu ombro até o pescoço, inalando meu cheiro, e morde o lóbulo de minha orelha, o que me faz gemer e suspirar.

E me contorcer.

Meu corpo clama por algo que não sei o que é.

- Jamie..

Ele me beija novamente.

E, ah, eu passaria o resto da vida fazendo isso alegremente.

Tudo nele me agrada, me faz querer mais.

Ele aperta minha cintura, e sobe as mãos lentamente, quase chegando aos meus seios.

Sei que não é certo, porém não me importo.

Mas, aparentemente, Jamie se importa, pois para suas mãos e o nosso beijo.

Espero um momento para recuperar a respiração e o raciocínio lógico.

Jamie parece fazer o mesmo.

- Preciso voltar, Nita precisa de ajuda. Um maluco me comprou um guarda roupas completo para todas as estações e ocasiões. - eu digo, sorrindo.

- Parece um maluco muito generoso. - ele responde, retribuindo meu sorriso.

- O melhor maluco que eu já conheci. Obrigada. - lhe dou um beijo, agora na bochecha e sigo até a casa principal, revivendo nossos momentos quentes a cada passo, os marcando a ferro na memória.

Quando cheguei ao meu quarto, tudo já estava devidamente em seu lugar. Nita estava fechando a porta do cômodo das roupas.

- Nita! Como fez tudo tão rápido sem a minha ajuda?

- Ora, menina eu lhe disse que você estava mais bagunçando tudo do que me ajudando. - ela diz, como se fosse óbvio - Não faça essa cara triste, farei aquela sobremesa que a senhorita mais gosta.

- Você é maravilhosa, Nita! - eu lhe dou um beijo estalado na bochecha e ela se retira, rindo.

Sozinha, deito-me na cama e relembro os momentos com Jamie, até que uma aflição irrompe em meu coração.

Aquele pressentimento ruim novamente.

Sei que há algo de errado acontecendo, ou prestes a acontecer.

Uma ansiedade toma conta do meu peito e pensamentos, e sinto uma subida falta de ar.

Preciso sair daqui. Preciso de ar fresco.

Saio em disparada e desço as escadas.

No hall de entrada vejo Jamie, Nita e o médico que me visitou há alguns dias.

Meu coração se aperta ainda mais.

Vou até eles, e Jamie tem um olhar estranho no rosto, cauteloso.

- O que aconteceu? Digam-me! Eu sei que algo aconteceu. - imploro para que alguém me diga de uma vez.

Há uma troca de olhares entre eles.

- Vamos nos sentar primeiro, menina. - Nita diz como se falasse com uma criança.

- Não! Digam-me o que há para dizer agora mesmo. -  respondo, batendo o pé.

- Diga o que me disse, doutor. - Jamie diz ao médico.

- A senhorita me perguntou, quando estive aqui há alguns dias, se tudo corria bem no hospital da cidade. Bem, ontem, aconteceu uma coisa.

- Não… - eu sussurro. Jamie põe um braço em meus ombros me dando forças.

- Um incêndio. Foi tudo muito rápido, e muito estranho. No corredor de serviço que dá para os becos nos fundos do hospital.

- Quantas mortes, doutor?

- Bem, duas enfermeiras, até o momento, e há um médico desaparecido. O incêndio foi controlado rapidamente, muitos ajudaram, por isso o desastre não foi maior.

- Nomes. Me diga os nomes, doutor. - exijo, apesar de no fundo saber a resposta.

- Enfermeiras Beth e Clary, e o Dr Cooper, senhorita.

Eu sabia. Como Clary me disse, meus instintos saberiam me guiar.

E agora ela está morta.

A bondosa, corajosa e inteligente Clary.

E o gentil Dr. Cooper.

E a inocente Beth, que também pagou por minha fuga e a ajuda de meus amigos.

- Obrigada, doutor. - agradeço e sigo porta a fora.

E, como no dia em que recuperei as memórias, sigo até a Queda, que aparentemente agora seria o meu refúgio no luto.

Caminho e caminho, e já é por do sol quando chego e me sento na minha árvore.

Ouço o barulho suave das ondas, das aves marinhas, e peço perdão silenciosamente aos mortos, por terem me ajudado, e também lhes agradeço.

Percebo que não estou sozinha apenas quando vejo uma mão me oferecer um lenço azul escuro.

Jamie está ao meu lado, sentado. Com o olhar talvez tão triste quanto o meu.

Deito minha cabeça em seu peito, e ele acaricia meus cabelos.

- Foi ele. - digo.

- Eu sei.

- Ele incendiou um hospital, cheio de inocentes, apenas porque me ajudaram a fugir. O que ele fará quando me encontrar aqui, Jamie? Eu não posso permitir que mais alguém morra por mim. Não poderei suportar. E se ele fizer algo a você? - soo desesperada.

E sinto-me assim. E se aquele monstro matar Jamie? Ou Nita, ou Ian, ou qualquer outro aqui?

Eu apenas espero que ele me mate primeiro.

- Eu já lhe disse uma vez, lhe direi de novo. Que o Cachorro Louco venha. Ele não sairá vivo daqui. Eu não permitirei que ele lhe faça mal. Te protegerei hoje e sempre. - ele acaricia meu rosto.

- E quem o protegerá, Jamie? - pergunto, me levantando e sentando-me em seu colo. Passo as mãos por seus cabelos.

- Acha que eu sobrevivi a guerra por sorte? Eu sei me defender, Lizy. Minha doce Lizy.

Jamie puxa meu rosto e cola sua testa na minha com um suspiro.

Seu calor, sua respiração, sua presença me acalmam.

Mas eu quero mais.

Levo minha boca até a dele, que me aceita prontamente.

Esse é um beijo diferente do calor e desejo que experimentamos esta tarde. É mais suave, calmo e carinhoso. Parece que Jamie teme que eu me quebre ou desapareça a qualquer momento.

Mas eu não faço isso, e nem nunca o farei.

Sou forte e a cada obstáculo me fortaleço mais.

E Jamie também me dá forças.

E felicidade.

E desejo.

E uma sensação estranha entre minhas pernas.

Novamente sinto-me viva.

Eu nunca esquecerei o que Clary e Dr Cooper fizeram por mim, e eu viverei e farei valer a pena cada segundo, por eles.

Jamie se afasta quando nos falta ar, e decido dizer a ele algo que está na minha cabeça desde essa tarde.

- Jamie, acho que tenho algum defeito. - confesso.

- Porque diz isso? - ele pergunta, confuso.

- Porque quando você me beija assim, tão.. profundamente, eu sinto… hã … coisas. - digo, tropeçando nas palavras.

- Que tipo de coisas? - ele pergunta sorrindo, um sorriso grande e presunçoso.

- Hã… é que… eu sinto partes minhas que eu nunca havia sentido antes. - coro.

Eu acho que sei o que seja isso, não sou tão inocente assim, mas não sei como funcionam essas coisas.

- Você diz, aqui nessa região? - ele aponta o local exato entre minhas pernas, sem me tocar - Isso é desejo, Lizy. O seu corpo desejando o meu.

- E o seu corpo deseja o meu, Jamie? - pergunto.

- Você já viu que sim, Lizy. - ele coloca mais alguns fios de cabelo atrás de minhas orelhas - Aquela noite em que foi até o meu quarto.

Penso por um momento e lembro-me do volume que havia em suas calças naquela noite.

- Oh, então aquilo não era uma adaga! - eu quase grito. Jamie ri de mim.

- Não, não era.

Cubro meu rosto com as mãos, sentindo muita vergonha.

- Você deve me achar uma tola! Eu e minha boca grande, devo ficar calada quanto a esses assuntos. - minha voz sai estranhamente abafada através de minhas mãos.

- Ora, não fale assim. Sua inocência para mim é adorável. E provocante. - ele puxa minhas mãos.

Olho para ele, desconfiada.

- Provocante?

- Sim. Você me deixa maluco por você, sem nem mesmo se esforçar. Tenho medo do dia em que realmente tentar me seduzir.

- Ora, lorde Mackenzie, prometo que nunca farei nada que o senhor não queira. - dou-lhe um beijo casto nos lábios, rindo.

E Jamie retribui em uma gargalhada.

- Agora vamos, já passa da hora do jantar, Nita nos fará comer comida fria, e eu ainda tenho que acender velas em homenagem aos mortos. - digo.

Nos levantamos e seguimos de volta até a casa, caminhando lentamente e de mãos dadas.

Eis que o tão esperado beijo aconteceu!!!!!
Aeeeee 👏😍🤩

Eaí? Gostaram?

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