Sétimo Pecado - Part 1

Ohayou!! Tudo bem com vocês anjos? FELIZ ANO NOVO!!!!!!!!!!!!!
Gente! Que saudades eu estava dessa fic, Kami-sama, parecia que ele nunca iria sair, mas aqui estou dando o primeiro passo nela!!
Se atrasar mais vocês, tenham uma ótima leitura!!

***

Após meu término com o meu noivo, Itachi Uchiha. Eu me encontrava em um mar de águas amargas e frias. Não poderia mais continuar com o meu amor, eu o amava tanto como nunca havia amado outro homem em minha vida, porém, seu sonho era em ter uma família mas não posso fazer mais isso por ele. O diagnóstico da Tsunade sama, foi bem claro, eu não poderia gerar filhos pois Izumi danificou meu útero o deixando extremamente frágil.

Enquanto me sentia uma completa inútil para montar uma família com o meu amor, Itachi se culpava pelo que houve comigo, mas quem poderia acreditar que a donzela do clã Uchiha seria capaz de atacar a noiva do seu ex a facadas, pois nem seu próprio pai acreditou de primeira.

O final de Izumi foi deveras horrível, já que seu destino foi o manicômio, apesar de todo o corrido a pena é o único sentimento que sinto dela já que a raiva e o ódio se mudaram do meu do meu coração, e levando com eles se foi a minha força de viver e prosseguir. Ultimamente, não vejo diferença entre uma pessoa em coma e eu. Sinto que não sai do lugar nesses seis meses que passaram, continuo como mesmo vale de dor e sofrimento dentro de mim.

No início do término, Itachi me ligava quase todos os dias, depois de dois meses diminuiu para três vezes por semana e agora não tenho mais notícias dele. Apesar de quase nunca atender suas ligações, eu pelo menos sabia que ele estava de certa forma vivendo os dias, porém, e agora? Como ele deve estar.

Itachi será que sua dor é como a minha? Será que está bem? Eu devo te ligar, devo questionar se está bem? Que droga! Eu não aguento mais tudo isso!!

Me encolho na cama ainda com o meu baby doll. Olho para o relógio sobre a cômoda ao lado da minha cama e vejo que são 09:00 horas da manhã. Meus pais foram para seus devidos trabalhos, hoje é minha folga no hospital e aqui estou sozinha mais uma vez pensando no meu amor perdido e em meu aborto repentino.

- Eu não sei o que fazer... - digo em lágrimas puxando alguns fios de cabelo.

Por que tinha que acontecer comigo? Íamos nos casar e ter um filho juntos. Que dor infernal sinto. Que praga caiu sobre mim, todos os homens em minha vida se vão de repente sem eu ao menos pressentir. O que tem de errado comigo?

Saio da cama e desço até a sala indo a cozinha.

Sou incapaz de mais para viver com esse peso em minha alma, não sou capaz de deixar ninguém feliz e nem a mim mesma.

- Sakura... você é uma inútil - sussurro em lágrimas.

Meus pais, amigos e todos ao meu redor gastam o seu tempo se preocupando comigo. Só causei problemas as pessoas até agora. A única coisa que realmente me fazia sentir especial era o fato de salvar vidas sendo enfermeira, mas ontem tudo isso mudou quando tive que fazer o parto de uma jovem com oito meses de gravidez, mas ela não resistiu. No final ela morreu junto com a criança.

- Foi tudo culpa minha... - aperto os punhos fortemente.

Sento na cama lentamente e me encontro perdida em pensamentos obscuros. Saio da cama indo para fora do meu quarto, quando dou por mim já estou na cozinha no andar de baixo de casa.

Abro a gaveta da cozinha e tiro uma faca de churrasco em meio aos talheres, ela era grande e em sua lâmina refletia meu rosto onde podria ver a minha dor em meu olhar.

- Itachi... me perdoe - seguro a faca pelo cabo preste a corta meu pulso.

Meu corpo começa a estremecer e perco minhas forças nas pernas me fazendo cair de joelhos no chão.

- Qual é o seu problema, Sakura! - grito comigo. - Eu não quero mais sentir esta dor... - minhas cordas vocais vibram com o meu grito de desespero.

Sem cerimônia... tenho que ser rápida.

- Uma punhalada no peito é o que preciso fazer - miro a faca no meu peito esquerdo. - Será o suficiente... acabaria com a minha dor - pressiono a ponta sobre meu peito fazendo um ferimento superficial.

Me desculpem, pai e mãe, mas a filha de vocês é um peso para ela mesmo. Ino, Naruto... desculpem, sou fraca demais para me despedir pessoalmente de vocês.

Levanto meu braço com a faca e desço com todo a minha força contra meu peito esquerdo, mas a porta da sala se abre de repente.

- Sakura... - ouço uma voz masculina atrás de mim.

Olho por cima do ombro com uma expressão totalmente assustada e quem vejo me faz querer sentir vergonha do que iria fazer.

- Sakura chan - meu amigo loiro permanece em choque me fitando tão assustado quanto eu. Sua voz é trêmula. - Sakura! - desta vez seu tom é grosso e com um olhar de autoritário. - Larga essa faca! - diz sério como nunca havia visto.

- Naruto eu... - travo minha fala e desvio meu olhar do dele ao abaixar a cabeça.

- Larga agora! - grita como um general.

Seu tom me assusta ao ponto de deixar a faca cair de minha mão parando no chão, o bater da lâmina sobre o piso de madeira da cozinha desperta um gatilho dentro de mim me fazendo cair em um rio de lágrimas profundas.

Naquele momento nunca chorei tanto.

Naruto vem às pressas me abraçando por trás ao se ajoelhar perto de mim, viro de frente para o mesmo e agarro em sua blusa encostando meu rosto em seu peitoral, molhando assim sua blusa.

- Sakura, por favor, não me abandone - repousa seu queixo sobre minha cabeça. - Eu a amo - ouço sua voz de choro que faz meu coração se destruir ainda mais. Seu abraço é tão quente quanto uma fornalha em seu grau máximo, aquecendo assim meu ser.

- Naruto... - o abraço ainda mais.

***

Após minha tentativa de suicídio meus pais tem evitado de me deixar sozinha por muito tempo. Ino e Naruto se revezam comigo tentando me levar para sair e me divertir, mas como explicar que meu único desejo que tenho é de ficar sozinha.

Tsunade sama, ficou extremamente irritada e preocupada com o que houve, já que Ino fez o favor de contar a ela o que tentei fazer. Tsunade sama, sempre me tratou como uma filha que nunca teve e por esta razão me convenceu a ter consultas com um psicólogo, de acordo com ela, ele poderia me ajudar e seria de suma importância para a minha saúde mental.

E aqui estou na presença dele contando tudo o que houve em minha vida, que me levou a razão de está sentada de frente para ele agora.

- Complicado - diz o doutor Kakashi Hatake sentado em uma poltrona preta de couro a minha frente.

Kakashi era um doutor extremamente prestigiado na sua área de atuação, sua capacidade analítica em identificar e auxiliar os seus pacientes era algo esplêndido ao qual resultava na inveja de muitos colegas da sua área. Apesar de basicamente todos os hospitais mais sublimes do Japão requisitar sua presença como funcionário neles, Kakashi era independente e trabalhava em sua própria casa.

Sua casa além de ser ampla tinha algumas partes feita de madeira acácia o que deixava com estilo vintage bem acolhendo. Seu consultório era em uma sala próxima da sala de estar, um cômodo um tanto espaçoso com um carpete marrom, cortinas no mesmo tom grandes, e era cercado por duas estantes em cada parede lateral com inúmeros livros. Em uma lado pude perceber que havia livros de contos e no outros livros didáticos.

De frente para sua poltrona que aparentemente custava um preço bem elevado, havia um sofá de camurça preto para os pacientes. Ao lado do sofá havia uma grande janela de vidro com que dava a visão de seu lindo jardim onde havia duas árvores de Sakura.

Para ser sincera, ele habitava em uma casa digna de alguém da elite de Konoha. A família Hatake trabalha na área da medicina há anos e lembro-me muito bem de ter visto um homem semelhante a ele em uma festa que teve na casa do meu ex noivo, além de ter ouvido falar sobre esta família enquanto fazia faculdade.

- Foi realmente uma ótima coincidência seu amigo está presente no momento em que tentou se matar - o homem não omitia suas palavras e seu contato visual me surpreendia, pois parecia que ele estava tentando lê-me a todo momento.

Kakashi seria cerca de dez anos mais velho que eu, mas sua aparência era de longe sua idade, quando o vi me surpreendi pois eu esperava um senhor e encontrei um homem formoso e elegante. Seus cabelos platinados naturalmente eram lindos como o luar, seu corpo forte mostrava que de fato era um homem maduro e seu olhar repleto de mistérios me lembrava algum conto da própria Agatha Cristie.

- Naruto tinha vindo de surpresa me vê porque soube que eu perdi um paciente no dia anterior, como ele é um amigo de infância minha mãe não cogitou em deixar a chave de casa com ele para algum momento de emergência... - desvio o olhar do mesmo mirando na janela ao meu lado.

Solto um longo suspiro.

- A verdade é que apesar de querer ajuda, eu não quero sair dessa minha tristeza... não sei como explicar-me para você sem parecer uma insana. Eu não quero sofrer mais... mas ao mesmo tempo sentir está dor me deixa estranhamente confórtavel - levo minha mão a cabeça. - Acho que estou perdendo a minha razão...

- Eu entendo você, Sakura - sua voz era tão plena quanto uma brisa a beira do mar.

O olho e o vejo fitando minhas safiras. Ele vestia uma blusa social cinza escura com os primeiros três botões abertos, e sua calça social preta combinando com o sapato da mesma cor. Sua máscara negra só o deixava ainda mais enigmático.

- Algumas vezes eu só queria poder sumir, porém nem isso posso sem ter que magoar as pessoas ao meu redor. Porque seu eu fizer isso sei que todos irão sofrer, e o sofrimento é algo que não desejo a ninguém.

- Quando foi a última vez que você sorriu ao se sentir feliz?

Penso em sua pergunta por uns instantes.

- Quando soube que iria ser mãe... - levo a mão sobre minha barriga de forma envolutária. Olho em suas pérolas negras. - Nunca tive sorte em meus relacionamentos amorosos e quando tudo parecia estar indo bem, acabou terminando da pior forma possível.

Sendo sincera comigo mesma, eu não tenho demostrado muitas emoções nesses sete meses, quando não estou chorando estou sem expressão e eu de fato, não sei qual é o pior.

- Sinto um vazio tão grande dentro de mim... - falo pausadamente de cabeça baixa. - Queria fazê-lo sumir.

- Você tem dormido de forma correta? - ele cruza as pernas ao se pronunciar.

- Não. Muitas das vezes eu durmo somente cinco horas por dia, certos dias durmo apenas quatro - meu tom é lento. - Sem dúvidas, isso tem me afetado bastante...

Junto minhas mãos amassando meus dedos em nervoso.

Kakashi com os seus olhos negro me analisa como um detetive.

- Imagino que ainda se lembra do seu ex noivo e momentos que passaram juntos, certo?

- Sinceramente, não lembro de exatamente tudo... é como se alguns momentos fossem excluídos da minha mente. E-eu... - travo minha fala ao levar a mão a cabeça.

Estou tão ansiosa e nem sei o motivo, que vontade intensa de chorar. Mas, por que quero fazer isso?

Balanço minhas pernas em tremores pequenos tentando me acalmar. Sinto minha boca seca e uma leve falta de ar.

- Eu não se quero lembrar de tudo, eu amava o Itachi demais e... - meus olhos acabam derramando lágrimas sem o meu comando.

Algo semelhante a uma descarga elétrica perturba o meu corpo pois não consigo me controlar. Falar do Itachi me deixa tão instável e sem domínio próprio.

Acabo chorando de repente.

- Perdoe-me - seco minhas lágrimas com os punhos.

Levo minhas mãos a cabeça tentando me controlar, mas uma solidão que se tornou inquilina do meu coração me diz que estou sozinha nesta luta. Kami-sama, por favor, me ajude.

Abaixo a cabeça ainda trêmula sem reação.

Eu odeio tanto isso. Não quero mais passar por isto! Alguém me ajuda, por favor!

- Por favor... - digo em lágrimas em um tom baixo.

De repente, percebo Kakashi agachado de frente para mim. Seu olhar era um gentil e acolhedor enquanto o meu de uma pessoa clamando por socorro, ele pega um lenço branco de dentro de sua calça social e com sua mão esquerda segura meu queixo o levantando, com a outra seca meu rosto úmido do meu desespero.

Fico imóvel com os olhos arregalados.

Após secar meu rosto o mesmo acaricia meus cabelos que batem abaixo da minha cintura, seu toque me traz um pouco de conforto e seu olhar manipula minha alma com poder.

- Acalme-se - seu tom grave e calmo penetra em meus tímpanos trazendo-me a acalmaria que me faltava. - Respire fundo - ao aproximar seu rosto do meu ouvido ele sussurra.

Respiro como ele manda.

- Agora solte o ar calmamente - sua mão peregrina dos meus cabelos até minha mão a segurando com ternura. - Vamos vencer isto juntos - vejo uma marca de sorriso por debaixo de sua máscara.

Seu toque quente me faz relaxar aos poucos, meu corpo não treme mais e minhas lágrimas chegaram ao fim.

- Obrigada... - digo em um suspiro. Solto um leve sorriso..

- Ver uma mulher tão bela quanto você chorando e não poder fazer nada, seria um crime - fica de pé e leva suas mãos aos bolsos da calça.

Deixo um sorriso tímido escapar.

Nem acredito que ele me fez sorrir, mesmo que pouco faz um bom tempo que não faço algo tão simples sem forçar.

Kakashi caminha até sua estante onde se encontra livros de fantasia, o acomponho com as minhas esmeraldas oculares ainda sentada. Dá prateleira ele tira um livro de capa vermelha com um casa quase se beijando na frente, em seguida caminha até minha direção novamente.

- Aceita uma recomendação? - amostra o livro em mãos.

Já faz um mês que tentei me suicidar e estou tentando minha terapia com o esplêndido Kakashi Hatake, porém, em todas às vezes que venho vê-lo ele sempre está lendo o mesmo livro da mesma franquia, mas agora ele decidiu me recomendar este livro que não parece ter absolutamente nada a ver com o que ele ler.

- Aceito - confirmo com a cabeça. Pego o livro e leio o título. - "Sensei, Me Ensine" - fico intrigada com o título. - Do que se trata?

- Bom... - senta ao meu lado. - A protagonista é uma garota imatura e emocionalmente dependente das pessoas, mas ao se relacionar com um homem ao qual ama ela começa a ver o mundo de uma outra forma e a acreditar em si mesma - me olha.

- Entendo... mas por que está me recomendando ele?

- Pensei que poderia gostar da história - ouço um barulho de sorriso por debaixo da máscara. - Você pode lê-lo e meditar em cima dele sobre os acontecimentos da protagonista, o que acha?

- Parece bem interessante - sorrio mais uma vez sem perceber.

- Seu sorriso é tão belo - olha para minha boca e depois para os meus olhos. - Deveria sorrir mais.

Sinto meu rosto corar.

Por que estou corando?

Kakashi e eu nos encontramos cerca de quatro vezes por semana: segunda, quarta, quinta e em especial no sábado, como hoje. Nos primeiros dias eu mal falava com o mesmo e só contava o básico sobre minha vida, mas ultimamente ele tem me dado muita confiança, e aberto o meu coração cada vez mais. Hoje ele me fez sorrir e me sinto extremamente grata por isso.

- Obrigada... - abraço o livro sobre meus seios.

- Segunda nos encontramos novamente, certo? - sua voz muda para uma descontraída e um pouco animada.

- Sim... - lanço um sorrio bem pequeno capaz de meus dentes nem parecerem.

***

Como estou afastada temporariamente das minhas rotinas no hospital, tenho mais tempo para ler o livro que Kakashi me indicou. Admito que ele tem sido de suma importância para mim, meus amigos e familiares também, mas com ele me sinto mais aberta para contar as infelicidades da minha vida pois sei que contanto para ele não irá despertar um sentimento de pena vindo de seu coração e sim um de ajuda.

Não é que tenho esquecido o Itachi porque o meu sentimento por ele continua vivendo em meu coração, mas tenho pensado menos nele ultimamente tudo isso graças ao platinado, suas conversas me deixam sempre pensativas de uma forma positiva sobre a vida é como se eu dialogasse com um filósofo humorado e descontraído que me entende quase que perfeitamente.

Comecei a ler o livro sábado à noite e continuei até o domingo praticamente por completo, a complexidade da protagonista em seu relacionamento amoroso me lembra bastante eu, suas atitudes um tanto impulsiva às vezes me faz refletir sobre meus comportamentos em meus relacionamentos amorosos que tive. Sempre me entrego por completo quando começo a amar alguém, o meu gostar se passa extremamente rápido e logo surgir a paixão relacionado ao desejo e logo após o amor.

Creio que todos os homens que passaram pela minha vida tenham me amado menos o Sasuke, e sinto que o amor meu pelo Neji e dele por mim foi bastante momentâneo e por esta razão acabou daquela forma. Já o Gaara foi algo extremamente intenso ao ápice, éramos tão imaturos que acabamos tão rápido quando o relâmpago que surge no céu anunciando uma tempestade que vem.

Shikamaru e Naruto nem sei como explicar, e o Itachi foi o extremo do meu amor e o extremo da minha dor. A questão é que preciso pensar mais e refletir sobre minhas ações amorosas, pois o amor do mesmo modo que pode acalmar um mar em fúria ele também contribui para atiçá-lo mais.

***

Um hora antes de ir para a casa do Hatake já na segunda-feira. Visto um vestido justo de alça fina e gola quadrada com um palmo acima do joelhos de cor rosé e uma sapatilha cor bege, coloco meu sobretudo preto um pouco abaixo do vestido de camurça. Penteio os meus cabelos o partindo para o lado esquerdo. Coloco um brinco pequeno de pérolas e pego minha bolsa tira-colo de couro preta.

Depois de chamar um táxi chego na casa do Hatake em uns vinte minutos. Eu morava em uma área nobre de Konoha, mas o platinado apesar de sua grande riqueza morava um pouco mais no interior da cidade, próximo de algumas fazendas e campos de colheita de flores e bosques também. De acordo com ele, a paz é um virtude onde a centro das cidades grandes certamente não tem.

Acho que é por conta disso que gosto de ir em minhas consultas, me sinto um pouco mais leve naquele local.

Saio do carro e toco o interfone do portão, Kakashi mesmo me recebe já que não tem empregados. Ele aparece com uma calça jeans escura e uma blusa social solta no tom preto com os três primeiros botões aberto, sua máscara ainda tampa sua face o que me deixa intrigada do motivo dele usar tanto ela.

- Ohayo, doutor Kakashi - digo com um leve sorriso.

- Sakura... Sakura - ouço uma leve risada abafada por conta da máscara. - Sabe muito bem que pode me chamar de apenas, Kakashi - após abrir sua porta e depois seu portão ele da espaço para eu entrar. - Fique a vontade - diz em seu tom habitual de calmaria.

- Arigatou - entro, mas antes acabo observando o céu que está se fechando.

Acabei esquecendo meu guarda-chuva, espero muito que não chova tanto. No outono as chuvas castigam severamente este país. Bato meus pés no tapete da casa e tiro meu sapato, coloco eles em uma caixa do lado de dentro da casa e calço uma sandália rosa extremamente confortável.

Não é nem um pouco bem visto uma pessoa entrar com os sapatos sujos em uma casa no Japão, é como se você estivesse trazendo as impurezas da rua para o lar de alguém. Tecnicamente é verdade. Kakashi, foi bem gentil em comprar estas sandálias acolchoadas para mim antes do meu primeiro dia de sessão.

Ao fechar a porta ele caminha ao meu lado até o seu escritório onde acontecia as nossas consultas.

- Conseguiu ler o livro que lhe dei? - aproxima o rosto do meu levemente com as mãos nos bolsos.

- Hai - digo um tanto animada. - Li por completo - ele abre a porta do escritório.

- E o que achou? - ele se posiciona ao lado da porta dando espaço para eu poder entrar.

Passo pela entrada da porta ainda mantendo contato visual com o mesmo, tendo isso não reparei que o capete do escritório estava levemente levantado e acabei tropeçando devido a espessura grossa.

Meu corpo me leva para frente, e em um impulso seguro na mão do Hatake que estava sobre a maçaneta, o platinado me responde segurando-me pela mão e com a outra sobre meu corpo um pouco acima da minha cintura, ele me puxa para seu peitoral com agilidade.

Nossos olhares se cruzam de forma elétrica como um raio que cai sobre o chão. Naquele momento meu rosto fervia de de pura vergonha, mas algo eu não podia negar nem para mim mesma, Kakashi Hatake era ainda mais formoso de perto.

Seus fios pratas rebeldes o deixavam gravemente sedutor, seus ombros largos e braços fortes transmitiam o poder de proteger qualquer pessoa, a deixando confortavelmente segura.

- Gomen - seu tom pleno sai de seus lábios como caricias. - Machucou seu pé? - ainda com a mão em meu corpo me questiona com sua face próxima de meu rosto corado.

- Não... não - acabo travando sem perceber.

Seus olhos negros acabam me deixando com uma sensação complexa, me sentindo um rato sendo encarada por um gato. Estranhamente, gosto da sensação.

Kakashi retira suas mãos do meu corpo e se agacha de frente para mim, fico surpresa com tal reação.

- Ka...ka... - antes de terminar sua fala, ele decide retirar minha sapatilha do pé ao qual tropecei e o pega sobre a mão.

O fito tentando compreendê-lo.

- Está um pouco avermelhado seu calcanhar - diz ao analisar ele.

Ele aperta de leve e logo sinto uma pequena dor.

- Parece que feriu com um pequeno arranhão seu tornozelo, creio que seja pelo atrito entre sua pele e o tecido espesso do capete.

- Não... se preocupe - engulo o seco.

- Irei pegar um band-aid - da de costas.

Ele se direciona até a sala de estar e sobre a escada para o segundo andar.

Sento no sofá do escritório e o espero. Olho para meu tornozelo e vejo a pequena área afetada levemente inchada e vermelha como disse, foi tão inesperado meu tombo que nem ao menos sentir a dor na hora. Porém, o que me distraí da pequena dor era a cena de olhar de perto o Hatake.

Que homem enigmático e acima de tudo, muito belo.

Ele chegava a ser tão belo quanto o Itachi, e seu olhar ainda tão misterioso quanto o dele. De fato, ele deve tirar muitos olhares de mulheres por onde passa.

Fecho os olhos e balanço a cabeça em sinal de negativo.

- No que estou pensando... não posso pensar no doutor Hatake desta forma - me cobro duramente.

- De qual forma? - ouço uma voz calma.

Olho por cima dos ombros e vejo o platinado com um band-aid e pomada em uma mão, enquanto na outra estava dentro do bolso da calça apoiando o peso do corpo todo em uma só perna.

- Nada... - levo a mão até a nuca sem graça. - Quer dizer... é que é muita gentileza sua pegar o band-aid para mim poder usar - tento lançar uma desculpa para escapar deste momento constrangedor.

- Não é nada - ele caminha em minha direção. - Além do mais, se não fosse o meu descuido com o capete você não teria se machucado - para a minha frente. - Como moro sozinho é um tanto complicado reparar neste pequenos detalhes.

O fito ainda sem jeito.

- Que nada... - sorrio ao fechar os olhos com gentileza. - Arigatou, pode deixar que eu coloco o ban... - antes que eu terminasse a fala ele se agacha dobrando seu joelho com uma perna só, me deixando um tanto muda com sua atitude.

Ele segura meu pé o levantando um pouco, abre a pequena pomada em mãos e com seu dedo indicador passa sobre meu simples machucado, em seguida termina com o band-aid.

- N-não precisava... eu mesmo colocava - meu tom sai baixo ao olhá-lo.

O formoso platinado levanta seu rosto lançando assim seus olhar negro sobre minhas esmeraldas oculares tímidas. Seu sorriso de canto saliente deixa uma marca sobre sua máscara preta.

- Não me importei de fazer isso - ele se levanta ficando ainda mais próximo de mim ao ponto de minhas narinas aspirarem seu aroma masculino intenso.

Ele vira as costas e se senta de frente em sua poltrona.

- Diga-me, Sakura, como foi o seu final de semana? - ele cruza as pernas enquanto me fita de maneira certeira.

Suspiro me preparando para respondê-lo.

Contei não só meu final de semana para ele como também os meus mais profundos segredos, e é claro os meus casos amorosos falidos. Kakashi transmite tanta segurança para mim que mal posso explicar, ele em nenhum momento me julga com o seu olhar ou se mostra desinteressado, muito ao contrário ele demostra total respeito e carinho por mim.

Queria tanto que alguém como ele me amasse. Me tocasse e me entendesse. Mas, parece que estou instavelmente dependente de alguém, meu coração quer alguém para amar e isso sim parece a minha morte. Estou tão desesperada e problemática que estou começando a ver meu psicólogo com outros olhos.

- Sakura - Kakashi me chama a atenção.

- Hai... - saio dos meus pensamentos e o olho.

- Está tudo bem? Pareceu distante quando lhe perguntei se ainda sente algo pelo Uchiha Itachi - seu olhar é de preocupação.

- Gomen... - inclino a cabeça para baixo.

Mas, que agonia interna. Por que sou assim? Quero tanto me tratar logo! Quero tanto esquecer o Itachi e tirar esta dor de mim.

Começo a estalar os dedos rapidamente.

Eu sou tão inútil. Não consigo nem acalmar meus pensamentos.

Minha mente é um verdadeira bagunça, ao qual preciso de alguém para arrumar já que me sinto incapaz de fazer isso. Falar do Itachi ainda mexe muito comigo, principalmente quando lembro do acontecimento com Izumi, isso me traz um sentimento de sair correndo.

Levanto do sofá em um impulso.

- Gomen, doutor - engulo o seco ao olhá-lo um tanto agitada. - Eu vou indo - me curvo levemente, mas de forma rápida. Pego minha bolsa do sofá e coloco sobre o ombro.

Sua expressão é de intrigado com a minha atitude repentina.

- Até - dou de costas e caminho para fora do seu escritório ao abro a porta e a encosto.

Ao chegar em sua sala de estar solto um longo suspiro, paro no meio da sala tentando acalmar uma onda de tremedeira que assume meu corpo.

Olho para o relógio da parede da sala de estar e vejo que já são 18:50, nossa sesção demorou duas horas a mais que o previsto. Ele sempre se importa comigo e passa do horário, e nem cobra por isso, e eu ainda o trato desta forma.

- Eu sou tão baka - fecho meus punhos com força descontando o meu nervosismo.

Caminho até a porta e posiciono uma mão para girar a maçaneta e a outra para girar o trinco com a chave, quando dou cerca de duas voltas para abrir a porta sinto uma respiração sobre meu pescoço. Ainda atrás de mim, as mãos do Hatake vão vagamente se posicionando sobre as minhas me impedindo assim de sair.

Meu corpo parece uma batedeira enquanto minha respiração pesa toneladas, minhas lágrimas insistem em sair e um sentimento forte que parece saltar do meu coração.

- E-eu tenho que ir... - minha voz sai trêmula.

Já chorei antes na frente do platinado, mas ser vista chorando não é algo que gosto que vejam.

- Por favor - sua voz serena sussurra em meu ouvido esquerdo. - Não vá - seu pedido me faz arregalar os olhos.

De repente, um trovão devastador é escutado e um momento de silêncio se faz entre nós. Logo depois, o céu decide castigar a terra com um temporal.

Com a mãos sobre a minha, Kakashi volta a rodar a chave e a trancar sua casa.

- Está chovendo, fique - diz calmamente ainda atrás de mim.

Seu pedido faz meu corpo arrepiar por completo.

- Gomen... - levo ambas mãos ao rosto em lágrimas.

Acabo caindo em um mar de tristeza que habita dentro de mim. Mais uma vez, eu achei que tinha acabado, porém, mas uma vez estou tendo crise de ansiedade.

Kakashi me surpreende com seus braços entrelaçando em volta da minha cintura em um abraço delicado por trás, seu corpo acaba colando com o meu de forma sútil.

- Kakashi... - digo baixo surpresa.

- Fique calma, você não está sozinha - suas mãos macias acariciam minha cintura lentamente.

- Gomen... eu não sei o que fazer... só quero chorar, mas também não quero chorar - mal consigo explica o que sinto. - Me entende? - questiono ainda de costas para ele com vergonha de mostrar minhas lágrimas.

Sua mão já na minha cintura me virar devagar de frente para ele.

- Entendo - seu olhar penetra no meu de forma única. - Se quiser chorar, chore - sua mão segura meu rosto e com o seu polegar seca minhas lágrimas. - Não engula sua dor, Sakura - ele tira alguns fios de cabelos que estavam colados em meu rosto úmido. - Divida a sua dor comigo - acaricia meus cabelos.

- Kakashi... - fico surpresa com suas palavras.

Seu toque, suas palavras e seu jeito domaram o meu coração ao ponto de minhas lágrimas cessarem aos poucos.

- Permita-me entrar na sua vida - segura meu rosto com ambas mãos.

O olho sem reação. Engulo o seco.

- H-hai... permito - digo.

Nossos olhos se encontram sintonizados da mesma maneira que antes, minhas esmeraldas estavam rendidas as suas pérolas negras oculares. Seu rosto se aproxima do meu lentamente e meu coração que antes estava se acalmando volta a surta internamente.

- Que bom - responde com o rosto tendo um palmo de distância do meu. Sua voz abafada pela máscara chega a ser um tanto sensual. - A senhorita se importa de dormir comigo? - diz normalmente.

Sua pergunta me tira uma careta de tão impactada que me deixou.

- E-eu? Com você? - travo minha fala.

De sua máscara sai um barulho de um sorriso saliente. Sua mão desliza pela minha cintura saindo dela, e com isso ele dá um passo para trás.

- Bom, está caindo um temporal do lado de fora. Imagino que mesmo que ele pare seria difícil um carro levá-la daqui, até porque está é uma zona quase rural, o que dificulta o acesso de carros convencionais na estrada molhada. O que me impede de levá-la também com o meu carro.

- Ah sim... - finalmente entendo o que quer dizer. - Hai, você tem razão. Se permitir, seria um prazer dormir em sua casa, doutor Hatake - me curvo levemente.

- Sem muita formalidade, Sakura - um barulho de sorriso sai de sua máscara.

Sorrio levemente um tanto constrangida.

- Sendo assim vou amostrar seu quarto - ele caminha na minha frente e eu o sigo.

Nunca havia ido no segundo andar de sua casa, mas assim como o primeiro o local era simples mas ao mesmo tempo deveras sofisticado. Ainda com o piso de madeira maciça e com alguns quadros de estilo vintage sobre as paredes.

No corredor havia uma janela grande com suas duas portas fechadas, da vidraça dela eu podia ver o estrago que o temporal estava fazendo, com algumas árvores balançando com fúria, incluindo as árvores de cerejeiras que tinham na frente da casa.

O platinado para de frente a uma porta de madeira cereja e a abre.

- Pode dormir neste quarto esta noite - ele da espaço para eu entrar.

O quarto era mediano e um pouco maior do que o meu, havia uma cama grande de solteiro que mais parecia ser de casal, uma colcha cor azul celeste decorava a cama de estampa lisa. No chão havia um capete idêntico ao do seu escritório, suas cortinas também eram azul celeste e elas tampavam a janela que estava atrás dela. Porém, o raios clareavam a janela mostrando que tinha uma.

- Está bom para você?

- Hai - sorrio meigamente. - Está ótimo, doutor Hatake.

- Já disse que sem formalidades.

- Gomen, Kakashi... - solto um sorriso e parece que ele também.

- Fique a vontade. Irei preparar o jantar.

- Quer ajuda? - pergunto.

- Sabe fazer Temaki? - me olha fixamente.

- Hã...? - faço uma careta.

***

Temaki é uma igualiria típica do nosso país, ele é feito de alga, pepino, algum vegetal e o fruto do mar que quiser. Digamos que não sou muito boa em relação a cozinhar, apenas sei o suficiente para não passar fome.

Olho os ingredientes sobre o balcão da cozinha, estavam todos organizados em uma fileira e postos em cima de um prato com uma faca especifica para cada alimento. Kakashi pelo visto em bem diferente de mim, nessa questão pois sua cozinha é totalmente organizada além de ser extramente moderna e ao mesmo tempo com um ar de vintage.

Ele deve ligar muito para cozinhar, pois só este fogão smart mostra a riqueza da sua cozinha. Kakashi é mesmo uma pessoa muito organizada.

- Aqui está - do armário da cozinha ele tira dois aventais pretos.

Pego um deles e reparo que tem uma amarração na cintura e no pescoço.

- Arigatou...

Amarro primeiro na cintura, mas como o meu cabelo é grande tenho dificuldades para amarrar no pescoço, quando iria fazer um coque no cabelo para ter maior condição de amarrar o avental, Kakashi caminha ficando atrás de mim.

- Eu a ajudo - seu tom pleno soa perto do meu ouvido.

- Não precisa eu... - ele interrompe a minha fala.

- Saber pedir ajuda não a faz inferior ou inútil, a faz sabia pois não é bom que alguém ande só. Sempre é bom ter alguém para confiar - suas mãos pesadas e ao mesmo tempo macias deslizam pelos meus ombros. - Nem que seja apenas para amarrar um avental - rapidamente faz um laço.

Em seguida me viro de frente para o mesmo. Inclino um pouco a cabeça para cima, pois ele é mais alto que eu, reconheço mais uma vez a sua beleza que me encanta.

- Vamos fazer o Temaki? - sorrir ao fechar os olhos por debaixo da máscara.

- Hai... - digo ao sorrir encolhida.

Preparar este prato com o Kakashi foi realmente divertido, tirando o fato que deixei o arroz cru por dentro e papa por fora, mas o platinado deu um jeitinho nisso.

Está com ele é tão contagiante quanto está com o Naruto e ao mesmo tempo tão intenso quanto era está com o Itachi. Não sei explicar ou definir essa emoção, mas sinceramente eu nem quero, só quero viver e sentir ela fluir dentro de mim.

Por fim os Temaki ficou pronto, sentamos a mesa da cozinha um de frente para o outro para comermos, Kakashi serve um pouco de suco de uma tinto, mas em álcool. O mesmo me proibiu de beber bebidas alcoólicas.

Quando estávamos preste a comer e eu poder ver a face do Hatake por baixo da máscara, algo acontece. Um apagão nos pega de surpresa, um breu é oque vejo e o som da chuva domina o local.

- Certamente, foi a chuva - Kakashi concretiza o que pode ter feito a luz cair.

- Hai... - confirmo tentando olhá-lo na escuridão.

Escuto o barulho da cadeira se arrastada, e então decido me levantar também.

- Kakashi? - caminho até onde ele estava sentado me apoiando na mesa.

Acabo batendo meu pé em uma cadeira da mesa da cozinha.

- Ai... reclamo baixo de dor.

Que azarada, já é a segunda vez que machuco só hoje. Que coisa.

- Não deveria ficar andando sem rumo na escuridão em um lugar ao qual não conhece muito bem - ouço seu tom quase rouco vindo de trás de mim.

Sua respiração aquece meu pescoço nessa noite que insiste em nos deixar mais próximos. Sua mão é apoiada em meu ombro, em seguida desse pelo meu braço de maneira leve ao ponto de sentir cada toque de seus dedos em minha pele, por fim, entrelaça ela em minha mão e eu o correspondo do mesmo jeito.

- Estava procurando meu celular, mas acabei o deixando no quarto - explica.

- Acho que esqueci o meu também... - lembro-me que da última vez que o vi estava sobre a cama.

- Imaginei que algo assim poderia acontecer.

- Imaginou que a luz poderia acabar com nós dois juntos? - faço uma careta.

- Não. Imaginei que você também poderia esquecer o celular no quarto.

Kami-sama... que vergonha.

- Sendo assim, vou guia-la - sua mãos macia e quente segura aperta de leve a minha já entrelaçada.

De fato, eu não conheço está casa tão bem quanto ele até porquê ele mora aqui e eu sou apenas uma paciente.

Caminhos um pouco até que ele para seu andar e decido fazer o mesmo atrás dele, o platinado pega algo que parece ser do armário da cozinha e ascende uma vela fina ao qual segura em mãos.

Finalmente, volto ver sua face.

- Parece que iremos permanecer juntos nesta escuridão por um tempo - diz um tanto pensativo.

- Tudo bem - solto um sorriso sem graça.

- Alguma árvore deve ter acertado na fiação da casa - seu tom é de intrigado. - Talvez o gerador ainda funcione - leva sua mão ao queixo. - Está começando a esfriar aqui dentro.

Meu corpo começa estremecer por conta do frio que toma conta da casa, o aquecedor desligou e deixei o meu casaco no quarto de cima. Que complicação.

- Está mesmo... - sinto minha perna estremecer.

Ele põe sua mão por volta dos meus ombros se posicionando ao meu lado, enquanto segura a vela com a mão esquerda. Seu corpo quente é como um lençol sobre a minha pele, ao qual eu adoraria deitar e rolar para me aquecer.

- Está parte da cidade é realmente muito fria - cita próximo ao meu ouvido. - Te levo até o quarto...

Sua mão sai dos meus ombros e descem novamente, a minha mão ao qual me guia até o quarto ao qual separou para mim, lá pego o meu celular e ele pega o dele no seu quarto. Nos encontramos no corredor e ele pede para que eu possa esperar ele no meu quarto enquanto o mesmo desceria até o porão de sua casa e ligaria o gerador.

Demorou cerca de quinze minutos mais ou menos, e quando dei por mim a luz tinha voltado mas com uma capacidade bem menor. Penso em mandar uma mensagem para Ino e me distrair enquanto Kakashi não chega, mas a rede do celular está sem sinal.

- Nossa que sorte... para não falar ao contrário - suspiro.

- Sakura - Kakashi chama a minha atenção ao aparecer na porta do quarto. - A luz voltou um pouco fraca... não deveria ter voltado assim e... - de repente, um trovão alto atordoa os nosso ouvidos.

Nos encaramos uns instantes com os olhos arregalados. Uma ansiedade me sobe, pois em minha cabeça parece que esta chuva nunca irá parar e que ficarei encalhada nesta casa. Que pensamento idiota eu sei, mas como me controlar?

Estalo os dedos e mantenho um olhar de preocupada.

- Não se preocupe - caminha até mim.

Ele se agacha de frente para mim já que estou sentada no pé da cama.

- Gomen... é que eu... me sinto impotente caso aconteça algo.

Eu não puder fazer nada quando a ex do Itachi me atacou naquele dia com a faca, eu só podia gritar e sentir medo de morrer.

- Não pude fazer nada quando a Izumi tentou tirar o meu filho de mim... - suspiro. - Fiquei com tanto medo de morrer que no final o meu filho que morreu - levo a minha mão ao rosto nervosa. - Se acontecer algo de urgente, não sei com agir... sou tão inútil.

- Não diga isso - suas ambas mãos seguram o meu rosto me obrigando a olhá-lo em seus olhos. - Você é uma mulher incrível, Sakura - seu polegar acaricia a minha bochecha. - Tão linda. Uma mulher admirável. Tão doce... - seu rosto de aproxima vagamente do meu.

Suas palavras tem o poder de trazer a calma que preciso em meu coração.

- Imagine que esta casa é a sua fortaleza, você é uma princesa e eu serei seu guarda. Irei protegê-la neste local, então não tenha medo pois estarei aqui com você - me olha intensamente.

- Kakashi... - fico sem ação.

- Confia em mim?

Engulo meu nervoso.

- Hai... - confirmo com a cabeça.

- Vamos sair dessa situação juntos - sua voz plena se faz presente com uma leve marca de sorriso sobre a máscara.

Tomo uma atitude anti ética, o abraço fortemente. Acabo molhando sua blusa com o meu choro ao qual minha ansiedade me faz colcoar para fora, de imediato Kakashi não corresponde, provavelmente surpreso com a minha ação, porém, logo me abraça de volta acariciando meus cabelos.

Depois de alguns minutos consegui me estabilizar. Ele me olha durante uns instantes fixamente e eu a ele.

Qual será o seu pensamento?

O platinado se afasta ao se levantando.

- Infelizmente, o aquecedor deste quarto não funciona com a energia do estabilizador - da um passo para trás sem expressão.

Não entendo o seu olhar ao qual desvia do meu.

- Você pode dormir no meu quarto esta noite, caso você se sinta confortável é claro - diz.

Engulo o seco surpresa.

- No seu quarto...?

- Hai. Eu dormirei aqui e... - corto sua fala.

- Não é justo! A casa é sua e não tem porquê eu tirar o seu lugar do seu quarto - digo firme. - Não tem como resolver isto de outra maneira?

- Calma - solta um leve sorriso. - Você pode dormir na minha cama... - corto a sua fala novamente.

- Na sua cama?! - exclamo alto. Ele me olha sem entender a minha reação repentina.

Droga! Estou parecendo o surtando do Naruto agindo assim.

- Hai, e eu durmo em um colchão no chão ao seu lado. Assim, ninguém ficará com frio.

Suspiro aliviada.

Deve estar doida, como fui pensar outras coisas com a frase "na minha cama", de fato eu estou andando muito com a Ino.

- O que havia pensado? - ergue uma sobrancelha.

- Nada! - digo alto. - Gomen... quer dizer, não havia pensado nadinha - sorrio sem graça com a mão na nuca estando completamente corada.

Me sinto o Naruto agora, droga!

- Está bem - ouço um sorriso de cando por debaixo de sua máscara.

***

Após pegar o meu casaco, descemos para acabamos de comer e por incrível que pareça eu não consegui ver a face do platinado pois toda vez que eu iria olhar ele já estava mastigando com a máscara levantada. Ele até parece um ninja de tão rápido e discreto.

Em seguida lavamos a louça juntos, tendo Kakashi sempre tirando sorrisos de mim com algumas palavras engraçadas que soltava sutilmente.

Está ao seu lado é realmente uma sensação sem explicação, me sinto tão protegida, leve e um tanto alegre, como se a dor que eu sinto tivesse sumido durante uns instantes e dando espaço para algo extraordinariamente mágico estivesse acontecendo.

- Sakura, o chuveiro está funcionando com água morna, só a banheira que não. Caso queira tomar um banho eu lhe empresto uma blusa - fala normalmente ao secar a mão em um pano de pratos.

Usar sua roupa não seria intimidade demais? Será que ele quer outra coisa? Estou pensando demais e tentando adivinhar o futuro, é claro que ele só quer me deixa confortável e bem. Também, depois da minha crise de ansiedade e pânico que tive hoje, não é surpresa ele querer que eu me sinta bem.

- Hai... - sorrio gentilmente. - Obrigada.

***

Kakashi estava arrumando o quarto para dormimos enquanto eu me banhava no banheiro do corredor.

O platinado havia me emprestado uma camisa preta de mangas longas que batia em minhas coxas, por sorte, eu vi com um short preto por baixo o que me ajudou bastante neste momento. O inconveniente, é que o meu short é mais curto que a própria blusa, me deixando um tanto nervosa e ao mesmo tempo envergonhada ao dormir perto do Kakashi assim.

Aproveito o vapor quente preso no banheiro por conta do banho e acabo sentando em cima do vaso sanitário com a tampa fechada.

- Kami-sama, que situação... estou realmente presa aqui por conta da chuva - ouço a chuva ainda caindo lá fora.

Suspiro ao relaxar os ombros.

- Irei tentar me controlar ao máximo para não incomodá-lo mais... não posso ter mais crise alguma.

Tento pensar em todas a cenas que podem ocorrer caso eu tenho uma outra crise perto dele, ele vai começar a achar que eu sou ainda mais doente, e pode querer até me encaminhar para outro psicólogo ou psiquiatra.

- Não... não quer trocar de doutor... eu quero o Kakashi. Preciso dele - levo a mão ao rosto um tanto agoniada.

Fico uns dois minutos pensativa sobre este assunto, em seguida decido sair do banheiro e ir até o quarto em passos curtos. Ao chegar na porta do quarto abro ela devagar com a cabeça um pouco baixa. Vejo Kakashi acabando de ajeitar a sua cama no chão ao lado de um cama box de casal.

Casal? Será que ele já foi casado ou namora?

Ele de joelhos no chão ajeitando a sua cama me olha por cima dos ombros, seu olhar negro para primeiramente em minha face e depois acaba descendo pelo meu corpo até os pés. O olho também de cima a baixo, pois o platinado se encontra de camisa branca que dava um certo destaque ao seu peitoral definido, e seus braços forte era uma cena muito bela de se apreciar mas algo se destacava.

Em seu braço esquerdo havia uma tatuagem diferenciada, ao qual sei que já vi em algum lugar. Ele estava com uma máscara descartável branca tampando o seu rosto.

Em questão de segundos ele tira seu olhar de mim e volta a arrumar sua cama no chão normalmente.

- Você já se banhou? - fico intrigada com o seu cabelo molhado.

- Hai. Eu tenho uma suíte no meu quarto, só água que não está quente.

Fiquei tão focada no platinado que nem reparei na porta de madeira escura que tem em seu quarto, onde é o seu banheiro. Seu quarto em si era bem padrão, tendo duas paredes pintadas de preto e a outra de branco incluindo o teto, uma cortina negra longa também decorava o seu quarto tampando a janela.

Um carpete preto de veludo tomava a maior parte do chão deixando apenas as bordas com o piso de madeira cereja aparecendo. A colcha da sua cama era uma preta lisa bastante colchoada ao meu ver, já a do chão era de um tecido inferior de cor cinza escuro.

- Deite-se na minha cama - me olha ao se levantar.

Ando até a cama, e subo nela engatinhando até o centro para deitar de barriga para cima. Kakashi caminha até perto da porta aonde apaga as luzes e novamente um breu se faz presente.

- Durma bem, Sakura - sua voz plena sai da escuridão.

- Durma bem, Kakashi - respondo no mesmo tom.

Ouço o barulho dele se deitando ao meu lado no chão e logo em seguida um silêncio absoluto se faz. Apenas o barulho de trovões e uma chuva que parece se estabilizar aos poucos, um ar quente consome o quarto por conta do aquecedor deixando o clima mais aconchegante, porém, mesmo assim, continuo um tanto sem jeito com a atual condição perto do Hatake.

Muitas perguntas passam pela minha cabeça, como: será que ele já dormiu? Será que incomodo muito? Será que amanhã seremos mais íntimos do que somos hoje? Eu tenho que superar esses meus distúrbios mentais, não posso ficar afastada das minhas funções no hospital por tanto tempo, ou então posso perder o meu posto, certo? Como será que Itachi deve estar?

São perguntas que perturbam a minha mente na intenção de prever um futuro incerto e inesperado que ainda está para acontecer de uma maneira ao qual, muitas das vezes não posso controlar.

Suspiro baixo ao me cobrir com a colcha da cama.

Irei me esforçar para vencer isso, porém, por enquanto, este dia termina aqui. Um dia de cada vez.

***

Minha barriga está bem grandinha e eu particularmente amo vê-la assim. Logo meu bebê irá nascer e finalmente poderei dar uma família para o Itachi como ele sempre sonhou.

Ando pelo jardim da mansão Uchiha, até que de longe vejo o meu noivo abrindo o portão e correndo em minha direção, o espero com um sorriso, mas ele logo se desfaz ao perceber sua face de desespero gritando o meu nome enquanto corre.

- Itachi... o quê...? - sinto algo gelado na lateral da minha barriga.

Olho assustada e percebo que é Izumi me esfaqueando.

- Me entrega o meu filho! - seu olhar perturbador me faz tremer de medo.

Ela volta a me esfaquear inúmeras vezes.

- Não! Para com isso! - grito por ajuda. - Alguém me ajuda, por favor!!! - caiu no com ela por cima de mim.

Uma voz calma incomoda meu ouvido em um tom alto.

- Sakura - a voz contínua a me chamar.

Por fim, desperto meus olhos, e me deparo com Kakashi por cima de mim na cama. Seu olhar estava um tanto arregalado e suas mãos seguravam firme em meus ombros, acabo percebendo que tudo não passou de mais um dos meus pesadelos.

Minhas lágrimas caiem como uma cachoeira sem fim. Me decomponho chorando como uma criança sem amparo.

Levo ambas mãos ao rosto tampando ele.

Tudo parecia ser tão real, ser tão verdadeiro como um dia já foi. Meu coração acelera tão rápido quanto os corredores em uma corrida olímpica. Minha agonia sai de forma tão vasta que meu choro permanece mudo por alguns segundos.

Kakashi me surpreende com um abraço incondicionalmente gentil e doce, sem perceber acabo me agarrando a ele em outro abraço, meu corpo sofre de tremores por conta do meu desespero sem fim, abro a boca para chorar e acabo sentindo pena de mim mesma na situação em que me encontro.

O platinado me aperta sobre seu peito ao ponto de me sentir segura e cuidada, agarro ainda mais em seus braços fortes e definidos sem querer largá-los. Ele coloca seu queixo em cima da minha cabeça e desliza seus dedos pelos meus cabelos como demostração de carinho.

Minha respiração que antes pesava toneladas volta aos poucos ao normal. Meu corpo que antes tremia com medo agora vai voltando ao normal e meu choro aos poucos sessa e mesmo assim ainda quero continuar nos braços dele.

Kakashi afasta seu rosto minimamente do meu apenas para me olhar com ternura, seu polegar seca minhas lágrimas e por fim, decide fazer círculos levemente em minhas bochechas. O fito de forma tão insanamente intensa ao ponto de me sentir hipnotizada pelo seu olhar.

O Hatake ameça sair de cima de mim, porém, por instinto decido agarrar em seu braço com intensidade, acabo abaixando a cabeça envergonhada com a minha ação.

O que estou fazendo? Por que segurei em seu braço dessa maneira? Por qual motivo o quero tão perto de mim?

Minha cabeça se enche de questionamentos perturbadores. Kakashi abre sua boca e me pergunta algo inesperado.

- Quer que eu durma com você? - seu tom calmo toca em meu ser me deixando arrepiada.

Suas mãos seguram em meu rosto o levantando para olhá-lo.

- E-eu... - fico sem palavras para me expressar.

Sem ter o que dizer apenas o abraço fortemente como antes. Ele segura em minha cintura me deita na cama ficando por cima de mim. Sua mão volta a acariciar os meus cabelos enquanto a outra faz um trajeto da minha cintura para cima.

Nossos rostos se aproximam cada vez mais e uma onda intensa passa pelo meu corpo me arrepiando.

- Kakashi... - sussurro seu nome.

***

Iai! Gostaram? Mandem seus feedbacks, please!! Tentei dar o meu melhor nesta fic, então por favor, deixem suas opiniões. Desculpem qualquer erro que deixei escapar, anjos. Até o próximo capítulo, anjos!!

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