Capítulo XIII
Quando Ravena chegou em casa foi recebida com muita alegria pelo pai e estranhamente por Petunia que estava passando uma temporada em casa.
- O que aconteceu com você? - ela disse a irmã mais nova como se estivesse preste a morrer. - Arrumou um amante?
- Fugiu de um... - o pai dela disse encarando a mais nova.
Ravena não percebia, mas ela estava mais bonita que nunca, vestia vestidos caros e coloridos, seus cabelos tinham crescido muito e seus olhos estavam mais brilhantes. Parecia uma nobre muito poderosa, mas nos olhos tinha um tristeza permanente.
Ela não queria falar muito de como parou presa no castelo e nem do senhor de lá. Na verdade não comia muito e só sorria quando estava com o pai.
- Ravena... - Petunia a chamava às vezes quando ela se perdia em seus pensamento - Depois acha ruim quando a chamamos de cabeça de vento!
A irmã não parou um segundo de atormenta-la, não que Petunia não fizesse isso quando esteve ali outras vezes, só que estava pior.
Um dia que em Ravens estava lavando roupas no rio, a irmã mais velha viu o anel de raposa colocado com todo cuidado em uma pedra e o pegou.
- O que é isso? - ela disse o colocando contra luz - É lindo!
- E é meu! - Ravena se levantou tinha voltado com os vestidos simples e estava molhado.
- Não se eu não devolver... - a irmã disse rindo - O que é? Anel de noivado? Compromisso?
- Por favor é importante! - Ravena disse se aproximando.
A irmã mais velha continuou dançando ao redor da mais nova olhando para o anel, até que parou ao lado do rio, com um sorriso cruel ameaçou.
- Se eu jogar ele na água? - a irmã levantou um sobrancelha - O que você vai fazer?
- Petunia, para! - Ravena estendeu a mão.
- O que esse anel é? - ela disse ameaçando derruba-lo - Uma raposa é sinal de má sorte...
- Petunia... - Ravena disse se aproximando mais
- Espero só que minha conversa com você tenha entrado na sua cabeça, não tenho desejo nenhum de ser tia!
- Nada disso aconteceu! - Ravena corou
- Mas parece que você está apaixonada! - a irmã mais velha segurou o anel com mais força, nunca teve a intenção de jogar-lo no rio, queria só que a irmã desabafasse.
- Só me dá o anel... - Ravena respondeu vermelha.
- O que esse anel significa? - Petunia disse gritando.
- UMA LEMBRANÇA! - Ravena explodiu, quase chorando - Uma lembrança! É isso que esse anel é! A raposa é o animal padroeiro dele.
Petunia sorriu satisfeita e devolveu o anel para a irmã, que o colocou do dedo imediatamente, as roupas já estavam todas limpas, olhou com tristeza para a peça na sua mão.
- Ele te deu isso e você deu seu colar a ele? - Petunia disse se aproximando mais.
Ravena levantou a mão no pescoço, fazia um tempo que ela não mexia no colar. Ela o tinha perdido, provavelmente ainda no castelo. Quis chorar, mas não ia dar esse deleite a irmã.
- Você está aqui há duas semanas, não tinha que voltar? - a irmã disse ajudando levar as roupas molhadas.
Petunia nunca ajudou Ravena antes, nem a acompanhava nas tarefas de casa, sentia muito medo para tentar descobrir o que estava acontecendo com a garota.
- Não... - Ravena sussurrou - Por que você quer saber?
- Porque você está obviamente apaixonada por esse cara. - Petunia falou ofegante- A roupa não estava tão pesada na ida...
- É claro, ela não estava molhada! - Ravena respondeu com mal humor.
- O que eu quero dizer... - a irmã mais velha disse tentando respirar - Se vocês brigaram é normal, você não deve desistir dele só por isso.
- Não foi por isso que fui embora... - a irmã mais nova falou vendo sua casa - Além disso não eramos nada!
- Não é o que parece para mim e para o papai... - Petunia parou no meio do caminho para tomar um ar.
- Está velha irmã... - Ravena provocou.
- Sou apenas nove anos mais velha que você... - Petunia sorriu - Voltando ao assunto, você gostava dele e ele também, para ter te dado o anel. Você, inteligente do jeito que é, fez alguma merda, chegou em uma conclusão bosta e pediu para voltar para casa... e como lorde que você descreveu, esse homem nunca a prenderia em um local contra a vontade, está livre e aqui. Mas infeliz.
- Como pode ter tanta certeza que foi isso? - Ravena falou pegando as roupas de novo e retornou para o caminho de casa.
- Porque quando você tinha nove anos eu já tinha dezoito! - a irmã voltou a andar atrás dela - Pode não parecer, mas eu te conheço.
Ravena queria ri, como a irmã tinha coragem de falar que conhecia ela? Petunia tinha saído de casa ao 23 anos, raramente aparecia e suas visitas nunca eram agradáveis, ficava reclamando o dia todo, além de perturbá-la.
Quando finalmente chegou em casa colocou a roupa no varal, ainda ouvindo a irmã resmungar atrás dela sobre o que deveria fazer, mas resolveu não dar atenção nenhuma. Assim que estava tudo pronto entrou na casa e fechou a porta na cara da irmã.
- Muito engraçado - Petunia disse abrindo a porta e entrando - Da última vez que eu estive aqui você não estava tão má...
- E você não estava tão intrometida! - Ravena disse em um resmungo.
- Olha, aproveita que eu estou preocupada com você! - Petunia disse a pegando pelos braços.
- Preo... - Ravena gargalhou incrédula- Preocupada? Sério? Depois de tudo você está preocupada? Com o que? Eu não virar um dama rica que nem você? Ou melhor uma amante?
Petunia ficou muito vermelha ao escutar isso da irmã, soltou os braços da mais nova a observou caminhar para o outro lado da cabana onde ficava a sua cama.
- Eu estou preocupada que você fique presa a maldição da família! - Petunia respondeu com calma.
Ravena ficou branca, aquilo era um assunto delicado para ela, delicado até de mais. Havia tido pesadelos com aquilo durante as semanas que esteve em casa e às vezes afastava o pensamento enquanto estava no castelo.
- Não quero falar sobre isso... - ela respondeu trêmula.
- Não quer, mas necessita! - a irmã se aproximou dela - Você está fugindo disso há mais tempo que qualquer um! Tem de enfrentar...
Ravena pensou ter gritado para a irmã parar, mas ela só caiu de joelhos, as pernas tinham ficado moles, ela não queria falar da maldição. Não conseguia.
- Ravena, eu, você, o papai, todas nos sabemos que o feitiço é mais forte em você! - a irmã mais velha se aproximou a agachou na sua frente - Você está perdendo para ele!
- Eu não estou! - Ravena sussurrou.
- Está! - Petunia disse seria - Está! Por isso você está aqui em casa e não no castelo, por isso você fugiu daqui em primeiro lugar! Por isso a mamãe morreu e você...
- PARA! - Ravena encontrou forças para gritar
- O que está acontecendo? - o pai delas entrou na casa preocupado.
- Estou tendo uma conversa que você deveria ter tido com ela há muito tempo! - Petunia encarou a menina no chão chorando.
- Petunia! - o pai falou compreendendo a situação- Ela não está pronta!
- Ela tem 18 anos! Já se apaixonou e sofreu muito, ela tem que entender o que está acontecendo, tem que ver como lutar!
- Petunia! - o pai falou ainda mais sério.
- Pai!
Os dois se olharam por um longo período, o coração de Ravena estava disparado. Por que só a menção da maldição era tão assustadora?
- Ao menos deixa eu contar a história... - Petunia falou derrotada, era a primeira vez que perdia uma luta.
- A nossa bisavó... - Ravena falou ainda sentada no chão- A nossa bisavó era uma mulher muito bonita, a mais bonita de Catalan. A sua beleza só não era maior que sua ganância e egoísmo...
Silêncio, essa história tinha sido contada pela própria mãe de Ravena na beira da morte, a última conversa das duas. Sua família até hoje acreditava que ela só sabia comentários picados dessa história.
- Um dia, uma velha mendiga foi até essa mulher e pediu um pouco de água e comida. - Ravena continuou - Mas a nossa bisavó riu... riu e disse que nunca ajudaria mulher tão feia. A mendiga aconselhou ela não julgar pela aparência, pois a beleza está além do que podemos ver. A mulher retornou a expulsar a senhora, que se tornou em uma bela feiticeira...
- E a feiticeira amaldiçoou a mulher e suas descendentes... - Petunia disse encarando a irmã mais nova - Quanto mais bonita for a menina maior será a maldição.
- A feiticeira disse que enquanto a beleza fosse tudo que os olhos encontrassem não haveria felicidade. - Ravena sussurrou - Enquanto a beleza fosse tudo que as pessoas fossem capazes de ver, nunca poderiam ser amadas de verdade.
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