Capítulo 18

Olho para o garoto por alguns segundos e um sorriso escapa da minha boca. Muitas pessoas já disseram que sou linda, mas essas palavras vindas da boca dele soam diferente. A seriedade nos seus olhos me transmite uma sensação estranha no estômago, como se cada letra de cada palavra que ele disse, se impregnasse na minha pele e agora eu não posso parar de pensar nisso.

-Você também não está nada mal, Leopoldo... -Acaricio o seu rosto e sinto mais uma vez a aspereza da sua barba por crescer. Minha mão vaga pela sua bochecha e desce pelo pescoço até chegar no peitoral musculoso.

-Hoje você está muito engraçadinha hein, comeu um palhaço por acaso? -Pergunta divertido e solto uma gargalhada, a tempos eu não ria assim, tão...sinceramente.

-Na verdade, o palhaço foi quem me comeu! -Solto e ele arregala os olhos me fazendo rir mais ainda. -Ah vamos Léo, foi só uma brincadeira, não precisa ficar com essa cara de quem vai desmaiar! -Provoco e ele dá um tapa na minha bunda nua.

-Quem diria que Maria Clara Diniz não é a santinha que todos pensam... -Finge assombro e eu me aproximo mais ainda do seu corpo quente e começo a beijar o seu pescoço.

-É como dizem, as santinhas são as piores né? -Beijo a sua boca de uma forma tão intensa que chega a ser indecente. Minha mão desce pelo seu corpo e para no seu membro. O acaricio por alguns minutos até que ele quebra o nosso contato.

-Me desculpa gata, mas se quiser um segundo round vai ter que esperar um pouquinho! -Dou risada da sua sinceridade, eu estava apenas o provocando, também não aguento outra ronda de sexo, porém quem nos impede de brincar não é mesmo? -Que tal tomarmos um banho, você sabe, para refrescar um pouco? -Sugere e eu concordo com a cabeça. Nunca tomei banho com um homem, na verdade com ninguém, porém me sinto extremamente confortável com a sua presença.

Sem dizer nada, me levanto e caminho rebolando até o banheiro, não demora nem um segundo para que Léo me abrace por trás e sussurre no meu ouvido:

-Parece que você quer me matar hein? -Sinto o meu corpo inteiro se arrepiar e ainda sem dizer nada, ligo o enorme chuveiro e ajusto a temperatura da água para os dois. Entro debaixo do jato quente e pego sua mão o puxando levemente para junto de mim.

Cada um esfrega o outro com certa delicadeza e a cada tatuagem que vou "limpando" no corpo de Léo, a minha curiosidade vai aumentando. Ele tem o abdômen completamente tatuado, são várias imagens de todos os tamanhos, reconheço um nome dentre todos os traços: Connie. Beijo bem ali e como se algo se apoderasse do meu corpo, vou beijando cada uma das dezenas de tatuagens que enfeitam o seu belo corpo. Depois do cobrir o seu peitoral de beijos, passo para as suas costas, Léo fica completamente estático, e fico com medo dele não estar sequer respirando. Quando termino com as suas costas, dou um beijo demorado na sua boca. É quando ele sai do transe e me abraça apertado, passando as mãos pelo meu corpo molhado em todos os sentidos. Suas mãos descem pela minha barriga e pedem passagem pela minha perna. Deslizo os meus pés para os lados, em um sinal claro de que estou junto com ele nessa. Seus dedos invadem a minha vagina e quase salto com a sensação deliciosa. Sua boca vai parar nos meus seios e minha mão no seu pênis. Não consigo evitar tocá-lo. Ele é como uma escultura viva, daquelas que te chama tanto a atenção que é impossível não tocar para saber se é real.

-Achei que você não aguentaria outra ronda... -Brinco enquanto tento respirar. Léo também respira fundo e retira a mão do lugar. Merda de boca grande Clara!

-Você tem razão... vamos, estou ficando com frio de qualquer forma. -Desliga o chuveiro e me passa uma toalha. Mas que idiota que eu sou!

Saio a contragosto e me seco rapidamente, me vestindo com um pijama fresquinho, que consta de um short e uma blusa de alcinha. Léo observa todos os meus movimentos calado. Está sentado na cama apenas com a toalha enrolada na cintura em uma posição tão masculina quanto ele pode ser. Seus olhos acompanham as peças de roupa que vou colocando e tenho a impressão de que ele inclusive passa a língua na boca, como se estivesse com sede de repente.

Geralmente eu coloco qualquer roupa em questão de segundos, mas hoje, ah meus queridos, hoje estou fazendo um show especial. Visto primeiro a calcinha, lentamente e rebolando, logo coloco o short e por último, a blusa. Quando estou vestida, olho para Léo sugestivamente. Ele se levanta e caminha até ficar de frente para mim. Coloca as duas mãos nos meus ombros e me olha profundamente sem dizer absolutamente nada. Ficamos assim alguns minutos até que ele solta um suspiro e beija a minha testa. Agora estou bem confundida.

-O que foi tudo isso? -Pergunto curiosa.

-Nada, eu só estava tentando entender porque perdemos nosso tempo brigando tanto... -Solta e eu que nem lembrava disso, acabo juntando minhas sobrancelhas em uma cara de, "mas o que? ". Como assim ele não entende o porquê brigamos? Ele foi a causa de todas as nossas disputas. Ele que quase acabou com a minha carreira, antes mesmo dela começar! Estou quase dizendo essas palavras na sua cara, quando meu celular decide tocar interrompendo o meu ataque de fúria repentina. -Acho melhor você atender. -Me solta e me empurra levemente até aonde o aparelho toca insistentemente.

Caminho até a mesinha e pego o celular atendendo sem nem mesmo olhar para o visor.

-Alô? -Olho para Léo, que por sua vez, volta a se sentar na cama.

-Alô filha, está tudo bem?

-Ah, oi mãe! Estou bem, e a senhora como a senhora está? -Ótimo, agora me sinto mal por ter atendido dessa forma.

-Estou muito bem, obrigada. Estava ligando para te avisar uma coisa... -Diz com certa timidez na voz.

-Sim, o que aconteceu? -Tento soar mais calma e mamãe solta um suspiro do outro lado da linha.

-Então filha, eu queria saber se você não liga se eu dormir na casa do Jô hoje... -Uma risada escapa da minha boca e me seguro para não dizer alguma besteira.

-Claro que não me importo, mãe!

-É que eu não queria te deixar sozinha, por causa daquele stalker e tudo mais... -Tenta achar alguma desculpa para voltar para casa e eu a corto no mesmo instante.

-Não se preocupe mãe, vou ligar para Pri e pedir para que ela venha dormir comigo. -Minha amiga viria em um piscar de olhos, ela adora uma festa do pijama.

-Tudo bem então... qualquer coisa me ligue, por favor! Amanhã estou de volta, e Jô disse para vocês trancarem todas as portas e janelas e não deixarem ninguém entrar e...

-Mãe! Vá se divertir com o seu homem! -Exclamo e ela ri antes de se despedir e encerrar a ligação.

Coloco o celular de volta no lugar e percebo que agora Léo está somente de cueca e deitado na cama, como se fizesse isso todos os dias.

-Era a sua mãe? -Pergunta por educação, porque ele praticamente escutou a conversa inteirinha.

-Sim, ela vai passar a noite fora com o noivo... terei que ligar para Pri para que ela venha dormir comigo. -Busco o celular novamente e procuro o nome da minha amiga nos contatos. Antes mesmo que eu possa sequer apertar o botão "ligar", Léo puxa o aparelho da minha mão e coloca no criado-mudo ao lado da cama. -Ué, porque fez isso? -Pergunto com uma sobrancelha levantada.

-Não precisa ligar para a sua amiga.

-Léo, eu não vou dormir sozinha nessa casa nem a pau e...

-Eu vou dormir aqui com você, estressadinha! -Me puxa e acabo caindo na cama junto com ele.

-Você não precisa fazer isso, a Pri vem rapidinho, ela adora dormir aqui.

-Não preciso, mas eu quero. -Agora essa frase me tira completamente o ar. Nunca imaginei que iria compartilhar a mesma cama com o Léo. Espera, será que ele vai querer dormir comigo? Quero dizer na mesma cama?

-Tudo bem... eu posso arrumar o quarto de hóspedes pra você em dois minutos. -Jogo verde e Léo me olha estranho, quase... divertido.

-Na verdade eu pensei em dormir aqui com você, se não se importar, é claro. -Me abraça e beija a minha boca, que maneira deliciosa de querer convencer alguém, viu? Super recomendo!

-Tudo bem... não tem problemas, mas vou logo avisando que eu ronco. -Mas o que diabos passa pela minha cabeça?

Léo ri descaradamente e me abraça ainda mais forte.

-Não ligo... na verdade eu durmo tão profundo igual um tronco.

-Não sei se isso é uma vantagem ou um prejuízo. -Brinco e me levanto em um pulo. -Bom, vou trazer mais um travesseiro e uma coberta, porque de noite costuma fazer frio aqui... já volto. -Praticamente corro porta afora e paro no corredor para respirar. Me encosto na parede e puxo várias vezes uma respiração profunda. Se acalma Clara! Você só vai dormir com uma pessoa, nada de importante... é o Léo, você já o conhece, você acaba de transar com ele pelo amor de Odin! Balanço minha cabeça concordando comigo mesma e vou até o quarto aonde guardamos todas as roupas de cama. Pego um travesseiro e volto para o quarto.

Encontro o garoto na mesma posição que o deixei, e Deus como ele é lindo.

-Aqui, trouxe só um, mas se quiser outro, pego pra você... -Okay, estou super nervosa, tenho que admitir, e Léo parece perceber isso, porque segura a minha mão e me puxa para perto de si.

-Clara, se acalma, se for muito incomodo pra você eu durmo em outro quarto.

-Não! Quero dizer, não se preocupe, eu só estou um pouco nervosa, nunca dormi com ninguém... -Fecho a matraca antes que diga alguma bobagem e apago as luzes antes de me deitar ao seu lado.

Meu coração está batendo tão rápido, que tenho a sensação de que ele vai pular pelo meu pescoço e sair correndo e gritando.

Me deito o mais longe possível de Léo sem cair da cama, e ele solta uma risadinha rouca. -Boa noite Léo! -Digo e me viro para dormir. Não consigo olhar na sua cara, de repente, fiquei tímida, isso porque acabo de fazer amor com ele, tamanha contradição essa minha vida.

Fecho os olhos, e tento dormir, mas é em vão. Não consigo. Simplesmente o sono não vem. Solto um suspiro e pondero se não foi muito alto, quem sabe Léo já pegou no sono.

Tento me levantar para pegar um copo de leite, quem sabe assim possa dormir, mas um braço enorme e tatuado, me impede de prosseguir. Ele me abraça e me puxa para perto de si, deixando apenas alguns centímetros de distância entre nós.

-Fecha os olhos e dorme meu bem... -Sua voz rouca comanda, e como se eu fosse sua submissa, obedeço ao comando e pego no sono quase que imediatamente.

Acordo com o alarme e sinto um vazio e um frio que nunca senti antes. Me viro e ao olhar para o lado, vejo a cama vazia. Uma tristeza se arrasta pelo peito, como ele foi embora sem me dizer nada? Não seja dramática Clara, não seja... espera, o que é isso? Olho em cima do travesseiro e encontro um pedaço de papel rasgado. Reconheço imediatamente a letra de Léo. Com as mãos um pouco tremendo, coloco o papel diante dos olhos e começo a ler tudo.

"Meu anjo, me desculpa, tive que sair cedo, além do mais, não queria que sua mãe chegasse e me encontrasse aqui, nos vemos na entrevista de hoje, não se esqueça! Provavelmente você está lendo esse recado depois de algumas horas, mas saiba que foi muito difícil sair sem te dar um beijo! Você dormia tão bem, que não quis te acordar... bom, como disse, nos vemos mais tarde! "

Coloco o papel no peito e o abraço, como uma adolescente apaixonada que acaba de receber uma carta de amor.

Suspiro e me levanto para me arrumar. A entrevista é daqui algumas horas e ainda tenho que tomar o café da manhã.

Como algo leve e espero saio antes mesmo que mamãe chegue. No caminho, ligo para Priscila e conto de maneira resumida o que aconteceu no dia de ontem.

-EU NÃO ACREDITO NISSO! -Minha amiga grita do outro lado me fazendo distanciar o celular da orelha até que ela pare de gritar. -JÁ ERA HORA! -Droga, novamente quase arrebenta os meus tímpanos.

-Pri, pelo amor de Odin, se continuar gritando, encerro a ligação na hora! -Repreendo e ela se acalma.

-Amiga, todos viam a tensão que existia entre vocês dois, e eu sabia que era algo sexual! Já era hora, sinceramente, estou torcendo por isso! Sou team Cléo! -Agora essa menina endoidou de vez.

-Priscila, não delira por favor! Agora tenho que desligar, porque tenho uma entrevista na cobra da Rita... -Me distraio por alguns segundos e quase passo um sinal vermelho. Hoje é uma das poucas vezes que dirijo sozinha sem seguranças, mas não queria incomodar mamãe, acho que vou precisar de um segurança novo...

-Hum... e Léo vai estar lá também? -Pergunta e sei muito bem aonde ela quer chegar.

-Sim, ele vai estar... -Respondo no automático.

-E você não se aguenta de vontade de vê-lo não é mesmo?

-Sim... quero dizer, não! Eu só... olha tenho que desligar estou quase chegando no estúdio! Mais tarde te ligo! -Encerro a ligação e dirijo com a cabeça a mil até chegar finalmente no bendito estúdio. Nem bem passo pela portaria e meu coração começa a bater forte de antecipação por ver a Léo novamente. Merda, Pri tinha razão.

Estaciono em uma vaga qualquer e caminho lentamente mostrando minha identificação ao segurança. Reconheço o carro de Léo estacionado a alguns metros de distância de onde estacionei. Vou direto ao camarim e as garotas e garoto começam a me arrumar. Maquiagem, cabelo, roupas etc. Ainda não vi o garoto que se apossou dos meus pensamentos e isso me deixa ainda mais apreensiva.

Quase não converso e eles também não puxam assunto, estou muito nervosa para dizer algo coerente no momento.

Quase duas horas depois, estou finalmente pronta e vestida para o programa. Me levanto, agradeço a todos e caminho até um lugar meio reservado, preciso me distanciar um pouco de todos esses holofotes. Encontro um lugar vazio e me encosto na parede, respirando fundo e expirando lentamente.

De repente uma mão me puxa e lábios que conheço muito bem, se colam nos meus me pegando totalmente de surpresa.

-Droga menino, você me assustou! -Sussurro e Léo solta uma risada sincera.

-Desculpa, não queria te assustar, é que te vi vindo até aqui e estava com saudades... -Beija meu pescoço e me arrepio toda. -Você está linda, por certo.

-Obrigada... e eu... também senti saudades... -Confesso e ele sorri um sorriso ainda maior que o anterior.

-Clara, eu quero te pedir uma coisa... quando estivermos na entrevista, não quero que Rita perceba que... bom... que temos algo. Ela é como uma cobra e não perde uma oportunidade para ter o seu show. -Me olha com o cenho franzido e eu sinto um aperto no peito. Tudo bem que não quero que a Rita saiba do nosso envolvimento, mas escutar ele pedindo isso, não sei, é como um choque de realidade.

-Tudo bem... vamos fingir que ainda nos odiamos... -Brinco para quebrar o clima e ele me olha sério.

-Eu nunca te odiei Clara.

NOTA DO AUTOR
Galerinha linda do meu coração, não se esqueçam de votar e comentar o que estão achando da história!!
É um incentivo a mais para que eu continue!
Bjinhoosss BF

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