Capitulo 10

Estou tremendo. Não um tremorzinho mixuruca, estou literalmente tremendo igual vara verde. Existem poucas pessoas que sabem do meu endereço real, alguns amigos mais íntimos, Josué e Pri. Para todos os efeitos, minha casa fica no bairro residencial mais rico da cidade.

Até cheguei a comprar uma casa lá, mas só vou quando faço algum jantar ou preciso ter alguma reunião com um produtor ou alguém que queira contratar meus shows.

Sinceramente, esse episódio me deixou gelada. Quem em sã consciência toca minha campainha quase dez horas da noite e deixa um envelope completamente preto na minha porta?

-PRI! -Chamo minha amiga. Estou parada no hall de entrada, não consigo me mexer, o medo me consome. Você pode achar que estou exagerando, mas quando se trata de uma pessoa famosa, esse tipo de coisas fogem do controle e é tenebroso. -PRI! -Grito novamente ao perceber que há nem sinal da minha amiga louca.

-O que foi criatura? Estava chegando na parte que o Liam gostoso mata todo mundo! -Exclama indignada. -Você está bem, Clara? -Indaga ao perceber minha cara de espanto.
-N-na verdade não...

-O que aconteceu? E o que é isso na sua mão? -Aponta para o envelope que de repente ficou bem pesado para se segurar.

-Eu não sei. Estava fazendo pipoca quando tocaram minha campainha, fui atender e não havia ninguém. Voltei para a cozinha e tocaram novamente, quando abri a porta só havia esse envelope no chão. -Explico resumidamente o que aconteceu e ela balança a cabeça enquanto analisa a situação.

-Você viu o que há dentro? -Pergunta depois de alguns minutos de silêncio.

-Não.

-Porquê?

-Eu não sei, fiquei com medo...

-Clara abre logo esse envelope, as vezes não é nada.

-Okay. -Respiro fundo e rasgo a parte superior do envelope. Posso ver que há apenas uma folha dentro, mas ela é estranhamente grossa. Puxo devagar o papel até que meu coração quase para ao ver o que contém nele.

-E ai? O que é? -Pri pergunta impaciente, mas eu não consigo dizer nada. -Clara! Me dá esse papel, quero ver o que é...-Exclama puxando o papel da minha mão quase o rasgando no processo. Vejo que sua boca forma um "o" quando lê o que está escrito, mas ela tenta tirar importância do assunto. -Isso é... um pouco estranho. -Me devolve a folha e eu explodo.

-Estranho? Isso é bizarro Priscila! Que degenerado escreve a frase "Você é minha" com um monte de fotos minhas em uma folha e deixa na minha porta, de noite, em um envelope preto? Isso é macabro! -Me jogo no sofá me afastando o máximo possível dessa maldita folha.
Passo as duas mãos pelo meu rosto e tento me tranquilizar. Quem sabe minha amiga tenha razão e eu estou exagerando.

-Amiga, se acalma, as vezes é só uma brincadeira idiota de algum desocupado...

-Sim, deve ser. Me desculpa por gritar com você, mas juro que me senti em um daqueles filmes de terror idiotas.

-Tudo bem, eu ainda te amo! -Me abraça oferecendo o consolo de melhor amiga que só ela pode dar.

-Mesmo assim preciso avisar a Josué, pode até ser que não seja nada, mas ele tem que saber de qualquer jeito.

-Sim, liga pra ele.

Concordo com a cabeça e puxo meu celular do bolso da calça. Procuro o número do segurança nos meus contatos e aperto "ligar". Toca e toca e acaba caindo na caixa postal. Merda. Tento mais uma vez e novamente cai na caixa postal. Tento ligar para mamãe mas acontece a mesma coisa.

-Eles não atendem. -Olho com o cenho franzido para o celular na minha mão.

-Quem sabe eles estão bem no meio de um sexo quente!

-Pri! Cruzes! -Faço uma cara de quem chupou limão e minha amiga cai na risada.

-Qual é Clara, eles são adultos e solteiros, ou você acha que a sua mão não tran...

-Okay, okay! Não preciso dessa imagem na minha cabeça! Vou tentar ligar para o Beto... -Tremo da cabeça aos pés, a imagem da minha mãe em plena... ação não sai da minha cabeça agora, obrigada Priscila.

-Alô? -Beto atende no terceiro toque.

-Oi Beto, desculpa te incomodar, é que aconteceu algo e eu queria saber se você pode vir até a minha casa me acompanhar...

-Ih Clarinha, eu até iria mas realmente não posso, estou no meio de um compromisso com a Marina, mas eu posso ligar para alguém ir ficar ai com você e se você estiver muito preocupada, posso ver de sair de fininho...

-Não, quê isso Beto, não precisa vir, eu estou até exagerando, além do mais, a Pri está comigo... manda um abraço para a Marina e diz que estou com saudades dela! Aproveita os dias de folga, beijos! -Desligo antes mesmo que ele possa responder. Eu não quero atrapalhar o casal, esse casamento precisa ser perfeito depois de tudo o que eles passaram.

-E aí? O Beto vai vir? -O ser que se faz passar por minha amiga pergunta enquanto coloca varias pipocas na sua boca. Até tinha esquecido das benditas no micro-ondas.

-Ele está ocupado... acho que somos só nós duas mesmo. Vamos trancar tudo e esperar por Josué e mamãe.

-E se você ligar para o Carlos! -Agora minha amiga endoidou de vez.

-Primeiro que ele é o segurança do Léo e segundo eu sequer tenho o número dele. -Aponto o óbvio e juro que posso ver as engrenagens rodando na cabeça da minha amiga louca.

-Já sei! -Não disse? -Porque você não liga para o Léo e pede o número do Carlos! -Bate palmas como se fosse a melhor idéia do mundo.

-Hã deixa eu pensar... -Coloco o dedo indicador na minha testa e posso ver a esperança no rosto da minha amiga. -Não. -Respondo finalmente e ela fecha a cara como uma criança birrenta. -Eu sei qual é a sua intenção meu anjo, então vai tirando o cavalinho de pau da chuva.

-Vamos Clara, deixa de ser chata!

-Eu não vou pedir ajuda para Léo nem agora e nem em um milhão de anos e... -Bem na hora que estou por terminar a frase, a campainha toca novamente arrancando um grito meu e de Priscila. Corro até a porta e me aproximo do olho mágico com medo. Novamente não vejo nem uma sombra sequer do outro lado.

Priscila coloca sua cabeça do lado da minha tentando ver também mas tem o mesmo resultado que eu.

-Mas que diabos está acontecendo! -Pergunta assustada e dá um pulo quando outra vez escutamos o barulho da campainha. Ela corre até a sala enquanto eu fico grudada na porta para ver se consigo enxergar o idiota que está nos assustando.

Quando percebo que é em vão, me viro para ir até o meu quarto, mas dou de cara com a minha amiga segurando o meu celular e tenho uma péssima impressão.

-O que você fez? -pergunto quase sabendo a resposta.

-Desculpa, eu fiquei com muito medo! -Me entrega o celular e o nome "Satã Jr" aparece na tela e embaixo diz "chamando". Droga! Encerro a ligação na hora e olho furiosa para a minha amiga.

-Era só o que me faltava mesmo, não acredito que você fez isso! E como sabe a minha senha? -Pergunto irritada mas minha amiga apenas levanta os ombros enquanto responde descaradamente.

-O aniversário da sua mãe não é uma senha muito difícil... Já sabia faz tempo aliás. -Não respondo nada, apenas nego com a cabeça, essa minha amiga é doida de pedra.

-Para o seu bem, é melhor ele estar dormindo! -Digo depois de alguns minutos, mas o universo obviamente me odeia, porque no segundo seguinte, o aparelho começa a vibrar e a tocar a música horrível que escolhi para ele. -Pronto tá vendo! O que eu faço agora! -Passo o celular de uma mão a outra como ser estivesse pegando fogo.

-Atende ue! -Pri diz como se fosse óbvio. -Olho torto para ela, mas acabo deslizando o botãozinho verde e atendendo a ligação.

-O que é agora? -O garoto diz mal humorado antes mesmo de dizer "alô".

-Oi pra você também! -Debocho e escuto um suspiro impaciente do outro lado da linha.

-Olha garota, foi você quem me ligou então...

-Okay, okay. Desculpa te acordar... é que preciso de um favor. -Torço a cara ao dizer essa palavra porque sei que estou me rebaixando e não gosto nada disso.

-Eu não estava dormindo, e que favor é esse que você quer? -Sua respiração está pesada, como se estivesse fazendo exercícios ou...-Balanço a cabeça para me livrar dessa imagem e conectar meu cérebro com a minha boca.

-Então, preciso do telefone do seu segurança, o Carlos. -Solto e espero sua reação.

-Porque eu deveria te dar o número do meu segurança? -A curiosidade na sua voz é genuína então explico tudo o que aconteceu e ele escuta tudo em silêncio me deixando super desconfortável.

-Está aí ainda? -Digo em um momento, porquê ele está tão quieto que parece que a ligação caiu.

-Sim... chego ai em dez minutos.

-Espera, o que? -Grito para o telefone e percebo que ele desligou na minha cara.

-Ele desligou na minha cara! -Reclamo para a minha amiga que me olha expectante.

-E o que ele disse? Te passou o número?

-Não...

-Mas que idiota!

-Ele está vindo pra cá.

-Mas que fofo!

Minha amiga definitivamente endoidou.

Me sento no sofá para esperar o garoto e Priscila sobe para o quarto. Alguns minutos depois, volta com uma caixa de maquiagem e um monte de roupas nas mãos, quase derrubando tudo.

-O que é tudo isso? -Aponto para as bugigangas nas suas mãos.

-Você precisa estar arrumada para quando o Léo delícia chegar.

Solto uma gargalhada e ela me olha com cara de quem não entendeu a piada.

-Porque tenho que me arrumar? São quase onze horas e eu não dou a mínima se o Léo me ver assim.

Pri apenas balança a cabeça sabendo que não vai me convencer e volta para o quarto resmungando como uma velha mal humorada. Dou mais algumas risadas enquanto pego o controle e ligo a tv. Preciso me distrair, tenho que confessar que estou um pouquinho nervosa com a visita inesperada.

Coloco em uma série qualquer e olho para a tela sem realmente prestar atenção. Minha cabeça está dividida entre ficar com medo pelo possível stalker ou ficar nervosa pela vinda de Léo. Não sei realmente o que me causa essa sensação, é só um garoto me visitando, pronto. Um garoto que odeio e que me deu um dos melhores beijos que já provei. Pode parar Clara! Volta a ficar com medo, isso!

Deito no sofá e acabo pegando no sono. Sou acordada alguns minutos depois com a campainha tocando incessantemente.

Me levanto rápido e corro para abrir a porta e começo a gritar com o stalker, mas quando vejo quem está parado do outro lado, minha voz some no mesmo instante.

-Nossa, e eu que achava que você só era chata no estúdio. -Léo zomba enquanto passa pela porta sem sequer esperar o convite para entrar. Ele observa o hall, a cozinha e a sala com o olhar atento. -Sua casa é...

-Pequena, eu sei.

-Eu ia dizer aconchegante.

-Ah...

-Então, aonde está a carta? -Vai direto ao ponto. Aponto para a folha largada em cima do balcão da cozinha. Ele analisa a frase e franze as sobrancelhas em um olhar preocupado. -Você já recebeu esse tipo de cartas?

-Não... sim? Não sei.

-Como não sabe, Clara? Alguma vez já te mandaram algo parecido? -Percebo que sua paciência está por um fio.

-E-eu não sei! Os fãs me enviam cartas o tempo todo! E sinceramente não tenho tempo de ler todas... a minha equipe se encarrega de tudo. -Pela milésima vez, passo as mãos no meu rosto cansado e me surpreendo ao sentir o toque das suas mãos sobre as minhas. Ele as puxa e me força a olhar dentro dos seus olhos castanhos.

-Clara, eu não quero te deixar com mais medo do que provavelmente você já está, porém esse tipo de carta, é tipica de pessoas que pensam que tem direitos sobre você. Você tem que ter muito cuidado, eu entendo a sua situação, também sou famoso e também corro riscos, mas eu sou homem, posso me defender e...

-Ah, então quer dizer que porque sou mulher, eu sou frágil?

-Não é isso que quero dizer e você sabe muito bem, além do mais, eu bem sei que você tem um caráter insano, mas não é o suficiente. Te aconselho a contar tudo ao seu segurança e também aos seus pais, para que eles também fiquem atentos...

-Tudo bem. -Não esclareço o fato de que moro só com a minha mãe, porque aí teria que explicar tudo desde o início e não estou com cabeça pra isso no momento.

-Eu vou ficar aqui até eles chegarem, tudo bem? -Pergunta um pouco tímido e mais uma vez me surpreendo.

-Okay. Você que beber alguma coisa? Um refri, suco...

-Um copo de água está ótimo.

Balanço a cabeça e vou até a cozinha pegar sua água. Quando volto, percebo que ele está sentado no sofá folheando uma revista qualquer da enorme pilha que mamãe adora colocar sobre a mesa de centro.

-Aqui. -Entrego a água e ele murmura um "obrigado". De repente, engatamos em um silêncio super incômodo e me sinto perdida. Não sei nada sobre ele, portanto não tenho ideia sobre o que conversar.

-Quer ver um filme, ou algo? -Deus é a única coisa que me ocorreu? Se a Priscila estivesse aqui ela me mataria. Falando nisso aonde essa garota se meteu? Não a vi desde que Léo chegou. Não, antes disso, desde que peguei no sono no sofá.

-Eu... estou bem assim, obrigado. -Tira o celular do bolso da calça e começa a fuçar.

Já chega, isso está passando os limites do ridículo. Tiro o aparelho da sua mão em um supetão e ele me olha confundido.

-Que tal se conversarmos sobre alguma coisa? Sei lá... -Sugiro e ele dobra a cabeça para um lado, como um cachorrinho.

-Hum... tipo o quê?

-Hã, como você conheceu o pessoal da banda? -Pergunto e ele começa a contar tudo, desde quando os conheceu até os dias atuais. Os minutos vão passando e vamos encontrando mais assuntos em comum. Nem percebo quando estou sentada do seu lado rindo dos seus gestos enquanto conta sobre um acidente que teve em uma das suas viagens.

-Não acredito! Você quebrou o... amigo? -Sinto meus olhos se encherem de lágrimas de tanto rir.

-O pênis Clara, quebrei o pênis, é tão difícil pra você dizer essa palavra? -Diz sério mas sei que o seu tom é de brincadeira.

-Eu não gosto muito de dizer essas coisas.-Esclareço e ele nega com a cabeça. -Mas voltando ao assunto, doeu? -Sério, estou muito curiosa, como alguém consegue quebrar o... pênis?

-Doeu pra caralho e fiquei quase um mês sem poder transar. -Engulo seco. Porque ele tem que ser tão direto? Esse garoto não tem nenhum filtro.

-Deve ter sido horrível, afinal um galinha como você não sobrevive sem sexo não é mesmo? -Wow! De onde isso saiu? Se controla Clara! Agora sim acho que estraguei qualquer possibilidade de uma trégua.

-Na verdade eu sobrevivi muito bem até... mas se você soubesse as coisas que fiz... -Cai na risada e me perco no som delicioso da sua voz rouca. Calma lá Clara, esse é Léo Moura o cara que quase fez com que você não conseguisse ser quem é hoje! Se bem que até que ele não é tão ruim como pensei que era... Merda! Para de pensar essas coisas!

De repente, ambos estamos nos olhando sérios e é impressão minha ou a sala ficou mais quente?

-Uh, será que posso usar o seu banheiro? -Se levanta rápido como se precisasse escapar daqui.

-Claro, é a segunda porta à esquerda. -Nem bem termino de explicar e ele sai em disparada. Se controla Clara, é Léo Moura! Você não pode gostar de Léo Moura!

-Que seja. -Murmuro e vou até a cozinha. Sirvo um copo de refri para mim e um de água para ele.
Fico parada diante da porta da geladeira olhando para as várias comidas ali dentro, como se nelas estivesse a resposta para todos os misterios do universo.

Percebo que estou parecendo uma psicopata, então fecho a porta e volto para a sala, porém no meio do caminho acabo tendo um encontrão com Léo e derrubo toda a água e o refrigerante na sua blusa branquinha.

-Merda! Desculpa, eu não te vi! -Começo a passar as mãos pelo seu peito tentando inutilmente limpar a mancha marrom do refri, mas acabo piorando a situação. De repente ele segura as minhas mãos com força e me olha estranho. Como se estivesse se segurando.

-Tudo bem, não tem problema...-Ofega e engole seco. Sua respiração está pesada e como se fosse arte de mágica, a minha própria respiração se iguala à dele.

-Acho... -Engulo seco -acho melhor eu lavar a sua blusa, senão você vai acabar pegando um resfriado...

-Tudo bem... -aquiesce, mas não faz menção nenhuma de tirar a bendita blusa.

Como se tivesse sindo invadida pelo espírito de Priscila, respiro fundo, o seguro na barra da sua blusa e vou puxando lentamente para cima, revelando o seu abdômen definido me fazendo literalmente salivar. Sem querer acabo encostando na sua pele quente e arrancando um gemido do garoto e um suspiro de mim.

-Se você demorar mais um pouco pra tirar essa maldita blusa, não respondo por mim Clara. -Ofega e eu termino de tirar a peça na velocidade da luz.

-E-eu vou colocar na máquina, em alguns minutos já vai estar sequinha... -Escapo da sua presença e corro até a lavanderia, esbarrando em quase tudo pelo caminho. Coloco a blusa para lavar e me encosto na máquina respirando acelerado. Que corpo é aquele? E aquelas tatuagens todas no peito, o que será que significam? Deus porque ele tem que ser tão quente? Eu estou ficando doida, definitivamente. Respiro fundo várias vezes para criar coragem para voltar à sala, mas antes mesmo que eu possa entender o que está acontecendo, duas mãos quentes me agarram pela cintura, e sou virada violentamente* enquanto Léo cola sua boca na minha.

Como se eu entrasse em outra dimensão, sou levada às alturas e minhas mãos passeiam pelo peito e costas musculosos e cheios de tatuagens. Não consigo me afastar dele, é como se ele tivesse um campo gravitacional e me puxasse cada vez mais perto, tanto que nesse momento somos quase um só.

Ele também não se segura e de repente suas mãos estão nas minhas pernas subindo lentamente, até chegar ao cós da minha calça de moletom, aonde ele brinca sensualmente, colocando os dedos na minha cintura e depois retirando sem dó e me deixando com gostinho de quero mais.

Pra fazê-lo se sentir como eu me sinto, seguro firme na sua bunda durinha e o atraio mais para mim, se é que isso é possível. Um gemido rouco escapa da sua boca e eu quase tenho um treco ali mesmo, sentada em cima da máquina de lavar. Aliás, quando fui parar aqui?

Sua boca agora está no meu pescoço, lambendo e mordendo e me fazendo delirar. Viro o rosto para dar mais acesso à sua língua indecente, mas é a pior decisão que tomo na minha vida, pois abro os olhos e vejo minha amiga encostada na porta com o balde de pipocas na mão assistindo a tudo como se estivesse vendo um filme para adultos.

Empurro o garoto tão rápido que por um momento ele fica sem entender nada, até que Pri cai na risada chamando sua atenção.

-Caramba! E você ainda me diz que odeia o garoto Clara? Mas é cara de pau mesmo... ah só vim para avisar que sua mãe já chegou e está te procurando.
E assim sem mais nem menos, sai e nos deixa com a maior cara de taxo da face da terra.

NOTA DO AUTOR
*O termo "violentamente" aqui nesse caso foi usado no sentido de rapidez, ou inesperadamente.
Para deixar bem claro não apoio nenhum tipo de violência.

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