☫Capítulo 3☫



                                                                ☫ ℜ𝔈𝔔𝔘ℑ𝔈𝔐 ☫

Abro meus olhos, estranhando o motivo de eu não ter sentido nenhuma dor causada pela queda, me encontro em um lugar escuro com uma névoa espessa, não tinha barulho nenhum no local.

— Ketley!? - grito, mas só ouço o eco da minha própria voz se espalhando por aquele lugar — Tem alguém aí?

Nenhuma resposta. Será que eu morri? Esse e o inferno? Esse é o purgatório? Não conseguia pensar direito, uma forte dor de cabeça se manifestou em mim, uma dor insuportável que parecia que minha cabeça iria explodir. Foi nesse momento que alguém respondeu.

— Você não está morto Benjamin. - arregalo os meus olhos tentando procurar de onde vem aquela voz, um pouco depois percebo que era a mesma voz que eu tinha ouvido antes de me desequilibrar do parapeito do prédio.

— Quem é você? Onde você está? - indago assustado, olho em todas as direções procurando de quem era aquela voz, mas sem êxito.

— Olhe para baixo - diz novamente aquela voz. Movo minha cabeça e meus olhos lentamente em direção aos meus pés, nesse momento me surpreendo com o que vejo;

Minha própria sombra estava falando comigo!

Não conseguia entender naquele momento o que estava acontecendo, a sombra tinha o mesmo formato do meu corpo só que ela estava crescendo em minha frente tinha olhos vermelhos e um sorriso que era de subir um calafrio desde à ponta da minha espinha até o último fio de cabelo.

Fiquei gelado e paralisado de medo, minha respiração estava ofegante, queria correr. Mas pra onde? Meu corpo não obedecia, foi a mesma sensação que tive quando meu corpo se mexeu sozinho até o terraço do prédio.

— Q... Qu... Quem é você? - com a voz trêmula e o resto do corpo paralisado de medo, foram as únicas palavras que consegui pronunciar.

— Me chamo Defteros, eu preciso de sua ajuda Benjamin. - aquela voz ecoava por aquele lugar sombrio inteiro, mas sua aparência foi amenizando, de uma presença forte e imponente ela se transformou em uma presença calma inofensiva. — O mundo que você conhece corre um grande risco, mas não posso por agora te explicar, volte no tempo nesse mesmo dia, refaça seu dia e eu irei te procurar novamente nesse mesmo horário.

A sombra então se aproxima e toca meu pulso deixando uma marca estranha, ela então se afasta e estala os dedos e uma forte luz aparece tomando todo o lugar.


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Acordo em minha cama assustado imaginando que aquilo tudo que passei fosse um sonho, eu olho pro lado e encontro Léo deitado dormindo profundamente.

— Será que tudo foi um sonho? - pergunto em voz alta passando as mãos no rosto.

Logo me levanto e vou ao banheiro lavo meu rosto e começo a pensar no que tinha acontecido, a traição do Léo, a Ketley e o terraço do prédio. Assim que levanto a cabeça decidi ir tomar um banho e ver se consigo tirar aquela sensação horrível que estava sobre mim, tiro meu pijama, mas percebo em meu pulso a marca que foi deixada por Defteros e logo percebo que aquilo não tinha sido um sonho, mas sim; na real voltei no tempo. Voltei no dia exato que tudo aconteceu.

Agora eu consigo lembrar, o assim que saio do chuveiro Léo acorda e me pede o carro e dinheiro pra procurar emprego. Foi exatamente o que aconteceu ontem, ou hoje? E então sou consumido por uma raiva pelo Léo, saio do chuveiro e me enrolo na toalha, me dirijo de volta ao quarto pego qualquer roupa no armário e vou até à lavanderia do meu apartamento, encho um balde com água e sigo de volta ao quarto jogando na cara do Léo que levanta assustado gritando.

— O que é isso seu filho da puta!?

— Cala essa maldita boca, pega agora suas coisas e vai embora de minha casa. - digo fortemente sem fraquejar em nenhuma palavra. — Eu sei de tudo. Você pega meu dinheiro e meu carro para sair com outros caras.

— Você está ficando maluco? - pergunta fazendo caras e bocas.

— Não adianta me enganar Léo hoje mesmo você vai se encontrar com um cara no motel da Brigadeiro, seu lixo escroto! - Digo abrindo o armário e jogando todas as roupas dele pra fora em cima da cama. — Vai embora agora se não chamo a polícia.

— Eu não sei como você descobriu, mas você não pode me mandar embora, sem mim você vai ser um pobre coitado que não tem ninguém nessa vida. - ele pega no meu braço forte e aperta.

— Eu nunca estou sozinho seu infeliz. - puxo meu braço fazendo ele soltar o mesmo, aponto meu dedo pra ele. — Eu não preciso de você. Um sanguessuga, lixo e imprestável que nunca me deu valor e sim ao meu dinheiro e meus bens.

Empurro ele contra a parede que acaba se desequilibrando e caindo, jogo uma mala velha em seu colo e digo.

— Faz suas malas estou indo pra USP e quando eu voltar não quero ver você aqui. - pego a chave do meu carro e meu celular, faço uma ligação. — Ketley estou passando aí na sua casa, da i vamos pra USP. Tenho uma coisa importante pra te dizer.

Saio de casa e largo Léo em casa no chão juntando suas roupas sem dizer um piu. Desço a portaria e vou até o Senhor Mendes e aviso ele que quando o Léo passasse por ali era pra pedir as chaves do apartamento e que ele não estava mais autorizado a subir e se ele não descesse dentro de 1 hora era pra chamar a polícia.

Vou ate garagem e entro no meu Jeep preto e vou em direção a casa da Ketley.


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— Finalmente! - grita alegremente Ketley. — Você deu um pé na bunda daquele desgraçado.

— Você pode acreditar que ele estava me traindo esse tempo todo?

— Pior que acredito sim Ben, na verdade estava na cara só você que não percebeu. - diz mexendo em seu celular. — Vamos comemorar com uma música da minha rainha.

— Até sei qual, I Like It da deusa Cardi B. - aumento o som e no ritmo latino da música, fomos cantando o refrão da mesma até chegar na faculdade.

Chegando na USP, tivemos as mesmas aulas e a mesma cena da Ketley me parando na porta pra "renovar" seu ranço por Justin. Ao fim do dia Ketley se oferece a ir ao meu apartamento comigo, conferir se o traste tinha ido embora, eu aceitei pois não queria chegar sozinho caso ele ainda estivesse lá.

Entro na garagem do meu prédio para guardar meu carro e subir para recepção onde o porteiro me avisou que felizmente Leo ainda estava o apartamento, Ketley arregaçou as mangas se dirigindo ao elevador, subimos juntos até meu andar e lá vejo a porta aberta, assim que entro vejo Léo com a mesma mala pronta na sala, ele se dirige a mim.

— Por favor Ben, não me mande embora eu te amo ainda, — se ajoelhou aos meus pés — eu te imploro.

— Mas nem fodendo. - Diz Ketley me puxando de lado, eu acabo rindo com a situação. — Você não vai chegar nem a um metro dele, pega essa malinha mixuruca e vaza daqui.

Léo então se levanta e espera uma resposta minha, fico em silêncio com um sorriso no rosto, ele então entendendo que eu estava irredutível pega a sua mala e vai em direção à porta.

— Entregue a sua chave. - olho pra ele e estendo minha mão, ele mexe no bolso da calça tirando sua chave me entregando a mesma.

— Isso ainda não acabou Benjamin Hernandez. - indaga jogando a chave no chão e se retirando do apartamento.

— Vai com o Diabo! - Ela grita da porta fechando a mesma. — E agora Ben?

— Agora? - sorrio pra ela, que acaba entendendo minha mensagem.

— BORA CURTIR! - dizemos ao mesmo tempo.

Coloco uma playlist de música pop que nós dois adoramos, tinha Selena Gomes, Cardi B, Anitta, Fifth Harmony, One D., 5 S.O.S., The Chainsmokers e vários outros para abrir aquela noite. Pedi pizza e abri umas cervejas e um vinho que tinha na geladeira e começamos a beber.

A festa que eu e ela fizemos, foi até altas horas da noite, estávamos bêbados e ainda estávamos bebendo mais, pela batida viciante de Work From Home, eu decido ir ao banheiro lavar meu rosto já que estava começando a me sentir mal.

Entrando no banheiro percebo algo de diferente, eu não estava mais no meu banheiro, era aquele mesmo lugar escuro que encontrei Defteros, nesse momento parece que todo álcool que estava em meu sangue sumiu, cocei meus olhos pra ter certeza que estava vendo certo, em nada adiantou. Logo ouço novamente a voz de Defteros me chamando naquele mesmo lugar.

— Benjamin, eu disse que voltaria.

— Eu sei. Você já se apresentou, mas ainda não disse o que quer comigo. - digo sem temer.

— Você é minha reencarnação Benjamin, só você pode salvar o mundo de um mal que está por vir. - a atmosfera daquele lugar ficou mais leve e mais clara. Defteros então com um estalar de dedos manifesta uma visão do passado.

No início de tudo, antes de existir o tempo e a matéria, existia duas consciências eu e o vazio.

Meu corpo físico ainda não existia, entretanto, minha consciência passou a se manifestar junto com a vazio, e parte de mim se torno a consciência de Angkor. Logo após a consciência de Angkor se forma, a minha entrou em estado de desperte e assim o universo se criou.

Em um lugar específico no universo um lugar foi criado imediatamente após o surgimento do mesmo, esse lugar foi chamado de Réquiem, um lugar de céus azuis e campinas de um verde infinito. E ali meu corpo foi criado a partir da essência que restou do universo e das folhas de uma árvore branca que ali tinha surgido, porém o pouco do resíduo do cosmos caiu-se em suas raízes e dali veio o corpo físico de Angkor.

Naquele lugar eu e ele crescemos e convivemos como irmãos enquanto o universo tinha acabado de nascer. Se passaram milênios e nos dois continuávamos juntos naquele lugar criado especificamente para nós, mas uma coisa estava clara nos éramos muito diferentes, enquanto eu tentava dominar o poder dentro de mim, criava vida com minha magia, seres bons de coração alma pura, porém Angkor também podia criar vida só que vida maléfica, demoníaca e dentro dele começou a crescer um ódio por tudo que eu criava nisso tudo que eu criava ele retornava aquilo ao vazio e ao nada.

Um dia após completarmos nosso vigésimo milênio decidimos explorar Réquiem, após alguns ciclos achamos uma caverna que ali, assim que entramos um brilho forte surgiu de dentro da caverna que nos incapacitou e nos puxou pra dentro dela, ficamos desacordados por um tempo, após retomar a consciência e acordar Angkor nos deparamos com dois altares em nossa frente que possuíam dois artefatos cada, no da esquerda possuía uma foice negra e um anel, no da direita possuía um cetro e um livro.

Esses artefatos eram regidos pelo poder da criação e da destruição, em minhas mãos estavam o Cetro Elemental e o Grimório da Criação e nas mãos de Angkor estavam a Foice da Destruição e o Anel do Caos.

Após alguns bilhões de anos decidi sair daquele lugar para poder explorar o universo que tenha se criado envolta de nós dois, deixando Angkor no Réquiem parti em busca de dar vida a tudo que me cercava, foi onde encontrei um pequeno planeta que estava em um sistema solar já com seus 4 bilhões de anos, nesse planeta com o cetro despejei a magia da criação e tudo se criou em vida; animais mágicos, plantas, oceanos, montanhas.

E assim a criação da vida na terra se surgiu e eu jurei a proteger tudo que eu criei.

— Você agora sabe da história da criação do universo e da vida no planeta que vive. Seu dever e proteger o mundo que criei e que me sacrifiquei... Por favor Benjamin.

Pra mim naquele momento foi difícil engolir mais firme ergui minha cabeça e olhei aos olhos dele que me encarava esperando uma resposta. Acenei com a cabeça.

— Eu juro proteger esse mundo e todos. - imediatamente Defteros abre um sorriso.

— Muito obrigado Benjamin, você não estará sozinho sempre estarei com você para te auxiliar no que precisa.

Defteros e afasta de mim pela última vez e estala seus dedos fazendo aquele clarão novamente. — Sempre que você precisar de mim você pode voltar aqui...

Eu acordo no chão do banheiro me levanto, procuro olhar para fora do banheiro e vejo Ketley deitada no sofá dormindo, vou até a sala ligo a TV e uma manchete do jornal aparece de imediato.

"Terremoto de 7,5 na escala Richter no oceano atlântico sul na madrugada de hoje e tremor é sentido em alguns países da África e o Leste da América do Sul. Alerta nas cidades litorâneas dos mesmos''

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