Sua presença
Madrugada anterior à morte de Daniel.
Samanta havia se fechado para o mundo, abrindo mão de viver e sequer tentava. Desde os acontecimentos na reserva, a única coisa que fazia era ficar trancada em seu quarto, confinada convivendo com seus próprios demônios.
Ninguém era capaz de tirá-la do fundo do poço emocional onde havia caído. Seus pais faziam de tudo para ajudar, até contrataram um psicólogo particular, mas se recusava ser consultada.
Samanta estava sofrendo muito, ninguém devia passar por aquele trauma. Sua cabeça estava uma bagunça, assim como tudo em sua volta. Ficava dias sem tomar banho vestindo as mesmas roupas por semanas, seus olhos estavam fundos e já havia perdido muito peso. Aquela menina bonita e sorridente havia morrido junto com seus amigos e namorado meses atrás.
- Filha, vamos conversar, precisa se alimentar! - Dizia o pai batendo a porta do quarto.
- Me deixem em paz, me esqueçam, se acham que sou louca também não deviam falar comigo.
- Ninguém te acha louca, filha. Só achamos que está confusa e precisa de ajuda, aquele monstro te fez mal, mas precisamos seguir.
- Parem de dizer isto! Estou avisando se acusarem ele mais uma vez, nunca mais irão me ver. Vou embora daqui, vão ver só! Vocês sabem que não foi ele, vocês o conhecem, ele seria incapaz de me machucar, tão menos matar pessoas - Disse ela quebrando tudo dentro do cômodo.
Samanta perdeu o controle e socou o espelho da penteadeira, o trauma foi forte e ela cortou um tendão de sua mão esparramando sangue por todo o tapete rosa. Seu pai desesperado ao ouvir o barulho e imaginando o que ela havia acometido, arrombou a porta para a socorrer.
Horas depois...
- É tão bom sentir sua presença, seu cheiro, sua mão me acariciando. Senti sua falta, amor - Dizia Samanta dopada, com os olhos entreabertos e deitada em uma cama de hospital - Uma mão passava por toda extremidade de sua cabeça a deixando calma e confortável, enquanto a outra segurava com força sua mão. Ela não sabia distinguir se aquilo era realidade ou sonho.
- Eu sei que não foi você quem me machucou, sei disso. Não ligue para o que estão dizendo, sempre te amarei. Me beije! Eu tenho que sentir seus lábios novamente.
Samanta sentiu uma boca encostar em seus lábios, mas eram estranhos, parecia que não tinha uma parte da boca e seus dentes roçavam diretamente em seus lábios, logo sentiu uma língua entrando de forma grosseira. Ela ficou assustada e abriu os olhos. O ambiente estava com meia luz, não dava para ver direito, mas ela viu o que podia se chamar de um espectro de Nathan. Ela se assustou arregalando os olhos podendo ver um rosto desfigurado, como se alguém tivesse tirado os lábios do infeliz com uma navalha ou algo do tipo. Mesmo assim se parecia com o amado.
Samanta começou a passar mal, seu aparelho medidor de batimentos começou a bipar freneticamente. Sua visão foi ficando turva até ver aquele homem feito de sombras sumir em sua frente como se nunca estivesse estado ali.
Samanta começou a ter um ataque cardíaco. Em menos de um minuto seu quarto estava repleto de gente tentando ressuscita-la. Seus pais acompanhavam do lado de fora rezando até o que não conheciam pela vida da filha. Cinco minutos se passaram e incontáveis massagens cardíacas e choques tinham sido realizados para trazer seu coração de volta, mas nada adiantava. Samanta estava morrendo.
Pela manhã...
- Olhem! Ela está acordando - Disse Erika sorridente.
- Que emoção! Finalmente, bem-vinda de volta amiga - Disse Jessica, outra amiga que havia se mudado a um bom tempo de Conforto de Cristo.
Samanta foi abrindo os olhos devagar e foi notando um ambiente agora todo diferente, percebeu que as três amigas mais importantes de sua vida estavam esperando por sua volta.
- Nos deu um grande susto, estamos muito felizes de te ver acordando.
- Sara? Você teve alta? - Disse Samanta surpresa.
- Tive sim, não via hora de te ver e quando saio descubro que você é hospitalizada de novo. Precisamos frequentar lugares melhores - Disse deixando aparecer os dentes com um sincero sorriso.
- O que aconteceu?
- Você teve uma parada cardíaca filha, alguma enfermeira descuidada te deu um medicamento que você é alérgica, isso quase te matou, mas você já está bem. - Disse a mãe aliviada.
- Por isso estamos em outro hospital?
- Sim. Estamos na capital e amanhã voltaremos para casa. Sua amiga Sara quando soube, implorou para os pais para poder te ver. Vamos processar aquele hospital pelo erro.
Apesar de feliz ao ver Sara bem, Samanta ainda estava muito perdida, desejava ter morrido com a parada cardíaca a ter que enfrentar mais um dia de vida real.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top