Capítulo 03
Rafael chegou ao seu escritório e viu Lívia debruçada pegando alguns papéis em uma gaveta, parecia distraída, ele não pôde evitar olhar para a sua bunda empinada que ia pra lá e pra cá devido à dancinha que ela fazia.
— Lívia — chamou e ela se virou colocando os papéis na mesa. — Pode me acompanhar? — ela assentiu, enquanto o seguia até a sala dele. — Eu quero que você vá até o RH deixar a sua documentação com Clarice e logo depois prepare as planilhas do projeto do supermercado, todas as informações necessárias estão no seu computador e preciso disso em duas horas, tem como você fazer isso até às onze?
— Com certeza — piscou passando a mão pela mesa dele. — Só isso, chefinho?
— Hm — engolindo o seco ao ver o olhar malicioso que ela lhe lançava. — Por enquanto sim — se sentando um pouco sem jeito. — Você vai precisar reportar esses documentos — apontando uma pastinha em cima da mesa.
— Essa aqui? — pegando e ele assentiu. — Tudo bem — ia saindo, mas propositalmente deu um jeito de deixar cair todos os papéis de dentro da pasta. — Oh, céus — ela pôs a mão na boca, fingindo-se de desastrada. — Que bobinha eu sou — riu enquanto empinava o bumbum na direção dele e se abaixou, deixando toda sua calcinha preta à vista.
— Minha nossa — ele grunhiu sentindo a excitação aflorar nas suas veias ao ver aquela calcinha minúscula. Inclusive sua ereção pulsante começou a dar sinais. — Que é isso, cara? — sussurrou pra si mesmo, enquanto se levantava e ia até ela.
— Tudo bem, eu posso terminar sozinha — ela disse colocando o cabelo atrás da orelha. — Me desculpe, eu não sou sempre assim, desastrada — pegando os papéis que ele lhe estendia. — Obrigada.
— Imagina, não tem problema — disse todo idiota.
— Bem, até mais — ela sorriu enquanto se retirava.
Ele ficou observando-a sair encantado. O que aquela mulher estava fazendo com ele? Nunca tinha ficado tão excitado assim apenas em olhar uma calcinha. Ele estava de fato enlouquecendo.
♦♦♦
Lorena chega ao escritório e dá de cara com aquela linda mulher de costas. Enquanto procurava alguns documentos, Lívia nem se deu conta que ela tinha chegado.
— Quem é você? — Lorena balbuciou com cara de poucos amigos. Lívia se virou e deu de cara com a mesma mala do dia anterior, rolou os olhos levemente e sentou-se na cadeira. — Oh, você outra vez — pôs a mão na boca.
— Sou secretária do Rafael, o que faz aqui? — Lívia disse um sorrisinho falso. — Errou o endereço do hospício ou o quê?
— Eu venho aqui quantas vezes me der na telha — disse abrindo um sorriso digno de comercial de creme dental. — Esse é o escritório do meu marido — comunicou e Lívia deixou o queixo cair levemente, então quer dizer que seu lindo e maravilhoso chefinho, era casado com aquele aborto? Não dava de acreditar, fala sério.
— Então o que a senhora deseja? — disse dando de ombros e pensando em como seria fácil roubar Rafael daquela mulher, fácil até demais.
— Falar com o meu marido — enfatizou com um bico. — Ele está na sala dele?
— Claro — ironizou enquanto pegava o telefone e interfonava. — Rafael — disse bastante animadinha para o gosto de Lorena. — Sua esposa está aqui fora, pode falar com ela agora? — em tom de deboche.
Rafael resmungou completamente desorientado, não queria ver Lorena, mas também não podia mandá-la embora.
— Tudo bem, Lívia — suspirou. — Peça pra ela entrar, por favor.
— Agora mesmo, chefinho — disse e faltou rolar de rir da cara que Lorena fez. Ela desligou o telefone e apontou à porta. — Pode entrar, senhora — entrelaçou os dedos, estalando-os em seguida.
— Pode, por favor, parar de me chamar de senhora? — Lorena pediu, revirando os olhos. — Eu me sinto uma velha!
— Como quiser — voltando ao seu trabalho, observando Lorena adentrar a sala de Rafael. — Se eu fosse ela aproveitaria a "senhora" enquanto pode ser chamada, porque logo ela não poderá mais. Será apenas uma senhorita em busca de um novo amor — disse pra si mesma com um biquinho e rindo em seguida. — Otária — riu sozinha e voltou a dar atenção ao seu trabalho, que merda, como ela odiava trabalhar.
— Quero que demita àquela mulherzinha que você arrumou para substituir a Cecília — Lorena disse sem humor algum ao entrar na sala do marido.
— E para quê vou demitir a Lívia? — ele sequer a olhou, estava vidrado no computador que estava muito mais interessante.
— Como pra quê?! — arregalou os olhos. — Ela é uma mulher bastante... — procurou algo para falar, mas o que falaria? Enrolou o dedo nos cabelos com uma expressão confusa. — Ela é... Sei lá, eu não gostei dela — cruzou os braços. — E eu tenho certeza de que ela está arrastando as asinhas pra você!
— Pois você está muito mal da cabeça — ele respirou fundo pedindo paciência a Deus, Lorena não sabia como era tremendamente insuportável às vezes. — Lívia está apenas fazendo o trabalho dela — sussurrou.
Lívia estava mexendo muito com ele, não sabia explicar exatamente o porquê de toda essa tensão sexual, se não fosse completamente fora de série ele podia jurar de pés juntos que estava apaixonado pela ruiva, mesmo com o pouco tempo de contato, mesmo com eles se conhecendo há pouco mais de vinte e quatro horas. Mas Rafael não acreditava em amor à primeira vista, isso não tinha cabimento.
— Baby Blue! — berrou ela intrigada.
— O que foi, Lorena? — disse passando as mãos no cabelo.
— Eu estou falando com você — aborrecida. — Vai despedi-la sim ou não?
— Mas é claro que não — ele a encarou seriamente. — E para com essa conversa, Lorena, eu não vou tirar o emprego de uma pessoa só porque você não gosta! Porra, para de infantilidade! — disse se levantando impaciente.
— Você anda muito estranho, Rafa — ela disse caindo no choro. — Não tem mais paciência comigo.
— Quer saber? Tem uma hora que a pessoa simplesmente cansa! E eu cansei! — ele cuspiu. — Vem cá, você veio fazer o quê aqui? — Lorena parou de chorar e limpou a beira dos olhos.
— Eu só vim pedir desculpas por ter sido grossa hoje de manhã, já pedi desculpas para a Antônia e vim pedir desculpas pra você também — se levantou. — Quando sua paciência voltar me encontra — pegou sua bolsa e saiu.
Ele respirou fundo colocando as mãos no rosto. Sentiu-se levemente culpado por ter explodido desse jeito, mas Lorena estava merecendo ouvir umas verdades para parar de achar que o mundo gira em torno de seu umbigo, isso não era nem o terço do que ele queria falar. Estava exausto, cansado, sem nenhuma motivação, seu casamento era uma merda, com M maiúsculo e ele já estava cansando de interpretar o maridinho feliz apenas para agradar os pais e os sogros. Cansado.
Lívia viu Lorena sair com um bico de choro e sorriu sozinha, tinha escutado toda a confusão e tudo aquilo só estava indo a seu favor, estava na cara que Rafael não estava satisfeito com o casamento e isso era simplesmente demais! Não que ela estivesse desejando o mal a ele, mas que aquela situação ajudaria a fisgá-lo, isso com certeza. Terminou de fazer o que Rafael havia pedido e levantou-se caminhando até a sala do chefe, deu duas batidinhas e ele pediu que ela entrasse. Entrou e abriu um sorriso que o fez esquecer toda a raiva que ele estava sentindo.
— Terminei o que me pediu — disse indo até o lado dele, colocando os papéis sobre a mesa. — Aqui está a planilha do supermercado [...] — ela começou a explicar a planilha, estava com o tronco agachado enquanto ele estava sentado.
Ele engoliu o seco e não pôde evitar olhar para os seios de Lívia que estavam a poucos centímetros do seu rosto, como eram lindos, enormes, cheios de sardas e o sutiã os unia firmemente deixando-o zonzo de excitação. Como podia existir um par de peitos tão lindos como aqueles?
— E então, o que achou senhor? — mordeu o lábio, enquanto guardava os papéis.
— Eles são lindos — sem tirar os olhos.
— Me refiro às planilhas — deu uma gargalhada gostosa e ele ficou completamente sem graça.
— Ficaram ótimas — sussurrou enquanto a arrumava a gravata, tinha esquentado de repente.
— Já é a segunda vez só hoje que eu o pego no flagra babando nos meus seios — ela mordeu o lábio, o encarando de uma forma extremamente provocante. — Os acha grandes demais?
— Como? — ele perguntou completamente sem reação. Depois abriu um sorriso nervoso. — São grandes, mas são perfeitos — disse voltando a olhá-los. — Você usa silicone não é? — perguntou agora olhando pra ela.
— E se eu disser que não? — disse se apoiando na mesa. — Acreditaria?
— É bem difícil de acreditar — ele coçou a nuca.
— Sua mulher usa? — ele assentiu. — Deu para notar, mas eu não uso. Sou toda natural.
— E como quer que eu acredite? — ele ergueu a sobrancelha.
— Toque-os — ela deu de ombros.
— O quê? — arregalou os olhos ao vê-la desabotoando a blusa. — Não se preocupe... — parou de falar ao ver que ela tinha a blusa aberta, apesar de ainda estar vestida. Engoliu o seco ao ver a barriga sequinha e os seios avantajados cobertos apenas por um sutiã negro.
— Me dê as suas mãos — ela pegou as mãos dele e levou até seus seios, colocando uma em cada um. Ele sentia a boca seca e seu pau estava cada vez mais duro, apertou os seios dela enquanto ela sorria. Lívia estava completamente molhada, ele apertava seus seios em busca do tal silicone, que não existia ali. A verdade era é que aquilo foi só uma desculpa para que o deixasse tocá-los. — E então? — ela chamou, o despertando do transe em que ele estava.
— E então o quê? — ele murmurou.
— Achou o silicone? — piscou.
Ele sorriu tirando as mãos dos seios dela, realmente ela não usava e eles eram incríveis. Lorena tinha seios grandes, usava silicone e seus seios eram um pouco duros pela bola de plástico que tinha dentro, já os de Lívia não, não encontrou a bola.
— Não — Rafael sorriu e ela ficou satisfeita. — Está de parabéns. Não é toda mulher que tem a sua sorte.
— Obrigada — riu abotoando sua blusa novamente. — Bem, eu vou voltar para o meu trabalho — se agachou apoiando as mãos no joelho, ficando da altura dele. — Qualquer coisa é só me chamar — deu um beijo na trave, muito perto da boca, fazendo-o suspirar pesado de excitação.
Ela sorriu e foi caminhando até a porta. Ele apenas a observou, ela era incrivelmente linda, estava deixando-o louco. Lívia saiu da sala dele com um sorriso malicioso, era tão bom saber que era desejada, ainda mais por um homem tão lindo e gostoso como Rafael. Adorava provocá-lo e deixá-lo constrangido, ele ficava lindo quando estava com vergonha. Riu de seus pensamentos quando ouviu o celular tocar na mesa. Correu pra atender e viu que era Matheus. Mas que cara chato! Resolveu deixar tocar e voltar com seu trabalho, mas o aparelho não parava de tocar, fazendo-a se desconcentrar toda.
— Merda — disse enquanto aparava o celular. — Oi, Matheus!
— Lívia, onde você está? — ele perguntou um tanto irritado. — Por que não atende os meus telefonemas?
— Estou trabalhando, Matheus — ela rolou os olhos. — O que você quer?
— Sério? — ele disse parecendo surpreso. — Parabéns. Eu queria te chamar pra gente ir ao barzinho hoje à noite, vai o meu irmão, a Brenda e toda a galera. Vamos?
— Eu adoraria, mas não posso — mentiu mordendo o lábio.
— Está de brincadeira, não é? — ele riu perplexo. — Você? Lívia Beatriz, negando uma farra?
— Eu mesma, sim, estou cansada. Não estou a fim de sair hoje — rolou os olhos. Ela até queria sair, mas não queria sair com ele, era uma mala, não entendia que Lívia não queria nada com ele além de amizade.
— Bom — ele disse sem ânimo. — Então está bem, fazer o quê não é?
— Pois é, mas divirtam-se — abriu um sorriso. — Bye — desligou e voltou a prestar atenção em seu trabalho.
Naquele dia Rafael ficou muito satisfeito com a ajuda de Lívia, ela era muito competente e apesar de não ter experiência na prática, deu conta de todo trabalho com tranquilidade. E Lívia, por sua vez, estava adorando tanto o emprego como todo aquele jogo de sedução que estava por vir.
E ela tinha toda a certeza que aquele escritório pegaria fogo.
♦♦♦
Alguns dias se passaram e a situação no escritório não poderia estar mais tentadora, Lívia o provocava diversas vezes, ele já estava a ponto de mandar tudo ao inferno e possuí-la ali mesmo, naquela mesa. Tudo nela o alucinava, a voz, o sorriso, o corpo. Pensava nela todo o tempo, estava muito atraído e sentia o seu coração bater forte sempre que a via em sua frente.
Lívia estava sentido o mesmo, várias vezes o pegava olhando suas pernas ou sua bunda, fora que ele faltava despi-la com os olhos e ela simplesmente adorava isso. Adorava ver os homens correndo atrás, babando em seus atributos femininos que modéstia a parte eram para homem nenhum botar defeito, ainda mais um homem como Rafael, rico, lindo, gostoso, com um único defeito: a imbecil da mulher que era uma quadrúpede. Tinha que pegar aquele homem pra ela e ela pegaria. Ele seria seu.
Lorena estava insatisfeita com a presença de Lívia no escritório de seu marido, sabia que aquela mulherzinha vulgar queria alguma coisa com Rafael e não permitiria que lhe tomassem seu coelhinho, não mesmo.
— Bem, eu já desliguei os computadores e quero saber se já posso ir embora? — Lívia disse arrumando sua bolsa.
— Bem — Rafael a encarou querendo falar algo, mas não tinha coragem de convidá-la para sair, o que ela pensaria? Ele era um homem casado, é claro que receberia um sonoro não. — Pode sim — suspirou frustrado.
— Quer me falar algo, chefinho? — ela mordeu o lábio, se aproximando dele.
— Eu... — ele hesitou, que merda! Perto dela ele parecia um adolescente idiota. Lívia abriu um sorriso ao ver que ele estava bastante nervoso. — Você — coçou a nuca. — Não quer tomar alguma coisa comigo? — disse de uma vez, torcendo para que ela não lhe desse o fora e o mandasse ir cuidar da mulher que o estava esperando em casa, mas ela simplesmente alargou o sorriso, colocando o cabelo atrás da orelha.
Lívia se encostou à mesa e o puxou pela gravata para bem perto. Não estava acreditando que ele estava convidando-a pra sair, então isso queria dizer que ele se interessava por ela. Sem esperar mais, o beijou com toda a sensualidade que pôde, fazendo-o arquejar-se. Rafael aprofundou o beijo, fazendo sua língua invadir a boca dela, sentindo como o seu beijo era doce e delicioso, ele sorriu enquanto ela acariciava sua nuca, sentia seu estômago dar saltos, parecia um nerd beijando uma animadora de torcida, nunca tinha sentido nada igual com Lorena. Lívia sorria satisfeita durante o beijo, que beijo delicioso. Aliás, tudo nele era delicioso. Partiu o beijo com dois selinhos.
— Acho que já tem sua resposta — ela sorriu passando a língua nos lábios.
— Você está me enlouquecendo — ele sussurrou, prendendo-a entre a mesa e seu corpo. — Eu não aguento mais esses seus joguinhos de sedução — disse no ouvido dela, em seguida dando uma mordida na orelha da garota.
— Então se renda — capturando outra vez os lábios dele, em um beijo preciso.
— Eu já me rendi — ele sorriu assim que se separou dos lábios dela.
— Sabe que é um jogo perigoso, não é? — ela perguntou, fazendo círculos com o dedo no braço dele.
— Pois eu adoro o seu perigo — os dois riram. — Vamos?
— Vamos — ela pegou sua bolsa e os dois entraram no elevador, separados é claro. — Aonde vamos?
— Onde você quiser — ele sorriu. — Algum lugar que goste em particular?
— Bom eu conheço um barzinho bastante agradável. Fica a umas três ou quatro quadras daqui, acho que ninguém vai nos ver lá — ela mordeu o lábio enquanto abria a bolsa e pegava seu batom e um espelhinho. — Acho que nenhum dos seus conhecidos frequenta, porque é muito simples — passando seu batom. — Tem problema pra você?
— Nenhum, além do mais, nem sei por que você está passando batom, eu vou tirar mesmo — ela deu uma gargalhada gostosa, o fazendo rir. Estava se segurando pra não agarrá-la ali mesmo. O elevador chegou ao térreo e os dois saíram. — Vamos com o meu carro, depois eu te trago de volta — ele disse enquanto a abraçava de lado. — Pode ser?
— Beleza — ela sorriu.
Ele destravou o carro, os dois entraram no veículo e foram saindo do estacionamento. Em menos de dez minutos chegaram ao lugar, era um desses barzinhos que tocavam pagode e música ao vivo, a banda já estava se arrumando para tocar, Lívia olhou no relógio e viu que eram sete e quinze da noite.
— O que achou? — ela perguntou enquanto sentavam.
— É bastante animado — sorriu sentando-se ao lado dela. — Nunca tinha reparado aqui — suspirou e ela sorriu, se aproximando e roçando os lábios.
— Quero beijinho — fez um biquinho e ele sorriu, beijando-a em seguida. Parecia um sonho, os dois ali naquele lugar divertido, Lívia era tudo de bom.
— Vamos pedir? — ele sorriu, lhe dando vários selinhos.
— Sim — ela assoviou e não demorou a que um senhor barrigudo viesse atendê-los. — Olá — ela sorriu. — Me traz uma porção de pasteizinhos e um chopp.
— E o senhor? — ele perguntou para Rafael.
— Me traz um chopp — o senhor assentiu e saiu.
— Você vai adorar o chopp daqui, é artesanal, uma delícia — os pedidos não demoraram a chegar, eles comeram enquanto curtiam o show de uma banda de pagode, em meio a beijos e carinhos. Ele não podia imaginar que Lívia fosse tão divertida, tão aberta, bem humorada, completamente diferente de Lorena que era totalmente o contrário. — Aqui também tem karaokê — ela disse enquanto comia um pastelzinho. — Mas é só as quintas e sextas — deu de ombros.
— E você gosta de cantar? — ele ergueu a sobrancelha e ela assentiu com os olhos brilhando.
— Eu gosto e você?
— Eu não canto muito bem — ele suspirou. — Se eu for jogar karaokê, além de perder eu levo vaia, muita vaia — riu.
— Que bobinho — ela disse contrariada. — Da próxima vez que viermos aqui, vai ser em um dia que tem karaokê. E nós vamos cantar juntos.
— Não vai ter graça, porque você vai ganhar de lavada — ele disse repreensivo.
— Eu não ligo — ela apenas moveu os lábios. O telefone dele começou a tocar. Ele suspirou ao ver que era Lorena lhe enchendo o saco. — Atende, é melhor — deu de ombros enquanto comia mais um pastel. Ele atendeu.
— Oi, Lorena.
— Coelhinho, cadê você? — ela disse com voz manhosa.
— Estou com uns amigos — mentiu. Lívia prendeu o riso. Agora além de demente, era chifruda!
— Que amigos? — ela questionou, invocada. — Eu os conheço?
— Não, não conhece — ele disse impaciente. — São uns clientes.
— Que horas você vai voltar?
— Não sei, daqui a pouco eu chego — ele sorriu para Lívia, que fazia umas caretas. — Eu tenho que desligar, o sinal está péssimo.
— Tudo bem, não demora, Baby Blue — sorriu. — Beijos!
— Até — desligou.
Lívia começou a rir baixinho, depois tomou um gole de chopp para afogar o riso.
— Até que não é fácil enganá-la — disse lhe dando outro beijo.
— Você deve estar me achando um crápula — ele suspirou. — Mas eu estou estressado com a minha vida.
— Por que não se separa? — ela ergueu a sobrancelha. — Dá para ver a léguas de distância que essa patricinha não é mulher pra você.
— Eu sei que ela não é mulher pra mim — Rafael coçou a nuca. — Mas não posso me separar dela.
— Por quê? Ela está grávida? — ela perguntou fazendo um coque com uma caneta e depois se abanando. — Se estiver, pensão existe — riu.
— Não, quem dera fosse isso — ele riu sem humor. — Os meus pais nos querem juntos desde que nós éramos pequenos, eu acho que eles podem ter um infarto se eu disser que não quero mais nada com Lorena — rolou os olhos. — Fora os pais dela, que são insuportáveis.
— Nossa, que antiquado. Se eu fosse você fugiria — arregalou os olhos.
— Eu já pensei nisso várias vezes, mas eu não sou mais um adolescente — tomou um gole da sua bebida. — Tenho responsabilidades.
— Por essas e outras que eu não quero me casar tão cedo — olhando as unhas.
— Quer ficar sozinha para sempre?
— Não, claro que não — ela murmurou. — Mas eu quero esperar um pouco.
— Pois você está certa. Casamento acaba com a pessoa, digo isso por experiência própria — resmungou e ela apenas sorriu.
— Bem, é melhor nós irmos, já vai dar dez horas e sua senhora deve estar quase tendo uma síncope — zombou e ele suspirou frustrado.
— Tudo bem, eu vou te deixar no estacionamento para você pegar seu carro — ela assentiu. Ele acenou, chamando o garçom. Acertou a conta e logo saíram.
— Eu adorei — ela disse botando o cabelo atrás da orelha, enquanto destravava o cinto. — Nunca foi tão divertido ir àquele barzinho — abriu um lindo sorriso.
— Eu também adorei — ele riu. — Nunca imaginei que esse tipo de lugar fosse tão divertido, espero repetir.
— Claro, quando você quiser, meu lindo — ela sorriu provocante.
— Vem aqui — ele sorriu e a puxou para um beijo, sua língua enrolou na da ruiva fazendo ambos tremerem, não dava de explicar aquele beijo, aquelas sensações. Era tudo muito novo pra eles. Depois que o ar faltou, ela separou os lábios com selinhos. — Você é muito linda — ele elogiou em um sussurro.
— Você também — Lívia piscou. — Bem — abriu a porta. — Até amanhã, chefinho — lhe deu um último selinho e saltou para fora correndo para o estacionamento.
— Até amanhã, ruivinha... — sorriu sozinho e arrancou com o carro.
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