Capítulo 02
— Meu amor! — Lorena entrou na sala de Rafael e o encontrou pensativo.
— Oi, querida — ele forçou um sorriso. Ela fez um bico. — Baby Pink.
— Ah sim — satisfeita. — Viemos te fazer uma visita — balançando Rupert em seu colo. — Dá oi para o papai, meu amor.
— Acho difícil ele me dizer oi — os dois riram, enquanto ela lhe dava um selinho. — Senta — apontou a cadeira. — A que devo a honra da sua visita?
— Viemos te convidar para almoçar — Lorena abriu um sorriso. — Vamos?
— Preciso terminar algumas coisas, meu amor, se quiser esperar.
— Espero sim, Baby Blue — assentiu. — Ué, cadê a Cecília? — estranhando.
— Estou há dias dizendo que a Cecília ia entrar em licença à maternidade. Ela entrou ontem — Rafael a encarou, cada dia ficava mais espantado com a lentidão de sua esposa.
— Ah é verdade, ela vai ter um bebê — sorriu com os olhos brilhando.
— Falando em bebê, quando vamos ter um? — ele disse com um sorriso esperançoso, precisava de alguma coisa para incentivar o seu casamento e um filho era a saída perfeita. Além de que ser pai sempre foi o seu sonho.
— Já disse que não, coelhinho — ela prontamente negou com a cabeça. — Já sabe que não quero ter filhos.
— E por que não? — ele suspirou.
— Porque não — ela disse fria. — Filhos dão muito trabalho, além de que eu tenho muito nojo quando defecam na fralda, não mesmo — disse com repulsa. — Fora que meu corpo vai acabar de tanta banha e pneus.
— Só por causa disso? — ele a encarou estático.
— E você acha pouco? É da minha beleza que estamos falando — ela arregalou os olhos. — Mas já chega, não estamos bem nós três? Rupert é o nosso filho.
— Eu não sou pai de um cachorro — ele rolou os olhos.
— Não fala assim, ele vai ficar ofendido — disse tapando os ouvidos do cãozinho. Rafael apenas negou com a cabeça. — Bem, meu amor, eu vou esperar você lá na lanchonete — ela disse se levantando. — Estou com sede.
— Tudo bem — murmurou e ela lhe deu um selinho demorado.
— Não demora — piscou.
Rafael ficou observando-a sair desanimado. Seu casamento estava em uma rotina cansativa, se levantava de manhã, vinha para a empresa, às vezes ela vinha almoçar com ele, outras vezes ia gastar o seu dinheiro fazendo compras e mais compras, à noite chegava em casa, viam um filme, pediam uma pizza, quando Lorena não estava com suas inúmeras frescuras davam uma rapidinha sem sal nem açúcar. Apesar de ela ser muito gostosa, ele já não aguentava mais as mesmas coisas, as mesmas posições, os mesmos quinze minutos, sinceramente já estava cheio. Ele precisava de uma mulher que o tirasse da terra e Lorena, sinceramente, não era essa mulher.
De repente se viu pensando na bela ruiva que entrevistara mais cedo, que mulher era aquela? Era muito provocante e sedutora. Voltou a olhar o computador onde estava analisando as candidatas e ela definitivamente era a melhor, mas não em questão de currículo, é claro que tinham algumas com carta de recomendações de multinacionais e um currículo bem mais recheado que o dela, mas algo dentro dele dizia que tinha que contratá-la. Sua presença era faiscante e ele estava intrigado demais. Aquele cargo era dela. Pegou o telefone e começou a discar os números constados no currículo. Chamou duas vezes e depois do segundo toque uma senhora atendeu.
— Alô.
— Lívia Beatriz está?
— Sim, quem deseja?
— Rafael Maldonado, da Espaço Arquitetura & Design.
— Oh sim rapaz, só um minuto.
Lívia estava em seu quarto serrando as unhas, tinha acabado de chegar da tal entrevista e estava "exausta". Ouvia uma música enquanto pensava em Rafael. Precisava dar para aquele homem ao menos uma vez.
— Lívia — sua mãe entrou no quarto, afobada. — Nem acredita quem está no telefone — a encarou empolgada e a ruiva rolou os olhos com impaciência.
— Hoje tiraram o dia para me confundir com uma cigana, eu não sou adivinha, mamãe — ela jogou a serra de lado. — Diz logo quem é.
— Um tal de Rafael, disse que fala da empresa que você foi dar entrevista — com um sorriso de orelha a orelha.
— Oh meu Deus! — ela pôs a mão na boca, começando a dar pulinhos.
— Corre lá, ele está no telefone!
— Ah, que foda! — ela saiu em disparada.
Cássia a encarou com espanto, de onde Lívia tinha arrumado tanta animação? Conhecia sua filha, tinha alguma coisa aí. Lívia desceu as escadas correndo e se pendurou no telefone tentando esconder sua afobação.
— Alô.
— Lívia?
— Eu mesma — reprimiu um sorriso.
— Sou Rafael Maldonado, estivemos juntos hoje mais cedo.
— Oh sim, claro — ela sussurrou. — Como poderia me esquecer de você? — ela disse sedutora. Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ouvir aquela voz provocante, balançou a cabeça espantando os pensamentos e voltou a falar com ela.
— Bem, eu liguei para dizer que o emprego é seu — ele informou.
— Que boa notícia, senhor Maldonado — mordeu o lábio, satisfeita. — Eu fico feliz que o meu currículo tenha o impressionado tanto — sorriu maldosa, sabendo perfeitamente que a última coisa que tinha o impressionado era o seu currículo.
— Sim, você tem um currículo delicioso... Quer dizer — consertou. — Maravilhoso — Lívia sorriu satisfeita.
— Pois bem, chefinho — mordeu o lábio e ele fechou os olhos ao ouvir aquele apelido tão "carinhoso" que ela lhe arrumara. — Quando eu começo?
— Amanhã mesmo — ele disse prontamente. — Esteja aqui às oito.
— Com certeza, sem atrasos — ela garantiu.
— Pois bem, até mais Lívia.
— Até, e obrigada pela oportunidade. Você não vai se arrepender.
— Eu sei que não — ele garantiu. Ela sorriu e desligou o telefone, ainda com um sorriso idiota na cara.
— Não vai se arrepender mesmo, chefinho — Lívia mordeu o lábio e subiu novamente para o seu quarto. Encontrou sua mãe sentada na cama e abriu um sorriso. — Fui contratada — pulou em cima da cama.
— Que notícia boa, minha filha — Cássia a abraçou, muito feliz.
— Isso é demais — ela passou a mão no rosto.
— De onde saiu essa animação toda? Pensei que você estivesse torcendo para não ser chamada — Cássia indagou.
— Ah, é que... — ela engoliu o seco, não podia dizer para sua mãe que estava a fim do chefe, a não ser que quisesse que sua mãe enfartasse. — É que o salário é muito bom — assentiu e a mãe a encarou desconfiada.
— É mesmo? — ergueu a sobrancelha, olhando a filha.
— Claro que sim, mas vamos comer que eu estou com fome — saiu do quarto.
Cássia sorriu negando com a cabeça, Lívia estava aprontando alguma.
♦♦♦
Rafael desligou o telefone com um sorriso enorme, nem ele mesmo sabia o motivo daquela felicidade toda, mas ele estava muito feliz e satisfeito com a sua escolha. Saiu de seus pensamentos quando ouviu a porta abrir.
— Vamos logo, meu amor — Lorena entrou reclamando.
— Claro — desligou o computador e a acompanhou.
O almoço não poderia ser mais entediante, Lorena como sempre falando de suas futilidades, sobre novelas, sobre moda, sobre sua amiga que brigara com o namorado e outras besteiras que não despertavam interesse nenhum. Enquanto ela falava, ele estava perdido em pensamentos e Lívia habitava todos eles. Como poderia pensar tanto em uma garota que sequer conhecia direito? Ele se preguntava isso a todo o momento. Mas o que importava é que teria muito tempo para descobrir o motivo.
— Baby Blue! — Lorena berrou dando-lhe um beliscão de leve.
— O quê, querida? — ele respondeu com careta, devido o beliscão.
— Vamos embora, coelhinho, estou ficando indisposta — ele assentiu, acenou para o garçom trazer a conta e foram embora.
♦♦♦
Rafael acordou animado, até cantou no chuveiro, coisa que não fazia há muito tempo, Lorena estranhou um bocado. Ele fez a barba e escolheu um terno novo. Desceu as escadas da luxuosa mansão assoviando e encontrou a esposa tomando café, sentou-se ao seu lado com um grande sorriso
— Cadê o meu beijo de bom dia? — ela fez biquinho. Ele suspirou e foi até ela, lhe dando um rápido selinho.
— Bom dia, meu filho — Antônia disse, enquanto chegava com a batida diet de Lorena. — Aqui está, querida — colocando na mesa.
— Bom dia, Toninha — Rafael deu um beijo na bochecha da senhora, enquanto se sentava. — O cheiro está excelente.
— Vai querer café com leite?
— Não, puro — ele sorriu, enquanto colocava café em sua xícara. — Não se preocupe.
— Qualquer coisa é só me chamar — Antônia foi se afastando.
— Ué... Não vai tomar café com a gente? — ele perguntou.
— Coelhinho — Lorena disse. — A Antônia é empregada. Empregados não devem se sentar à mesa com os patrões — ela disse isso como se estivesse dando bom dia e não tinha noção de como aquilo irritava Rafael.
Antônia sorriu de canto e saiu por fim.
— Você não cansa de falar merda, Lorena? — ele perguntou irritado. — Eu estou cansado de ver você destratar a Antônia! O que disse a ela dessa vez?
— Eu não a destratei — encarou Rafael, confusa. — Por que está dizendo isso?
— Ela não quis nem se sentar para tomar café — ele ralhou, apontando. — Não precisa você humilhá-la por ela ser a nossa empregada, a Antônia praticamente me criou e ela é da família.
— Desculpa — Lorena engoliu o seco. — Minha mãe não gostou de saber que ela fazia refeições com a gente, eu pensei...
— Sua mãe é uma idiota — ele já estava irritado, Lorena conseguiu irritá-lo àquela hora da manhã, palmas para ela. E ele sempre soube que aquela velha plastificada era uma cobra, Rosana sempre foi uma mulher esnobe e arrogante, combinava muito bem com sua mãe, Beth. Ele amava a mãe, mas tinha que admitir que ela fosse uma mulher muito chata nessas questões.
— Não fala mal da minha mãe — ela apontou o dedo na cara dele.
— Eu falo sim e quer saber? — se levantou. — Eu estou indo embora, vou tomar café na empresa! Adeus — saiu irritado.
— Espera, Rafael! — ela berrou estridentemente. Ele apenas a ignorou.
Que merda, ela não tinha falado por mal, por que ele não podia entendê-la? Suspirou e foi até a cozinha pedir desculpas a Antônia, sabia que tinha feito errado e consertaria o seu erro. Pediu desculpas sem jeito e retirou tudo o que tinha dito sobre as refeições. Antônia a desculpou, afinal de contas sabia que Lorena era problemática e não pensava antes de fazer as coisas.
♦♦♦
Rafael estacionou seu carro no estacionamento, apertou o alarme e travou o veículo. Foi caminhando até o elevador quando sua atenção foi voltada para um fusquinha vermelho que adentrava o estacionamento, nunca tinha visto aquele fusquinha por ali, o fusquinha foi estacionado em uma vaga próxima a dele. Era irônico ver aquele fusquinha tão simples estacionado no meio de vários carros importados, saiu de seus pensamentos ao ver quem saía de dentro do fusca, era a sua bela secretária e puta merda... Como Lívia estava linda.
Usava uma saia social que batia no meio das coxas grossas, uma blusinha social com os primeiros botões abertos, deixando um decote delicioso à mostra e nos cabelos levava um rabo de cavalo que prendia apenas a metade dos fios, deixando a outra metade solta. Ela vinha caminhando distraída e a única coisa que se ouvia no estacionamento era o barulho de seus saltos batendo no chão, ela vinha distraída e assim que o viu, abriu um lindo sorriso.
— Olá, chefinho — disse o olhando de cima abaixo e vendo como ele estava lindo.
— Olá, Lívia — ele abriu um sorriso estonteante. — Está muito bem.
— Obrigada, você também está muito lindo, bem, você é lindo, mas hoje você se superou — deu uma piscadela sensual e entrou no elevador que tinha acabado de chegar.
Ele ficou olhando-a enquanto caminhava até o elevador. Porra. Como ela era gostosa. Ele mordeu o lábio passando a mão nos cabelos com força e entrou no elevador junto com ela.
— Então, Lívia... Está animada com o emprego?
— Demais — ela encostou-se a parede. — E me desculpe pelo pequeno atraso, o meu carro não queria ligar.
— Imagine, eu acabei de chegar — ele riu, ela era tão despreocupada. — Aquele fusquinha é seu mesmo?
— Sim, algum problema? — ergueu a sobrancelha.
— Nenhum, é que não é muito normal ver uma mulher tão... — ele a observou e passou a língua nos lábios. — Tão linda nesse tipo de carro — explicou e ela sorriu, quer dizer que ele realmente a achava linda? Interessante.
— Realmente não é — ela sorriu. — Mas eu amo o Luizinho — suspirou e ele sentiu uma falta de ar de repente, quem era Luizinho? Será que ela tinha alguém?
— Luizinho? — ele perguntou, ficando ereto.
— O meu fusca, o nome dele é Luizinho — riu e ele se sentiu um idiota, estava sentindo ciúmes de um fusca e o pior ainda, de uma garota que não era nada sua.
— Ah sim — ele sorriu outra vez. — Que legal, o seu fusca tem um nome — ela também sorriu. — O nome do meu pai é Luiz. Na verdade, eu também sou Luiz. Rafael Luiz Maldonado — acrescentou.
— É sério? — ele assentiu. — Meu avô também se chamava Luiz, mas ele era Luiz Carlos, foi ele que me deu o fusca antes de morrer, e por isso eu coloquei o nome dele.
— Que interessante, é o primeiro carro que eu vejo que tem um nome — ele sussurrou, ela sorriu e os dois se encararam.
Logo as portas do elevador se abriram e eles saíram. Rafael continuava a olhando e ela o encarou.
— Quer me dizer algo, chefinho?
— Na verdade eu quero sim, o que acha de tomar café da manhã comigo? — ele convidou e colocou a mão no bolso.
— Bem, eu já tomei café, mas eu aceito acompanhá-lo — ela mordeu o lábio e ele reparou como sua boca era carnuda e delicada, ele adoraria prová-la.
— Então vamos? — ela assentiu e os dois foram até a cafeteria da empresa. Sentaram-se e logo a garçonete vem recebê-los.
— Bom dia, senhor Maldonado — ela sorriu simpática. — O que deseja?
— Bom dia, Célia — ele sorriu. — Me traga um cappuccino e uns pães de queijo.
— E a senhorita?
— Para mim apenas um café expresso — ela sorriu arrumando a gola da blusa. — Como eu disse, já tomei café — ele assentiu.
— Um minutinho — a garçonete saiu.
— Todos os dias toma café aqui, Rafael? — ela perguntou interessada.
— Não, só quando estou muito atrasado e não posso tomar em casa — mentiu acalantando a garganta. Ela o encarou, desconfiada.
— E há quanto tempo exatamente é casado?
— Bem — ele disse suando frio. — Como você sabe que eu sou casado?
— Sua aliança é bastante chamativa — ela pegou a mão masculina com bastante intimidade e espalmou sua mão sobre os dedos dele, observando a aliança, ele engoliu o seco ao sentir aquela pequena mãozinha acariciando a sua. — De muito bom gosto — ela finalizou com um lindo sorriso.
— Obrigado — olhando a aliança grossa de ouro branco, Lorena insistiu para que comprassem uma aliança chamativa para que as outras mulheres logo vissem que ele tinha dona. — Dois anos — ele suspirou frustrado.
— É impressão minha ou o senhor não gosta muito de falar sobre isso? — ela disse apoiando a bochecha nas mãos, enquanto o encarava.
— Não é isso — ele disse olhando para os lados, vendo se não tinha ninguém da sua família por ali. — É que eu não estou muito satisfeito com a minha rotina... Digo, o meu casamento, a minha esposa é um pouco alterada — passando a mão na nuca.
— Oh céus — Lívia disse acariciando os cabelos dele com um biquinho de pena. — Pobrezinho, o que eu posso fazer para ajudá-lo? — ele a encarou e desceu os olhos para o decote dela, que decote espetacular! Ela percebeu e sorriu satisfeita. — Rafael? — ela sorriu desviando a atenção dele dos seios dela para seu rosto. — Meu decote está muito chamativo, chefinho? — mordeu o lábio, em uma expressão de ingenuidade.
— Me desculpe — completamente sem graça por ela tê-lo pegado no flagra secando seus seios. Ela lhe lançou um sorriso malicioso, enquanto a garçonete servia o café, depois que a garçonete saiu, ele se virou para ela. — Olhe Lívia, me perdoe, eu não queria ficar olhando para os seus... — gaguejou.
Ela se aproximou dele e murmurou:
— Peitos — completou e ele engoliu o seco, aquela mulher estava enlouquecendo-o muito, e o pior era que ela sabia que estava mexendo com ele.
— Hm... Isso mesmo — ele disse tomando um gole de café, nervoso. — E você, onde mora? É casada?
— Oh não — Lívia riu, enquanto tomava café. — Eu gosto de liberdade — piscou e ele de certa forma se sentiu bastante satisfeito com a resposta. — Moro em Piedade. Acho que você não deve conhecer, lá é tudo muito simples — deu de ombros.
— Conheço sim — ele arregalou os olhos. Ela riu. — Mora com quem?
— Pensei que a entrevista fosse ontem — ela brincou.
— Desculpe — ele murmurou sem graça.
— É brincadeira, chefinho — ela riu, roubando um pão de queijo. — Moro com os meus pais e minha irmã. E o senhor mora com sua esposa e filhinhos?
— Moro apenas com a minha mulher, nós não temos filhos — ele suspirou.
— Gosta de criança?
— Sim, eu queria muito ter um bebê — ele confessou. — Mas a minha mulher não quer filhos — deu de ombros rolando os olhos.
— Com todo o respeito, mas a sua mulher deve ser um pé no saco — gargalhou com sinceridade.
— Você não é uma secretária muito normal — ele a encarou, abrindo um sorriso.
— E por quê?
— Você gosta de rir, de fazer piadinhas — umedeceu os lábios. — A maioria das secretárias são sempre tão sérias. Sei lá, você é diferente.
— Vou levar isso como um elogio — piscou. — Apesar de entender de secretariado, eu nunca fui secretária, ainda mais de um CEO — confessou. — Vamos aprender juntos e logo eu estarei igual a elas — prometeu.
— Não, por favor, eu não quero que mude o seu jeito — a olhou. — Gostei muito dele — sussurrou.
— Te achei, cara — ele se virou e viu Bruno se aproximar, atrapalhando o seu momento com Lívia. — Te procurei no seu escritório e você não estava...
— Ah, oi Bruno — Rafael abriu um sorriso muito do seu falso. — Beleza?
— Beleza — seu olhar caiu em Lívia que tomava o resto do seu café. — E essa bela moça? — questionou abrindo um sorriso animado.
— Essa é a minha nova secretária, Lívia.
— Prazer, Lívia — ele sorria bastante entusiasmado. — Bruno Cardoso, mas para você é só Bruno — piscou.
— Ora é um prazer, senhor Bruno — ela retribuiu o sorriso. — Não deseja nos fazer companhia?
— Não, o Bruno já está de saída — Rafael disse de antemão, sem nem deixar o amigo responder.
— Não, imagina, eu estou de bobeira e também estou morrendo de fome — chamando a garçonete com o dedo e sentando-se ao lado de Lívia. — Posso me sentar aqui do seu lado? — ele perguntou.
— Claro que sim — ela prendeu o riso pela cara que o seu amado chefinho fazia.
— Já sentou, não é? — Rafael resmungou.
A garçonete chegou e Bruno pediu um café com biscoitos. Ficou conversando animadamente com Lívia, Rafael estava quieto. O que Bruno estava fazendo ali mesmo?
— É impressão minha ou você não está muito feliz hoje, Rafael? — ele puxou assunto com Rafael.
— Estou muito bem — ele retrucou com um sorriso irônico.
— Bem, rapazes — Lívia disse se levantando. — Eu vou ao banheiro e de lá vou esperá-lo no escritório, Rafael — informou e Rafael abriu um sorriso, pelo menos ela ficaria livre das secadas de Bruno.
— Como quiser, eu não demoro — ele garantiu.
— Ah não, Lívinha — Bruno reclamou e Rafael arregalou os olhos. Que história era essa de Lívinha? — Fique mais um pouquinho — pediu com um biquinho.
— Eu lamento, Bruno, mas o trabalho me chama, não quero fazer feio logo no primeiro dia — deu uma piscadela discreta para Rafael. — Até qualquer hora — saiu rebolando, fazendo não só os dois, mas todos os homens que ali estavam babarem em seu corpo.
Depois que Lívia entrou no elevador, Bruno fechou os olhos.
— Caralho, Rafael — ele disse encarando o amigo. — De onde saiu essa gostosa?! — apontando o elevador por onde Lívia saiu.
— Veio fazer a entrevista e eu a contratei — o olhando de rabo de olho, não estava gostando nada daquela animação de Bruno.
— Até eu contratava, cara, ela é linda — ele suspirou. — E eu vou botar pra cima, irmão — Bruno disse com um sorriso de orelha a orelha.
— O quê?!
— Vou botar pra cima, eu tenho que pegar essa mulher — Bruno acariciou a barba. — Ela me disse que é solteira, vê se pode, cara? Um avião desses e ainda por cima solteira? Não é toda hora que aparece.
— Claro que não, ela não vai ficar com você — ele disse perplexo.
— E por que não? — Bruno alegou. — Eu sou boa pinta, rico, por que ela não ia querer? — se gabou. — É impressão minha ou está com ciúmes?
— O quê? Do que está falando? — se fingindo de bobo, mas ele sabia que estava com ciúmes, o que ele não sabia era o porquê de estar com ciúmes.
— Nem vem, cara... Você já tem a sua mulher — Bruno pontuou. — Eu sou livre, leve e solto. Deixa a gostosa comigo que eu vou dar um trato nela.
— Eu já falei que ela não vai ficar com você. Ela é minha secretária e está aos meus serviços e não está aqui para ficar sendo secada por você — disse possessivo.
— Seu egoísta — deu um leve murro no braço do outro. — Está pensando em botar galho na Lorena com essa gostosa, ou estou enganado? — riu por fim.
— Cara — Rafael suspirou. — Sei lá, ela é linda demais e está me provocando de um jeito — pôs a mão no rosto. — Minha paciência é limitada, eu não sou de ferro irmão, se essa gata continuar, eu não sei não... Eu acho que pela primeira vez eu vou dar uma peruca de touro para a Lorena, com lacinho e tudo.
— Quer saber, cara? Se eu fosse casado com a tua mulher, eu acho que ela já tinha chifre até no cu — riu, tomando um gole de café. — Ô mulher chata!
— A Lorena é muito infantil, eu não aguento mais cara — pôs a mão no rosto, choroso. — Hoje ela soltou outra pérola e humilhou a Antônia de novo!
— Cara, ignora... Sabe que ela é burra e não faz de propósito — zombou.
— Eu já estou cheio — Rafael se levantou. — Bem, eu vou subir, tenho que terminar o projeto do supermercado e instruir a Lívia — rolou os olhos.
— Já é cara — Bruno disse. — Depois passo lá para limpar a vista — riu e Rafael rolou os olhos.
— Beleza. — disse caminhando até o elevador, depois subiu para seu escritório.
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