50 - A Cartada Final
Rogue lançou um olhar enigmático para Anmyuu, enquanto arrumava alguns documentos sobre a mesa. A tensão no ar era palpável, como se previsse que a resposta que estava por vir teria o poder de mudar tudo.
— Anmy, o que vou te contar agora vai além do que poderíamos imaginar. A nossa busca finalmente chegou a um ponto de virada. Existe uma questão enorme sobre os anos obscuros de Heimewdall, quando ele deveria ter praticamente passado fome mas, ao invés disso, continuou vivendo no luxo…
Anmyuu parou por um momento, com a fatia de cheesecake a meio caminho da boca. Ela sentia seu coração acelerar, sua mente inundada por uma mistura de curiosidade e ansiedade. Rogue se levantou, segurando um dossiê volumoso, e foi até a janela, onde os primeiros raios do amanhecer vermelho começavam a iluminar o horizonte.
— Prepare-se, Miz, porque o que vou revelar pode ser a chave para finalmente desmascarar Heimewdall e Mewthazar como seu cúmplice.
Rogue disse, sua voz carregada de uma gravidade solene.
A Rainha Suprema colocou o prato de lado e se inclinou para frente, toda sua atenção agora voltada para a ministra vampira.
Rogue inspirou profundamente antes de começar a falar.
— Pois muito bem. A primeira vez que Lorde Ody o expulsou, Heimewdall perdeu seu cargo de vice-rei mas não seu título de príncipe, estado para o qual ele retornou e “decaiu” por assim dizer. E alguém arrogante como ele que se achava a vítima injustiçada nunca aceitaria viver sem as regalias e a bajulação de uma realeza.
— É, mas sem o salário de um vice-rei Supremo, acho que pode ter sido meio difícil manter esse padrão…
Anmy comentou pensativa.
— Impossível, mas como você mesma sabe, ele infelizmente não é idiota… Heimewdall tinha reservas, além da herança ainda intocada que o falecido rei Mewthur deixou pra ele. Então, nosso hacker descobriu registros dele permanecendo em hoteis de luxo justamente nessa época, enquanto ele esperava que terminassem a construção pretensiosa de seu novo lar opulente, usando o dinheiro da herança do pai dele. E adivinha aonde? Em Graalis.
— Espera, Heimewdall tem um palácio em Graalis?! Sei que é o território mais longínquo de todo o reino; lá só tem campos de algumas plantações e principalmente treinamento, já que praticamente todos os nossos melhores cavaleiros, guerreiros e paladinos vem de lá há várias gerações. Já visitei Graalis algumas vezes com o Kin em caráter diplomático, quando ele foi acompanhar o treinamento dos próximos candidatos a membros da Doutrina Dourada. Como nunca notamos um castelo lá?! Principalmente considerando que não tem praticamente nada naquele lugar! E como essa construção foi autorizada em termos legais? Por mais que fosse um príncipe ainda, Heimewdall não podia simplesmente sair construindo palácios onde queria. Como governantes supremos da época, Odimyuus e Diamewd teriam que autorizar, e sei que jamais fariam isso, não com a raiva que estavam dele!
— Pois é, mas acontece que não é exatamente um palácio, tá mais pra uma catedral. A construção foi registrada como instituição de caráter religioso, e tenho certeza que os sogros nunca se oporiam à construção de um templo…
Explicou Rogue, folheando seus documentos na caixa procurando pela foto do local, que entregou à Anmyuu em seguida.
A rainha arregalou os olhos ao ver o antro de luxo e ostentação imponente do qual a catedral de Heimewdall se tratava. Ela se lembrou de realmente já tê-la visto ao visitar Graalis, afinal, era impossível não notar, contudo, dado ao aspecto do lugar, achou que se tratava de mais um templo local para Ghaceus.
— Pelos deuses! O tamanho desse lugar é correspondente ao ego daquele crápula! Ele não suportou ser expulso do palácio então fez um pra ele disfarçado de templo… A pergunta é, por quê?! E quanto aos fundos para construir isso?! A herança de Mewthur era tão abastada assim? Porque por mais que tenha sido um rei, ele não era o regente majoritário, e eu soube que depois que a rainha Guimewvere se divorciou dele, ambos fizeram um acordo onde que ele podia continuar governando e vivendo no palácio contanto que abdicasse de qualquer retribuição financeira por isso, e isso foi uma decisão partida do próprio Mewthur. Então como?!
Mewrogue se recostou no sofá com uma expressão confiante.
— Tenho a resposta para todas as suas perguntas, minha cara. Vamos por partes… A herança foi o bastante para construir, decorar, e tornar habitável e ao mesmo tempo um local de aprendizagem a fim de cumprir seu propósito como instituição religiosa. E Heimewdall fez isso para encobrir o fato que havia sido deposto e expulso. Você lembra que… mais do que tudo, o Devimyuu escondia a identidade dele como reverso, não é? Então imagino que foi por esse motivo que quando fez a declaração sobre Heimewdall não ser mais o vice-rei, Lorde Ody não especificou que foi pelo racismo do irmão sujo, porque isso revelaria para o mundo sobre as origens do Devi, e tenho certeza que a última coisa que ele queria, era que o filho sofresse ainda mais com isso, então respeitou a vontade de Devim não o expondo. Heimewdall não queria rejeição ao voltar para a terra natal de seu pai, principalmente considerando que Mewthur era idolatrado em Graalis, afinal, seu avô Myuuther já era famoso por liderar os lendários guerreiros da Távola do Sol, e Mewthur foi o nobre cavaleiro que se tornou o guarda pessoal da Rainha Suprema e depois se casou com ela. Então é óbvio que como o príncipe de Mewthur, Heimewdall não ia querer perder essa moral e aparecer lá com o rabo entre as pernas sendo expulso pelo irmão mais velho.
— Conhecendo os truques manipuladores dele, posso supor que construir a catedral foi o modo dele deslumbrar os habitantes de Graalis e ainda pagar de bonzão, já que estava financiando tudo…
Anmyuu argumentou, fazendo um apanhado das informações.
— Mas não apenas por isso. A catedral também se tornou o “disfarce” perfeito para justificar os motivos de Heimewdall fazer de lá sua nova permanência…
Mewrogue fez uma breve pausa, seus olhos de rubi refletiam um brilho misterioso de satisfação enquanto apanhava mais alguns documentos dentro da caixa.
— Pedi um favor ao papai e ele foi em Graalis pra uma pesquisa de campo. Conversando com alguns moradores, ele descobriu que Heimewdall havia dito que estava ali em um retiro espiritual por tempo indeterminado, por isso construiu a catedral e iria se dedicar integralmente aos estudos da doutrina da Luz, para se tornar um cardeal; auto-proclamado, é claro. E foi exatamente o que ele fez.
A Rainha Suprema pareceu surpresa de início com aquela nova informação. No entanto, não era difícil aceitar a veracidade dela.
— Heimewdall se autodenominou um cardeal? Santo Ghaceus, haja nível pra tanto egonarcisimo! — Anmyuu esboçou um facepalm, ficando pensativa em seguida — Se bem que, agora que mencionou, acho que ele realmente disse algo do tipo pro Kin, pra explicar sua ausência ao se enfiar no palácio de novo quando Aken nasceu. Eu nunca dei muita atenção quanto se a informação era verdadeira ou não. Mas considerando o quanto ele é um fanático, isso não me surpreende. É só mais uma muleta que ele deve usar para acreditar que é irrepreensível e justificar seus atos abomináveis... Isso é tão repugnante!
A rainha exclamou totalmente inconformada.
— Provavelmente sim. Mas não importa, a posição imaginária dele nesse aspecto não é muito relevante no que buscamos, mas a outra informação que temos, sim. Você perguntou se, por mais abastada que fosse, a herança que Mewthur deixou seria suficiente para construir a catedral. Bem, para a construção sim, mas realmente não foi o bastante para manter por muito tempo todo o alto padrão junto ao estilo de vida de realeza que Heimewdall se recusou a perder. Ele precisou de um certo “contribuinte”, e adivinhe a carteira de quem ele recorreu?
Anmyuu nem teve que pensar muito para descobrir.
— Nem preciso… É óbvio que foi o Mewthazar. — Disse Anmy revirando os olhos, já que o vice-rei de Magispell também não lhe descia.
— Pois é. Nunca subestime a devoção de um sugar daddy da realeza… Depois de um tempo, as contas antes milionárias de Heimewdall não tinham mais que alguns trocados se comparadas com antes. Mas, todo mês entrava uma quantia que poderia ser chamada de obscena, e com isso, o estilo de vida dele não foi afetado.
— Não é difícil de imaginar que sim… Mewthazar lambe o chão que Heimewdall pisa, nunca deixaria de fazer as vontades dele, nem que tivesse que esvaziar sua parte dos cofres reais de Magispell pra isso. E ele é tão facilmente manipulável e iludido que deve ter se sentido nas nuvens bancando aquele patife…
Mewrogue então se inclinou ainda sentada no sofá e entrelaçou as mãos, apoiando os cotovelos sobre as pernas. Seu rosto trazia uma sombra austera.
— Exatamente, mas é aí que chegamos a um ponto onde as coisas começam a ficar muito mais interessantes. Mewthazar ajudou a bancá-lo durante os três anos em que Heimewdall viveu expulso do palácio, mas não havia sido deserdado ainda. Depois do que… aconteceu com Devim e o Lorde Ody, Guimewvere fez questão de trazer a público a responsabilidade de Heimewdall nas mortes de ambos, explicando que por esse ato abominável, ela o deserdou e o exilou em Graalis. E daí, as desculpas do maldito acabaram! Ele perdeu não só a admiração iludida do povo de seu pai, como também não houve mais nenhum depósito nas contas dele. E assim foi por pouco mais de um ano.
Essa informação sim fez o queixo da rainha cair e seus olhos saltarem.
— Tá querendo dizer que o Mewthazar parou de bancá-lo?! Mas por que ele faria isso?! De todas as pessoas no mundo, acho que ele seria o último a abandonar Heimewdall, não importando o que ele fizesse.
Rogue se mostrou pensativa.
— A morte do Lorde Ody e de Devim desencadeou outros eventos trágicos, como o descontrole do Kin, daí o selamento das memórias dele e com isso, a desistência do desejo de viver da Lady Guimewvere. Ela tinha perdido o filho e o segundo neto, e teria que fingir que nada disso tinha acontecido e que Devimyuu nunca existiu para o próprio bem do único neto que lhe restou. Sabemos da história, do quanto tudo isso foi demais pra ela, e que logo após as lembranças de Kin serem seladas, ela e o anterior rei mago Mewrilin desapareceram. Ele disse que colocaria nela um feitiço de sono eterno, mas, acho que podemos imaginar o que houve; Guimewvere não queria mais viver e… depois de décadas para finalmente estar com a felin que amava, Mewrilin não ia deixar que ela dormisse para sempre sozinha…
A ministra vampira disse, trazendo pesar em sua voz. Era realmente um assunto delicado.
Anmyuu também suspirou com um olhar cabisbaixo.
— Até onde sei, ninguém jamais descobriu o paradeiro de lady Guimew e lorde Mewrilin depois disso… Provavelmente ele usou magia para ocultar o local que escolheram pro seu sono eterno, porque é óbvio que após usar o feitiço nela, Mewrilin deve ter se enfeitiçado também, já que nunca mais tentou contato nem com os filhos dele. Até a Myuusif, que é a filha dos dois juntos, não tem certeza da localização do lugar de descanso dos pais…
— Agora pensa comigo… O maldito do Heimewdall era o único que tinha o poder de evitar toda essa tragédia e se recusou. Tudo o que aconteceu após isso se deu graças a decisão homicida que esse monstro tomou, inclusive o final de Guimewvere e Mewrilin. Então talvez, Mewthazar estivesse deixando a poeira baixar, afinal, como ficaria pra sua imagem estar bancando o verme que indiretamente contribuiu para o fim do próprio pai dele? Aliás, parece que a anterior rainha maga Myurgana nunca o perdoou por ter continuado a amizade com Heimewdall; imagina o que ela faria se soubesse que o “querido” irmão mais novo continuava sustentando aquela praga!
Não era do conhecimento de todos os felins que, após se divorciar de Mewthur, a rainha Guimewvere finalmente pôde ficar com aquele que sempre amou verdadeiramente — Mewrilin, o sétimo rei de Magispell e pai de Mewthazar e a irmã Myurgana. Mewrilin havia desfeito seu acordo matrimonial por conveniência alguns anos antes, a fim de esperar por sua amada Guimewvere. Ambos enfim puderam se casar um com o outro, (união da qual nasceu Myuusif) mas por envolver muitas questões diplomáticas estorvantes, preferiram manter seu casamento em sigilo. Anmyuu e Mewrogue só sabiam de todo o segredo por trás da trágica história de amor de ambos, por serem íntimas da família real nihsiana.
— Sabe, eu acho que nunca vou entender como Mewthazar perdoou algo assim… Por mais que você seja apaixonado por alguém, não se deixa passar uma atrocidade dessas! Isso é tudo, menos amor de verdade! E é tão estranho o jeito que ele age hoje em dia, como se nunca tivesse acontecido ou ele simplesmente não se lembrasse. É muito bizarro, eu diria até sinistro!
Comentou Anmyuu, que era só mais uma na lista daqueles que consideravam suspeito — para não dizer doentio — o comportamento obcecado de Mewthazar por Heimewdall e sua devoção incondicional por ele. Por mais que o amasse, por muitas vezes suas atitudes se mostravam tão inexplicáveis que pareciam além de qualquer razão, ou talvez, além até de seu próprio controle…
— Quer ouvir algo ainda mais estranho? Depois desse período de pouco mais de um ano, de repente, parece que Heimewdall voltou a viver como antes. Até chegou a restaurar a catedral que foi ficando às traças e praticamente abandonada, durante o período em que o suggar trouxa não bancou ele. Só que as contas dele seguiam inativas, ou seja, se Mewthazar voltou a bancá-lo, estava tentando apagar os rastros. Então, como fiquei desconfiada, pedi ao nosso vampiro hacker que rastreasse os registros financeiros de Mewthazar também.
Anmyuu voltou a ficar empolgada.
— Por favor, me diz que ele encontrou algo bem incriminatório! — a rainha torceu, e quase soltou um grito de exaltação quando Mewrogue assentiu com a cabeça.
— Ao que parece, Mewthazar criou um fundo financeiro no nome da meia-irmã caçula, e a cada duas ou três vezes no mês depositava quantidades crescentes nessa conta. Quantidades essas que em sua maioria eram retiradas mensalmente, listadas como donativos e contribuições para fundos de caráter religiosos. Ninguém estranharia esse tipo de movimentação na conta de uma princesa que se dedicou ao sacerdócio de Ghaceus. Só que, eu tenho certeza que Myuusif sequer sabe dessa conta e nunca nem tocou nesse dinheiro. Porque após rastrear mais a fundo, com algumas informações privilegiadas aqui e ali, descobri que, adivinha para qual “instituição” o dinheiro supostamente de Myuusif estava sendo “doado”?
Anmy sentiu seu raciocínio ir de 0 a 100 em menos de um segundo, enquanto ligava todas as partes daquele quebra cabeça. Ela se levantou do sofá num salto, não conseguindo conter sua exaltação.
— Pra aquela catedral herege do imundo do Heimewdall! Ai meu Ghaceus…! Isso significa que Mewthazar e ele estão cometendo fraude e… e… eu sei lá mais quantos crimes financeiros! Mas não importa, o fato é que essa é a prova que precisávamos! O pegamos, Rogue! Conseguimos, você conseguiu!
A rainha exclamou enérgica, mal podendo acreditar.
— Sei que o que realmente queremos, é que esse maldito pague pelo crime imperdoável do que fez ao Odimyuus e o meu Devim, só que enquanto Kin não recuperar as lembranças, isso não será possível. Mas, com essas evidências, até que isso aconteça conseguiremos manter esse lixo na cela onde deveria estar há muito tempo!
Respondeu Mewrogue, que não escondia seu âmbito sedento por justiça e vingança.
— E não só ele, Mewthazar também estará acabado com essa! — a euforia momentânea de Anmyuu parecia ter passado, e ela se sentou novamente, com uma expressão reflexiva — No entanto, precisamos ser cautelosas…
A felin vampira encarou a amiga sem entender.
— Como assim? Acabou de dizer que conseguimos!
— Conseguimos acusações contra Heimewdall, por ter usado o dinheiro que supostamente era de Myuusif sem o conhecimento dela. Mas não temos provas específicas contra o Mewthazar. Ser capacho de outros e sustentá-los por livre e espontânea vontade infelizmente não é crime; Mewthazar pode muito bem argumentar que não fazia ideia de que Heimewdall usurpou esses fundos. E… por mais que eu não goste dele, minha obrigação como rainha é julgar imparcialmente. Então… pode haver a mínima chance de Mewthazar realmente não saber das fraudes do Heimewdall.
Mewrogue ficou desacreditada.
— Tá brincando, né, Myz?! Tudo indica que Mewthazar criou esse fundo pra disfarçar que continuou bancando Heimewdall! Basta dar um jeito de pressioná-lo até ele confessar! Só precisamos de um motivo para detê-lo e interrogá-lo e pronto! Não podemos aproveitar o lance do Grimório pra isso? Você é a Rainha Suprema, talvez possa dar um jeito. Precisamos agir rápido, Anmy. Quanto mais tempo damos a eles, mais chances têm de cobrir seus rastros.
Disse a vampira, com seus olhos de rubi brilhando em sua determinação feroz.
Anmyuu assentiu, a expressão de seu rosto antes ponderado agora iluminado por sua resolução renovada.
— Concordo, Rogue. Temos as provas, só precisamos do momento certo para atacar. E eu já sei exatamente como começar.
Mewrogue arqueou uma sobrancelha, curiosa.
— Qual é o plano?
A Rainha Suprema sorriu, um sorriso carregado de uma confiança silenciosa e perigosa.
— Como você disse, vamos usar o incidente com o Grimório. Mewthazar já está sendo secretamente vigiado por causa disso. Se conseguirmos ligá-lo a Heimewdall e consequentemente aos crimes que cometeram usando as finanças em nome da Myuusif, poderemos pressioná-los até que um ceda. E uma vez que tenhamos um deles nas mãos, o outro vai cair rapidinho.
Rogue balançou a cabeça em aprovação, a admiração por sua amiga crescendo a cada momento.
— Perfeito! E do jeito que Mewthazar é obcecado por Heimewdall, ele fará qualquer coisa para tirá-lo da cadeia. Isso nos dá a vantagem.
— É exatamente nisso que eu estava pensando. E se tudo correr do jeito que estimo, teremos as provas e as razões perfeitas para acuar o Mewthazar, que aliás, assim que souber da prisão de Heimewdall, provavelmente ficará desesperado para livrá-lo. E é justamente isso que eu quero… Dependendo do que acontecer, vamos pegar os dois pombinhos com um único tiro. Eu estou sentindo, sei que esse plano não irá falhar!
Anmyuu e Mewrogue se olhavam; a determinação silenciosa que pairava entre elas renovava a promessa solene há muito feita pelas amigas em nome daqueles que amavam. Os raios do amanhecer rubro do reino vampírico infiltravam-se pela janela, lançando sombras alongadas pelo aposento, como se o próprio tempo conspirasse a favor de sua causa.
— Não se preocupe… Nós vamos conseguir, Rogue — Anmy disse com firmeza, seus olhos brilhando com uma nova intensidade — Te dou a minha palavra que faremos isso! O tempo das mentiras e da impunidade acabou, juro como Rainha Suprema que farei com que Mewthazar e Heimewdall vejam do que se trata o verdadeiro julgamento da Luz!
Rogue assentiu, sentindo o peso das palavras da amiga Rainha. Ela se levantou, estendendo a mão para Anmyuu, num gesto representativo de sua união inabalável.
— Vamos começar a nossa vingança. E quando terminarmos, eles não terão mais onde se esconder. Chegou a hora desses dois pagarem por toda a dor que causaram e as vidas que arruinaram!
Exclamou a felin vampira em seu ímpeto inabalável de se vingar perante os responsáveis por lhe tirarem aquele quem mais amou. Faria isso por Devimyuu e por tudo que sonhou viver ao seu lado e não pôde ter com ele. Em nome da privação de tal vida, faria qualquer coisa para arruinar a dos responsáveis por sua perda, atribuindo a culpa que lhes era devida.
Anmyuu se levantou, estendendo a mão para Mewrogue, que apertou a da amiga com força, mostrando um sorriso determinado curvando seus lábios sobre as belas presas pontiagudas.
— Vamos mostrar que, diferente deles, a verdadeira justiça não é uma farsa. Estamos apenas começando, Myz. Não podemos mudar o que aconteceu no passado, mas sei que juntas iremos garantir que, para os culpados por toda nossa dor e dor de todos que amamos, não haja mais futuro!
Anmy assentiu confiante para a amiga, fazendo daquelas suas palavras.
No fundo de seus corações, ambas sabiam que a partir daquele momento, novos desafios as aguardavam, e que a jornada para trazer a justiça velada há duas décadas seria árdua, mas a verdade estava prestes a finalmente ser exposta.
Era o momento de arrancar as máscaras dos impostores e trazer a luz para as sombras onde a corrupção deles se escondera nos últimos vinte anos. Nada abalaria a vontade ávida da Rainha Suprema e da Ministra Vampira para alcançar tal objetivo. O destino de seu reino, e a memória daqueles que perderam, dependiam disso. Fariam isso por eles, não importando o que custasse.
E assim, com os corações inflamados pela determinação e o espírito renovado, as duas amigas se preparavam para dar o golpe final que traria o tão esperado acerto de contas.
Era o início do fim para Heimewdall e Mewthazar. A vitória estava quase ao alcance, e a justiça por tanto tempo adormecida, enfim, prevaleceria.
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