25 - Unravel
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Entrementes, no Mundo Puro, após deixar o prédio da Embaixada, Kinmyuu e sua rainha acabaram seguindo por caminhos diferentes. O Rei tinha pensado num meio de tentar obter informações sobre o atacante de Mewelderm e consequentemente ladrão do Grimório de Mizantri; através de um método que somente ele com seus poderes elevados, seria capaz de utilizar.
Passado algumas horas após esse momento, o Rei Supremo retornava ao palácio. Ele havia chamado Anmyuu por telepatia, e agora a bela esposa o esperava ante a sacada da suíte real do casal. Não demorou para Kinmyuu passar pelas portas duplas panorâmicas de vidro cristalino. As magníficas asas celestiais alvas e reluzentes, provindas da forma real de sua semi divindade, ainda estavam materializadas conforme ele acabava de pousar de volta ao seu lar. No entanto, seu rosto demonstrava traços de uma leve fadiga, como a rainha pôde perceber no momento em que ele a cumprimentou com um toque de beijo suave nos lábios.
- Como foi, querido? Descobriu algo relevante? - Ela perguntou.
Kinmyuu caminhou mais um pouco como se fosse diretamente atraído para a enorme cama de ambos, se deitando de costas sobre o conforto da mesma como se quase se jogasse. Ele cobriu os olhos com ambas as mãos, apertando também um pouco a testa.
- Só um minuto, minha paixão... A primeira coisa que descobri foi que varreduras mentais podem ser bem...incômodas. Não achei que minha cabeça fosse doer tanto depois... - Ele respondeu entre alguns gemidos contidos pela dor lancinante, por isso cobria os olhos. Para uma espécie cujos dons eram poderes mentais, uma enxaqueca era de fato uma verdadeira tortura.
Com um olhar consternado, Anmyuu se aproximou dele e sentou-se ao seu lado na cama.
- Amor, você fez uma varredura telepática de todos os habitantes de dois reinos inteiros! Eu estava mesmo muito preocupada que tivesse uma reação desse tipo... Mas não se preocupe, deixa eu cuidar de você. - A rainha disse carinhosa, enquanto gentilmente pôs a mão sob os cabelos platinados na testa de Kin, soltos um tanto rebeldemente da franja pelo efeito dele ter voado no caminho de volta ao palácio.
Imediatamente, um sutil brilho rosado emanou da mão de Anmyuu, que fazia uso de seu poder curativo. Aos poucos, Kinmyuu abriu os olhos, seu rosto ganhando uma expressão de alívio.
- Se sente melhor? - Ela perguntou.
- Muito melhor. Obrigado, amor. - O rei respondeu a puxando para um beijo nos lábios novamente, dessa vez, um pouco mais demorado. Ele então se sentou sobre a cama, trocando o olhar apaixonado por outro um tanto mais sério.
- Então, como eram os reinos mais envolvidos, tanto em Luxspark como em Magispell eu tentei descobrir se alguém estaria pensando especificamente no Grimório ou em algo suspeito, mas não encontrei nada exclusivo sobre.
- Bem, Mewghand quer adiar divulgar o roubo à população por enquanto, para evitar possível pânico generalizado. Esse desconhecimento foi ótimo para que você pudesse fazer a varredura mental, mas por outro lado, tirando o culpado e a guarda real que sabe, já era de se esperar que não encontraria muitos outros pensamentos específicos sobre o Grimório de Mizantri... - A rainha disse, ponderando.
No entanto, parecia que ainda havia algo a respeito incomodando o Rei Supremo. Seu olhar pensativo trazia certa desconfiança.
- É verdade sim, mas... Teve algo que eu achei particularmente estranho. Durante uma varredura psíquica, se quiser eu consigo distinguir os pensamentos de pessoas conhecidas. E eu fiz questão de reconhecer o do Mewthazar, ou quer dizer, pelo menos tentei, mas foi como se a consciência dele estivesse... inerte. E mais coincidentemente estranho, aconteceu o mesmo com a mente do rei Seikimyuu de Luxspark.
Anmyuu elevou uma sobrancelha, intrigada.
- Como assim, inerte? Seria como se eles tivessem dormido ou tipo... desmaiado?
- Algo parecido, embora eu duvido que estivessem realmente desmaiados... - o Rei se virou para a esposa, a encarando sério - Amor, não tenho nenhuma hipótese quanto ao rei de Luxspark, ainda irei investigar sobre. Mas quanto ao Mewthazar, aqui entre nós, você nunca achou que existe algo... estranho nele?
- Você terá que ser um pouco mais específico, querido... - Respondeu Anmy, sem conseguir conter a ironia.
- Bem, não me refiro só ao comportamento de hoje, beirando quase a obsessão em colocar o Magistrado Mewhicann como suspeito do roubo... Aquilo foi ridículo! Eu sei das tendências preconceituosas absurdas do tio Heimy, e estou sempre repreendendo e tentando podar ele, mas infelizmente não posso fazer o mesmo com o Mewthazar e não sei quem é a pior influência pra quem, entre os dois! - o rei exclamou inconformado, esboçando um facepalm - Só que, desde antes desse evento, eu sinto que no fundo sempre tive algum tipo de ressalva quanto ao Mewthazar, só não consigo entender o exato motivo. É como se meus instintos me dissessem que há algo errado, que ele esconde alguma coisa.
- Sabemos que ele esconde do seu tio os reais sentimentos por ele. E sinceramente, eu não sei como Heimewdall não percebe! Provavelmente acho que é porque ele se recusa a enxergar.
- Sim, mas não me refiro à orientação sexual do Mewthazar, apesar de realmente ser óbvio. Eu sinto que tem algo muito mais sério, mais sombrio... Principalmente agora com o desaparecimento do Grimório. Tem alguma peça faltando em tudo isso e algo me diz que Mewthazar está envolvido. Sendo assim, eu estava pensando em enviar alguém para observá-lo um pouco mais de perto, e queria saber sua opinião a respeito. O que acha, querida? Eu estaria me precipitando ou seria prudente fazermos isso?
A rainha seguiu alguns instantes em silêncio, ponderando no que diria. Sabia que os instintos do marido quanto ao vice-rei mago estavam corretos; ela mesma tinha suas ressalvas quanto a Mewthazar, mas diferente de Kin, sabia exatamente o motivo delas. Porém, não podia revelá-las, assim como não podia trazer à tona os demais fatos questionáveis mais graves que envolviam não somente a Mewthazar como também Heimewdall. Isso estava além dela, um assunto que determinadamente não poderia chegar ao Rei Supremo até o momento certo. Mas tal momento não havia chegado ainda, e tampouco Anmyuu sabia quando seria, sendo assim, procurou responder à medida do que lhe cabia.
- Amor, você é um semideus, então acho que não deve desprezar os seus instintos. Se sente que enviar alguém para observá-lo mais de perto é a atitude prudente a se tomar, tem meu total apoio. Aliás, se quiser já posso falar com o meu pai para que envie alguém. Eu estava esperando que você retornasse para avisar a ele que já podia designar alguns cavaleiros da Doutrina Dourada para ajudar na busca pelo Grimório. Eu esquematizei uma estratégia de busca enviando os membros da guarda de biotipos mágicos, fádicos e místicos; resumindo, os que têm mais sensibilidade de percepção a magia. Eu só esperei que terminasse a varredura mental para que assim não houvesse pensamentos adicionais a respeito do Grimório e isso te sobrecarregasse mais ainda.
- Compreendo, e agradeço por isso. E, excelente estratégia como sempre, minha rainha. No entanto, acho que no caso de Mewthazar, vou aproveitar o convite ao Magistrado Mewhicann, e quando ele vier, vou pedir que o próprio me recomende um agente da O.R.A.C.L.E. para a tarefa.
Anmyuu arregalou levemente os olhos e a encarou impressionada.
- Vai enviar mesmo um espião profissional? Miuau! Imagino que o nosso Ake adoraria saber disso, hah! - Ela comentou se referindo ao filhote mais velho de ambos, que como todo menino de sua idade, se interessaria por qualquer coisa envolvendo espionagem e agentes secretos.
- Com toda certeza, heh. Quem sabe um dia, quando ele estiver maiorzinho eu conte a ele sobre isso. - Um pequeno sorriso surgiu no rosto do Grande Rei ao pensar em seu príncipe, quebrando um pouco a expressão séria que tinha até então.
- E falando no Magistrado, sei que não o convidou para vir ao palácio por causa das acusações ridículas e sem fundamento de Mewthazar e Heimewdall. O que você tem em mente, amor? - A rainha indagou curiosa.
- Meu pai me disse certa vez que o Magistrado Mewhicann tem um poder mágico excepcional. Ele provavelmente é um dos magistas mais poderosos que existem, podendo até se equiparar ao Mewghand que é o próprio rei mago. A única diferença é que, ao que tudo indica, o Magistrado pode manipular magia sombria. Pelo ataque que Mewelderm sofreu, ficou claro que algum feitiço sombrio deve ter sido empregado durante o roubo. Então imaginei que talvez Mewhicann possa nos ajudar a identificar essa magia. Sem contar que o fato dele conhecer bem a família real magista me fez querer discutir algumas certas... hipóteses com ele.
A voz do Rei soou um pouco mais arrastada ao final, conforme ele apoiava a mão na região do pescoço e apertava com um pouco de força. Anmyuu havia conseguido curar sua dor de cabeça latejante, porém, notava-se que a fadiga por fazer grande uso de seus poderes continuava ali.
- Realmente, os conhecimentos dele podem ser vitais para a investigação. Mas, bem, que tal enquanto o espera, você descansar um pouco, querido? Usou bastante do seu poder divino e telepático com o rito de purificação e depois as varreduras psíquicas. Acho melhor recuperar suas forças plenamente. Não sabemos o que ainda vamos enfrentar com essa crise recém iniciada envolvendo o roubo do Grimório, é melhor garantir que esteja 100% para uma possível emergência, não acha?
Com tudo que estava acontecendo, a última coisa que o Grande Rei queria era fazer uma pausa em meio àquela possível crise. No entanto, sabia que a esposa tinha razão. Obviamente um grande inimigo começara a agir, e poderiam ter que enfrentá-lo a qualquer momento. Estar com seus poderes a plena força era essencial. Além disso, fisicamente Kinmyuu também se via um pouco cansado pela noite mal dormida, devido ao sonho recorrente com a voz misteriosa que o chamava desesperadamente, dessa vez mais intenso que as anteriores.
- Sei que a minha rainha sempre tem razão, então não irei discordar - Ele disse, sem perder a chance de dar a ela um sorrisinho galanteador - Mas se acontecer qualquer coisa, ou se você ou as crianças precisarem de algo, me chame, está bem?
- Claro - Anmyuu confirmou, confortando com um beijo. - Tente dormir um pouco, sei que tem tido noites difíceis, meu amor. Vou pedir que avisem quando o Magistrado chegar.
Logo, a rainha se retirou. Kinmyuu ajeitou-se melhor na cama na esperança de tentar dormir, sabendo que seu Nei se recuperaria mais rápido durante o sono. Respirou fundo e limpou sua mente esperando adormecer, tentando desligar seus pensamentos, a deixando num estado "neutro". Estava quase atingindo tal estágio plácido, no entanto, foi aí que tudo começou.
Imagens borradas começaram a surgir em sua cabeça. Pareciam um pouco desconectas e distantes, mas fortes o suficiente para fazer o rei semideus se sentir entorpecido. Seu subconsciente tentava entender o que se passava; os vislumbres embaçados transpareciam ser lembranças, entretanto, por estar vendo o que parecia ser a si mesmo, Kinmyuu supunha que não eram suas. Ele até gostaria que fossem, pois as lembranças desde seus seis até os quase dezessete anos eram fragmentadas e inconsistentes, e em alguns desses lapsos faltantes, ele não se recordava de absolutamente nada.
É claro que ele sabia que as sequelas de amnésia que sofria não eram normais, portanto, o Rei Supremo se agarraria à chance de recobrar qualquer parcela de lembrança que pudesse de seu passado. Mesmo sentindo que tais memórias não eram exatamente suas, ele estava ali, fazendo parte delas, e desvendar isso já seria o bastante.
Portanto, se concentrou em não deixar tais flashes escaparem, por mais que não entendesse exatamente do que se tratavam. Sua mente transcendia como num transe onde ele se via frente a tais imagens turvas. Continuou vendo a si mesmo, com seis, dez, catorze e depois dezesseis anos de idade. Queria saber o que estava acontecendo; sentia que nas memórias projetadas em fragmentos havia alguém com ele; a cada lapso incompreensível ele parecia acompanhado dessa mesma pessoa, porém, não conseguia vê-la, tudo era apenas um borrão oscilante, mas Kinmyuu tinha certeza de sua presença.
Podia presumir que conversava com esse alguém, mas só havia um ruído inaudível. Compreender as palavras que provavelmente eram proferidas, era como tentar compreender algum som no fundo de um oceano. Mas o Rei não desistiria fácil, não perderia a chance de desvendar alguma parte das memórias que lhe faltavam. Se concentrou mais fervorosamente, disposto a desvendar o que ele e a presença misteriosa naqueles flashes diziam. Foi quando de modo súbito, seu pulso começou a doer com um ardor intenso, mas ele não se importou. Sentia que estava quase conseguindo, a dor não poderia pará-lo. Foi então, que tal como desejava, ouviu uma voz ecoar distante, porém nítida o suficiente para que entendesse o que dizia.
"...não passa de um mentiroso e um traidor!"
"...nunca vou te perdoar por isso!"
"ele era a minha Luz... e me abandonou sozinho na Escuridão..."
Kinmyuu acordou como se fosse forçadamente retirado do transe. Ele abriu os olhos em choque e se ergueu da cama de súbito. Sua respiração arfante oscilava, sentia seu corpo quente transpirando com as mãos trêmulas, enquanto seu coração batia acelerado, quase mais rápido do que o resto de seu corpo era capaz de acompanhar. Se sentia acometido por uma crise de ansiedade, ou talvez um ataque de pânico, ou possivelmente os dois. E o pulso - seu pulso lhe doía como nunca, como se um punhado de pequenas lâminas grosseiras e afiadas tivessem acabado de rasgá-lo. O rei semideus o segurou com força, mordendo o lábio inferior pelo ardor lancinante. Olhou para onde sua outra mão segurava e por um segundo, teve a impressão de realmente ver seu pulso dilacerado com uma sequência de cortes abertos profundos e imersos num mar de sangue que fluía ininterruptamente de suas veias rebentadas. Foi apenas por um instante, mas não deixava de ser uma visão grotesca, assustadora.
Kinmyuu piscou rapidamente os olhos diversas vezes com força na tentativa de fazer tal pesadelo desaparecer. Sua vista estava turva, porém, conseguiu enxergar o pulso normal novamente, e constatou que não havia uma enxurrada, e sim apenas algumas gotas de sangue sobre o mesmo que pingaram de seu focinho.
As pontadas em sua cabeça voltaram com força, obrigando o rei a fechar os olhos outra vez. Contudo, aquilo apenas serviu para intensificar os flashes das visões que retornavam. A princípio, era a mesma que em seus sonhos, com a mão de alguém sobressaindo de um vórtice enevoado de sombras e magia, clamando seu nome em socorro desesperadamente, e uma versão mais jovem de si tentando alcançá-lo com o mesmo ímpeto. Entretanto, diferente do que sucedia nos sonhos angustiantes que o afligiam há anos, dessa vez, mesmo que apenas por um instante ínfimo, um rosto finalmente lhe apareceu.
Kinmyuu viu a imagem de um garoto aparentemente um tanto mais velho que seu próprio filho; sua pelagem era azul-noite, cabelos compridos negros e olhos dourados em lágrimas repletos de medo, mágoa e ódio. E aquelas palavras persistiam em ecoar: "...ele me abandonou sozinho na Escuridão!".
Kinmyuu podia sentir a dor dele, todo o peso dos sentimentos despedaçados do garoto da visão recaíram pesadamente sobre ele, fazendo o rei se lembrar do próprio dilema emocional que o afligia por décadas. Muitas vezes, sempre após esses sonhos, acordava no meio da noite sentindo um vazio quase insuportável que nada poderia preencher. Ele era um rei; tinha uma linda esposa que o amava, dois filhotes adoráveis e desejados, uma família amorosa e súditos leais que o admiravam. Mas ainda assim, no fundo sempre sentia que algo ainda lhe faltava, que alguma coisa estava errada, contudo, ele nunca conseguia descobrir a verdadeira razão para isso.
Incapaz de encontrar uma resposta, Kinmyuu optou por simplesmente tentar abstrair e ignorar, como vinha fazendo a respeito das memórias de praticamente toda a infância e adolescência que lhe faltavam. Porém, bem ali, naquele momento, após tudo que acabara de ver e sentir, ele não podia mais ignorar a tempestade interna de sentimentos conflitantes e incompreensíveis que gritava para sair.
As visões tinham cessado; Kinmyuu sentiu em suas íris cor safira trepidantes os olhos pesarem, se acumulando d'água. Uma lágrima caiu, depois outra, seguida de uma fina castata silenciosa por seu rosto até que ele se perdeu num pranto incontrolável de lágrimas incessantes de angústia, sem que ele conseguisse compreender exatamente o porquê.
- E-sse garoto... Quem é ele? Eu... te conheço? É você quem tem me pedido socorro nos sonhos por todos esses anos? O que houve com você? Eu... devia ter te salvado? Te fiz alguma coisa de mal? O-onde... você está? E-eu quero...
O Rei da Luz questionava a si mesmo em voz alta, entre os soluços de seu choro e a dor beirando o insuportável em seu pulso. Até que pressentiu a presença de sua esposa se aproximando. Rapidamente, ele saltou da cama tentando conter as lágrimas e correu para o toalete, segundos antes da rainha de fato atravessar as imensas portas brancas com entalhes dourados que levavam até a suíte do casal.
- Kimy? Querido? - Chamou ao notar que ele não estava na cama.
No banheiro, enxaguando o rosto a ponto de quase mergulhar a cabeça dentro da cuba de porcelana da pia, o rei tentava apagar os rastros de seu pranto e disfarçar a crise inexplicável pela qual acabara de passar. É claro que queria contar à sua rainha o que lhe aconteceu, pois sempre partilhava absolutamente tudo com ela. Entretanto, não queria que ela o visse naquele estado de pânico, chorando desesperadamente em desamparo sem que sequer ele próprio pudesse lhe explicar o motivo, além de não desejar preocupá-la mais do que já sabia que faria.
- Estou aqui - Ele respondeu enquanto se enxugava, tentando soar o mais normal o possível.
- Amor, o que houve? Está tudo bem?! - Anmyuu perguntou ao surgir na entrada da suíte com um olhar preocupado, pois tinha notado o tom consternado na voz de seu rei quando ele a respondeu.
- Bem, eu... vou ficar...
A rainha notou que ele ainda segurava o pulso, sem contar a expressão abatida refletindo em seu rosto a dor contida, porém evidente.
- É o seu pulso? Oh, então imagino que não conseguiu descansar muito bem. Teve... o mesmo sonho outra vez?
O rei semideus respirou fundo, tentando terminar de se recompor.
- Tecnicamente sim, mas dessa vez... - Antes que pudesse continuar, sua fala foi interrompida pelo toque alto do C-Tech no bolso de sua calça, e quando viu quem ligava, sabia que não podia se dar ao luxo de não atender.
Ele gesticulou pedindo um momento para Anmy.
- Pois não, Magistrado Mewhicann? ... Sim, fico lisonjeado de ter aceitado meu convite... Ah, já? Formidável. Aguarde onde está, por gentileza, vou pedir que um veículo real vá buscá-lo imediatamente... Eu que agradeço, até breve.
A rainha encarou seu amado com um olhar consternado. Seguia preocupada com ele, porém, tendo entendido que em breve o Magistrado de Nova Homsafetown chegaria, sabia que ela e Kin teriam que adiar a conversa. Mas ainda assim, se sentia compelida a tentar saber pelo menos resumidamente o que houve.
- Kimy... - Ela disse o encarando com um olhar empático, tomando uma de suas mãos.
Kinmyuu correspondeu segurando ambas as dela e a encarando com uma expressão conformada, seguida de um leve suspiro.
- Tudo bem, querida, prometo que te conto tudo depois. E não se preocupe, até lá, garanto que ficarei bem. Mas agora, temos que ir. Logo o magistrado estará aqui e sabe como é, o dever chama...
Ele respondeu com um sutil sorriso triste, sabendo que por mais que tudo que quisesse naquele momento fosse o conforto emocional de sua amada, suas responsabilidades e o bem-estar do reino vinham em primeiro lugar. Esse era o dever de um Rei Supremo, afinal.
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