❧ 008 ❧

BAKER, ayla.

Acordei com alguns barulhos vindo da cozinha. Eu tinha dormido em um dos quartos que deduzi ser o de Shawn pois tinha muitas coisas dele espalhadas por lá.

Andei até a cozinha, Shawn estava cozinhando alguma coisa e estava de costas. Eu apenas sentei na bancada da cozinha dele e fiquei observando todos seus movimentos calada. Shawn parecia tão concentrado enquanto fazia o espaguete, algumas vezes ele cantarolava alguma música e eu segurava o meu riso. Até que ele finalmente se virou e deu de cara comigo, ele colocou uma de sua mãos no peito e suspirou por conta do susto.

— Você quase me matou agora, eu ainda não me acostumei com isso. — Ele disse e voltou a mexer na comida. — Há quanto tempo você está aí?

— Tempo suficiente para te ver cantarolando enquanto cozinha. — Digo divertida. — Aliás, que bom que você está fazendo comida, estou morrendo de fome.

— Não que eu seja a pessoa mais qualificada para isso mas consigo fazer algumas coisas básicas. —Shawn desliga o fogo e se vira para me olhar. — Você dormiu bem?

— Sim, inclusive dormi no seu quarto, desculpa.

— Não precisa se desculpar, eu não me importo. —Ele fala indo até o armário e pegando dois pratos. — Mas vamos arrumar um dos quartos para você ficar à vontade.

Eu assenti. Shawn me entregou os pratos e eu os coloquei em cima da mesa da cozinha, ele tirou a panela do fogão e trouxe para a mesa também, logo depois pegando os talheres em uma das gavetas do balcão, a jarra com suco de laranja, e os copos já estavam postos. Eu me sentei à mesa junto com Shawn e esperei ele se servir para eu fazer o mesmo.

— Sabe... É muito estranho estar na sua casa, meu irmão te adora, ele quer fazer música também e te usa como inspiração — Falo depois de engolir a terceira ou quarta garfada do macarrão, que estava delicioso. — E do nada, eu estou na sua casa e vou morar aqui por algum tempo e eu nem sei se isso realmente te incomoda.

Shawn larga seus talheres em cima do seu prato devagar e me encara.

— Eu não me incomodo, juro. É até legal ter alguém para conversar quando chego em casa, tipo como estamos fazendo agora. — Ele dá uma pausa, bebendo um gole de seu suco de laranja. — Eu viajo muito, faço shows, tenho um rotina corrida. E eu realmente gosto de ter amigos comuns e espero que você se torne um deles. Aliás, depois me passa o numero do seu irmão, posso ajudá-lo com a música.

— Isso se os pais dele não o forçarem a fazer medicina, ele está no segundo ano e já decidiu que quer fazer música, mas meus... — Me paro ao perceber o que ia fazer, eu não queria chamar aquelas pessoas de pais novamente. — Os pais dele querem que ele seja um médico renomado. — Respondo desanimada. Era muito triste ver que Cyrus tinha um dom incrível pela música, porém não levaria isso para frente por conta dos pais biológicos, que nunca deixariam que ele vivesse disso.

— Eles não têm que querer nada, a vida é dele, ele devia escolher o que quer fazer para o resto da vida dele. — Shawn fala depois de terminar de comer o resto de macarrão que sobrava em seu prato e eu concordo com a cabeça. — Por que você não chama os seus pais adotivos de pais?

— Porque eles nunca ligaram para mim, eles só me adotaram para causar boa impressão na cidade em que moramos, a cidade é pequena mas cheia de gente rica de dinheiro e pobre de alma. Eu odeio aquele lugar com todas as minhas forças. — Digo tentando não deixar que más lembranças e sentimentos ruins tomem conta de mim. — Queria me distrair, você tem alguma ideia do que podemos fazer?

— Sinto muito por tudo. — Shawn dá um sorriso triste e eu retribuo. — Podemos sair amanhã, tem uma balada legal que a gente pode ir.

— Okay. — Dei um sorriso sem mostrar os dentes.

— Tudo bem, mas então quer fazer algo hoje? Tipo agora?

— Podemos assistir um filme? — Questiono. — Não no cinema, claro, porque você ia ser reconhecido mas a gente podia alugar algum, comprar comida e passar o resto da noite assistindo eles.

— Então, vamos. Se arruma! — Ele fala se levantando e tirando os pratos da mesa. — Vou colocar isso na lava-louças e quando você estiver pronta, nós vamos em uma locadora que eu acho muito legal.

Eu nem sabia que ainda existiam locadoras, a última vez em que estive em uma eu tinha uns oito anos de idade, eu e Cyrus alugamos Marley e eu, passamos a tarde inteira chorando por causa daquele filme. E depois assistimos Grease enquanto tentávamos imitar as performances musicais do filme. Sorri com a lembrança que aqueceu meu coração.

Andei até o quarto do Shawn, eu ainda não tinha saído para fazer compras, mas tinha trazido algumas roupas em minha mala, então apenas peguei uma calça preta e um moletom, Canadá era tão frio e eu precisava adicionar um lembrete em meu celular para comprar um agasalho bem mais quente.

Saí do quarto de Shawn e ele já estava pronto, apenas me esperando sentado no sofá da sala.

— Hey, estou pronta.

— Então, vamos! — Shawn se levantou e foi até a porta, ele esperou eu sair do apartamento para que ele pudesse trancar a porta.

Andamos até a garagem e entramos no seu carro, o carro dele tinha um cheiro muito bom, provavelmente algum perfume para carros, mas eu nunca tinha visto um carro tão cheiroso na minha vida. Canadá era um lugar maravilhoso, a cada rua que Shawn entrava, eu ficava mais apaixonada pelo país. Eu parei para pensar na loucura que eu me meti, eu estou em um carro com um cantor famoso, em um país desconhecido e sem dinheiro.

— Chegamos. — Shawn fala depois de uns trinta minutos e me tirando dos meus pensamentos e só então eu percebo que o carro estava estacionado. — Eu gosto muito desse lugar, quando eu era pequeno, meu pai trazia eu e Aaliyah para alugar filmes, a época do Halloween era a minha favorita, porque eu só pegava filmes de terror e a Aaliyah odiava.

Sorri em resposta e ele abriu a porta do local, era bem rústico e organizado, os filmes eram separados pelos seus gêneros e quanto filme! Tinha um balcão do outro lado, aonde um senhor negro, baixo e um pouco gordo escutava rádio e cantarolava algumas músicas. Assim que o senhor percebeu que Shawn estava ali, abriu um grande sorriso, ele e a locadora traziam uma paz incrível.

— Boa tarde, senhor Howard. — Shawn anda até o balcão e faz um hi-5 com o moço. — Faz tempo que eu não venho aqui, mas trouxe uma amiga. Essa é a Ayla.

Eu ando até o balcão calmamente e sorrio para o velhinho.

— Olá, Ayla! Espero que goste daqui e volte mais vezes. — Howard fala. — Menino Shawn, estava escutando a rádio e escutei uma música sua que eu ainda não tinha escutado, gostei muito!

Parece que o sorriso do garoto vai sair do rosto de tão grande que está, ele continua conversando com o velhinho e eu ando até algumas prateleiras, examinando os filmes que tinham disponíveis. Peguei alguns filmes que me interessaram e vi Shawn se aproximando.

— Ei, já escolheu os filmes? — Ele questiona parando ao meu lado. Eu afirmo com a cabeça.

— Quem é Aaliyah? — Pergunto, já que ele tinha citado a garota e eu não sabia quem era.

— Minha irmã mais nova, ela é bem legal. Te levo para conhecê-la algum dia. — Ele sorri de canto e eu sorrio de volta.

Shawn pega os filmes da minha mão e vai até o balcão, após pagar o aluguel, ele se despede do senhor Howard e eu digo que foi um prazer conhecê-lo. Entramos no carro e fomos comprar comida pois não rola noite de filmes sem comida, principalmente besteiras e doces. E depois fomos para a casa de Shawn, essa noite vai ser interessante e divertida, pelo menos eu espero que seja. Mas já estou me vendo dormindo no sofá enquanto assistimos o terceiro filme.

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