Capítulo 9

- Pode para aqui - digo perto da escola.

- Por quê? Já estamos chegando. 

- Não podemos ser vistos juntos. - Ajeito a bolsa pondo a tira no ombro.

- Grande coisa, aposto que nem vai ser percebido e caminha por conta disso é bobagem querida.

Bufo de cara amarrada. Romeu dificilmente muda de opinião e está correto de certo modo, nosso objetivo é chegar o mais rápido possível, engulo o orgulho. Saio do carro quando para perto da árvore, fecho a porta correndo pelo estacionamento, dou uma olhada para trás vejo ele parado rindo., babaca.

Esbaforida entro como furacão na sala dos professores, dando bom dia aos presentes; pego o material de aula agilmente. No caminho avisto ele entrando no prédio administrativo, trato logo tirar da cabeça os pensamentos impróprio, aqui somos colegas e precisamos respeitar os alunos e os  demais.

Entro na sala vendo os pequenos concentrados, paro na porta a observar. Quem vê assim não pensa na bagunça e gritaria, mas são crianças oras! Bato na porta chamando atenção, várias cabeças erguem-se estampados sorrisos de orelha á orelha; regresso sorrindo.

- Bom dia pimpolhos! 

- Bom dia sora! - Vários respondem nas mais diversas tonalidades e intensidades.

Bruna está reclinada na mesa enquanto adentro. Percebo pelo olhar a pergunta insistente.

- Obrigada por olhar eles, agora pode indo. - Abraço cochichando.

- Vai contar tudo no intervalo - sorri ao sair.

Obviamente terei que contar  nos mínimos detalhes se não vai dar piti e ir pessoalmente falar com Romeu, ai as coisas iriam complicar, pois certamente pedirá para mudar o pensamento e aceitar o pedido ou até mesmo se desculpar e por ai vai. 

Decido dar atenção ao que realmente importa agora: meus alunos.



***

- Não corram muito! - Falo alto quando saem para o intervalo. Tranco a porta me indo a sala dos professores.

Sem alarde entro, orando mentalmente com o sentido de ficar quieta sem Bruna perceber a minha presença, falho miseravelmente. Cabisbaixa finjo analisar as flores da jaqueta, mas ela senta ao meu lado.

- Oi amiga, não tem nada para me contar não? - Fala em tom sarcástico.

- Tenho, mas aqui não alguém pode ouvir. - Sussurro mirando Romeu apoiado na janela tomando café rindo.

- Depois do expediente então.

- Okay, depois...

Fico sentada pensando no nada e indagando o porquê recusar ele, ter algo sério no caso. Perderia a liberdade, não poderia transar com mais ninguém, além do ciúmes e cobranças. Suspiro pegando café na cozinha, fico ali mesmo isolada dos demais. 

O sinal toca indicando o  término do intervalo, caminho ainda pensativa quando sou abordada perto da saída.

- Oi tudo bem? - Henrique fala.

- Tudo sim, queres o quê? - Profiro meiga.

- É a respeito do emprego no particular, lembra?

- Ah sim, pode mandar mensagem já que tem meu número, desnecessário isso. - Empurro a porta saindo.

Babaca, só não abri a boca porque Henrique literalmente ficou de joelhos implorando para não contar o ocorrido, todavia não tenho obrigação de ser gentil, confesso tirar proveito da situação é inevitável.

Abro a porta e os pequenos entram correndo como sempre. Precisam terminar a atividade, coisa simples; passo de mesa em mesa conferindo e ajudando quem precisa.

Depois dos dois períodos a fio, estou novamente arrumando a sala dessa vez ninguém a espera do lado de fora, melhor assim. Repito o trajeto pegando a bolsa no armário, ia sair tranquila até Bruna aparecer na saída.

- Agora pode soltando a língua!

- Ai credo vai me matar desse jeito! - Exclamo subitamente.

- Tá conta como foi a noite com o bonitão! - Tento não sorrir ao lembrar da noite passada.

- Indescriptível como sempre é.

- Já estão nessa a quanto tempo? - Indaga pegando meu braço.

- Desde maio passado, no começo não queria e achava errado, mas o fogo subiu e aconteceu. - Dou de ombros, a explicação é rala e Bruna ergue as sobrancelhas. - Teve um dia que precisei de ajuda no sistema e ele estava por perto, nada de mais ai perguntei se poderia me ajudar, obvio que aceitou de bom grado e estávamos sozinhos na sala - mordo o lábio recordando - cheguei mais perto dele e quando dei por conta rolou o beijo. Por pouco não pegaram a gente, imagina o que seria de mim caso alguém soubesse!

- Mas não parou ai imagino - fala Bruna.

- Não, não. Até pensava esquecer o ocorrido, todavia cada vez ficava difícil ignorar a presença dele. Ele me convidou para sair no intuito de somente conversar, mas acabou acontecendo outra coisa.

- Deixa eu te perguntar uma coisa, é verdade que recusou o pedido de namoro?

- Como sabe disso!?

- Tem uns rumores circulando né, fica tranquila amiga é só suposição.

- Como surgiu a questão? - Pergunto curiosa.

- Henrique comentou um dia aí, tu e o Romeu sempre estavam juntos e do nada nem bom dia falavam. Na brincadeira ele disse isso, ficamos pensando a respeito. - Dá de ombros.

- Vagabundo, mesmo brincando é um merda.

- Qual a cisma com o Henrique?

- Nada relevante, só não vou com a cara dele mesmo. - Encerro o assunto logo. Melhor nem ela saber o real motivo do meu nojo.

Atravessamos a rua em silêncio indo para a parada de ônibus cheia de estudantes. Alguns dão bom dia outros estão concentrados nos amigos demais que nem notam nós duas.

- Ele é bom de cama mesmo? - Pergunta do nada, levo um tempo processando.

- Ah sim, é muito bom. - Reviro os olhos sorrindo. - Olha, poderia não contar a ninguém isso?

- Nunca ia contar, guardo bem segredos. - Recebo uma piscadela. - Boa sorte com a dona Lúcia! - Fala subindo no ônibus.

Quase ia esquecendo desse detalhe, preciso bolar uma mentira bem convincente. Tive sorte mais cedo que ela não viu nada se visse iria ter um infarto certamente.

No horizonte avisto o 727 vindo, o dia que começou sob fortes emoções me deixa vazia. Não irá ser um dia típico.

***

- Onde a senhorita esteve durante a noite?! - Sou recebida aos gritos por Lúcia.

- Bebi de mais e passei a noite na Bruna. - Falo deitando na cama.

- E para que serve o celular? Poderia ter avisado! Fiquei preocupada! - Exasperada reclama.

- Foi mal, nem passou pela mente isso, sabe bêbada.

- Uma ova, se fosse menor estaria de castigo!

- Ainda bem que não sou dona Lúcia - resmungo contra o travesseiro.

- Olha as respostas!

- Foi só ontem, não é como cair um asteroide na terra. Tô bem aqui na tua frente viva.

Ela continua falando e falando, contudo fico desligada do mundo cansada de mais para ouvir e muito menos revidar jogando a culpa nela por ter falado com Henrique. Em questão de segundos adormeço.

***

Acordo no meio da tarde

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