Capítulo XI
Acordo animada.
Não acredito que vou poder ver a Eva novamente!
Coloco um short jeans e uma blusa ciganinha. Faço uma make leve e prendo meu cabelo em um coque. Pego meu álbum de fotos.
Eva nunca gostou muito de sair em fotos, normalmente ela as tirava. Eu, obviamente, era a modelo. Mas por sorte, tenho algumas raridades comigo. Como no meu aniversário de quinze anos. Lembro como foi difícil convencê-la a se maquiar.
Sorrio com minhas lembranças, o que me faz apertar o álbum em meu corpo.
— Vai sair maninha? — Mateus pergunta assim que entro na sala.
— Sim, vou visitar uma amiga.
Ele estreita os olhos.
— Amiga? — Ele se levanta e cruza os braços — Amiga... — ele começa a me rodear e a observar — Não me parece um encontro com uma amiga. — ele para a minha frente e chega bem perto do meu rosto e foca em meus olhos — Por acaso sua amiga é aquele cara da lanchonete?
— Não é nada disso! — digo um pouco histérica.
— Bingo! — ele ri satisfeito — Seu desespero te entregou. Mas isso é estranho. — ele leva a mão direita ao queixo — Você normalmente gosta de jogar na cara quando tem um encontro. Não me diga que se apaixonou a primeira vista? — ele leva as mãos à bochecha em sinal de espanto.
— Cala boca!
Antes de mais perguntas, me retiro. Quando chego ao portão, respiro aliviada.
— Ufa! Quase me entrego.
Mateus não pode saber disso ainda. Não antes de eu confirmar algumas coisas.
Aliás, nem sei se é uma boa ele saber. As coisas estão se ajeitando e já seguiu com a vida dele. Saber disso pode trazer dor. Mateus não merece isso.
👻👻👻
Assim que chego ao portão da casa que foi de Eva meu coração aperta.
Esse lugar me trás lembranças que tenho lutado há três anos para esquecer.
+55 28 999******: Estou na calçada, esperando você abrir o portão.
Bjs
Lara
Envio a mensagem para Jonathan e ele não visualiza imediatamente, o que me deixa nervosa.
Eu realmente não tenho muita paciência para esperar.
Começo a andar de um lado para o outro. Até que meu celular apita.
Jonathan Fernandes: Já vou aí abrir o portão. Só um minuto, por favor.
Que cara educado.
Assim como ele disse, um minuto depois ele abre a porta e me faz prender a respiração por alguns segundos.
Uau!
Ele está com uma camiseta verde colada ao corpo e uma bermuda cinza. O cabelo dele está molhado.
Provavelmente ele estava no banho.
— Desculpe a demora, eu estava tomando banho.
Bingo!
— Tudo bem. — sorrio.
Mesmo que ele tenha demorado um pouco, vê-lo assim compensou...
Se é que me entendem.
— Pode entrar, só não repare a bagunça. Não sou muito bom com faxina. — ele ri sem jeito.
— Sem problemas. Essa também não é a minha especialidade. — digo piscando meu olho direito e sorrio em seguida.
O lugar é aconchegante, mas não mudou muito desde Eva. Só os móveis – que são mais novos – e o teto que ganhou um forro de madeira.
— Pode se sentar. — Jonathan diz apontando para o sofá — Quer um suco? Ou um refrigerante?
— Água, por favor.
Ele sai para buscar a água e eu analiso os detalhes.
Cada canto dessa casa faz lembrar-me de Eva.
Quando vou até a biblioteca e começo a passar meus dedos pelos livros, vejo uma obra que me chama a atenção.
"Orgulho e Preconceito"' – Jane Austen.
O pego e começo a folheá-lo. Eva falou sobre essa mulher naquela noite...
— Você gosta de ler?
Viro-me imediatamente e deixo o livro cair quando a vejo.
— E...Eva? — uma lágrima escorre pelo meu rosto — É você mesma?
Não consigo acreditar!
É realmente minha amiga. Ela está a minha frente.
Tento tocá-la, mas minha mão passa através dela.
— Eu não posso ser tocada por humanos...
— Você se lembra de mim?
Ela me encara e começa a me analisar. Como se tentasse buscar em suas memórias minha imagem.
— Não consigo. — Ela diz cabisbaixa.
— Não tem problemas. — tento consolá-la — Você vai se lembrar. Eu vou te ajudar. — eu levo minhas mãos à boca — Você não imagina o quão feliz eu estou por poder te ver. Eu tive muito medo de não conseguir. — Respiro aliviada — Eu senti tanto a sua falta.
— Não chora. — ela diz docemente.
Respiro fundo e me recomponho.
— Pode deixar. Não vou ser uma bebê chorona. — sorrio — Eu trouxe algo que talvez te ajude a se lembrar de algo.
— E o que é? — ela pergunta com expectativa.
— Um álbum.
Quando viro para sair da biblioteca e ir pegar meu álbum me deparo com Jonathan que assistia tudo atentamente.
— Desculpe, não quis ser invasivo. — ele estende a mão que segurava o copo d'água.
— Obrigada. — Tomo a água.
— Você se saiu melhor do que eu. — ele diz sorrindo — Eu quase fiz xixi nas calças quando ela apareceu a primeira vez.
— Mentiroso. — Eva interrompe e nós a encaramos — Ele quase faz xixi nas calças toda vez que apareço.
Nós rimos.
— Você disse que trouxe um álbum? — Jonathan diz.
— Sim. Não temos muitas fotos juntas, mas talvez seja o suficiente.
Seguimos para a sala e nos sentamos no sofá.
Eva fica ao meu lado.
— Como você consegue se sentar no sofá se não conseguimos te tocar? — pergunto curiosa.
— Não sei. Eu apenas consigo. — ela diz inocente.
— Ela também consegue pular na cama e abrir a torneira. — Jonathan diz um pouco emburrado.
— Você fez isso Eva?
— Foi só porque ele não quis me ajudar.
Rimos dela.
Pelo visto minha amiga mudou muito agora que virou um fantasma.
— É muito bom poder vê-la novamente. — digo por fim — Eu sempre sonho contigo, mas assim é bem melhor.
— Como é mesmo o seu nome? — ela me pergunta.
— Lara. Lara Miranda Garcia.
Quando digo isso ela fica estranha.
— O que foi? — fico preocupada — O que tá acontecendo?
Ela está com os olhos fechados e respirando fundo.
— Fica calma Lara. Isso acontece às vezes. Suspeitamos que seja parte das memórias que estão voltando.
Eva leva a mão direita à têmpora.
— Estou me lembrando de algo... — ela diz de repente.
— Você se lembra? — digo esperançosa — Você se lembra de mim?
Ela me encara por alguns segundos.
— Mateus. Eu me lembro de um Mateus.
— O quê? — Jonathan e eu dizemos juntos.
— Ele é bonito. Muito bonito. — ela diz animada — Me lembro de alguns momentos com ele. Isso deve significar alguma coisa.
— Não pode ser... — digo frustrada.
— Algum problema? — Jonathan pergunta.
— Eu aqui morrendo de vontade de você se lembrar de mim, mas a memória que você recupera é com o Mateus? — fico emburrada — Isso não é justo.
— Você conhece esse Mateus? — Jonathan pergunta — Ele deve ser importante para a Eva.
— Sim. Conheço. E você também conheceu ele ontem.
Jonathan pensa por um segundo.
— O cara da lanchonete? — ele diz com expressão interrogativa.
— Ele mesmo. Meu irmão querido.
— Espera. Ele é seu irmão? — Jonathan parece não acreditar.
— Sim. Pensou que ele fosse o quê?
— Seu namorado.
— Que nojo — digo com expressão de nojo.
— Então quer dizer que me lembro do seu irmão e não de você? — Eva diz se levantando — Mas por quê? — ela começa a andar de um lado para o outro.
— Também não sei. Vocês só se encontraram nas vezes que você foi a minha casa. Você sempre reclamou por ele pegar em seu pé. — eu começo a analisar essa informação.
Poderia a Eva também gostar do Mateus?
Não é possível! Ou é?
— Do que você se lembrou? — Jonathan pergunta.
— De nós brincando na praça quando crianças. Também de um momento em uma lanchonete e ele me sujando com maionese. Ah! E ele bagunçando meu cabelo em vários momentos. Não sei explicar, mas sinto meu coração se aquecer quando penso nesses momentos.
— Ele era namorado dela? — Jonathan pergunta.
— Não. Na verdade a Eva nunca teve namorado. Acho que ela era BV.
— Sério? — Eva diz um pouco decepcionada — Então é por isso que não devo ter subido ou descido. — ela ri.
— O que faremos? — Jonathan pergunta — Talvez ela se lembre de mais alguma coisa se vê-lo.
Penso um pouco.
Não sei como Mateus vai reagir a isso. Mas é nossa chance de fazer Eva se lembrar de mais alguma coisa.
— Vamos contar para ele...
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