Capítulo VIII
Não sei explicar ao certo, mas o sumiço da minha amiga fantasma está realmente me incomodando.
Resolvo não pensar nisso e seguir com o plano de achar a tal professora.
Abro meu notebook Intel, azul, e acesso o e-mail. Eu preciso ser sucinto, porém tem que ser o suficiente para convencê-la a me dar informações.
"Boa tarde!
Eu me chamo Jonathan e consegui o e-mail da senhora na escola estadual de Muqui. Sou estudante de Arquitetura e Urbanismo e um apreciador de boas histórias.
Atualmente estou fazendo um trabalho sobre memórias e por coincidência me mudei para cá e na casa encontrei cadernos de uma ex-aluna sua.
Gostaria muito de saber mais sobre ela, para estar colocando em meu artigo.
Sua ajuda seria imensamente importante.
Desde já, obrigada.
Aguardo seu contato..."
Cliquei em encaminhar e fui até a cozinha pegar um pouco de café, antes de voltar para o sofá.
Não demorou muito para uma resposta chegar.
"Olá!
Ficarei feliz em ajudar. Mas no momento estou trabalhando. Se não se importar, podemos nos encontrar em alguma lanchonete daí de Muqui às 20h30min.
Caso seja possível, responda este e-mail com o seu número de celular. Assim que eu chegar à lanchonete lhe envio uma mensagem.
Abraços!"
Estou realmente surpreso por ela aceitar tão naturalmente me encontrar.
Deus está ao meu favor...
Respondo com o meu número e fico aguardando a hora do encontro. Pelo visto vou ter que matar aula essa semana...
👻👻👻
A noite chegou bem rápido. A fantasminha ainda não apareceu.
Se eu ainda não estiver louco, ficarei em breve, porque acho que estou com saudades dela.
Só essa que me faltava.
Tomo um banho relaxante, me arrumo – com isso quero dizer que vesti uma calça jeans e uma camisa Polo.
Sento no sofá e fico encarando a parede. Estou realmente ansioso. O que fica ainda mais evidente quando começo a tremer minha perna direita.
— Uau! Isso tudo é entusiasmo para se livrar de mim?
Congelo por um segundo e depois volto ao normal. Nunca vou me acostumar com isso.
— Você realmente ama me assustar, não é mesmo? — Encaro a fantasma com semblante fechado, fingindo irritação.
— Você fica lindo bravo. Por isso faço isso.
Eu posso jurar que estou corando.
Ela se aproxima e encara meu rosto.
— Fiz seu coração acelerar? — Ela tem um sorriso maroto em seus lábios.
— Aiai, até parece.
Me levanto e tento me recompor.
Graças a Deus, meu celular apita.
"Oi, aqui é a Bruna.
Já cheguei à lanchonete.
Estou te esperando."
— Vamos, a professora já está nos esperando. — Percebo que a fantasma não sai do lugar — O que foi?
— Sempre que você fala dessa professora eu sinto uma pressão aqui... — Ela coloca a mão direita fechada sobre o peito.
— Isso significa que você realmente a conhecia! Vamos finalmente descobrir quem é você.
— Sim... É verdade.
— Vamos? — Eu a olho e sorrio.
— Vamos. — Ela retribui o sorriso.
👻👻👻
Pelo visto a fantasma não é tão corajosa assim. Ela desapareceu no meio do caminho. Creio que ficou com medo de quem vamos encontrar.
Olho para as mesas a procura da tal professora. Ela me enviou uma mensagem pelo WhatsApp, mas a foto de perfil dela são dois gatos, então continuo sem saber como ela é.
Ao ouvir sobre ela, pensei em uma mulher baixinha, de óculos e desengonçada. Então é o que estou procurando. Mas não vejo ninguém assim.
— Oi, por acaso você é o Jonathan...
Me viro para ver quem pôs a mão em meu braço e me deparo com uma mulher muito bonita.
Ela está usando uma calça jeans preta, rasgada nos joelhos, uma regata branca com estampa de um gato e uma jaqueta preta por cima. Esta calçando um tênis branco da Adidas e seu cabelo cacheado está pendendo em suas costas.
Não é possível que essa seja a professora...
— É você? — Ela me olha esperando uma resposta — Eu sou a Bruna. Professora de história.
— Ãh? — Volto ao normal após o baque — Ah sim, sou eu. — Me recomponho.
— Venha, vamos nos sentar. Assim podemos conversar tranquilamente.
Eu a acompanho para a última mesa da lanchonete. Uma próxima ao fim do corredor. Não tem ninguém sentado ao lado. O que me deixa um pouco aliviado. Menos pessoas saberão que sou o louco que vê fantasmas.
Ela se senta e aponta para eu me sentar à sua frente.
— E então, como posso ajudá-lo? — Ela está com os braços cruzados sobre a mesa.
— O que irei dizer a seguir pode te deixar desconfiada sobre minha sanidade, mas peço que me escute até o final.
— Estou preparada. — Ela se inclina para trás, cruzando os braços sobre o peito e encostando-se à cadeira.
— Eu me mudei para uma casa aqui no Boa Esperança. É uma casa um pouco rústica. Eu comecei a ouvir coisas estranhas e... — é melhor não dizer a verdade ainda — acabei encontrando uma foto dentro de um dos livros da biblioteca.
Percebo que ela está um pouco tensa.
Já cheguei até aqui, não posso parar agora.
— A foto é de uma menina muito bonita...
— Eva...
— Como?
— A casa onde está morando... Deve ser a que foi de Eva. — Ela me encara com olhos embargados com lágrimas. — Ela foi minha aluna. Sempre conversávamos. Até que a tragédia aconteceu.
Ouvir o nome dela me fez arrepiar. Eva. Combina perfeitamente com ela. Sinto certo aperto no peito. Não sei explicar o motivo...
— Ela era doce, mas muito solitária. Não tinha amigos, não gostava de sair como os outros adolescentes. Estava sempre com um livro em mãos. A mãe dela faleceu em um acidente de carro e o pai dela era extremamente frio. Ela só tinha uma amiga. Eu não conheci, a garota estudava em outra escola. Naquele dia fatídico ela resolveu sair para comemorar o aniversário dessa outra garota. — Bruna toma um pouco de água e respira fundo. — Ela voltou para casa sozinha... Ninguém sabe ao certo o que houve. Mas um desgraçado entrou no quarto dela e a apunhalou. — Uma lágrima escorre pelo rosto da professora. — O pai dela nem sequer nos deixou se despedir. Ninguém nem sequer sabe onde ela foi enterrada. Eu o procurei um tempo depois, mas ele se mudou. Não o julgo. Ele perdeu a esposa e a filha. — Ela enxuga as lágrimas — Eu só não consigo entender como alguém pôde fazer mal para ela. Não faz sentido...
Estou realmente destruído. Que história triste dessa menina.
— Obrigada por me contar...
— Era só isso que queria saber? — Ela diz em um tom que entrega sua vontade de ir embora o mais rápido possível.
— É sim. Obrigada! Não vou mais tomar o seu tempo. — Estendo minha mão e ela a pega.
Em seguida ela se retira. Eu a acompanho até a saída. Ela sobe em uma moto – que não consegui distinguir o modelo – e vai embora.
Eva...
Esse nome faz meu peito doer.
Eva...
Mas afinal, quem é Eva?
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Oi!
Faz tanto tempo que me sinto até envergonhada kkkk
Bem, eu não abandonei a história. Não mesmo. Jurei para eu mesma que terminaria qualquer história que começasse.
Então essa história também será concluída.
Eu não atualizei antes porque quis terminar o "Eles e Eu..." primeiro. E em seguida veio a minha perdição, que é a copa do mundo.
Sou muito apaixonada por futebol, então não poderia deixar de assistir todos os jogos.
Então, assim que a Copa acabar eu irei focar nessa história. Dito isso, não perca as atualizações!
Abraços ❤
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