Capítulo 37 - Revelando Deborah
ATENÇÃO: Este capítulo contém mais de 3K de palavras.
— Dianna, você está bem? Dianna? — A voz de Clara chegava aos meus ouvidos como um zumbido leve e distante.
Enquanto eu encarava as páginas cheias de ódio do diário de Deborah, eu tentava entender como eu tinha me metido naquela confusão. Quer dizer, as páginas daquele diário me diziam que a minha mãe e Deborah tinham sido colegas na escola e no ballet. Colegas não, rivais. Era muita coisa para assimilar de uma só vez.
— A Deborah e a minha mãe se conheceram. — expliquei, ainda me sentindo estranha por pronunciar isso em voz alta. — Ela tinha raiva e inveja da minha mãe.
— Eu meio que deduzi isso quando ela citou seu sobrenome. Será que é por isso que ela te odeia tanto?
Olhei para o diário repousado nas minhas pernas sem me preocupar em responder minha amiga, com um medo absurdo de mergulhar ainda mais nos segredos de Deborah. Por um lado, eu gostaria muito de descobrir toda a verdade para entender porque a Deborah me odeia tanto. Porém, eu ainda tenho medo de enfrentar tantas revelações de uma só vez
Senti um toque gelado em minha mão e percebi que era Clara. Ela me dava um sorriso de encorajamento que me garantia que eu não estava sozinha. Eu quase podia ouvir a sua voz em meus pensamentos "Eu sou uma tigresa, eu vou te proteger" daquele jeito animado e determinado dela.
Continuei lendo as anotações e somente quando cheguei ao dia 15 de outubro foi que eu tive certeza de que Deborah era insana e perigosa.
"Minha mãe está me levando para uma clínica psiquiátrica e garantiu que vai me visitar todos os dias. Eu estou me sentindo mal por largar o ballet e toda a minha vida, mas eu não tenho como fugir. Ela me trancou no quartou e fez questão de se certificar que eu não pularia a janela, então eu não posso fazer nada.
Estou no carro agora enquanto escrevo, odiando todos os dias os meus pais e a Rose. Eu só queria que ela morresse. Se a Rose não tivesse aparecido na minha vida, nada disso teria acontecido. Eu a odeio!
Empurrar a professora de dança e fazê-la cair da escada não era o que eu pretendia, só que ela me irritou. Aquela professorazinha de quinta não quis me deixar à frente do corpo de baile, e deu o papel principal de O Lago dos Cisnes para Rose. Eu tentei convencê-la de que eu era a sua melhor escolha, mas ela não quis me ouvir. Disse que eu era muito boa, mas não o suficiente. Disse que se eu quisesse, ela faria treinos extras comigo. Eu só sei que quanto mais ela tagarelava, mais eu tinha vontade de mata-la. A voz dela foi se tornando distante de mim, suas palavras foram se perdendo dentro da minha cabeça e um ódio tão grande me consumiu que eu senti que era sugada por uma escuridão muito maior do que eu. A única coisa de que eu me lembro, é de ouvi-la gritar.
Depois disso eu apaguei."
— Minha nossa! — exclamou Clara, terminando a leitura tão rápido quanto eu.
"Algumas alunas calouras viram quando eu a empurrei e começaram a gritar, desesperadas. Eu só lembro de ver o sangue escorrendo da cabeça da professora. Ela não morreu, mas está em estado crítico no hospital.
Meus pais dizem que vai ser bom ir para a clínica, todavia, eu sei da verdade. Eles não tiveram escolha. Eu só sei que ainda sinto raiva dentro de mim, e não sei lidar com ela. Eu precisei me controlar muito para não berrar com a minha mãe, mas a verdade é que eu só tenho vontade de socar tudo e todos.
Eu não sei por quanto tempo vou aguentar sem explodir.
A única coisa que eu sei é que a Rose ainda vai me pagar um dia.
Nem que essa seja a última coisa que eu faça."
Fechei o diário com brutalidade e saí do quarto como um foguete. Ignorei os chamados de Clara e corri, sentindo o peso de todas aquelas palavras dentro da minha cabeça. Parecia que meus ombros pesavam uma tonelada, e o meu crânio latejava.
Se a Deborah tinha empurrado alguém da escada, isso prova que ela pode ser capaz de muitas outras coisas. Ela é perigosa, como puderam liberá-la da clínica? Como?
Meus pés pararam abruptamente e eu me escorei na pilastra do primeiro andar para recuperar o fôlego. Meu estômago ficou embrulhado, e a minha cabeça girava. Eu só conseguia pensar na Deborah empurrando aquela professora da escada.
Uma outra questão começou a rondar a minha cabeça, e só o medo de pensar nisso fez a minha cabeça doer ainda mais.
Será que é possível que a Deborah tenha provocado o acidente que matou a minha mãe?
Eu sei que motoristas embriagados e imprudentes andam livremente por aí o tempo todo, e que infelizmente acidentes de trânsito são muito comuns de ocorrerem, principalmente na rodovia em que a minha mãe dirigia quando faleceu. Porém, alguma coisa dentro de mim me alertava que era coincidência demais para ser só uma coincidência.
— Dianna, você está bem? — Clara se aproximou de mim com um olhar preocupado.
— Tem uma página rasgada no diário. — Barbara informou, se aproximando de nós. — Eu acho que pode ser da noite em que a sua mãe morreu.
Só então eu entendi tudo.
— Foi você que deixou o diário na minha cama! — Agora tudo fazia sentido. A forma como a loira estava nervosa, como se tivesse feito algo ilegal.
— Como você teve acesso ao diário dela? — Clara perguntou, desconfiada.
— Eu trabalhava para a Deborah. Ela me contratou para fazer a sua vida um inferno e talvez te fazer ser expulsa do concurso. Foi eu que tranquei o Diego para que você não conseguisse fazer sua avaliação e quando fomos ao bar beber, eu pretendia embebedar vocês para que se encrencassem com o diretor, mas me senti mal. Desde então, tenho ignorado a Deborah, mas ela tem sido persistente e está com raiva de mim. Aceitei falar com ela em seu alojamento e consegui roubar seu diário pois queria que você soubesse do que ela é capaz.
— Não acredito que você nos traiu desse jeito!
— Entendo que esteja brava mas...
— A Deborah pode ter matado a minha mãe! Entende a gravidade disso?
— Eu entendo e sinto muito, mas eu realmente me importo com você. — Barbara parecia sincera. — Com vocês todos. Me arrependo do que eu fiz, de verdade.
— Será que ela ainda tem a página do diário guardada em algum lugar? — Clara perguntou, olhando diretamente para mim e ignorando Barbara.
— Só se ela fosse muito burra em guardar algo assim. — respondeu Barbara, revirando os olhos e recebendo um olhar atravessado da ruiva.
Lágrimas vieram aos meus olhos quando a possibilidade de Deborah ter matado a minha mãe finalmente foi verbalizada em voz alta. Se ela realmente tiver feito isso, eu vou fazer questão de fazê-la pagar pelo crime que cometeu. Inveja e egoísmo podem destruir uma pessoa por dentro, mas ela destruiu mais do que a si mesma.
A Deborah tinha destruído a minha família.
[...]
Semanas se passaram desde que eu descobri sobre a Deborah. Toda a vez que eu a via no corredor, com seu sorriso presunçoso e sua pose de narcisista, eu tinha vontade de gritar aos quatro ventos que ela era uma assassina. Eu sei que isso seria uma estupidez sem tamanho, mas o incômodo que aparece na boca do meu estômago toda a vez que eu a vejo é surreal, e é exatamente assim que eu me sinto agora.
Eu e a minha equipe estávamos nos alongando para o nosso teste. Todas as equipes já estavam se preparando no backstage, e os jurados conversavam entre si.
Arthur, obviamente estava entre eles, mais lindo do que nunca. Meu coração doeu ao vê-lo, pois fazia tempo que não conversávamos. As vezes eu pensava que aquela noite no hotel só havia existido na minha cabeça. O beijo tornou tudo ainda mais vívido e doloroso, pois agora nos limitávamos a nos cumprimentarmos de longe durante as aulas e trocarmos alguns olhares discretos, e isso me deixava ainda mais triste.
— Prontos para brilhar? — Marlon indagou, visivelmente mais animado do que eu e Barbara, que ainda estava meio excluída do nosso meio depois de ter confessado que ela ajudava a Deborah.
Era difícil confiar em alguém que trabalhava junto com o inimigo, então eu pedi um tempo a ela para absorver todas as descobertas e planejar como eu faria para a Deborah confessar o que fez com a minha mãe. Eu precisava de provas ou de mais alguma pista antes de agir, só que eu não sabia como fazer isso.
— Eu estou nervosa, mas pronta. — confessou a crush do Marlon, dando-lhe um sorriso que fora retribuído com muito gosto.
Quando as apresentações começaram, todos nós ficamos em silêncio. Essa, de fato, seria a apresentação mais difícil que faríamos desde que entramos no CBA. Algumas equipes foram melhores do que outras, e alguns times tiveram um desempenho péssimo. Arthur era rígido ao olhar para as apresentações, e nos números de dança e encenação, eu pude vê-lo retorcer o rosto em uma careta de desagrado quando algum bailarino tropeçava nas próprias pernas ou usava uma entonação esquisita na hora de dizer alguma coisa.
Eu tinha medo de que ele também torcesse o rosto para mim.
— Boa sorte para nós. — Diego disse assim que a nossa equipe foi anunciada.
— Boa sorte pessoal! — Eu disse, abraçando Clara e Marlon.
A minha equipe se posicionou de forma confiante no palco. Era nítido que todos nós estávamos muito nervosos, mas se tem uma coisa que sabemos bem é como esconder o nosso nervosismo.
O meu olhar cruzou com o de Arthur e a saudade invadiu mais uma vez o meu coração. No entanto, meu olhar foi atraído para o rosto de Deborah, e todos os sentimentos bons que estavam dentro de mim foram drenados. Ela me deu um sorriso cínico e pela primeira vez na vida eu tive vontade de fazer um gesto obsceno para ela.
Os primeiros acordes da música que escolhemos para a nossa apresentação começaram a tocar e eu fechei os olhos por meio segundo para poder me concentrar. Tudo fluiu naturalmente entre nós, e nossa equipe logo entrou em sintonia.
Quando a apresentação acabou, eu tive a certeza de que tínhamos ido bem.
— Nós arrasamos! — exclamou Marlon, abraçando Gabriela. Eu e Clara nos entreolhamos e demos uma risada.
— Agora temos que esperar o resultado sair. — Eu já me sentia muito apreensiva.
— Da última vez demorou um dia só. — respondeu Diego, tentando me tranquilizar.
Barbara estava parada perto de nós, mas ninguém além do trio de góticos que havia entrado no nosso grupo havia falado com ela. Marlon e Diego já estavam a par de toda a situação da Deborah e do diário, e todos sentiam ressentimento em relação a participação de Barbara em tudo o que me acontecera. Ela saiu de perto de nós com os ombros curvados e eu me senti mal.
— Essa falsa já vai tarde. — resmungou um Marlon ressentido.
— Ela parece realmente arrependida. — observei a loira sair do meu campo de visão com um aperto no peito.
— Não se engane, Dianna. A Barbara embebedou a gente no dia da boate e só não conseguiu nos prejudicar porque nossos professores interviram.
— Bom, ela poderia ter nos delatado de outra forma.
— Sim, mas eu não consigo mais confiar nela.
— Nem eu. Melhor abrir teu olho. — alertou Diego, afagando meu ombro.
Fomos caminhando até o campus da escola, e ao passarmos pelo corredor do térreo, eu parei com a cena que eu vi. Meus amigos pararam abruptamente sem entender nada.
— O que houve?
Apontei para o final do corredor, onde atrás de uma pilastra estava a Deborah conversando aos sussurros com o médico do CBA. Ele parecia exasperado e tenso, enquanto ela tinha os olhos raivosos e gesticulava muito.
— O médico Saraiva e a Deborah parecem estar discutindo.
— Esse é o médico do seu tornozelo? — Fiz que sim com a cabeça.
Deborah olhou na direção em que nós estávamos, então puxei Clara e Diego pelo braço que puxou Marlon para que pudéssemos sair dali o mais rápido possível. Eu estava em completo pavor.
Meu tornozelo ainda doía. Eu tinha feito a avaliação sem problemas porque havia tomado um remédio para dor, mas ele nunca funcionava perfeitamente, de modo que eu ainda sentia algumas fisgadas suportáveis.
— Eles estão trabalhando juntos — constatou Diego quando chegamos a uma área afastada do campus. Muitos alunos circulavam por ali para aproveitar o ar fresco.
— Gente, meu tornozelo não parou de doer. Será que ele foi pago pela Deborah para me prejudicar?
— Nós temos que ir para a polícia — Clara disse, já me puxando pelo braço. Eu estaquei no meio do caminho.
— Ficou louca? Nós não temos provas!
— Nós temos o diário dela!
— A Dianna tem razão, Clara. — Diego interveio. — A única confissão da Deborah naquele diário é em relação a professora. Ali não menciona a Dianna ou o CBA. Temos que ter provas concretas antes de fazer uma denúncia. Primeiro precisamos aproveitar que ela não sabe que nós temos o diário para reunirmos as provas que precisamos para irmos até a polícia.
— Essa mulher é perigosa. — completou Marlon, sensato. — Se agirmos de forma precipitada, é capaz de ela querer fazer algo pior com a gente. Vamos tentar não cutucar a onça com vara curta.
— Você precisa falar com o Arthur. — Clara estava morta de preocupação. — Talvez ele possa te ajudar.
— Por que o Arthur? — Diego franziu o cenho.
— Ele é o professor dela e estava meio desconfiado com a alta que o médico deu para a Dianna. — explicou a ruiva, virando-se para mim logo em seguida. — Fala que seu tornozelo ainda está doendo. Você precisa procurar um outro médico para tratar isso.
Respirei fundo e encarei minhas opções: falar com o Arthur depois de tudo o que aconteceu entre nós ou ficar quieta e tentar resolver as coisas com meus amigos.
Acho que eu ia ter que criar coragem para falar com o Arthur.
No dia seguinte, eu me levantei cedo. Clara já havia voltado e dormia feito uma pedra em sua cama. Ouvi uma gritaria do lado de fora e abri a porta, temendo que alguém tivesse invadido o CBA.
— Já saíram os resultados do teste, Pequena Rebelde! — gritou Rebeca, enquanto empurrava algumas pessoas para poder passar.
Troquei de roupa feito um foguete, escovei os dentes e prendi meus cabelos de qualquer jeito antes de deixar o quarto. O nervosismo imperava em todas as minhas ações.
Cheguei ao quadro de avisos e tive que me espremer entre os demais para poder encontrar o meu nome e o dos meus amigos nos papéis pregados ali. Soltei um suspiro aliviado ao ver que a nossa equipe tinha recebido uma boa pontuação, e que eu tinha subido de colocação no ranking de desempenho.
Alguns alunos choravam próximo a mim, e se despediam uns dos outros. Os professores tinham reprovado muito mais alunos do que da última vez, e eu me senti mal pelos que não tinham conseguido.
— É assim que se faz, baby. — Marlon se materializou do meu lado de repente. Todos da nossa equipe tinham se salvado essa semana.
Logo em seguida vieram Clara, Barbara e Diego. Eles também ficaram felizes com os resultados, mas ao contrário de Diego e Clara, Barbara saiu da frente do quadro de avisos e se dirigiu para o refeitório cabisbaixa e sozinha.
Decidi que não iria comer nada no café da manhã pois não estava com muita fome. Tomei só um Nescau no refeitório e me despedi dos meus amigos, pois precisava conversar com o Arthur sobre o que estava acontecendo. Eu confiava nele e sabia que iria me ajudar mesmo com o que acontecera entre nós.
Porém, dei de cara com ele na hora que eu saía no refeitório. Ele andava acompanhado dos outros professores e pediu para que todos nós fôssemos para o auditório, pois faríamos uma aula coletiva ministrada pela Deborah. Meu coração quase gelou com a notícia.
— Tá de brincadeira? — Marlon estava tão chocado quanto eu. Nos dirigimos até o auditório contra a nossa vontade, pois praticamente ninguém queria ter aula com a Deborah.
O auditório havia sido arrumado justamente para a aula coletiva, e contava com barras por toda a sala e um espelho enorme. Deborah estava na sala junto com Arthur e os outros professores, e eu senti medo do que viria a seguir.
Meus amigos também estavam em estado de alerta perto de mim.
— Bom dia, meus queridos. Hoje teremos uma breve aula de ballet na barra ministrada por mim. Se posicionem onde quiserem, seis alunos por barra. — Deborah tinha a mesma pose convencida e narcisista de sempre. Seus olhos brilhavam com uma malícia irritante. Fiz o que ela mandou e só depois me ocorreu que eu podia ter fingido que estava passando mal para não poder participar. O problema, é que eu poderia acabar na enfermaria junto com o doutor Saraiva, então achei melhor continuar ali mesmo.
Os primeiros trinta minutos de aula foram tranquilos e bem puxados. Se Deborah não fosse louca, ela seria uma ótima professora. Ela era exigente, e sua aula, bem criativa.
Durante os exercícios na barra, os professores ficavam transitando entre nós para observar os nossos movimentos. O ballet exigia bastante do nosso corpo e da nossa postura. Quando Arthur passou perto de mim, eu fiz um esforço absurdo para me manter concentrada, pois tinha medo de fazer algo errado impulsionada pelo nervosismo da sua presença.
Porém, quando Deborah veio para perto de mim, senti calafrios na espinha. Eu terminava de fazer uma última sequência na barra quando ela "sem querer" tropeçou nas minhas pernas e me fez cair no chão. Meu tornozelo estava um pouco dolorido e o remédio ajudava a controlar, mas quando ela praticamente chutou meus pés de forma disfarçada, senti toda a dor voltar de uma só vez.
— Di, você está bem? — Diego veio ao meu socorro ao mesmo tempo que Arthur, os outros professores e meus amigos.
— Me desculpe, eu tropecei nas suas pernas. Elas estavam um pouco tortas. — A ira se abateu sobre mim e minhas mãos se fecharam em punho ao ver o rosto cínico da Deborah. Eu sabia que ela tinha feito de propósito.
— Não estavam tortas, eu acabei de passar por ela e ela estava fazendo o exercício corretamente. — rebateu Arthur, que junto de Diego, me ajudaram a levantar.
— Meu tornozelo está doendo.
— Vou te levar até a enfermaria.
— NÃO! — gritei, e Arthur me olhou sem entender. — Quero dizer, não, eu estou bem. Vou tomar meu remédio para melhorar, não se preocupe. — Saí mancando do auditório sem ligar para quem me chamava. Eu não podia ficar mais nem um segundo ali dentro.
Arthur me interceptou assim que eu saí do auditório.
— Dianna, pode me explicar o que está acontecendo?
Arthur me conduziu até a sua sala e eu contei todas as coisas esquisitas que me aconteceram desde que cheguei ao CBA, desde a parte em que saí do alojamento durante a noite e fui perseguida. Também contei sobre a Deborah, incluindo a parte do diário e as minhas desconfianças sobre o doutor Saraiva. Não sabia se ele iria acreditar em mim, pois era mesmo muito louco tudo o que já havia me acontecido, mas eu precisava tentar.
— Eu vou te ajudar a investigar. A Deborah nunca me pareceu muito sã, mas desde que você veio para cá, parece que ela piorou. Você fez certo em me contar. Vá ver um médico fora do CBA, você precisa tratar adequadamente desse tornozelo. — Fiz que sim com a cabeça, me surpreendendo com a polidez com que Arthur tratava toda a situação.
— Tudo bem, obrigada pela ajuda.
— Vou te manter informada de tudo. Eu tenho o contato de uma de suas irmãs, talvez ela possa nos ajudar de alguma forma. Tome cuidado, Dianna. — Nós nos encaramos intensamente. Eu conseguia ver em seu olhar toda a preocupação que ele estava sentindo, mesmo que meu professor tentasse disfarçar muito bem.
— Pode deixar.
Saí de sua sala com o tornozelo doendo tanto quanto meu coração.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top