Capítulo 16 - A Entrevista (PARTE 1)
Enxuguei o suor das minhas mãos no vestido balonê que eu usava e encarei a equipe de filmagem perambular pela sala de um lado para o outro com certa apreensão. Meu coração estava acelerado e eu tinha certeza de que se alguém me chamasse, eu seria capaz de vomitar o meu cérebro para fora da cabeça.
Eu estava sentada entre Barbara e Rogerio, e os dois pareciam estar calmos e convencidos. Vez ou outra, ambos se olhavam como se fossem se matar para logo em seguida olharem para mim com o mesmo ódio instantâneo. Eu já estava incomodada o bastante para mexer minhas pernas de forma impaciente.
O sofá vermelho em que estávamos sentados era bem apertado, o que só piorava a situação, já que de vez em quando eu esbarrava meu braço em Barbara sem querer, e eu não parava de pensar em quantos minutos eu precisaria para alcançar a porta e fugir daquela entrevista.
Barbara e Rogerio se encararam com raiva mais uma vez, e eu revirei os olhos internamente quando ambos olharam para mim do mesmo jeito raivoso de antes, repetindo aquele círculo vicioso idiota.
Eu queria me matar.
Bruno se aproximou de nós com os cabelos bagunçados de um jeito bem charmoso, o que fez Barbara suspirar baixinho. Olhei para ela com o canto do olho, mas ela apenas deu de ombros.
— Primeiro o pessoal quer realizar uma mini entrevista individual com vocês. Eles irão cortar as partes mais interessantes para colocar no ar. — Assentimos para ele ao mesmo tempo, enquanto Bruno chamava Rogerio com a mão, que se levantou como se nada mais fosse importante no mundo além dele.
Eu e Barbara reviramos os olhos quase na mesma hora, o que fez com que trocássemos olhares meio tímidos. Se eu a conhecesse bem, diria que ela tinha achado tão engraçado quanto eu a forma de pensarmos a mesma coisa sobre Rogerio e que talvez aquilo pudesse significar uma trégua entre nós. Infelizmente, no instante seguinte, ela virou o rosto como uma criança briguenta, o que me fez ver que ela queria continuar alimentando essa briga idiota.
Bruno conduziu Rogerio para uma salinha onde outros cinegrafistas e uma repórter aguardavam do lado de dentro. Nós não conseguimos ver e nem ouvir o que foi perguntado, e isso encheu meu peito de aflição.
Eles demoraram mais do que o esperado ali dentro, e Barbara foi a próxima a ser chamada.
Assim como Rogerio, a loira também estava muito bem vestida, com um top rosa e uma calça de cintura alta de cor preta e um Jordan caríssimo nos pés. Rogerio também usava roupas de marca, e a espera ao seu lado foi silenciosa e estranha.
Na minha vez, o nervosismo que eu senti apenas se intensificou quando Bruno me chamou. Os outros professores não estavam presentes, pois haviam sido convocados para uma reunião de última hora, o que me deixou um pouquinho menos tensa.
Me levantei de forma menos confiante e atrevida que os outros dois participantes ao meu lado e segui Bruno a tal sala, que ficava em uma porta adjacente. Tentei me convencer de que a entrevista individual não seria tão ruim quanto à em trio, mas meu coração já tinha começado a bater ainda mais forte a medida que eu ia me acomodando em um puff branco na frente das câmeras.
Pensei no quanto meu pai, Cassandra e Lucy ficaram animados quando lhes contei que gravaria uma entrevista. Parecia que eu ainda podia ouvir os gritos histéricos de Cass e Lucy no telefone junto com um grito mais contido de meu pai.
Logo, a entrevista individual começou. Como Bruno dissera, realmente foi uma entrevista pequena. Só me fizeram quatro perguntas.
Quatro perguntas que eu não gostaria de ter respondido.
No entanto, a pior pergunta de todas foi a última. Eles perguntaram sobre a minha mãe, o acidente e em como eu me sentia não tendo uma mãe. Foi horrível, pois meus olhos marejavam sempre que eu falava dela, e não queria que as pessoas lá fora achassem que eu estava fingindo sobre tudo o que acontecera desde que o acidente a tirou de mim.
A última coisa que eu queria era que as pessoas me vissem como uma vítima. Eu respondi todas as perguntas, mas dei uma pequena travada quando a entrevistadora me fez a pergunta sobre minha mãe.
Percebi que Bruno, a entrevistadora e toda a equipe que estavam no local me lançaram olhares compreensivos quando eu saí. Aposto que eu era a única órfã de mãe estudando ali. Por um motivo desconhecido, pensar naquilo me fez sentir raiva.
Bruno e o restante da equipe me conduziu de volta para a sala do sofá vermelho. Peguei um copo de água que Bruno gentilmente me ofereceu e eu sentei em meu lugar, sentindo que meu rosto ainda estava meio vermelho.
Barbara e Rogerio não disseram nada, acho que haviam percebido que tinha algo de errado comigo.
Não demorou muito para a entrevista em trio começar, mas eu sabia que mais tarde desejaria nunca ter participado dela.
[...]
— Foi tão ruim assim? — Clara perguntou assim que eu entrei no quarto. Barbara ainda não tinha aparecido, e era evidente para ela que havia sido um desastre só pela expressão em meu rosto.
Me joguei de qualquer jeito na cama, sentindo uma vontade quase descontrolada de chorar.
— Foi horrível! — exclamei de forma exasperada, olhando para o teto. —Quando o Arthur e a Deborah virem aquela entrevista, vão querer me matar!
Clara se ajeitou melhor na cama, arregalando os olhos, provavelmente tentando imaginar o que eu tinha dito de tão ruim para estar tão desesperada.
— O que você disse, Dianna?
— Eu sou uma burra! — Dei um tapa em minha testa, me sentando na cama de forma totalmente desleixada. — Meu futuro no CBA está em jogo! Eu não devia ter deixado aquela loira oxigenada me irritar.
— Sabia que tinha dedo da Barbara nisso tudo — Clara me deu um sorriso de lado e se deitou ao meu lado na minha cama.
— Eles não vão cortar aquela parte da entrevista. Meu pai vai ficar decepcionado quando vir meu vexame na tevê!
— Dá para me falar o que disse logo, mulher?
— Eu não quero falar sobre isso. — Cobri o rosto com as mãos enquanto morria de vergonha de me lembrar do ocorrido.
— Desculpa amiga, mas estou louca para assistir essa entrevista — A voz de Clara estava repleta de curiosidade. — Sabe quando vai ao ar?
— Eles ainda não divulgaram a data da entrevista. — Eu respondi, me sentindo irritada com a reação de Clara. Eu estava apavorada, e para ela aquilo parecia não significar muita coisa.
— Não acredito que você vai me fazer esperar! Odeio ficar na curiosidade.
Suspirei, cabisbaixa, olhando para baixo.
— A Deborah vai me infernizar até eu desistir do concurso.
— Não fique assim, amiga. — Clara disse, ficando séria de repente. — Não faço ideia do que você disse, mas se a Barbara está no meio, com certeza ela mereceu. E quanto a Deborah, não se preocupe. Ela vai superar.
— Tomara.
Fiquei torcendo para acreditar no que Clara dissera, mas algo dentro de mim me dizia que não seria assim tão fácil.
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