Apaixonada ღ Capítulo 27

As coisas que mais ocupavam Sol no dia a dia eram estudar, treinar e ajudar sua vó em casa; essas coisas não poderiam ser facilmente substituídas por outras, a não ser que fosse algo de urgência. Entretanto, naquele fim de tarde, após as aulas que haviam se estendido por todo o dia, ela havia dado alguma desculpa à sua treinadora e faltado ao treino da noite para resolver algo que estava tirando sua paz.

O relógio marcava seis e vinte quando ela entrou em uma cafeteria no Bom Retiro, bairro conhecido por seus muitos comércios asiáticos e onde Yuri trabalhava no comércio dos pais. Ainda de farda, ela o esperaria chegar após ele avisar que se atrasaria um pouco, mesmo sem gostar de tal atitude.

Sua perna balançava, mostrando a ansiedade, e quando o garçom colocou um café na mesa, Sol pôde sair de seus pensamentos distantes. Sua vida estava um tumulto sem tamanho e, mesmo que algumas coisas estivessem se resolvendo, como Cecilia aceitando a gravidez e seu pai em tratamento, ainda havia coisas que a preocupavam, como o fato de ter sido rude e insensível com seu ex-namorado no passado. Sol se perguntava se não tinha sido a pessoa que errou com Yuri e feriu seus sentimentos, ao contrário do que pensava antes.

O Yuri havia marcado a vida dela de muitas formas e estava longe de ser qualquer crápula ou vilão daquele romance fracassado. Na verdade, ele tinha sido o primeiro contato que Sol teve com um menino, foi seu primeiro beijo, namorado, a pessoa que apresentou a sua família e com quem teve sua primeira relação íntima. Ele estava presente em muitas partes da sua vida. Quando ela parava para pensar, recordava-se de como se apaixonou e de como estava confusa se havia realmente o amado. Afinal, o que era o amor?

Quando a porta do local abriu e Yuri, com suas roupas largas, entrou, ela finalmente parou de pensar em mil coisas ao mesmo tempo e se concentrou no presente.

— Nossa, desculpa a demora. — Ele se sentou à mesa, já sorridente. — Odeio atrasos, vejo que chegou da escola agora!

Sol sorriu de canto e consentiu. Ela o encarou e percebeu seu cabelo maior, como se tivesse uma fórmula mágica de crescimento. Yuri não havia permanecido para a aula da tarde, como costumava fazer algumas vezes por semana, ele se recusava a estudar o dia todo.

— Sem problemas, vim direto da escola por que matei o treino da noite. Você está bem? E a Yuna está bem? — Ela perguntou, e ele a encarou.

— Hm... Estou bem e a Yuna está bem, sim. E todos na sua casa? Seu pai está bem?

Yuri e Sol iniciaram uma conversa normal, como duas pessoas que se conheciam bem.

— Fico feliz e estamos todos bem. Meu pai está há alguns meses em uma casa de reabilitação no interior e ficará saudável em breve. — Sol falou, mais calma, e ele sorriu.

Yuri realmente estava feliz pela família dela. Ele sorria sem jeito ao perceber que, não importava quanto tempo passasse, seu coração ainda estava cheio de esperanças. Sentia esperanças, afinal, após o término, Sol nunca tinha conversado com ele além do básico para uma boa convivência.

— Você está mais cordial ou aberta a conversas após nosso termino, não sei... — Ele recebeu seu café gelado, o garçom já o conhecia bem. — Por que me chamou para uma conversa? Não quero ter esperanças à toa, meu coração doerá! — Ele sorriu ao brincar.

Sol encarou as mãos sem jeito, enquanto Yuri seguia sugando seu café gelado sem pressa.

— Te chamei porque preciso conversar com você. Poderia ser sincero comigo, em consideração ao nosso tempo juntos? — Yuri consentiu. — Você se atrasou porque estava mesmo com seus pais ou hoje é seu dia com a psicóloga?

O coreano sorriu como quem tinha sido pego, mexeu no anel em seu dedo mindinho e travou o maxilar ao ser encarado.

— Me pegou. — Ele sussurrou. — Psicóloga, dia santo.

Yuri nunca faltava às suas sessões e, mesmo sem dizer o motivo a Sol, ele deixava claro que levava aquilo muito a sério.

— Por que nunca me deixou saber tudo sobre você? — Ela perguntou seriamente. — Por que nunca me deixou ver a escuridão, Yuri Kim? Não confiava de mim o suficiente, achava que eu ia te deixar?

Yuri a encarou do outro lado da mesa, e seus olhos cheios de lágrimas deixavam claro que ela já sabia de tudo. Mesmo sendo impossível ela saber, ela sabia.

— Do que está falando, Sol? — Ele perguntou, e ela arregalou os olhos. 

Sol sentiu seu olhar pesado. Seus olhos puxados a encaravam, sem nenhuma possibilidade de gracinhas ou piadas.

— Dói muito? — Sol perguntou, e ele nada falou. — Dói muito guardar tudo para si?

Ele encarou seus olhos avermelhados, prestes a chorar, e sua voz embargada. Yuri sabia do que ela estava falando.

— Doeria menos a dor só para mim do que se doesse em você também. — Ele falou, baixo, e Sol negou. — Preciso ir...

Yuri se levantou.

— Não vá, fique aqui... — Ela pediu. — Por favor.

De costas, Yuri pausou seus passos e fechou os olhos ao perceber que ainda estava completamente rendido a ela. Ele não seria capaz de ir embora se ela o pedisse para ficar.

Ele voltou a se sentar, a fazendo suspirar.

— Antes de ser sua namorada, eu fui sua amiga. Sempre deixei claro que, não importando as sombras, eu estaria lá. Você foi uma das  melhores pessoas que conheci naquele colégio, e durante o tempo que passamos juntos, eu fui verdadeiramente feliz. E, no final, eu fiquei com uma imagem errada de você, e mesmo assim, você não tentou mudá-la ou pelo menos me contar a verdade...

Yuri consentiu.

— Eu sei o que te fez ir embora naquela noite, o que te fez fugir. Me perdoe, no final das contas, eu que errei com você, falei coisas ruins e...

Ele negou, varias vezes.

— Não foi você quem errou, apenas não consegui te contar o que, de alguma forma, você já sabe. Tudo isso sempre foi tão pesado que sempre me recusei a pensar... Eu errei em não te falar sobre minhas dores, meus traumas e o quanto odeio álcool. — Ele explicou. — Mas não consegui, e te perdi mesmo te amando profundamente.

Sol fungou e enxugou o rosto.

—Me desculpa por toda a grosseria, mas não pude evitar ficar magoada. Eu fui rude e mal-educada tantas vezes, me sinto horrível. —Sol falou e ele pegou sua mão em cima da mesa.

—Tudo bem e você não é nada horrível, não sei até onde sabe, mas te contarei tudo. —Ele apertou a mão dela e sorriu. —Não se culpe, e não chore por isso!

Ela o ouvia contar tudo com mais detalhes do que os relatos de Yuna, afinal, ela deveria lembrar menos. Sol não poderia sentir na pele tudo o que eles passaram ainda crianças, mas ouvir ele falar doía.

— Então, entrei em colapso quando vi seu pai caindo de bêbado. Pensei em tudo o que ele poderia fazer, ou sei lá, surtar como meu avô. Eu senti medo de você passar por algo que passei, e fui covarde em fugir, pois sabia que não tinha forças para te proteger contra essas situações. Ainda não estou curado, e quando falei que minha família não aceitaria isso facilmente, foi por causa desse passado.

Sol estava mais calma e o ouvia falar. Eles já estavam ali há mais de uma hora e acabaram pedindo mais bebidas para compensar a longa história.

— Me desculpe por não ter contado antes, Sol. Acabei te perdendo por causa disso, mas como falei, ainda não estou curado... — Ele baixou a cabeça, e ela pegou sua mão, surpreendendo-o.

Eles se olharam fixamente.

—Hoje vejo todos os seus motivos e você não teve culpa por não suportar a pressão. Eu espero que continue firme no seu processo de cura e seus fantasmas desapareçam, eu aprendi que não é só a bebida em excesso que faz mal, nós precisamos traçar nossos limites pois tudo em excesso prejudica. —Sol explicou e ele sorriu.

Sol se levantou e foi ao seu lado, sentando-se. Ela o abraçou o mais forte que pode, deixando claro que não existiam mais magoas entre eles ou climas ruins, Sol tentou expressar que tudo aquilo estava no passado.

—Fico feliz por saber de tudo e chega de coisas rui... —Sol foi interrompida.

Yuri com as mãos ao redor do seu pescoço, a beijou antes que a mesma pudesse falar alguma coisa. Sol sentiu seus lábios colados, mas não foi algo que envolveu suas línguas ou seu coração acelerado, Sol não se esquivou e ali obteve respostas para muitas coisas.

Yuri se afastou sem jeito e Sol apenas o encarou sem nada falar, ou reclamar como faria antes.

—Desculpa, não queria me aproveitar da situação, meu coração me levou... —Ele sussurrou.

—Tá. —Ela saiu do seu lado e voltou a sentar à sua frente, do outo lado da mesa.

O silencio constrangedor foi obvio e quando Sol estava prestes a comunicar que ia embora, Yuri a chamou.

— Sabe, Sol, eu não gosto de términos, sejam em quais relações forem. Quando terminamos, eu jurei não gostar de mais ninguém, pois doeu demais. Até dediquei uma música do Bangtan a nós, chamada "Love Is Not Over". Ela diz basicamente que o amor é tão doloroso, e as despedidas são ainda mais dolorosas... — Ele sorriu.

Sol não sabia muito bem o que falar, mas ser sincera seria o começo.

— Doeu em mim também Yuri, doeu muito, e achei que meu coração iria partir de verdade. Ver você após as férias me doeu ainda mais, como se seu sorriso me machucasse, tudo porque eu gostei de verdade de você.

Yuri sorriu, ouvindo aquilo. Foi a conversa mais sincera que eles tiveram em muito tempo.

— Vamos voltar, Sol. Vamos tentar mais uma vez... — Ele sussurrou, apoiando os cotovelos na mesa, esperançoso. — Não precisamos voltar de onde paramos, basta recomeçar. Eu prometo me esforçar em todas as questões e não esconderei mais minhas partes sombrias.

Ela sentia seu coração calmo ao ouvir tudo aquilo, não estava ansiosa ou triste.

— Yuri, não podemos voltar. — Ela sussurrou. — Por favor, não cultive esperanças.

— Por que, Sol? Nossa, o que é tão complicado? — Ele falou em um tom mais alto.

Sol respirou fundo, inquieta, confessando pela primeira vez em voz alta o que se passava em seu coração.

— Eu estou apaixonada por outra pessoa, Yuri. Muito apaixonada, de verdade.— Ela também falou alto, no mesmo tom que ele. — Tenho sentimentos reais por outra pessoa, e são profundos como a Fossa das Marianas.

Sol citou o que eles aprenderam em sua aula do dia anterior: a Fossa das Marianas é o local mais profundo dos oceanos.

Yuri murchou os ombros e se perguntou como isso aconteceu, já que nunca a tinha visto com ninguém. Ele não era do tipo que ficaria em cima dela ou tentaria fazer algo para que ela esquecesse outra pessoa, mas aquilo foi um choque.

— Não sabia... — Ele sorriu, friamente. — Isso é... bem profundo.

— Nem eu sabia, talvez tenha me dado conta há pouco tempo, e querendo ou não, preciso encarar meus sentimentos e me resolver com isso. Jamais quero magoar você com falsas esperanças, porque você é uma pessoa incrível. Quero que todo aquele clima ruim entre nós acabe. Quero que, se possível, possamos ter uma relação de amigos ou colegas de classe, mas, se também não quiser isso, irei respeitar.

Yuri consentiu, bufou e sorriu.

— Tudo bem, fico feliz que tudo entre nós esteja bem e que saiba de tudo para não guardar mágoas de mim. Desejo que seja feliz com essa pessoa...

A mudança de humor dele foi clara, e ele se preparava para ir embora. Quando se levantou, pediu:

— Eu já vou agora. Pode me deixar pagar?

Ela consentiu.

— Obrigada. — Sol sussurrou, e ele a cumprimentou com uma reverência, como um bom coreano sempre fazia.

Sol permaneceu sentada à mesa, sentindo-se uma megera que parte corações. Mas o que estava feito não podia ser desfeito, e ela precisava, além do mais, raciocinar sobre ter se apaixonado por uma pessoa que provavelmente não sentia o mesmo por ela, pelo menos era o que ela achava.

Ela abriu a rede social mais ativa de Vicente e viu sua nova publicação ao lado de sua vizinha Cibele, que estava passeando pelo Brasil. Sol tentava achar vestígios no olhar do garoto que deixassem claro sua paixão pela vizinha. A foto, onde eles se abraçavam e outra onde eles se encarando, havia sido tirada por outra pessoa e aquilo a deixava com raiva.

— Hoje discutimos por você achar que minha conversa com Yuri seria uma má ideia, e no mesmo dia você posta fotos com a pessoa que disse gostar por anos sem esconder um olhar apaixonado. Não parece estar se importando com nossa discussão, nem sequer mandou uma mensagem. Menino frio e sem noção... — Sol bloqueou a tela do celular e deixou uma lágrima cair. — Eu sou uma burra e irei parar de gostar de você, seu cubo de gelo.

A menina, inconformada, deitou a cabeça na mesa, e de longe o garçom a olhava confuso.

Sol e Vicente tiveram sua primeira discussão mais cedo, quando ela contou a situação e como se sentia a respeito do que soubera de Yuri. Ela explicou sobre ter chamado Yuri para uma conversa, e Vicente se opôs a isso, afirmando ser uma ideia ruim, pois Yuri teria segundas intenções assim que ela se desculpasse,  e ela percebeu que no fim das contas ele tinha razão. Eles discordaram firmemente a respeito de Sol dever desculpas ao ex-namorado, e frases como "não seja ingênua, isso é desnecessário" e "não seja criança, isso é o mínimo" foram ditas até o final da ligação.

Eles não haviam trocado mais mensagens desde então, e Sol chegou a algumas conclusões:

Ela estava apaixonada por alguém que sequer conhecia pessoalmente, logo que ficar sem falar com Vicente era ruim, como se faltasse algo, e ela precisava se livrar daqueles sentimentos de alguma forma antes que se tornassem maiores.

—E foi assim que conheci o Vicente. —Sol suspirou, encarando o jardim da sua vó.

Nicole respirou fundo e sorriu para a sobrinha, e Sofia consentiu.

Após o jantar e as atividades que buscou ajuda da tia, Nicole, que já percebia diversas mudanças em Sol, resolveu tocar no assunto. De maneira sincera, Sol contou à tia e deu muitos motivos para que Nicole não se preocupasse. De fato, ao ouvir tudo que Sol contou, ela não estava tão preocupada com a índole do Vicente, e sim com os sentimentos da sobrinha.

—Sua mãe já sabe? —Nicole perguntou.

Sol negou.

—Qual é, tia, ela ficaria montando fanfics de como o Vicente poderia ser um criminoso e se preocuparia além do que precisa. Afinal, é só uma amizade e ele mora longe. —Sol explicou.

Nicole consentiu e buscou palavras de consolo.

—Eu acho que você deveria contar a ele seus sentimentos. —Sofia falou. —Sei lá, ele é tão gentil.

Sol bufou e consentiu.

—Ele é gentil, atencioso e também um cubo de gelo humano. Mas, não quero perder sua amizade. A partir do momento que eu falar que me apaixonei, sendo que nunca nem nos vimos, isso irá assustá-lo e eu perderei sua amizade. —Sol explicou. —Ele me anima, fala coisas bonitas, não sente pena de nada que já passei. Eu nem consigo mais parar de pensar nele, a música que estava ouvindo quando conversamos pela primeira vez não posso ouvir sem pensar nele, e hoje o Yuri me beijou e não senti nada por ele.

Nicole ouvia tudo com atenção, e Sofia arregalou os olhos ao saber do beijo.

—Olha, eu acho linda a forma como você fala dele e, de fato, ele parece ser uma pessoa ótima, sem dúvidas. É impossível eu saber de tudo, mas saber que um menino tão inteligente e bonito ganhou seu coração, me deixa feliz. De fato, vocês se conheceram de uma forma nada convencional, mas coisas acontecem... —Nicole sorriu. —Escuta, não podemos escolher por quem nos apaixonamos, mas podemos escolher quem não queremos perder.

Sofia encarou a irmã pensativa e, mesmo gostando tanto do Yuri, sabia que Sol estava diferente dessa vez.

—O que eu faço, tia? —Sol perguntou.

Nicole abraçou seus ombros e suspirou, no fundo feliz por sua sobrinha ser leal com seus sentimentos.

—Qual sua opinião, Sosô? —Nicole perguntou a Sofia.

Sol sorriu quando Sofia colocou a mão no queixo, buscando uma opinião. Sofia era muito esperta e observadora.

—Nos filmes, quando alguém precisa tomar uma decisão, viaja para uma casa longe para pensar e depois volta com a decisão.

A menina mais nova havia chegado a um ponto importante, e Nicole levantou o polegar para ela.

—Eu deveria fugir? —Sol perguntou.

Nicole negou, e Sofia estapeou a própria testa.

—Precisa pensar. Estamos no final de maio e você precisa da sua mente limpa para dar o seu melhor na competição. Junte isso ao fato de escolher se abre seu coração para ele ou preserva a amizade de vocês. Amanhã é sábado, durma até mais tarde e acorde com a cabeça mais fria. Essa decisão é apenas sua, raio de Sol...

Sol consentiu.

—Certo, acho que entendi.

Não era tão fácil como falar, seus sentimentos aconteceram de forma repentina não pareciam ser fáceis de acabar. Sol precisava ser racional, ela gostava da sua amizade com Vicente e gostaria de preservá-la por muito tempo, e para isso acontecer não funcionaria com crises de ciúme ao vê-lo com outra pessoa.

De frente para uma praia linda, Sol recebia o vento quente na face e aquele cheiro do mar a deixava de bom humor. As águas mornas batiam em seus pés, e ela sorriu, aquela atmosfera era de fato muito melhor do que imaginara algum dia.

Pessoas passeavam com seus cachorros pela área, e crianças brincavam correndo atrás de seus pais. Foi ali mesmo que ela o viu vindo em sua direção, acompanhado de seu cachorro com uma coleira verde neon, como se quisesse ser visto.

Vicente era mais alto do que ela imaginava, seus cabelos eram menos volumosos do que nas fotos, e em suas mãos ele segurava potes de sorvete.

—Seu sorvete de quinze reais, como prometi meses atrás. Achou que eu não iria pagar? —Vicente entregou o pote redondo em suas mãos, e ela sorriu.

—Como me encontrou aqui? —Ela perguntou, e ele pegou sua mão, a levando para uma parte mais seca da areia.

Sol estava sorridente, e seu coração vibrava como um louco. Eles sentaram juntos na areia da praia e encararam o mar.

—Você disse que estaria molhando os pés, amor. Sempre te encontrarei... —Ele falou, piscando para ela. —Quero provar o seu.

Sol colocou um pouco de sorvete em sua boca e viu a expressão de surpresa dele, como se tivesse amado.

—Não é delicioso? —Sol perguntou, limpando a boca dele.

Vicente sorriu, pegou sua mão e a beijou.

—Senti muito sua falta, sabia? Eu odeio quando brigamos... —Vicente fez uma cara de choro, e ela sorriu.

Sol deitou a cabeça em seu ombro e afirmou que estava tudo bem agora. Tudo sempre ficava bem desde que estivessem juntos.

Em um pulo, Sol acordou na rede. Havia cochilado enquanto aproveitava a tarde de sábado sem fazer nada, ela logo arrumou os cabelos bagunçados e percebeu que o sol ainda estava por lá. Ela esfregou os olhos, lamentando que até em seus sonhos Vicente estivesse presente.

—Droga, que sonho bom. —Sol voltou a deitar na rede e a balançou. —Ainda são quatro da tarde...

Ela percebeu que ele não havia entrado em contato mesmo após o dia está indo embora, nem postado nada em canto nenhum. Estava sumido de tudo que podia, e aquilo a irritava.

—Talvez eu deva ligar e pedir desculpas por ter o chamado de infantil e paranoico. —Ela falou sozinha. —Mas ele me chamou de ingênua e irracional.

Sol sabia que em uma discussão alguém deveria dar o primeiro passo, quebrar o orgulho e pedir desculpas. Ela foi direto nas ligações, procurou o nome dele, e ligou de imediato.

A ligação chamou muito e uma voz feminina atendeu, o que a fez desligar achando que havia ligado errado.

—Ué, eu liguei certo.

Sol ligou mais uma vez e a mesma pessoa atendeu.

—Vicente?

A pessoa negou.

—Oi, ele está capotado aqui na cama, ele esta dormindo ... —A pessoa cochichou. —Quer deixar algum recado?

Sol estava chocada, não parecia a voz da sua mãe. Era uma menina, com ele e provavelmente dormindo com ele.

—Ah, não. Tudo bem, não é nada importante! —Sem jeito, Sol negou. —Pode deixá-lo dormir, obrigada.

—Certo, de nada. —A menina respondeu e desligou a ligação.

O som da voz feminina do outro lado da linha ecoava em sua mente, repetindo-se como um lamento incessante. O coração de Sol estava pesado, como se um peso invisível tivesse se instalado no fundo de seu peito. Não que Vicente precisasse dar satisfação ou algo do tipo, mas ela estava decepcionada, estava em completa desvantagem em relação a outras pessoas ao lado dele.

—O Yuri gosta de mim, e eu gosto do Vicente, mas o Vicente gosta de outra pessoa. —Ela sorriu, tentando prender o choro. —Sem finais felizes por aqui, ótimo.

Ela sabia que precisava tomar uma decisão o quanto antes, antes que seu coração fosse realmente partido sem ao menos um culpado. A vida parecia ser uma vadia sem coração, de fato.

S2

Gente que confusão é essa?

A música do Yuri para a Sol aqui:

https://youtu.be/cQQ-8Nw4jeU

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