Quase poemas soltos

Poema torto

Eu não sei fazer rima,

Sei os conceitos de métricas

Sílabas fonéticas

Não aplico nada disso à prática

O que eu sinto

O que eu penso

Eu escrevo

Apenas

E isso me basta.

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Poesia

Na segunda nublada

Ou no domingo de mormaço

No canto do sabiá laranjeira

Que canta sem parar no quintal ao lado

No frescor das sombras das árvores

Onde me sento pra descansar

No barulho das ondas

Quebrando suaves na praia

No clarão do sol quando amanhece

Ou no colorido do céu

Antes de anoitecer

Todo meu coração se aquece

Quando só poesia

Eu consigo ver

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sem métrica, sem nome, sem rima

A lua era cheia

o céu estrelado

as ruas tranquilas

o ar perfumado pelas flores noturnas

O amor era raro

o silêncio era paz

os passos lentos

a vida rápida demais

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multidão

A multidão segue apressada

pessoas sem rosto

cada qual com suas dores

e desgostos

cada um com suas alegrias

às vezes contidas

num mundo de amor

o ódio fala mais alto

os olhos - espelhos d'alma

globos opacos

na multidão sem rosto

talvez haja algum brilho

escondido por lentes escuras

talvez alguém ouse sonhar

talvez alguém ouse brilhar.

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Estátua

A estátua de Tiradentes me fita

com olhos que não consigo ver

Olho para ele, aflita

tentando encontrar respostas

para perguntas que não sei fazer.

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Estrada

Acabo de descobrir

Gosto mais da estrada

que do destino

Do lugar que se vai chegar

Gosto mais da estrada

que do conforto de hotel

da pressa do avião

Gosto mais da estrada

das casas, das árvores,

das vidas que passam

A mudança de paisagem

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Sonho-hoje

Hoje me vesti de sonho

levantei e não penteei os cabelos

saí pelas ruas com a cara amassada

e o sorriso no rosto

decidi sonhar

com os olhos abertos

e a caminhar

Eu, hoje

me vesti de sonho

e alegria

vesti meu melhor sorriso

e não me importei

com as pequenices

as mesquinharias

esqueci de fingir

ser normal

botei a cara na rua

de frente pro sol

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Nos muros

Uma palavra.

Uma frase.

deixada num muro, numa parede, um portão

um canto qualquer da cidade

escrita de um jeito legível

com um spray de alguma cor

dando esperança ao sonhador

a um poeta que passa

poesia na paisagem fria

alento para dias cinza.

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Homenagem ao Clube

A canção já dizia

Os casarões e as cruzes

Pela janela se via

E os homens ainda meninos

Sonhavam na esquina

E a esperança invadia

As casas, as ruas, as almas

Todas as vidas

Olhando da janela

Os pássaros voando

Pousando nas cruzes

Descansando o voo

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Homenagem ao Clube 2

Ouvi a canção ainda menina

Gostei do que ouvi

Mas não entendia

Cresci com os sonhos tantos

Lembrei que eles não envelhecem

Os homens daquela canção

Não disseram que adormecem

Adormeceram meus sonhos

E o sono me dizia da estrada

Era preciso tão logo pegá-la

A juventude é viagem ligeira

Tão de repente passa

Deixando somente a poeira

Num dia qualquer acordei

E a canção tocava alto

Lembrei de acordar os sonhos

Por de novo o pé na estrada

Os cabelos brancos

Ficaram verdes

Pra entoar a canção

Dançando livre na rua

Esquecendo a escuridão

Buscando respostas nas nuvens

Fazendo crescer emoção

Os sonhos não envelhecem

Já me dizia a canção

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Quase poema sem nome

para me conhecer

preciso me ver longe

de lá

de cá

distante de tudo o que sou

de tudo o que me cerca

só então, me encontro

me perco

e outras tantas vezes

me encontro

saio de mim

do meu lugar

saio do comum

pra poder voltar

e num eterno ciclo

me perco

me encontro

cresço

me encontro

me perco

amanheço

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