17: Primeiro encontro

Oi, gente a margarida sumida apareceu hahaha

Bom, meu amigo RafaVerso tava com saudade de QI, e eu não sou nem doida de deixar a pessoa sedenta por uma história em plena pandemia 😂😂😂

Hoje o capítulo vai trazer aquilo que estávamos esperando desde o primeiro dia 🔥

Anabel se despediu de seus amigos, e seguiu para a pista de skate da cidade, que, na verdade, ficava bem longe da lanchonete. Mas ainda era cedo, e ela estava acostumada a andar pela cidade sozinha. Desde o incidente em que caiu no choro na frente de todo mundo, nunca mais parou de trocar mensagens com Renan.

No início, ele se sentia culpado pelo que aconteceu, como se tivesse sido um tipo de gatilho para o seu colapso emocional. Mas depois, no dia em que acompanhou Susana e ela até em casa, os dois conversaram bastante sentados na calçada, em frente ao seu portão, logo que a irmã entrou.

Anabel estava muito mais calma depois do pequeno ritual que realizaram, e teve a oportunidade de jogar todo o seu charme pra cima dele, o que ela nem precisava de esforço para fazer, pois era natural pra ela.

— Eu não estou chateada com você — disse ela, assim que Susana fechou o portão — quer dizer, eu sinto muito por ter sujado a sua roupa. Mas... você sabe. Não é nada pessoal.

— Eu também não fiquei chateado — respondeu Renan, com as mãos nos bolsos.

— Se você quiser, a gente pode tomar um sorvete qualquer dia, por minha conta. Pra compensar eu ter feito você andar por aí com a roupa suja o dia todo, e tal.

Renan riu, constrangido, e Bel, mesmo no escuro, notou que suas bochechas coraram.

— Seria legal — respondeu, olhando pros sapatos. Uma pausa relativamente longa se fez, e Anabel estava prestes a se despedir, quando ele falou: — Ou a gente pode andar de skate qualquer dia. A Lia disse que você curte.

— É. É divertido assistir as pessoas que realmente sabem como andar — brincou ela, e riu de mesma, da forma mais graciosa.

— Não tenho seu telefone — ele constatou — pra gente combinar de sair — explicou, sem jeito.

— Ah, é mesmo. Posso anotar pra você — ofereceu Bel, estendendo a mão para que ele lhe entregasse seu celular. Renan tirou do bolso, desbloqueou a tela e passou para ela. Bel clicou no ícone do telefone, digitou seu número, e salvou, sob o nome de “Bel”, para deixar bem claro que os dois eram próximos agora. — Eu adoro esse desenho — comentou ela, se referindo ao papel de parede da tela de bloqueio dele.

— Sério? Ninguém realmente gosta desse desenho!

— Talvez eu seja uma aberração, então.

— Se tem uma coisa que você não é, Anabel, é uma aberração.

Bel sorriu, meiga, e agradeceu. Mas fez questão de lembrar que ainda assim ela continuava gostando do tal desenho. E foi assim que uma longa conversa se desenrolou entre eles, sobre os melhores momentos do desenho, sobre assuntos que o desenho abordava, e outros relacionados, sobre filmes, e esse tipo de coisa.

A conversa se estendeu tanto, que por fim os dois estavam sentados na calçada, discutindo calorosamente, e rindo. Eventualmente, Anabel tocava o braço dele, ou mexia no cabelo, descontraída.
Desse dia em diante, os dois trocavam mensagens às vezes, comentando sobre o novo episódio do desenho favorito deles que tinha sido liberado, ou sobre uma música incrível da banda que os dois amavam, ou sobre o dever de casa que era difícil demais.

Bel era péssima em matemática, e, como era de se esperar, Renan era ótimo. Em razão disso, de tempos em tempos ela pedia ajuda para ele em alguma questão impossível, ou coisa assim. Na verdade, era loucura pensar que esse tempo todo haviam inúmeros assuntos que ela poderia abordar com ele, e nunca o tinha feito por vergonha.

Enfim. De todo modo, foi assim que os dois acabaram na pista de skate naquele sábado à noite. Não tinham tido muitos encontros presenciais depois que ficaram amigos, apenas na escola e por mensagens, então, aquele meio que era que um evento importante.

A ideia inicial era andarem de skate, mas, como Anabel não se considerava assim tão boa, e não queria passar vergonha no seu primeiro encontro de verdade com o menino de quem gostava há quatro anos, muito menos ficar sentada sozinha num canto enquanto ele dava seu show solo, sugeriu que os dois andassem de patins, ao invés, porque patins eram como primos do skate.

Assim, Renan ainda poderia fazer algo que gostava, ou, pelo menos, algo próximo, Anabel poderia ficar em sua zona de conforto, e os dois poderiam andar juntos, ao mesmo tempo. Era uma ideia genial.

Da esquina Bel pôde ver Renan andando de skate sozinho na pista. Ela desacelerou o passo, para poder observá-lo um pouco mais antes que ele notasse a sua presença. E ele era mesmo tão bom quanto Lia tinha descrito. Na verdade, era como ver uma pessoa totalmente diferente, confiante, segura, que tinha total controle sobre a situação.

Bel se apaixonou um pouquinho mais por ele ao conhecer esse outro lado, e se perguntou quantas coisas mais não conhecia sobre ele. Ao chegar, não quis interrompê-lo, então se sentou em um banco, e continuou assistindo a performance dele. Assim que a viu, Renan saltou pra fora do skate, agarrou-o, e foi em direção a ela.

— Oi, você chegou — cumprimentou ele, nervosamente, porém com um pequeno sorriso despontando.

— É. Você esperou muito?

— Sim, e não. Sim porque eu cheguei bem mais cedo, e não porque foi de propósito. Aproveitei pra treinar um pouco.

— Ah.

— Mas e aí, como foi seu dia?

Bel relatou sobre a chegada do seu primo, e como todos acabaram reunidos na lanchonete por acaso.

— Teria sido legal se você estivesse também — ela disse, por fim, abrindo o zíper na mochila e tirando dois pares de patins de dentro — Não sei se o da Susana vai servir em você — continuou, em seguida, sem deixar espaço para a interpretação da frase anterior — mas se serve de consolo, talvez o meu não sirva também. Faz uns anos que não ando.

Renan tirou o tênis, mega constrangido, e calçou seu par de patins. Estava, de fato, um pouco apertado, mas nem tanto. Devia dar pro gasto. Bel fez a mesma coisa, e suas meias brancas estavam limpíssimas, o que só fez Renan sentir ainda mais vergonha. As suas não estavam imundas, nem nada, mas mostrar suas meias pra alguém era algo muito pessoal.

Especialmente alguém cujas meias poderiam ter acabado de sair da lavadora. De certo modo, ele sentia como se ela tivesse visto sua cueca, ao invés de um simples par de meias. Anabel calçou seus patins, e imediatamente se pôs de pé, experimentando o ajuste.

— Vai servir — concluiu ela.

Renan se pôs de pé também. Quão difícil poderia ser aquilo, já que ele já tinha uma boa noção de equilíbrio sobre rodinhas? Foi o que ele pensou, logo antes de despencar pra frente e ser amparado por Anabel.

— Ops — murmurou ele, como uma espécie de pedido de desculpa.

— Tá. Aparentemente você não tem um talento natural com outros tipos de rodinhas — brincou ela — então vamos começar pelo básico. Você consegue se firmar de pé?

— Acho que sim.

— Deixa eu te mostrar — ela se distanciou um pouco dele e fez uma pequena demonstração de como deslizar — o movimento dos pés é assim — disse, voltando para perto dele.

Renan tentou imitá-la, mas quase caiu de novo. Anabel não se aguentou e riu dele, mas não muito, pois não queria constrangê-lo.

— Vem cá — ela chamou, estendendo os braços para que ele se apoiasse nela. Renan a segurou firmemente pelos pulsos, e ela também fechou os dedos em torno dos pulsos dele, deslizando suavemente para trás, arrastando-o.

Os dois andaram assim por um tempo, até que ele entendeu mais ou menos o que deveria fazer, e soltou um dos braços dela. Anabel deu meia volta e os dois ficaram lado-a-lado, ainda se apoiando por um dos braços.

Depois de algumas quase quedas, até Renan começou a rir de si mesmo, e as coisas começaram a ficar menos tensas entre eles. Bel contou para Renan sobre como ela e Susana costumavam andar de patins o tempo todo quando eram crianças, e que a irmã sempre gostou de aventuras e procurou encrenca, arrastando-a junto, e ela, por sua vez, arrastava Lia.

Contou para ele da primeira vez que calçou patins na vida, e saiu desgovernada rua abaixo, caindo numa pilha gigante de entulho. Susana fez xixi nas calças de tanto rir dela, e Lia, que nem tinha tido coragem de colocar seus patins, saiu correndo e gritando a mãe delas, que na época, ainda era viva.

Renan também contou para ela de quando tinha ganhado seu primeiro skate, no seu aniversário de seis anos. Tinha sido um presente do pai, o último antes dele sumir da vida dele, do irmão, e da mãe deles para sempre. O clima começou a ficar meio pesado com essa história toda de pais indo embora e morrendo, então Anabel decidiu que era hora de jogar um pouco de charme.

Se soltou de Renan e patinou em direção ao meio da pista, rodopiando em volta de si mesma, e fazendo algumas acrobacias. Não que isso fosse necessário, já que Renan já estava caído por ela há muito tempo.

Renan não era diferente de qualquer outro ser humano. Não era imune aos encantos de Anabel, e reparava nela havia um bom tempo. Até aquele momento, ele não gostava dela do mesmo jeito que ela gostava dele, e, principalmente, não por tanto tempo. Mas ele não era cego, nem idiota. Sabia tão bem quanto qualquer outra pessoa no colégio deles o quanto Anabel era linda e cativante.

Era só que... Até aquele momento, ele nunca tinha se permitido pensar nela assim, porque, o que uma menina como ela veria num cara como ele? E, talvez, ele não estivesse pronto antes para ver alguém com esses olhos.

Contudo, tudo mudou quando ela caiu em prantos na lanchonete. Pela primeira vez ele enxergou Anabel como uma pessoa real, palpável, ao seu alcance. Assim como Anabel mais cedo viu pela primeira vez a versão confiante de Renan, naquele dia Renan viu pela primeira vez a versão vulnerável da Bel, que não tinha tudo sob controle.

Ele não sabia ainda, não de forma consciente, mas foi exatamente ao ver esse lado que ele começou a se apaixonar de verdade por ela. Pela Anabel real, que também tinha problemas e dúvidas, e não apenas pela versão super-humana criada pela escola. Ele não sabia ainda, mas gostava dela muito mais do que acreditara até então.

Renan reparou na silhueta dançante dela. Alguns fios de cabelo haviam de soltado de seu coque, e pequenas gotículas de suor brilhavam em sua pele de ébano. Ela parecia tão cheia de vida, como se essa energia boa fluísse dentro dela e emanasse ao seu redor. E ela ficava tão linda quando estava simplesmente vivendo, concentrada em seus próprios pensamentos! A presença dela enchia o lugar.

Bel concluiu sua coreografia e se aproximou dele de volta, com a respiração acelerada, mas com um lindo sorriso estampado em seu rosto afogueado.

— Já fazia um tempo que eu não... — começou ela, mas Renan não conseguiu se conter à sua visão, e interrompeu-a com um beijo intenso.

Os dois se abraçaram carinhosamente, mas, durante o processo, ao se mexerem, Renan acabou se desequilibrando, e os dois caíram, um por cima do outro. Os dois riram um pouco, ainda com os lábios colados, porém logo voltaram a se beijar. Nenhum deles acreditava no que estava acontecendo. Renan porque ainda não sabia o que ela tinha visto nele, e Bel porque tinha esperado quatro anos para viver esse momento.

Bel tirou o boné dele, e jogou a alguns passos de distância, e ele soltou com uma das mãos o nó que prendia o cabelo dela, fazendo com que suas madeixas caíssem sobre o rosto dele, numa espessa cortina negra como a noite. O beijo dos dois começou meio desajeitado, com a aba do boné batendo na testa de Anabel, e os narizes deles se encontrando de um jeito estranho, mas depois foram pegando o ritmo da coisa. Bel segurava o rosto dele ternamente com uma das mãos, acariciando de leve sua bochecha, e ele ainda tinha os braços em volta dela, num abraço que só ficava cada vez mais apertado.

Nosso casal (inventem um nome de shipp legal pra Renan e Anabel) finalmente aconteceeeeu ❤️

Ok, as coisas nesse livro são intensas. Eu não sou nem obrigada a esperar 20 anos por um shipp, me desculpem.

Finalmente alguma coisa deu certo nessa história 😂😂😂

Obrigada por chegarem até aqui 💗

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