Capítulo 5 - O Clube da Luta

5

ENTREI NA CASA DO MIKE. NÃO É UMA casa luxuosa, pelo contrário, é bem simples. Eu não sei o que eu esperava, mas certamente não esperava alguns homens sentados relaxados no sofá, tomando cerveja. Acho que esperava ver vários homens se espancando com rostos deformados.

Mas não há nada demais, parece uma noite entre amigos.

Me encolhi quando todos os olhares se voltaram pra mim. Thomas me deu um belisquinho no ombro, como um aviso mudo para que eu fizesse o que ele mandou.

—Ah, então o O'brian tem uma garota! —um homem ruivo disse— Isso é raro, ele costuma só ter qualquer uma por uma noite.

Um cara que estava ao lado dele o deu um soco no ombro, como um aviso. Apenas franzi as sobrancelhas e o homem com o cabelo ruivo susurrou um pedido de desculpas baixo.

—Bom, —Mike começou, aparecendo de repente ao lado de Thomas— vamos para o porão, sim? A festa já começou.

Olhei confusa para Thomas. Ele sorriu de canto para mim e tirou o braço dos meus ombros, acendendo um cigarro. Depois começou a seguir Mike até os fundos da casa, fui atrás deles.

E assim que Mike abriu a porta do porão e nos deu passagem descermos as escadas, e eu me deparei com um ambiente um pouco escuro, iluminado apenas por uma lâmpada fraca. Há um círculo de homens sem camisa gritando palavras de apoio para uma briga que eu não consigo ver. Thomas me puxou pela mão até o círculo e foi abrindo espaço entre eles. Quando chegamos na frente, consegui ver a briga.

Ok, ver o filme "Clube da luta" com o lindo do Brad Pitt mais novo é uma coisa, até porque eu não aguentava ver as cenas de luta do filme -o que é bem contraditório-. Mas agora, assistir ao vivo e a cores uma luta, é bem assombroso.

Virei o rosto para não precisar ver aquela cena. Acho que é demais pra mim. Ouvi quando o homem debaixo deu um soco três vezes no chão, todos berraram em comemoração pelo fim da luta, inclusive Thomas. Obviamente o cara que estava por cima ganhou.

Tomei coragem para olhar novamente a cena. O de cima ajudou a levantar o cara caído, que apesar de estar com o rosto meio deformado, está sorrindo.

Como diabos essas pessoas conseguem fazer isso?

Ele se cumprimentaram e voltaram para a roda. Eles realmente não vão tratar esses machucados?

Alguns homens saíram da roda e foram para outros cantos do porão, pegar cerveja ou apenas se sentar.

Thomas chamou minha atenção tirando a camisa preta. Ele aproveitou e jogou o cigarro inacabado no chão, pisando em cima dele para apagá-lo. Arregalei os olhos quando ele me entregou a blusa e lutei com todas as forças para não encarar.

—O que você está fazendo?! —exclamei confusa, segurando sua blusa com as duas mãos.

—Daqui a pouco vai ser minha vez de lutar. Não precisa ficar tão nervosa, coisa inglesa. Eu sei que meu corpo é irresistível. —ele se gabou, colocando as mãos na cintura e fazendo uma pose engraçada. Soltei uma gargalhada.

Caramba, eu fiz isso de novo! E nossa, é muito bom gargalhar para variar.

Ele se afastou dizendo que ia conversar algo com o Mike e me pediu para não fazer nenhuma besteira.

Eu não acredito que ele me deixou sozinha aqui!

Fiquei apenas parada olhando ao redor, sem saber ao certo o que fazer.

Um garoto -sim, garoto, ele não parece ser muito mais velho que Thomas- se aproximou de mim e me ofereceu uma cerveja. Neguei rapidamente.

—Esse lugar definitivamente não é pra você. —ele começou, tomando um gole da sua cerveja.

—Desculpe?

—Eu te vi desviando o olhar da luta. —ele comentou rindo— Eu não entendo o que uma garota como você está fazendo aqui. E definitivamente não é de Benkeler. Eu chuto... Londres?

O encarei assustada. Como esse garoto sabe tanto apenas me observando por alguns minutos? Será que eu perdi o sotaque americano?

Ele riu da minha expressão.

—Eu estou brincando, eu te vi na escola, estudamos juntos, mas eu estou um ano na frente. —ele comentou, me fazendo respirar aliviada.

—Por favor, não conte para ninguém, eu não sei forçar um sotaque americano.

Ele gargalhou.

—Relaxa, seu segredo está guardado comigo. Todos temos segredos, não é? Prazer, me chamo Charles Campbell. —o moreno me estendeu a mão, apertei com a intenção de falar meu nome— E você é a Ally Carter. —o encarei confusa— Você faz sucesso lá na escola, foi assunto por muito tempo. Sabe como é, cidade pequena. É raro algum aluno novo lá. —ele disse dando de ombros, bebendo mais um gole da sua cerveja.

Começamos uma conversa banal e ele me levou para perto de uns outros caras, me apresentando. Conversei com eles forçando meu melhor sotaque americano. Eles são legais.

Eles se distraíram em uma conversa até um dos caras, se eu não me engano que se chama Tobby, segurar meu braço e me puxar para outro canto.

—O que você está fazendo? —perguntei com os olhos arregalados.

—Desculpe. —ele soltou meu braço— Eu te achei muito bonita.

Meu coração acelerou pela vergonha.

Hãm... Obrigada.

Ele riu.

—Posso te dar um beijo? —perguntou.

Tossi um pouco pela surpresa.

—Acho que não... —falei desconfortável, tentando me esquivar dele. Ele entrou no meu caminho e segurou levemente meus ombros.

—Prometo que não vai se arrepender.

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele me interrompeu com um beijo. Arregalei os olhos surpresa e o empurrei. Ele está com o rosto um pouco corado e se desculpou baixo. O gosto de cerveja me deixou enjoada.

—Me larga por favor! —exclamei, fazendo com que ele soltasse meus ombros.

Eu não entendo o que aconteceu exatamente, só senti o cara sendo pego bruscamente, o forçando a me soltar. Foi um movimento tão brusco que eu teria caído no chão, se Charles não tivesse me segurado.

—Você está bem? —ele perguntou. Assenti rapidamente.

Me recompus e percebi uma cena não muito agradável; Thomas está exatamente do mesmo jeito que estavam os dois caras quando eu entrei aqui: Por cima do Tobby, socando-o. Pode ter sido impressão, mas eu vi sangue voando. As pessoas ao redor começaram a apoiar a luta.

—Thomas, para! —falei me aproximando. Ele nem me olhou, só continuou socando o homem já inconsciente— Thomas! —gritei, segurando os ombros dele. Ele parou automaticamente e enrijeceu a postura. Quando ele se virou para mim, percebi que está ofegante e com o rosto sujo de sangue. Soltei seus ombros e ele se virou de novo para o cara, cuspindo no rosto dele, e depois se levantou.

As pessoas começaram a gritar de excitação pela "luta".

—Esse cara foi doido de mexer com a garota do O'brian, Tobby sabe muito bem que ninguém perde pra ele. —um homem comentou entre os murmúrios, mas não consegui ver seu rosto.

Thomas me puxou pela mão. Eu não consigo ver seu rosto, apenas seus ombros largos e definidos. Ele está com os músculos tensos e ainda está sujo de sangue. Ainda bem que ele é canhoto, não estou nem um pouco afim de segurar a mão que ele soca as pessoas. Ele me puxou com sua mão direita.

Fui levada -arrastada- até a porta do porão, onde Mike me olha como se estivesse me repreendendo.

—Você não pode interromper uma luta, terá que pagar cinquenta dólares.

—O quê?! —exclamei soltando bruscamente a mão do Thomas— Ele estava quase matando o cara!

Mike me olhou com o cenho franzido. Não entendi o porquê. Depois olhou para Thomas, que continua ofegante. Ele não vai falar nada?

—Ela é britânica? —Mike falou raivoso com Thomas. Meu coração acelerou. Eu esqueci completamente do sotaque.

—Mike, aquela briga já estava acabada, ela só me tirou de lá antes que eu matasse o cara. —ele falou. A sua voz está arrastada a baixa, o deixando assustador— E sim, ela é britânica. Porra Mike, para com essa birra infantil, ela não tem culpa que sua esposa britânica te meteu um par de chifres. Depois a gente se acerta. —dito isso Thomas me puxou para fora da casa. Algumas pessoas tentaram falar com ele no caminho, mas ele apenas ignorou e empurrou outras pessoas.

Ele abriu a porta bruscamente e me puxou até sua caminhonete. Ele abriu a porta para mim e deu a volta no carro, entrando no banco do passeiro.

—Vai ficar aí na porta ou vai entrar na porra do carro?

Ignorei seu tom raivoso e apenas entrei no carro, batendo a porta em seguida.

Fiquei olhando pra frente com os braços cruzados. Caramba, eu estou com raiva. Estou com raiva do homem por ter me agarrado. Do Thomas por ter exagerado. Do Mike por ter me culpado. Até de mim mesma estou com raiva.

Ficamos em silêncio por um tempo. Respirei fundo me acalmando.

—Tho–

—Me desculpe. —Thomas me interrompeu. Olhei para ele assustada— Eu não deveria ter te deixado sozinha naquele lugar. Porra... —Thomas falou, encostando a cabeça no volante, batendo fracamente algumas vezes— Eu só faço merda.

Arregalei os olhos, percebendo o que estava passando pela cabeça dele.

Segurei um ombro seu.

—Thomas, não... —o puxei de volta delicadamente. Ele me olhou— Relaxa, já passou.

Ele está muito alterado.

Ele assentiu.

Consigo ver sangue seco no seu rosto.

—Caramba, você está horrível. —me afastei dele e fui até minha bolsa, pegando meu pacote de lenço umidecido que eu carrego comigo. Tirei um e comecei a limpar o rosto dele.

Ele não para de me encarar e eu tenho certeza de que estou corada. Evito ao máximo olhar nos seus olhos enquanto limpo as manchas de sangue.

—Por que você faz isso? —ele perguntou de repente, enquanto limpo suas bochechas.

Hm? —perguntei, sem parar de passar o lenço.

—Continua me tratando bem?

Paralisei com sua pergunta. Ele parece muito vulnerável agora.

Isso é inconsciente. Olhei nos seus olhos mas me arrependi no mesmo segundo, a vergonha tomou conta de mim. Só aí percebi o quanto estamos próximos. Pigarreei e voltei a limpar seu rosto.

—E-eu não sei. —droga, péssimo momento para gaguejar— A-acho que já está bom, vamos em um posto para você se limpar melhor. —me afastei e guardei o lenço sujo dentro de um saquinho plástico na minha bolsa.

Aproveitei e tirei a blusa dele que eu tinha guardado lá e o entreguei, sem o olhar. Ele vestiu e ligou o carro, saindo da rua do perdeu.

Ele começou dirigir. Ficamos em silêncio o caminho todo. A raiva foi substituída por vergonha. Ele parou em frente a um posto e me pediu para entrar na loja de conveniência.

Observei o local e dei boa noite para o atendente. Ele largou o celular e me deu um sorriso, perguntando o que eu iria querer. Apenas disse que estou esperando uma pessoa mas já já vamos pedir, ele me disse para ficar a vontade.

Sorri de canto.

Bom, ele é bem bonito.

Assim que pensei nisso lembrei do Thomas ofegante e sem camisa, meu sorriso alargou.

Apesar de não ser muito definido, ele tem um corpo assustadoramente lindo.

Espera, o quê?!

Me apavorei pelo meu próprio pensamento e fiquei séria no mesmo momento. Me sentei em uma mesa qualquer, corada.

Respirei fundo, afastando esses pensamentos sobre o ruivo.

Senti uma mão no meu cabelo. Olhei para cima e vi Thomas sorrindo para mim, já com o rosto limpo. Cheguei para o lado e se sentou junto comigo na cadeira vermelha acolchoada. Estamos no banco do canto, ao lado da janela, onde consigo ver pessoas abastecendo os carros.

—Então, o que vai querer? —ele perguntou, jogando o celular e as chaves em cima da mesa.

Pensei um pouco.

—Não sei, pode escolher.

O estabelecimento todo está vazio, ocupado apenas por mim, Thomas e o atendente bonito.

Thomas ficou me encarando por algum tempo.

—O que ele estava fazendo com você? —Thomas perguntou, se referindo ao Tobby— Eu pedi para você não arrumar problemas.

Suspirei.

—Bom, eu estava esperando você, já que você decidiu me deixar sozinha. —falei com um pouco de raiva, ele arregalou levemente os olhos— Um garoto da escola se aproximou puxando assunto, o Charles. Você deve o conhecer, ele é do décimo segundo, junto com Érick. —a expressão de Thomas mudou completamente, para uma expressão raivosa.

—Fica longe desse cara. —Thomas rosnou.

—O que? Por quê?

—Ele não é confiável. Não deveria sair confiando nas pessoas assim.

—Assim como eu confiei em você para me levar para um lugar estranho, onde as pessoas ficam se batendo, numa rua onde tem assaltos e o dono é policial? —retruquei.

Ele trincou os dentes.

—Você não o conhece. —respondeu com raiva.

—Você poderia ser só um pouco legal. Eu que decido o que é a pessoa é ou não. E não é como se fôssemos começar uma amizade, ele só estava sendo gentil.

Ele soltou uma risada sem humor.

—Não seja estúpida. Você não está em um conto de fadas ou em um filme clichê. Isso é a vida real, Ally.

O encarei perplexa.

—Sério, Thomas?

—Você vai para um lugar em que homens ficam se batendo e confia no primeiro rosto que é gentil? Pelo amor de Deus! Ainda chegou beijando alguém! Ally, qual é o sentido? Achei que você fosse diferente... —ele soltou uma rosada com escárnio.

Fiquei sem reação no primeiro momento. Eu não faço ideia de onde ele quer chegar com isso.

—Então a culpa é minha? —perguntei, com a voz trêmula.

Ele soltou uma risada sem humor.

Fiquei o encarando perplexa. É impossível que esse seja o mesmo Thomas que estava se desculpando comigo no carro.

—Certo. —perguntei minha bolsa na mesa— Sai. —falei para Thomas me dar espaço para passar, para sair do banco.

—O quê? —ele me olhou, confuso.

—Sai da minha frente. —rosnei com raiva.

Ele franziu a sobrancelhas e levantou do banco. Saí daquele lugar e fui em direção a porta.

—Aonde você vai? —Thomas perguntou, segurando meu braço.

Ri sem humor.

—Você acha que depois disso eu vou ficar aqui com você? Vai se ferrar, Thomas. —soltei meu braço bruscamente e saí pela porta.

Não passou nem um minuto e eu ouvi o sino da porta novamente, indicando que alguém saiu.

—Me deixa te levar pelo menos! —ele gritou da porta.

Me virei para trás com lágrimas nos olhos.

—Eu cansei de ser gentil com você, O'brian. —eu disse com a voz trêmula, já sinto lágrimas escorrendo— Eu não tenho nada a ver com seus problemas. Tudo tem um limite. Inclusive minha paciência.

Dito isso saí andando, quase correndo, até um ponto de ônibus, iluminado apenas por um poste. Pedi um táxi, que não demorou muito para chegar. Entrei e respirei fundo, limpando as lágrimas. Paguei a corrida e entrei em casa, me sentindo mais calma.

Bom, não durou muito.

Assim que eu entrei, vi o sofá caído e um vaso quebrado. Meu pai está sentado de costas para mim no chão em frente aos cacos de vidro do vaso, balbuciando coisas incompreensíveis. Fiquei imóvel. Olhei em volta da sala e encontrei Ann em um canto abraçando os joelhos enquanto chora. Cheguei silenciosamente perto dela e me abaixei, a pegando no colo. Ela nem abriu os olhos. Saí com cuidado de casa e fechei a porta devagar.

Coloquei Ann no chão e me ajoelhei na sua frente.

—Ann. —a chamei, tirando as mãozinhas dela que cobrem o próprio rosto— Ann, está tudo bem. É a Allyzinha.

Ela me olhou chorosa e me abraçou. Respirei fundo, contendo as lágrimas. A noite não poderia ficar melhor.

tudo bem meu amor. Vem, vamos para outro lugar, ok? Vamos deixar o papai ficar tranquilo. Enquanto isso, me fale o que ele fez, sim? —disse a pegando no colo. Ela assentiu com a cabeça em meu ombro.

Comecei a andar sem rumo enquanto Ann fala o que papai fez. Ela contou que alguém ligou para ele e virou o sofá, enquanto ela estava jantando. Depois ele a mandou se levantar e ela foi correndo pro canto da sala. Ele quebrou o vaso e ficou falando sozinho.

Continuei andando sem rumo, enquanto a conforto. Acabei parando na frente da escola e soltei um suspiro, ligando para Rose.

Oi, amiga! Por que está ligando tão tarde assim?

—Rose, pode me fazer um favor? —perguntei fechando os olhos fortemente, a vergonha tomando conta de mim.

Claro amiga, pode falar.

—Será que eu posso dormir na sua casa hoje? Não posso ficar em casa. —perguntei.

Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

—Você se importa se eu não falar por agora? Estou na frente da escola.

Claro amiga, vou falar com Josh, vamos aí te buscar. Você está bem? Está sozinha? —ela falou e eu consegui ouvir sua agitação, ela está andando pela casa.

—Estou bem, estou com Ann. Por favor, não demorem, no caminho te explico.

.

.

.

Rose foi muito gentil em me deixar dormir na casa dela. Foi bem legal, conheci seus pais, e percebi que sua mãe é doidinha como ela. No sábado bem cedo eu e Ann fomos embora, eu dei uma desculpa esfarrapada para Rose falando que tinha tido uma infiltração e eu tinha que dormir fora.

Quando voltamos para casa no sábado, o sofá estava no lugar e os cacos de vidro não estavam mais no chão, porém a casa está vazia.

Sábado papai trabalha o dia todo. Suspirei.

Hoje Ann foi novamente para casa de Teté brincar com a filha dela.

Talvez tenha sido melhor assim. Ela nem parece se lembrar de ontem a noite. Papai me mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem e aonde passei a noite. Ele deve saber que eu levei Ann embora. Ele ficou mais aliviado e pediu desculpas.

Tudo bem, papai... É sempre assim.

Caminhei pelo parque com meu sorvete na mão.

—Ally! —escutei ele me chamando.

Não fiz questão de parar, só continuei meu caminho.

—Ally! —ele chamou de novo, dessa vez segurando delicadamente minha mão. Parei e olhei deu rosto— Me desculpe por ontem.

Olhei seu rosto. Para ser sincera, ele não parece arrependido. Olhei para trás dele e vi Érick nos encarando um pouco mais de longe. Me soltei bruscamente da sua mão e saí andando.

Sim, eu aprendi sobre perdão. Eu aprendi que devemos perdoar as pessoas. Mas, eu também aprendi a perdoar quem se arrependeu.

Thomas não está nem um pouco arrependido.

Ele me chamou mais algumas vezes mas eu ignorei, apenas saindo do parque.

No caminho de volta para casa, esbarrei com Charles. Ele usa uma blusa de mangas longas e uma calça azul marinho, e também está com uma touca.

Ele é assustadoramente bonito.

Mas um alarme soou na minha cabeça, me lembrando de quando Thomas me disse para tomar cuidado com ele.

Apesar de tudo, eu tenho certeza de que ele não falaria isso atoa. No fim, eu nem perguntei qual era seu problema com o Charles.

—Ally! Caramba, ontem o O'brian te arrastou pra fora, nem consegui falar com você. —ele comentou, guardando o celular que estava mexendo segundos atrás— Foi mal pelo Tobby, ele não age assim sempre. Ele estava bêbado.

—Você não precisa pedir desculpas, não foi sua culpa. E bom, estou aqui agora, pode falar.

—Certo. —ele colocou as mãos nos bolsos traseiros— Queria saber se você não está afim de sair para algum lugar comigo, te achei bem legal.

Como é a maneira mais educada de recusar?

Sorri com o quão irônica essa situação pode ser. O motivo pelo qual Thomas brigou comigo, está me chamando pra sair.

—Isso é um sim? —ele perguntou, vendo meu sorriso. Arregalei os olhos, ficando séria no mesmo segundo.

—Desculpe Charles, é que eu não tenho interesse... —comecei, tentando não ser rude.

—O que? Eu não estou te chamando para um encontro, só quero saber se você não está afim de sair, você é uma boa companhia.

Senti a vergonha me invadir. Caramba, eu não posso achar que as pessoas estão afim de mim só porque me pedem para sair. Encolhi os ombros.

—Tudo bem se não quiser. —ele disse dando de ombros. Ele realmente não parece se importar com isso.

—Para ser sincera, eu realmente não quero agora. Mas eu posso te dar meu número. —falei sem pensar. Eu não queria deixar ele chateado, apesar de parecer que ele realmente não se importa.

—Claro, eu adoraria. —ele sorriu.

Trocamos nossos números e conversamos mais um pouco, porém ele disse que tinha que ir embora para ajudar o irmão em algo.

Ele passou por mim e se foi. Quando me virei para trás, vi Thomas apoiado no portão do parque fumando um cigarro, ele está me olhando. Ficamos nos encarando por algum tempo, longe o suficiente para nem nos ouvirmos.

Ele me lançou um olhar que não consegui decifrar, depois fez uma cara de descaso. Jogou seu cigarro no chão e o apagou com o pé, saindo em seguida.

Acho que ele não gostou nem um pouco que eu estivesse conversando com Charles.

Sinceramente? Eu não me importo.

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