Capítulo 2 - Sumiço
2
APÓS O FINAL DE SEMANA ENTEDIANTE, voltei para a escola. Estaria tudo normal, se não fosse o fato de que Thomas havia simplesmente sumido. Depois daquele dia, ele não voltou para a escola, e já fazem duas longas semanas. Questionei Erick, que simplesmente disse que é normal que isso aconteça, mas que daqui a pouco ele volta.
Acontece que ele disse isso na primeira semana. Quando estávamos no meio da segunda semana, Erick falou que começou a achar estranho o sumiço do amigo, porque até então ele só sumia por alguns poucos dias.
Porém, menos de um dia depois, ele estava com a expressão mais tranquila, eu tenho certeza de que ele sabe aonde Thomas está. Questionei ele, mas ele respeita demais a privacidade das pessoas. Ele simplesmente responde que o Thomas não gosta que falem sobre a vida dele. De qualquer forma, eu respeito isso melhor do que ninguém.
No caminho para o portão da escola, após o fim das aulas, Rosemary parou na minha frente de repente, me assustando. Parei bruscamente e ela colocou as mãos nos joelhos enquanto se curva, respirando fortemente. Caramba, ela está sem fôlego. Por que será que ela veio correndo?
—Minha nossa, você anda muito rápido. —ela disse ainda ofegante, mas voltou para a posição normal em seguida.
Ela ficou me olhando em silêncio. Esperei que ela dissesse algo, mas ela ficou quieta.
—Então...? —a encorajei. Ela pareceu acordar.
—Oh, certo. —ela disse arregalando levemente os olhos— Hoje a noite abrirá a balada da The player. —ela disse animada— Você está afim de ir?
—O que é The player?
Ela arregalou os olhos e parece que estava pronta para falar algo indignado, mas se conteve.
—Esqueci que você não é daqui. A The player é simplesmente a melhor balada da cidade! —ela disse dando pulinhos— Ano passado eles não abriram por conta de uma reforma que estavam fazendo, mas hoje a noite eles vão abrir de novo, e a entrada será de graça! Nós temos que ir, por favor! —ela disse pegando minhas mãos.
—Tudo bem, podemos ir. —eu disse simplesmente.
Ela arregalou os olhos.
—O quê? Fácil assim? —ela perguntou soltando minhas mãos.
—Sim, oras. Eu gosto de sair de casa. —disse dando de ombros.
—Nossa, eu não sei o que fazer agora, as pessoas costumam sempre recusar meus convites, mas as convenço ameaçando contar algum podre delas. —ela disse pensativa— Bom, ainda bem que você aceitou, já que não sei nenhum podre sobre você. —ela disse se dirigindo para o meu lado, passando o braço por cima dos meus ombros— Você precisa se abrir mais, mulher!
Corei. Saímos da escola e continuamos andando até a rua que nos separamos para irmos para nossas casas.
—Beijos, Rose. —disse a abraçando. Ela não retribuiu o abraço, e quando a olhei, ela fez uma cara estranha.
—Por que está se despedindo de mim? —ela perguntou com uma careta.
—Bom, já chegamos na sua esquina...
—Eu vou me arrumar na sua casa. —ela disse como se fosse óbvio. A encarei surpresa.
—Eu realmente não me lembro de ter feito essa convite.
Ela deu de ombros.
—Você não fez, eu me convidei. Vamos? —ela perguntou.
Apesar de estar receosa, assenti. É a primeira vez que uma amiga minha vai na minha casa. Isso é estranho, mas bom.
Fomos conversando o caminho inteiro até lá.
—Aliás, onde está o Erick? —perguntei, já perto da minha casa.
—Ele foi embora mais cedo, estava passando mal.
—Caramba, eu não sabia. Ele está bem? —perguntei preocupada.
—Acho que sim, ele dá dessas as vezes.
Apenas concordei. Assim que entrei em casa, vi meu pai no sofá vendo televisão e respirei fundo de alívio. Estava com medo dele estar com raiva... Se bem que nesses dias ele parece bem melhor. Espero que dure.
—P-pai... —o chamei, receosa. Ele me olhou e sorriu.
—Oi, filha! Como você...
Ele se perdeu na frase ao ver Rose entrando. Logo após, franziu o cenho.
—Oi, tio! Você deve ser o pai da Ally. Quer dizer, você com certeza é o pai da Ally, ela te chamou de pai. E vocês são muito parecidos, minha nossa! —ela disse tudo isso enquanto dava um aperto de mãos animado em meu pai, mexendo o braço freneticamente.
Fechei a porta atrás de mim, a vendo soltar a mão do meu pai com um grande sorriso. Ele continua com o cenho franzido.
—Pai, essa é–
—Rosemary, melhor amiga da Ally. Mas pode me chamar apenas de Rose. É um prazer. —me interrompeu.
Sorri ao reparar que ela me considera uma melhor amiga. Isso é tão fofo.
—Ah, minha nossa! Ally nunca trouxe uma amiga para dentro de casa, fico feliz! —ele disse animado, enquanto se levanta—Me chamo James, mas pode me chamar de–
—Tio Jay! —Rose falou o interrompendo— Tudo certo.
Meu pai me olhou com o cenho franzido. Fiz um gesto negativo com a cabeça enquanto rio, também sem entender.
—Nossa, como você é animada. —ele sorriu— Fico feliz que minha filha tenha arranjando uma boa amiga. —ele disse por fim.
—Sim, e essa ótima amiga quer pedir para o senhor deixar que eu a leve em uma festinha, será possível?
Meu pai me olhou surpreso.
—Fico feliz que minha filha saia de casa, pode ir. Só não volte tarde, por favor esteja em casa no máximo à uma e não beba, tudo bem? —meu pai perguntou, afirmei.
Ele pegou a carteira dele e me deu cem dólares.
—Obrigada tio Jay, você é o melhor! —ela disse me pegando pelo braço e me puxando para o corredor— Qual é sua porta? —ela perguntou olhando para as duas portas no corredor. Apontei para a porta do lado direito. Ela entrou sem hesitar. Percebi que o quarto está escuro. Rose acendeu a luz e Ann acordou assustada.
Ela nos olhou confusa.
—Quem é essa, Allyzinha? —ela perguntou coçando um dos olhinhos e com a outra mão apontou para a Rose.
Rose nos olhou com os olhos arregalados.
—Vocês são idênticas.
Dei de ombros.
—Ann, essa é Rosemary. Rose, essa é Ann, minha irmã mais nova.
Ann olhou para Rose e sorriu.
—Seu cabeio é lindu! —ela disse.
—Own meu Deus! —ela disse chegando perto de Ann e a abraçando. Ann sorriu e passou os bracinhos pelos pescoço de Rose, que a pegou no colo, a tirando da minha cama— Ela é tão fofa! —Rose disse.
—Bigada. —Ann disse sorrindo— Allyzinha, a tia Rose vai domi com azente?
Rose me olhou, parece que vai explodir de fofura.
—Hoje não, meu amor. Tia Rose não vai dormir aqui.
—Aaah. —ela fez carinha emburrada, cruzando os bracinhos.
—Na próxima tia Rose dorme aqui, tá bom? —Rosemary disse dando um beijo da bochecha gordinha da minha irmã. Ela sorriu e Rose a colocou no chão.
Ela foi correndo para a sala. Aproveitei para trancar a porta do meu quarto.
—Ally, como você teve coragem de esconder essa fofura por tanto tempo? —perguntou, pondo sua mochila na minha cama.
Ri, dando de ombros.
—Bom, mas vamos ao que interessa. Nos arrumar! —Rosemary disse empolgada— Eu vou tomando banho enquanto você escolhe uma roupa para você.
—Você trouxe alguma roupa? —perguntei franzindo o cenho.
—Óbvio. —ela disse, tirando uma muda de roupas da mochila. Arqueei as sobrancelhas.
—E se eu não tivesse aceitado? —perguntei enquanto a vi abrindo a porta do meu banheiro. Após ela reparar que é realmente ali, ela me olhou.
—Eu teria te convencido de qualquer jeito. —ela disse dando de ombros, fechando a porta do banheiro.
Tirei meus sapatos e minhas meias, os colocando no canto do quarto.
Mandei uma mensagem para Erick perguntando se ele já está melhor. Após isso deixei o celular no carregador e fui procurar um vestido.
Decidi usar um vestido preto de alcinhas, que é apertadinho e fica acima do meu joelho.
Acho que está bom. Pequei um sapato bonitinho, combinado com a cor do meu vestido. Esperei Rose sair do banheiro. Assim que o fez, meu queixo caiu.
Ela colocou um vestido de alças também, só que ele é completamente brilhoso. Ela segura uma bolsa de mão prata e um salto não muito grande também prata.
Ela deu uma voltinha sorrindo.
—Gostou?
—Você está maravilhosa! —eu disse, observando sua roupa— Não tenho nada extraordinário assim para vestir... —falei, olhando para a minha roupa dobrada em cima da cama.
Ela desdobrou o vestido e esticou na cama.
—É bonito e fofo, combina com você. Mas eu posso ajudar.
Ela foi até sua mochila e pegou alguns acessórios de prata.
—Eu ia colocar junto com minha roupa, mas não ficou muito legal. Vai ficar mais bonita na sua.
Olhei. Até que eu gostei também.
—Não ficou nada mal. —disse, olhando para os acessórios.
—Eu sei, ficou ótimo! —ela disse com empolgação e um sorriso gigante— Agora entra naquele banheiro. —ela enrolou a roupa de qualquer jeito e praticamente jogou em mim para eu segurar, depois me puxou pelo braço e foi meu empurrando até o banheiro.
—Ai, ai, calma! —disse quando ela me empurrou de vez para dentro do banheiro e fechou a porta.
—E vê se não demora! —ela gritou do outro lado.
Revirei os olhos sorrindo. Deixei as roupas no cabideiro de parede. Pus o vestido jo gancho e fui tomar uma ducha rápida.
Não lavei meus cabelos castanhos claros para não atrasar, e eu já lavei ontem. Saí do banho já vestida e fui até o meu quarto novamente.
—Uau. —foi tudo que Rose disse assim que me viu saindo do banheiro.
—Gostou? —perguntei a imitando, dando uma voltinha. Ela bateu palminhas animada.
—Você está di-vi-na! —falou entre sílabas— Perfeita! Agora vamos para a maquiagem.
Ela me pegou pelo braço e me arrastou até minha cadeira na escrivaninha. Depois pegou sua mochila e tirou uma necesserie. Ela tirou de lá algumas coisas para começar.
Ela ficou algum tempo fazendo uma maquiagem em mim. Depois que terminou, guardou a coisas e me conduziu até o espelho grande do meu quarto.
Sorri com o resultado.
Ela fez uma maquiagem prateada com o côncavo marcado por uma sombra preta. Até cílios postiços ela colocou em mim!
Observei o resultado contente. Ela começou a pentear meus cabelos e passou um pouco de óleo nas pontas, deixando-o completamente solto. Por fim, me ajudou a colocar os acessórios.
—Linda e fofa. Combina com você. —ela disse pondo as mãos nos meus ombros, enquanto eu me observo no espelho. A agradeci— Que nada! Agora vamos para a diversão! —ela disse animada, pegando sua bolsa de mão. Peguei uma bolsa marrom de franja e coloquei um gloss, minha carteira com identidade e os cem dólares que meu pai me deu. Antes de colocar o celular na bolsa verifiquei se Erick já tinha respondido.
Ele me disse que estava melhor e que tem alguns problemas com imunidade baixa, por isso passou meio mal. Respondi dizendo que estou feliz dele estar melhor.
Após confirmar que Erick está bem, guardei meu celular.
—Erick está melhor. —falei para a Rose, que está destrancando a porta do meu quarto.
—Que bom! Não precisa se preocupar com o Erickzinho, ele é assim mesmo. Vamos?
—Vamos.
Me despedi do meu pai e da Ann. Rose prometeu para Ann que voltaria algum dia para dormir aqui e nós três poderíamos fazer a noite das meninas. Ela sorriu e concordou. Saímos de casa.
—Afinal, onde isso fica? —perguntei, guardado as chaves de casa.
—Não fica muito longe, nossa cidade é pequena. —ela disse, dando de ombros— Vamos com meu namorado. —ela disse digitando algo no celular.
—Ah, esse é o famoso irmão do Erick, não é? —perguntei, lembrando que Rose sempre comenta algo sobre ele.
—Sim. Ele é um pouco tímido, então não o leve a mal, tudo bem?
—Claro. Eu o entendo. Ele e Erick são parecidos nisso, então. —Rose concordou enquanto ainda digita no celular.
Após terminar de digitar, guardou o celular na bolsa.
—Estou tão ansiosa! Eu e Josh íamos para lá sempre, mas como já disse fecharam para reformar.
—Ah Rose, não quero ficar de vela lá. —falei. Não quero ficar lá sozinha.
—Relaxa, amiga. Apesar de tímido o Josh é gente boa, você não ficará desconfortável com ele. Nós vamos arrumar alguém para nossa amiga solteira. —ela disse piscando pra mim. Revirei os olhos.
Ficamos mais um tempo conversando e finalmente um carro verde escuro parou na nossa frente. Um homem alto —até demais— e com cabelos negros saiu do carro com um sorriso tímido, sem mostrar os dentes. Ele está com uma calça jeans preta e uma blusa vermelha escura. Lembrei automaticamente do Thomas. Vermelho combina com ele.
—Amor! —Rose disse se jogando nos braços de Josh. Ele sorriu. Acho que esse sorriso é feito só pra ela, afinal. Eles deram um selinho.
Josh veio na minha direção e estendeu sua mão.
—Prazer, me chamo Josh, sou o namorado da Rose irmão do Erick. —apertamos as mãos— Você deve ser a Ally que ele tanto fala.
Arregalei os olhos.
—O-o quê? —perguntei assutada.
Josh olhou para Rose. Não vi a expressão que ele fez, mas Rose também parece assustada.
—É porque é você uma das primeiras amigas dele, depois de mim. —Rose se prontificou, chegando perto de Josh e o puxando para trás dela— Agora, vamos? Estou doida para dançar até me acabar!
Deixei o assunto pra lá. Apesar de ter ficado curiosa, não fiz perguntas.
Josh sorriu. Fomos em direção ao seu carro. Ele abriu a porta da frente para Rose e a porta de trás pra mim.
—Obrigada! —eu e Rose dissemos ao mesmo tempo. Ele deu um sorriso mínimo e deu a volta no carro, entrando no banco do motorista.
Assim que entramos, percebi que Josh susurrou no ouvido de Rosa algo como "você está linda". Ela sorriu minimamente e agradeceu, corada. Eles deram mais um selinho antes de começarmos a ir para a tal balada.
Conversamos o caminho inteiro. Rose tem razão, Josh é bem tímido, ele apenas falou uma palavra ou outra durante o percurso.
Ele estacionou em frente a um lugar lotado na entrada. Arregalei os olhos observando aquela fila.
—Rose, não tem como ficarmos nisso, está lotado!
Ela riu.
—Relaxa, Allyzinha. —ela disse, imitando o apelido da minha irmã— Eu sou amiga do segurança, já combinei minha entrada com ele. —ela disse, se preparando para sair.
Josh saiu rapidamente do carro e abriu nossas portas.
—Obrigada, amor. —Rose disse. Agradeci também.
Fomos até a entrada. As pessoas conversam animadas na fila.
—Rose! —um homem alto, forte, careca e de pele escura disse— Que bom que veio. Pode me dar o comprovante? —ele pediu, pegando uma caneta no bolso do terno.
—E aí, Carl? —ela disse sorridente— Está aqui. -ela entregou um papel para ele. Ele assinou o papel.
—Divirtam-se! —ele disse, liberando nossa entrada.
Nós três entramos. Percebi a grande pista, com luzes coloridas e piscantes. Tem um DJ em uma pequena cabine de música, ele parece animado e de vez em quando fala algumas coisas no microfone. Diferente do lado de fora, o lado de dentro está mais vazio, mas não deixa de estar cheio. Nos fundos, há algumas mesas e um balcão, acredito que ali seja o bar. Tem apenas dois barmans servindo as pessoas.
Rose segurou minha mão e a de Josh e nos puxou para o bar.
—Eu estava tão ansiosa por isso! —ela disse se sentando em uma das cadeirinhas do balcão. Josh se sentou de um lado dela e eu me sentei de outro, a deixando no meio. Coloquei minha bolsa em cima do balcão, assim como Rose. Ela pediu dois drinks para ela e para o Josh, e como sabe que eu não posso beber, pediu um refrigerante para mim.
Me pergunto como Rose pode beber aqui sendo menor de idade, mas decidi não questionar.
Eles começaram a conversar sobre alguma coisa enquanto eu olho redor. Arregalei os olhos quando reparei no ruivo de costas, a umas duas cadeiras do nosso lado. Pedi licença para a Rose, para ser sincera nem sei se ela me ouviu. Chegando mais perto, percebi que ele está conversando com uma garota. Revirei os olhos e cutuquei seu ombro.
Ele se virou assustado para mim.
—Ah, é só você. —ele falou. Senti bem forte o cheiro de álcool. A voz arrastada só confirma que ele já está bem bêbado— O que eu te falei sobre você não ficar me seguindo? —ele falou embolado, colocando uma mão do meu ombro. Tirei a mão dele bruscamente do meu ombro e comecei a reparar no seu rosto. Arregalei os olhos.
—O que aconteceu com você?! —perguntei, passando a mão por várias cascas de machucado no seu rosto. Ele revirou os olhos e deu um tapa fraco na minha mão, a afastando. Depois ele se virou para a loira que ele estava conversando anteriormente.
—Vaza. —foi tudo o que ele disse. Ela me olhou com raiva, antes de pegar sua bolsa e sair de perto— Fácil demais, não gosto assim. —ele disse se virando para mim, acredito que está falando sobre a garota.
—Thomas, onde você esteve? —cheguei mais perto dele, observando mais de perto seus machucados.
—Se continuar aproximando o rosto desse jeito, eu vou acabar pensando que você quer me beijar. E eu não vou recusar. —seu hálito de álcool me enjoou um pouco, mas ignorei. Ignorei também a vergonha por ele ter dito essas palavras, mas tenho certeza que estou vermelha.
Soltei um suspiro.
—Thomas... —comecei, sem saber como terminar. Me afastei dele.
—Shhh... —ele disse me abraçando pela cintura, apoiando a testa na minha barriga. Arregalei os olhos, sem saber o que fazer. Ele continua sentado na cadeira e me abraçando, enquanto fico em pé na sua frente— Você é a única que me chama de Thomas. Eu acho que eu gosto.
Franzi as sobrancelha e coloquei minhas mãos nos ombros dele, sem saber ao certo onde as colocar.
—O que aconteceu com você? —perguntei, por fim.
Ele demorou um pouco para me responder. Mas enfim, olhou para cima, ainda me abraçando.
—Você se preocupa? —ele perguntou, arrastado— Você parece preocupada.
Não respondi. Apenas esperei que ele prosseguisse.
Ele soltou um suspiro.
—Eu não acho que posso falar sobre isso... —ele começou arrastado, depois começou a rir— Foda-se, vou falar! Eu gosto de brigar... —ele arrastou a frase, fechando os olhos, depois voltando a me olhar— Me acalma, sabe, coisa inglesa? E eu sempre ganho. —ele disse com sorriso convencido.
—Com quem você luta? —perguntei, tentando me mantar calma sobre isso.
—Temos um clube! Todos lá são vazios, muuuuito vazios. Brigamos uns com os outros, sem ressentimentos, apenas para preencher nossos vazios. Mas um cara acabou comigo... Aquele maldito, desgraçado. —ele falou com raiva em seus olhos— Não posso aparecer na escola desse jeito, entendeu, garotinha? Não posso, não posso... —sua voz foi sumindo aos poucos.
Suspirei, começando a me sentir mal por arrancar essas coisas dele enquanto ele está bêbado. Isso parece bem pessoal.
—Quantas você bebeu? —perguntei, apontando para o copo de bebidas vazio.
Ele se soltou do meu abraço e levantou as mãos. Levantou dez dedos.
—DEZ? —perguntei, um pouco mais alto.
Ele olhou para as mãos confuso.
Depois ele levantou um dedo da mão direita e cinco na mão esquerda.
—Seis?
Ele sorriu.
—Quinze
Arregalei os olhos. Ele começou a rir.
—Fica calma coisa inglesa, eu sou forte para–
Ele se interrompeu com um vômito. Com sorte ele não vomitou em mim, ele se virou para frente para fazer isso.
Arregalei os olhos, olhando o vômito no chão.
—Thomas... —foi tudo o que eu consegui dizer, enquanto o vi limpando o canto da boca. Ele começou a rir histericamente. Inclusive, colocou a mão na barriga, como se fosse a coisa mais engraçada que ele já fez.
—Ops...
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