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Quando O Sol Nasce No Ocidente | vinte e seis.

Toda a montagem e decoração do baile foi projetada para ser colocada na quadra depois do jogo do campeonato. Tudo está pronto. Os integrantes da torcida, os reservas do time de basquete e os alunos do grêmio estudantil são os encarregados da tarefa de pegar essa decoração nas salas de aula do térreo e levar para a quadra. O restante dos meus colegas aguardam ansiosos nas arquibancadas. Dentre eles está o meu Alec acompanhado com seus amigos de sempre.

— Você viu o Asher? — pergunto para Sophie Lanter, da equipe da torcida, quando a vejo passar por mim segurando uma caixa de copos de plásticos.

— Não o vi desde o final do jogo — responde. — A propósito, parabéns pela vitória!

Agradeço, mas sigo procurando.

— Sabe onde está o Asher? — pergunto para Tristan, que está tentando roubar alguns doces antes do baile começar.

— A última vez que o vi foi no vestiário, Arthit — responde, escondendo balas no bolso da blusa.

— Ele está espalhando por aí que o Alec é gay — resmungo entredentes.

— Eu sei! Que otário! De qualquer forma não ia demorar para o colégio todo ficar sabendo isso, não é?

— Essa não é uma decisão dele, mas sim do Alec! Sem falar que o Asher está contando do jeitinho maldoso dele.

— O que você pensa em fazer? — Tristan pergunta, chamando Zachary para se juntar a nós.

Alec percebeu minha presença na quadra. Ele sorri de forma fofa e acena disfarçadamente. Não consigo conter o meu sorriso e aceno de volta. Meu namorado nem imagina o que está acontecendo e o ódio que estou sentindo. Asher não vai perturbar a paz dele. Não agora que finalmente estamos juntos.

— Deu certo? — pergunta Zach, ansioso. — Ele gostou da surpresa?

— Sim, foi perfeito! — respondo, puxando ele e Tristan comigo.

— O que houve, Arthur?

— Zach, você viu o Asher?

— Acabei de passar por ele na entrada. Ele está ajudando o treinador com o colégio visitante e...

— Ele contou para Brian e Drake que o Alec é gay.

— Até então só nós quatro sabíamos — diz Tristan.

— Por que ele fez isso? Vocês não tinham um acordo?! — questiona Zach, confuso.

— Ele quebrou o acordo sem me avisar — digo, socando uma das mesas já montadas. — E justamente agora que Alec e eu estamos namorando.

— Você e o Alec o quê? — pergunta Tristan, surpreso.

— Depois eu te conto, cara — diz Zach, balançando o ombro dele.

— Preciso falar com o Asher antes que ele apronte — falo, voltando a olhar em volta para ver se ele tinha voltado para a quadra.

Pego o celular do bolso da calça, o desbloqueio e mando uma mensagem para Asher:

"Você quebrou o nosso acordo!"

Depois de guardá-lo, o pego e o desbloqueio novamente, enviando outra mensagem:

"Você não manteve sua palavra! Eu venci a aposta e você tem que manter sua parte do acordo!"

O tempo passa, mas Asher não visualiza. Começo a digitar outra mensagem, mas desisto e a apago em seguida.

— Relaxa, Arthur — diz Zach, segurando o meu punho quando pego o celular do bolso mais uma vez. — Vai dar tudo certo, beleza?

— Não quero que o Asher perturbe o Alec.

— Daremos um jeito nisso depois, okay?! Primeiro você tem que curtir nossa vitória e sua noite com seu novo namorado.

— É, Arthit! — exclama Tristan, puxando a minha orelha. — A gente cuida do Asher depois!

Concordo, mesmo ansioso e inquieto.
Não quero estragar esta noite.

Zach, Tristan, e eu nos juntamos à mesa do Alec, Thomas e a namorada dele assim que o baile começou. Os amigos do meu namorado estranham nossa aproximação. Por mais próximos que Alec e eu somos no colégio, meus colegas de time não têm o costume de me seguir e sentar com eles.

— Desde quando somos tão populares? — pergunta Thomas. — O que está acontecendo? Vão jogar sangue de porco na gente?

— Vou se você não calar a boca — responde Tristan.

— É uma ocasião especial — digo, desviando o olhar para o meu namorado.

Alec está acanhado, então não diz nada.
Talvez não esteja pronto para contar para seus amigos.

— Nina, quer dançar? — pergunta Thomas, claramente incomodado com a presença dos meus amigos e a minha.

Ela concorda, mas se desculpa com o olhar assim que se levanta da mesa.

— Seu amigo parece não gostar da gente, Alec — diz Zach, segurando o riso.

— Ele acha estranho a aproximação de vocês — responde, também se desculpando com o olhar. — Ainda não consegui contar para ele sobre a gente.

— Fiquei sabendo hoje — diz Tristan. — Parabéns, a propósito! Me convidem para o casamento.

— Cala a boca, Tristan — diz Zach, batendo na cabeça dele.

Enquanto meus amigos conversam descontraidamente com o meu namorado, percebo olhares e cochichos de três garotas da equipe de torcida em direção a nossa mesa. Não parecem cochichos rotineiros. Há um clima estranho, expressões corporais e risadinhas suspeitas. Não por acaso, duas delas são próximas do Asher.

Respiro calmamente para tentar diminuir a minha raiva.

Percebo mais olhares e cochichos pela quadra. Brian e Drake não param de olhar em nossa direção. Eles disfarçam quando os encaro severamente.

— Arthit! — Tristan alerta, apontando para Asher passando pela quadra.

— Já volto! — digo, levantando imediatamente.

— Tem certeza que é um bom momento, cara? — pergunta Zach, segurando o meu braço.

— Relaxa, eu só quero conversar — digo, sorrindo para o meu namorado para disfarçar a minha inquietação.

Sigo Asher até o final da quadra. Ele está com o nosso treinador, indo em direção ao vestiário. Ele para por algum motivo, pega o celular do bolso do casaco e parece se divertir com o que vê na tela. O treinador entra no vestiário, o deixando para trás.

— Asher!

— Arthit! Acabei de receber sua mensagem. Desculpa não responder, mas eu estava com o treinador resolvendo uns assuntos com o time perdedor.

Penso cuidadosamente nas palavras que devo usar. Talvez assumir o meu namoro com o Alec seja o bastante para fazer o Asher deixar de ser um babaca.

— Sobre o que você anda falando por aí...

— Não estou espalhando nada! Simplesmente contei para uma pessoa e, pelo visto, foi a pessoa errada! Agora toda a nossa roda de amigos está vindo me perguntar daquele gay!

Fecho a mão com força, me segurando para não socá-lo.

— O nome dele é Alec!

— Por que vocês estão sentados com ele? Todo mundo vai achar que vocês também são viados!

O empurro, perdendo o pouco controle que me resta.

— Você é um otário!

— Você me empurrou, Arthit?!

— Sorte eu não ter quebrado os seus dentes!

— Você ficou louco?! — pergunta, achando graça e dando as costas para mim.

Asher entra no vestiário. Sigo ele, pois nossa conversa está longe de terminar. O treinador passa por nós, me cumprimenta e felizmente não percebe a minha fúria.

— Você vai dizer para todo mundo que é mentira! — exclamo, o seguindo até os armários.

— Por que eu faria isso?!

— Temos um acordo!

— Eu já disse que só contei para uma pessoa! Não foi minha intenção espalhar para o colégio todo!

— Mas você disse que estão vindo te perguntar se é verdade, não é?! O que você está dizendo?!

Asher abre o seu armário, mas desvia o foco para mim. Ele parece se divertir e não estar nem um pouco preocupado com o assunto.

— Eu tenho que dizer a verdade, não é?!

— Mas que merda, Asher!

— Se você tá preocupado que eu vá falar que aquele gay mamou você, relaxa! Não vou contar nada! Seu nome nem está no assunto!

— Você lembra os termos da nossa aposta? — questiono, me aproximando para encará-lo de perto.

Asher balança os ombros.
Ele não consegue se importar com nada além de si mesmo.

— E daí que você ganhou a aposta? Eu, Zach, Brian ou qualquer um do time de basquete poderia ter ganho! Você sabe que aquele gay fica olhando pra gente nos treinos de basquete.

— O que você quer para deixar ele em paz?

— Por que você se importa?!

Respiro calmamente.
Não sei se devo contar a verdade. Não sei o quão ruim pode ser contar ao Asher que Alec e eu estamos juntos. A situação pode piorar ainda mais.

— Não adianta falar com você, cara — digo, enojado. — Você quebrou o nosso acordo e fica aí se fazendo de sonso!

Ele não responde.
Asher apenas ri sarcasticamente.

Desisto dessa conversa inútil e dou as costas a ele para sair do vestiário. Sinto minhas pernas congelarem e meu coração querer saltar para fora do peito quando encontro Alec parado ao lado da porta. Seus olhos estão vermelhos, sua respiração está acelerada e ele se afasta lentamente quando me vê.

— Al... Alec?! O qu... O que você faz aqui?! — gaguejo, sentindo como se minha alma saísse do corpo.

— Uma aposta? — pergunta, começando a chorar.

— Eu... Eu posso explicar!

Alec começa a chorar e corre pelo corredor, depois sobe as escadas em direção ao primeiro andar. Levo um tempo para reagir. Sinto como se tivesse sido engolido por um grande buraco que se abriu no chão.

— Alec! — chamo, correndo atrás dele.

O sigo até o corredor das salas do primeiro andar. O vejo parado, se apoiando em uma das janelas. Ele está chorando muito. Cada lágrima que vejo Alec enxugar com seus punhos trêmulos me dilaceram por dentro.

— Alec... Amor... Eu juro que não é como você está pensando.

— Como você pôde fazer isso?!

— Eu posso explicar!

— Você me apostou com o Asher?! Por que você fez isso?!

Alec vira para ficar de frente para mim. Vê-lo daquele jeito faz todas as minhas defesas irem embora. Não consigo fazer nada além de também começar a chorar.

— Responde, Arthur! — insiste, e se aproxima. — Você me apostou com o Asher?!

Confirmo com a cabeça.
É verdade, mas não da forma cruel que parece.

— Eu te amo, Alec — digo, com a voz trêmula e rouca.

— Por quê?! — exclama, avançando contra mim com socos e chutes sem nenhuma força. — Por que você fez isso comigo?!

— Me perdoa, por favor! — respondo, mas não acho que ele me da atenção.

Tento abraçá-lo, mas ele se esquiva. Insisto e tento beijá-lo, mas Alec me empurra e parece juntar todas as forças em um soco que me faz cair sentado no chão do corredor.
Talvez seja impressão minha, mas esse soco foi o mais forte e dolorido que levei em minha vida.

— Nunca mais se aproxime de mim!

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