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Quando O Sol Nasce No Ocidente | vinte e três.

Estou gostando de ter um "quase" namorado.
Nada está perfeito, mas pouco a pouco estamos caminhando para uma configuração próxima a isso.

Não tive coragem de pedir o Alec em namoro oficialmente em um momento como esse. Apesar de vê-lo mais animado, ainda o sinto um pouco travado. Às vezes não consigo nem me aproximar fisicamente dele. As alianças de prata que comprei estão guardadas em minha gaveta de cuecas. Vou esperar o momento perfeito para o pedido.

Estou acompanhando Alec na terapia. Na primeira semana ele não quis sair depois da consulta, pois ficou muito abalado com a conversa que teve com o médico. Optamos por ficar em minha casa. Assistimos um filme de terror aleatório, comemos guloseimas que acabam com a minha dieta e cruzamos playlists recomendando nossas músicas favoritas um para o outro.
Coloquei quase todos os meus amigos de olho no Alec no colégio. Zach e Tristan não o perdem de vista. Asher não toca mais em assuntos relacionados a ele. Asher respeitou minha vitória e tem mantido sua promessa de não cruzar o caminho do Alec.

Confesso ficar tranquilo quando vejo o meu Alec com Thomas Harris. Thomas é para ele como Zach é para mim. Eles não desgrudam. Thomas sempre consegue arrancar um sorriso dele, e não há nada melhor do que ver o sorriso do Alec. Em contrapartida, odeio as visitas insistentes do Phillip. Meu pai e eu sempre buscamos o Alec em casa para irmos juntos ao colégio, mas na parte da tarde ele vai embora com Phillip, pois meu pai está no trabalho e eu nem sempre posso ir por causa dos treinos de basquete. Isso não me deixa nada feliz. Phillip faz questão de deixar claro em todos os nossos desagradáveis encontros que ele não aprova minha relação com o Alec. Não me importo com o que ele pensa, mas me preocupo com o que ele possa tentar. Desconfio que ele gosta do Alec. Não me sinto nem um pouco ameaçado por ele, mas não o quero perto do meu futuro namorado. Confio no Alec, mas não confio no Phillip.

O segundo dia de consulta do Alec está mais tranquilo. Ele não saiu tão abalado quanto na semana passada. Está frio. Apesar do sol brilhar entre nuvens, agora deve fazer menos de dez graus em Pittsburgh. Sei que Alec, assim como eu, gosta desse clima. Estou com uma camiseta, um moletom e um casaco jeans por cima, mas ainda sinto frio. Alec está com o seu moletom cor mostarda favorito, e não sei se tem mais roupas por baixo além de uma camiseta branca. Ele ficou ainda mais fofo quando colocou o capuz da blusa. Suas bochechas e a ponta do nariz estão rosadas.

— Acho que a medicação está fazendo efeito — diz, andando ao meu lado rumo a nossa cafeteria favorita.

— Você se sente melhor?

— Estou menos ansioso e um pouco mais motivado.

— Isso é muito bom!

Alec sorri, tímido.
Retribuo o sorriso.
Minha mão esbarra propositalmente com a dele enquanto andamos. Quero segurá-la, mas tenho medo que alguém conhecido nos veja. Apesar de ser algo simples e que todo o casal faz, ainda é confuso para mim.

A cafeteria está cheia, mas conseguimos um lugar perto do balcão. Cody, um dos baristas que já nos conhece e sempre nos atende, entrega o cardápio.

— Está frio, então acho que vou pedir um latte macchiato — diz, tirando o capuz.

— Vai trair o seu frapuccino?

— Está muito frio para pedir uma bebida fria, Arth.

Concordo, também olhando a página de bebidas quentes.

— Quer falar sobre a consulta de hoje? — pergunto, o mais descontraído possível para não parecer invasivo.

— Não houve nada de extraordinário. Falamos sobre meus amigos, meus pais, sobre você e o colégio.

— Falaram sobre mim?!

— Foi a melhor parte da consulta!

Alec contou que estamos saindo com mais frequência. Também falou sobre seus melhores amigos, incluindo o chato e inconveniente do Phillip.

— Falando nesse idiota... — digo, pigarreando em seguida. — Acho que ele não vai precisar ficar te buscando na próxima semana. Meu pai vai tirar alguns dias de folga por conta das festas de fim de ano e se ofereceu para ir buscá-lo no colégio.

Alec concorda.
Ele não tem conseguido ficar sozinho desde o incidente que o levou a última internação. Até a sua síndrome do pânico e ansiedade serem controladas, ele precisará estar sempre acompanhado. Meu pai, que simpatiza muito com o Alec por me ajudar a tirar boas notas, se ofereceu prontamente para ajudar quando soube o que aconteceu. Claro que ele nem desconfia da relação que Alec e eu temos.

Falando nisso...

— Desculpa, Alec! — resmungo, coçando a cabeça. — Não consigo gostar do Phillip! Sei que é seu amigo e fico muito agradecido que ele te leva para casa, mas...

— Não sei porque vocês não conseguem se dar bem.

— Ele é debochado, linguarudo e sempre se mete onde não é chamado. Parece que fica torcendo contra a gente!

— Ele só está preocupado com o fato de eu ser o primeiro garoto que você se relaciona. Phillip acha que você não gosta de garotos, sabe?

Franzo o cenho.

— Ele disse algo parecido a isso no hospital quando fomos te visitar — digo, irritado. — Disse que sou um hétero babaca e curioso, ou algo assim.

— Não leve isso a sério, Arth.

Cruzo os braços, suspirando. Olho em volta e fico ainda mais inquieto quando vejo casais se abraçando e trocando carinhos na cafeteria. Quero fazer algo assim, mas não sei se estou pronto para assumir minha relação com o Alec. Eu gosto muito dele, mas o que preciso dizer? O que preciso fazer? Como deixá-lo satisfeito com a gente?

— Eu quero te dar o melhor de mim, Alec! Quero andar de mãos dadas com você e te levar para lugares onde casais costumam ir, mas...

— Por favor, não! — diz, me interrompendo. — Não faz isso!

Volto a coçar a cabeça, confuso.

— O quê?!

— Não faça isso, Arth!

— Por quê?!

Ele sorri, acanhado.

— Nunca fiquei com alguém como estamos ficando — diz, se encolhendo na cadeira. — É tudo muito novo para mim assim como é para você. A gente ainda nem deu o primeiro beijo!

— Eu quero muito te dar o primeiro beijo, mas...

— Eu entendo que você se preocupa e se cobra de muitas coisas, mas não faz isso! Eu gosto de você e quero ficar com você, mas não quero que todo mundo saiba, entende?

Fico aliviado, mas curioso.

— Não quer que as pessoas saibam sobre nós? — pergunto, intrigado.

— Não! — responde, rindo. — Morro de vergonha! Para mim basta nossos amigos mais próximos saberem. Na verdade, só o Phillip e o Matthew sabem sobre você. Thomas, Nina e meus outros amigos nem desconfiam!

— Mas eu pensei que...

— Não quero você para mostrar para o mundo. Não quero te exibir por aí. Eu quero ficar com você porque gosto de você e ninguém precisa saber. É algo nosso, sabe?

Achei que era impossível me apaixonar ainda mais por ele.
Me enganei.

— Estou surpreso com a sua forma de pensar — falo, abobado. — Nos filmes e séries as pessoas sempre querem assumir seus relacionamentos.

— Romances são um saco, Arth! Esqueceu que gosto de filmes de terror?

Concordo, sorrindo.

Passamos um bom tempo na cafeteria. Alec contou mais sobre tudo o que pensa sobre relacionamentos. Meu futuro namorado é do tipo introvertido e não gosta de chamar a atenção para si. Ele disse que não se vê andando de mãos dadas na rua ou beijando em lugares públicos. Alec sente pavor só em pensar em assumir qualquer relacionamento no colégio.
E eu respeito isso.
Não só porque não é fácil para mim assumir para todos que estou gostando de outro garoto, mas também porque não quero que ele sofra provocações. O que Asher e seus amigos babacas fizeram com ele no colégio é o suficiente.

— Será que sou bissexual? — pergunto, confuso.

— Você acha que é bissexual?

— Não sei! É complicado pensar em algo assim.

Alec discorda, sorrindo.

— Parece complicado porque todo mundo tenta colocar rótulos na gente o tempo todo. Você não precisa se rotular só para seguir a regra dos outros, Arth.

— Não preciso?

— Não!

Ele segura a minha mão, discretamente.

— Seja quem você é sem pressão! Não assuma nada para agradar os outros — diz, entrelaçando nossos dedos. — Quando você estiver pronto, vai achar a resposta. O momento será só seu! Não deixe ninguém tirar esse momento de você, ok?

Concordo.

— Eu queria muito te beijar agora — digo, me aproximando um pouco mais dele.

— Eu morreria de vergonha, pois não gosto da ideia de beijar com tanta gente olhando pra mim — sussurra.

— Vou me conter desta vez. — Também sussurro, fascinado.

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