22
Quando O Sol Nasce No Ocidente | vinte e dois.
Só chego ao endereço do hospital que Thomas Harris me passou por mensagem vinte e sete minutos depois do jogo acabar.
Alec teve outra crise de pânico.
Uma crise muito séria.
Zach, Tristan e eu estamos suados, ainda trajando o uniforme de basquete da partida daquela tarde. Nem tomamos banho no vestiário antes de pedirmos o táxi.
— Alec Stevens deu entrada neste hospital — digo, um pouco ofegante, para uma das recepcionistas. — Onde ele está?! Posso vê-lo?! O que aconteceu?!
— Calma, Arthit! — exclama Zach, segurando o meu braço. — Se você não se acalmar vai ser o próximo a ser atendido aqui!
— Você está pálido, cara — diz Tristan. — Melhor sentar e beber um pouco de água.
Tristan puxa a minha cintura, me levando para uma das poltronas de espera. Zach continua no balcão conversando com as recepcionistas.
O começo do jogo foi complicado, então mantive o foco para ajudar o time a manter nossa vantagem de oito pontos. Procurei pelo Alec na arquibancada nos poucos segundos que a partida foi paralisada, mas não o encontrei. No intervalo, mandei mensagem para ele, mas não tive resposta. Liguei antes do segundo tempo começar, mas também não tive retorno. A notícia que ele teve outra crise de pânico no colégio, antes de entrar no ônibus que o levaria ao jogo, chegou por uma das garotas da torcida. Ela tem o número de celular do Harris, e foi assim que consegui o endereço do hospital.
— Ele já foi atendido, medicado e agora está no quarto — diz Zach, sentando ao meu lado.
— Onde?!
Zach troca olhares comigo e com o Tristan.
— Na psiquiatria — responde, apertando o meu ombro. — Parece que ele teve uma crise e desmaiou, mas quando acordou não conseguiu se acalmar e...
— Por quê?! Fizeram alguma coisa com ele?! Mexeram com ele no colégio?!
Zach balança os ombros e a cabeça, sem resposta.
— Eu quero vê-lo! — falo, levantando.
— A recepcionista disse que só a família pode entrar — diz Zach.
— Eu sou namorado dele! — exclamo, impaciente.
Tristan franze o cenho, me encarando.
— É uma longa história — murmura Zach, entredentes.
Enquanto Zach conta tudo para Tristan, ligo para Thomas para saber o que está acontecendo.
— Sim, Arthit! Estou no andar do quarto do Alec.
— Como ele está?! O que aconteceu?!
— Também não sei! A gente estava esperando o ônibus, mas de repente ele ficou todo pálido, agitado e com falta de ar.
— Alguém fez alguma coisa pra ele?!
— Não!
— Você estava com ele o tempo todo?!
— Err... Sim!
Passo a mão em meu rosto molhado de suor.
— Como ele está agora?!
— Ele não parece bem. Teve que ser medicado, pois não parava de chorar e hiperventilar.
— Quem mais está com ele?!
— A mãe dele chegou há algum tempo. Está com ele no quarto.
— Obrigado!
Desligo, atordoado.
Me sinto impotente e sem saber o que fazer para ajudar.
Zach e Tristan estão ao meu lado há mais de três horas esperando notícias. Perdi a conta de quantas vezes liguei para Thomas Harris, mas a informação continua a mesma. Já está quase anoitecendo. O aquecedor dessa recepção não parece funcionar direito. Meus amigos estão encolhidos com frio nas poltronas de espera enquanto eu ando de um lado para outro.
— Arthit?! — chama Tristan. — É melhor a gente ir embora e esperar notícias em casa.
— Concordo — diz Zach. — Não sei se você percebeu, mas estamos fedendo aqui! O Tristan já tem cheiro de queijo podre!
— Não vou sair daqui — respondo, voltando a olhar o meu celular.
Não há novas mensagens e só tenho mais dez por cento de bateria.
— Ele já foi atendido e medicado, cara — diz Tristan.
— Verdade, amigo! Você não precisa se preocupar enquanto o Alec estiver aqui com a mãe e o melhor amigo dele — fala Zach.
— Quero saber o que aconteceu e como ele está! — exclamo, nervoso.
Meus amigos trocam olhares entediados. Zach se afasta do Tristan depois de respirar profundamente e fazer uma careta de nojo. Ele realmente está fedendo, e toda a recepção do hospital já percebeu.
— Arthur?! — chama uma voz familiar.
É a Sra. Stevens, mãe do Alec.
— Hey! — exclamo, quase sorrindo. — Sra. Stevens!
— O que você faz aqui? Está tarde!
— Como está o Alec?! O que aconteceu?!
A Sra. Stevens cumprimenta eu e meus amigos.
— Ele está bem, mas ficará internado hoje — responde, parecendo tranquila. — Ele está medicado e provavelmente vai dormir a noite toda.
— Foi uma crise de pânico?
— Sim, mas ele já está mais calmo.
Não fico mais tranquilo com essa informação. Tenho vontade de sair correndo por esse hospital de quarto em quarto até encontrá-lo.
— Quando posso vê-lo? — pergunto, ainda inquieto.
— Só quando o médico liberar — responde a Sra. Stevens. — Não se preocupe que dou um jeito de te avisar, tudo bem?
Concordo, mesmo que isso me mate.
Recebi uma mensagem do Thomas dois dias depois da internação do Alec. Ele está mais calmo e isso possibilitou que o médico liberasse as visitas. Tive que esperar até hoje, segunda-feira depois das aulas, para Zach me levar ao hospital com seu carro. Tristan não pôde ir, pois tem um trabalho de recuperação de nota para terminar.
— Chegamos muito cedo — resmunga Zach, entrando comigo na sala de espera da psiquiatria.
— Obrigado por me acompanhar — agradeço, cruzando os braços.
Ele pigarreia, depois faz uma careta.
— As alianças que você escolheu ficam prontas amanhã à tarde.
— Obrigado, Zach! Vou buscá-las depois do colégio.
— Tô parecendo um padrinho de casamento resolvendo todos os seus problemas.
Reviro meus olhos, ignorando a provocação.
Ouço uma voz irritante no corredor. É Phillip, o amigo idiota do Alec, falando ao celular. Ele segura um vaso branco com uma flor amarela, cores favoritas do meu futuro namorado.
O encaro, cruzando os braços.
— Tenho que desligar — diz, segurando o riso quando me vê. — O clima aqui ficou tóxico de repente! Eu te ligo depois, certo?!
Sinto uma vontade insana de quebrar a cara dele.
— O que você faz aqui? — pergunto.
— É da sua conta, japonês? — responde Phillip, sentando em uma das poltronas.
Thomas Harris foi o primeiro a entrar no quarto para ver o Alec. As visitas são individuais e duram, no máximo, dez minutos. A namorada do Thomas entrou em seguida, mas não ficou mais que cinco minutos. Zach preferiu não entrar, pois ele e Alec não são tão próximos.
— Minha vez — digo, levantando da poltrona.
Phillip se adianta, passando a minha frente.
— Sai fora, japonês!
— É a minha vez de ver o Alec! Eu cheguei aqui primeiro que você!
Ele ignora, cruzando o corredor e entrando no quarto.
— Esse cara quer mesmo te tirar do sério — diz Zach, batendo em meu ombro.
Phillip demorou quinze minutos. Até pensei em invadir o quarto e tirá-lo à força, mas primeiro vem a saúde do meu Alec. Não é educado quebrar a cara do amigo dele antes de pedi-lo oficialmente em namoro.
Quando Phillip saiu, ele foi direto para os elevadores, não olhando para trás. Entrei em seguida, cheio de ansiedade. Faz tempo que Alec e eu não conversamos.
— Nunca mais me assuste desse jeito, mocinho — digo, me aproximando da cama. — Estou morrendo de saudade de você.
— Eu também, Arth — responde, cobrindo parte do rosto com a coberta.
— Quanto tempo você vai ficar aqui?
— Mais dois ou três dias.
— Tudo isso?!
— É difícil receber alta da psiquiatria quando você é sequelado da cabeça.
— Não diga isso de si mesmo, Alec.
Mesmo sabendo que ele está escondendo parte do rosto por vergonha, puxo delicadamente a coberta para baixo. Alec está abatido, sonolento e com os olhos inchados. Tenho a impressão de que ele está mais pálido do que de costume.
— Como foi o jogo? — pergunta, com a voz rouca e fraca.
— Vencemos!
— Você jogou como titular?
— Sim!
— Essa é a melhor notícia que tive esta semana.
O sorriso dele ilumina a minha tarde. Retribuo o sorriso, acariciando o seu rosto.
— Vai me contar o que aconteceu? — pergunto, um pouco mais sério.
Ele tenta cobrir o rosto de novo. Seguro o cobertor, tentando fazer uma expressão engraçada.
— Alguém implicou com você no colégio?
— Não.
— Tem certeza? Você não tá me escondendo nada?
— Não!
Aproximo meu rosto, o encarando mais de perto.
— Vou ficar muito triste se você não me contar, amor.
— Não aconteceu nada, é sério!
Alec contou que teve uma crise de pânico depois de ver o ônibus de viagem que o levaria para o jogo do campeonato com seus amigos. O ônibus é idêntico ao que ele sofreu um acidente há pouco mais de um ano. Fiquei surpreso e preocupado em descobrir que esse acidente ainda o afeta dessa forma.
— Dessa vez não vou conseguir fugir da terapia.
— E nem deve! Vou te acompanhar e te arrastar até o médico se for necessário.
— Uma vez por semana é muito chato!
— Vamos ter um encontro toda a vez que você sair de uma sessão, combinado?
Ele concorda, mas não parece tão animado.
— Não aguento mais ficar aqui — diz, voltando a cobrir parte do rosto.
— Aguenta só mais um pouco. — O encorajo, aproximando meu rosto ao rosto dele.
A porta do quarto abre de repente depois da maçaneta ranger. Ergo o meu corpo imediatamente.
— Arthur?! — diz a Sra. Stevens, surpresa. — Você ainda está aqui?
— Sim, mas já estou de saída! — respondo, acanhado.
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