21

Quando O Sol Nasce No Ocidente | vinte e um.

Ainda não houve um pedido oficial, mas já não me considero um cara solteiro. Alec Stevens e eu estamos juntos, e não há palavras para descrever o quão feliz estou por isso. Quero que o pedido parta de mim e que seja especial. Penso em comprar alianças, mesmo que a gente não possa usar no colégio.

É quarta-feira, meio da semana. Marquei mais um café da manhã com Alec esta manhã. Estou com muita saudade dele. A próxima sexta-feira é a tão sonhada semifinal do campeonato intercolegial de basquete. O time está treinando todos os dias depois da aula. Quase não tenho tempo para falar com o meu futuro namorado. Segunda e terça-feira o vi no corredor entre as aulas, mas não conseguimos parar para conversar. Tento arrumar uma desculpa para vê-lo no intervalo, mas estamos sempre rodeados de amigos. O colégio está uma loucura. Não só eu, mas todo o time está focado no próximo grande jogo.

E, falando nisso, está confirmado.
Vou entrar como titular no jogo de sexta-feira!

Asher Cooper quis uma prova da minha vitória para cumprir sua parte no acordo. Mesmo irritado por ter que expor a nossa intimidade, tive que mostrar as mensagens que Alec e eu trocamos depois da noite que passamos juntos em minha casa para ele acreditar. Ele queria copiá-las, mas não deixei. Lembrei que parte desse acordo era deixar o Alec em paz e nunca mais tocar nesse assunto. Asher, mesmo aborrecido, concordou. Ele quis saber mais detalhes daquela noite, mas ignorei e o tenho ignorado desde então.

— Você merece muito, Arth! — exclama Alec, me abraçando assim que conto a grande novidade.

— Você vai me ver jogar na sexta-feira, né?

— É claro! Não vou perder sua grande estreia!

Estamos no parque privado atrás do colégio, que já se tornou nosso lugar especial. Comprei para o café da manhã o que o meu Alec mais gosta. Percebi que estamos mais próximos desde a última noite em minha casa. Ele está menos tímido, e isso tem dificultado demais a minha vida. É impossível ficar perto dele e resistir a vontade de agarrá-lo. Ainda não nos beijamos, mas não estou com pressa. Quero que nosso primeiro beijo seja no dia em que eu pedir ele em namoro.

— Também tenho uma novidade, mas não é tão boa quanto a sua — diz, ficando sério de repente.

— O que houve?

— Meus pais e minha psicóloga estão me obrigando a fazer terapia por causa da ansiedade e crises de pânico.

— Se sua médica recomendou, talvez faça bem pra você.

— Não quero fazer terapia, Arth.

— Por que, amor?

Ele balança os ombros e tenta, mas não consegue responder.

Alec está melhor nos últimos dias, mas ainda o sinto um pouco tenso e fechado. O vejo andar encolhido e de cabeça baixa nos corredores entre as trocas de aula. A mão dele está sempre fria e trêmula quando a toco. Ele diz que é por causa do frio, mas não acho que seja. Também o observei no intervalo e percebi que ele está interagindo pouco com seus amigos.

— Sabe de uma coisa? — pergunto, sussurrando maliciosamente para quebrar aquele clima sério. — Se não tivéssemos aula, eu te levaria para a minha casa agora.

— Podemos matar aula — sussurra, aceitando a provocação.

— Você tem que estudar e eu tenho treino, esqueceu?

— Mas e se eu disser que quero você agora?

Ele senta em meu colo de frente para mim, contornando seus braços em meu pescoço e pernas em minha cintura. Quero muito beijá-lo, mas não vou estragar meus planos. Desvio meus lábios para seu pescoço, o beijando e matando a saudade do seu cheiro.

— Desde quando o meu Alec ficou tão safadinho?

— Desde o dia que descobri o quanto você é gostoso.

— Sou?!

Levanto da cadeira de concreto ainda com ele em meu colo. O coloco sentado na mesa, quase derrubando nossas coisas.

— Quer repetir o que fizemos no sábado passado? — pergunto, com meu rosto colado ao dele.

— Se você gostou, posso repetir quantas vezes quiser.

— E se eu disser que quero todos os dias, todas as horas?

— Arth!

— E se eu disser que quero te beijar e te lamber inteirinho também?

Ele se rende, corando e escondendo o rosto em meu ombro. 

— Melhor a gente ir — falo, rindo e amando essa mistura fofa de tímido e safado dele.

Achei que a semana nunca chegaria ao fim. Estou a poucos minutos de jogar como titular representando o meu colégio em uma semifinal oficial de um campeonato intercolegial. Isso é tudo que eu sempre quis desde que fiz o teste para entrar no time de basquete. Meu pai está trabalhando, mas minha mãe estará na arquibancada. Alec também vai me assistir, e isso me deixa ainda mais feliz.

— Alianças? — pergunta Zach, sentado ao meu lado no ônibus que nos levará até o colégio anfitrião.

— Sim, Zachary! Alianças!

— Você tá levando o Stevens a sério mesmo, hein?

— Fala baixo, por favor!

Olho em volta, ansioso. Nossos colegas estão sentados mais para o fundo do ônibus. Asher, Tristan e Brian estão juntos na última fileira. As garotas da torcida estão no meio. Zach e eu estamos próximos à porta, observando a movimentação na entrada do colégio.

Alec ainda não saiu.
O convidei para vir comigo, mas ele prometeu ir com seus amigos e não há espaço no ônibus para todos eles.

— Então você se assumiu bissexual? — pergunta Zach, me encarando.

— Não! — resmungo, franzindo o cenho. — Quer parar com essas graças, por favor?!

— Não?! Então como isso funciona?!

— Não sei, mas não! Para de me chamar disso!

— Você está prestes a namorar com alguém do mesmo sexo, então...

— Então é melhor você parar de me fazer perguntas e só me ajudar no que preciso, Zachary!

Ele segura o riso, escondendo a boca com as mãos.
O empurro para o lado, já irritado.

— Não se preocupe, Arthit! Amanhã te levo em um lugar legal que vende alianças de prata, beleza?

— Obrigado!

— Seu Alecssexual!

O encaro, pronto para socá-lo.

— Do que me chamou?!

— Alecssexual!

— O que é isso?!

— Pessoas apaixonadas ficam burras? Você não era assim, Arthit!

As provocações continuam até o ônibus sair. Alec não apareceu na entrada do colégio. Talvez ele esteja com seus amigos esperando o ônibus que vai levá-los chegar.

Faltam cinco minutos para entrarmos na quadra. Estamos reunidos no vestiário improvisado para times visitantes. O treinador repassa uma estratégia de jogo mais agressiva, seguida de palavras de força e motivação. Asher também discursa, e essa é uma das únicas vezes que ele não parece ser um perfeito idiota. Falta um minuto. O time inteiro junta as mãos formando uma roda. Esse é o momento de darmos cento e dez por cento e vencer mais essa etapa do campeonato.

Saímos do vestiário em fila, entrando na quadra cada um com uma bola. A torcida da casa nos vaia, mas o outro lado da arquibancada vibra. Corremos pela quadra seguindo a coreografia dos treinos. Sou o quarto jogador a arremessar a bola na cesta, pouco depois do locutor anunciar meu nome como o camisa dezessete.

A apresentação do nosso time acaba, dando início a apresentação do time da casa. Meus colegas e eu aguardamos na área ao lado da nossa torcida.
Minha mãe está na primeira fila, acenando e sorrindo. Alec deveria estar na terceira ou quarta fila, mas não consigo encontrá-lo.

— Zach, você viu o Alec?! — pergunto, quase gritando por causa do barulho da quadra.

Meu melhor amigo olha em volta.

— Não to vendo ele, Arthit — responde, ainda o procurando.

— Thomas Harris, o melhor amigo dele, também não está na arquibancada! — exclamo, preocupado.

— Foco, Arthit! — diz o treinador, sacudindo o meu ombro quando me vê alheio à apresentação do time adversário. — Agora não é uma boa hora para você se distrair!

Assenti, mesmo preocupado.
Alec deve ter ido ao banheiro ou sentado em algum outro lugar por algum motivo.
Ele vai aparecer!
Tenho que fazer uma cesta de três pontos e dedicá-la a ele.

___________________
.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top