19
Quando O Sol Nasce No Ocidente | dezenove.
— Então você tem um rival? — questiona Zach, debochadamente interessado.
— Não acho que seja o caso — resmungo, assistindo o Alec abraçar um cara mais velho na saída do colégio.
— Será que esse é o tal do Phillip? — pergunta Zach, me cutucando insistentemente.
No intervalo, um pouco mais cedo naquele mesmo dia, Zach e eu ouvimos por acaso uma conversa entre Alec e seu melhor amigo, Thomas Harris. Thomas estava perguntando insistentemente sobre o "crush" que Alec tem em uma pessoa que se chama Phillip. Curioso, me meti na conversa e os questionei sobre o assunto. Alec negou e Thomas disse que era apenas uma brincadeira.
Mas se era uma brincadeira, por que o garoto que eu gosto está abraçando outro cara?
— Ele é mais alto que você, Arthit — diz Zach, ainda me cutucando.
— Só alguns centímetros.
— Ele tem uma barba perfeitamente fechada!
— Grande bosta!
— Aquele é o carro dele? Tenho certeza que o vi sair daquele carro.
— Ele é velho! Claro que tem um carro! Na idade dele pretendo ter dois ou três carros também!
— Ele não é tão velho. Aquele cara deve ter no máximo vinte e três anos. Sem falar que ele tem cara de ser mais dotado que você.
O encaro, nada feliz com aquele comentário.
Com passos largos e pesados, desço para o estacionamento livre. Contorno os carros em direção ao Alec, sem tirar a atenção do que eles faziam.
— Vamos embora, Alec? — pergunto, assim que o barba fechada abre a porta do carro e o convida para entrar.
— Você já vai? — pergunta. — Achei que tinha treino de basquete.
— Foi cancelado — respondo, e desvio minha atenção para o barba fechada.
Ele não é tão mais alto que eu.
Se tenho um metro e oitenta, ele deve ter um e oitenta e três. Talvez um e oitenta e cinco, no máximo!
— Esse é meu amigo, Phillip — diz Alec, o apresentando.
— Como vai?! — cumprimento, estendendo a mão para ele. — Meu nome é Arthur.
— Como vai, Arthur? — retribui o cumprimento, apertando a minha mão calorosamente.
— Era dele que o Thomas estava falando no intervalo? — questiono, voltando minha atenção para o Alec.
— Sim... Quero dizer, não! — responde.
— Thomas disse que era zoeira — pontuo, cruzando os braços. — Quando você ia me falar sobre ele?
— Contar sobre o que? — pergunta Phillip, confuso.
— Desde quando vocês estão saindo? — pergunto, estranhamente irritado.
— O quê?! Como assim?! — questiona Phillip, começando a rir.
— Não estamos saindo, Arth — diz Alec, coçando a cabeça. — Phillip e eu somos amigos.
— Eu vi vocês se abraçando — digo, tão rápido que quase dou um nó em minha língua. — Você ia entrar no carro dele! Ele abriu a porta pra você!
Phillip parece achar graça, se aproxima e põe a mão em meu ombro.
Me afasto, esbarrando no carro de trás.
— Não encosta em mim — resmungo, nervoso.
— Você está enganado, Arthur — diz Phillip, calmo.
— Vem comigo, Arth — diz Alec, descruzando os meus braços, pegando em minha mão e me puxando dali.
Confesso que perdi um pouco a paciência, mas não gostei do que vi. Alec parece muito próximo do Phillip. Eu não estaria tão nervoso se não tivesse ouvido aquela conversa no intervalo...
Existe um Phillip e ele está ali... Mais velho, mais alto, de barba fechada e com um carro. Um carro que nem é tão bonito e caro quanto o do meu pai.
— Você mentiu pra mim, Alec.
— Não menti.
— Ele é o Phillip que o Thomas estava falando, não é?
— Sim, mas ele é só meu amigo.
— Então por que o Thomas, que é seu melhor amigo, disse que você tem um crush pelo Phillip?
Alec suspira, e parece achar graça em tudo aquilo.
— Tive que mentir que gosto do Phillip para o Thomas parar de me perturbar com perguntas. Ele percebeu que estou gostando de alguém, então tive que inventar uma história para ele não suspeitar que é você!
Coloco as mãos na cintura, ainda desconfiado.
— Por que vocês estavam se abraçando?
— Faz um tempo que não nos vemos.
— Ele é... Ele... Ele é gay?
— Sim, mas somos só amigos!
— Jura pra mim?
— Eu gosto só de você, Arth!
Respiro fundo e solto todo o ar de uma vez.
— O que ele está fazendo aqui?
— Veio me buscar para me levar para casa.
— Que audácia! — resmungo, incomodado.
Alec ri.
O encaro, intrigado.
— Do que você tá rindo?
— Você tá com ciúme?
— Hãn?! O quê?! Não!
— Você tá com ciúme de mim e do Phillip?
— Não é ciúme!
Ele continua me encarando, segurando o riso. Percebo que Alec está certo, mas não dou o braço a torcer. Sim, estou com ciúme. Não é fácil descobrir que a pessoa que você gosta possivelmente tem um crush por outra. Pior ainda é ver a pessoa que você gosta abraçando esse tal crush.
Por um momento, toda aquela brincadeira pareceu verdade.
— Amanhã na minha casa, certo? — pergunto, enquanto voltamos para o carro do Phillip.
— Certo! — confirma Alec, animado.
Phillip está nos esperando, com os braços cruzados e uma expressão nada feliz.
— Está convencido de que somos só amigos, japonês? — pergunta Phillip, me encarando.
— Não sou japonês — respondo, o encarando de volta. —, e nunca duvidei do Alec.
— Mas eu duvido de você — fala, ríspido. — Não confio em você e nesse papinho furado de que gosta do meu amigo.
Desvio minha atenção para o Alec, depois volto a encará-lo.
— Mas gosto! — retruco, sério. — Algum problema com isso?
— Vai ter se ferir os sentimentos dele — diz, abrindo a porta do carro. — Não vou deixar você enganar o Alec. Conheço bem héteros curiosos e babacas igual a você!
Ele me chamou de quê?
Fecho o punho e penso em avançar contra ele, mas Alec se coloca na frente.
— A gente se vê amanhã, Arth? — pergunta, quase me abraçando.
— Sim, Alec — confirmo, recuando.
— Tchauzinho, japonês! — exclama Phillip, me provocando.
— Ele é tailandes, Phillip — diz Alec, entrando no carro.
— Tanto faz! — exclama, rindo.
Confio nos sentimentos do Alec, então fico tranquilo em relação a amizade dele com o Phillip. Eles são só amigos e isso ficou claro. O que não gostei é do questionamento que Phillip fez em relação aos meus sentimentos. Ele duvida de mim. Alec e ele com certeza conversaram sobre isso. Não sei sobre o que falaram, mas pela colocação do Phillip, não foram coisas boas.
Será que o Alec também duvida dos meus sentimentos por ele?
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