Prólogo

Musica que me inspirou a escrever esse livro: So Cold - Be Cocks

(Está no vídeo acima)

Sugiro que leiam o prólogo ouvindo So Cold - Be Cocks

O livro conta a história da Sophia, uma jovem mulher que tem dificuldade para amadurecer, superar traumas e tomar as próprias rédeas da sua vida. E de Caleb, um cara que tinha tudo para ser uma ótima pessoa, mas no decorrer do caminho se perdeu, tornando-se uma pessoa de caráter duvidoso. E sim, o Caleb te irritará muito no inicio e talvez até no meio do livro (acredite ele me irrita muito também).

Resumindo o livro fala de superação, amadurecimento, recuperação da auto-estima e segundas chances.

Então se estiver atrás de um livro onde os personagens evoluem com o tempo, Quando Novembro Acabar é para você!

Boa Leitura ♥

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Cinco anos antes...

Acordei assustada, com o barulho estridente do despertador. Esfreguei os olhos, olhei ao redor do meu quarto mal acreditando que meu grande dia havia chegado. Ali estava eu, em um pequeno apartamento em Londres, prestes a me casar, só de pensar comecei a senti borboletas no estômago, muitas dançando em sincronia.

Minha historia com Caleb começou há dois anos, quando nos conhecemos em um PUB em Londres.

Era aniversário de Marion e decidimos sair para comemorar em um clube no Soho. Kate e Marion estavam muito agitadas e eu como sempre cansada, devido à rotina de estudos na faculdade.

- Soph você não vem dançar? - Marion perguntou animada.

- Não, podem ir sem mim! Vou terminar o meu vinho. - sorri levantando a taça.

- Ok, só não demore muito! - Ela gritou.

- Pode deixar! - pisquei.

Continuei tomando meu vinho, observando o lugar que estava lotado, vi Marion dançando com um cara até gatinho, e Kate estava se acabando ao som de David Gueta. Fiquei rindo sozinha da cena, ate que a noite estava sendo divertida. Voltei a percorrer o lugar com os olhos quando notei um cara alto, forte e com um sorriso de matar qualquer uma do coração, me encarando na mesa ao lado. O encarei também e ele sorriu novamente levantando seu copo, fiz o mesmo com minha taça. Continuamos nos encarando durante alguns minutos, até ele se levantar e caminhar em minha direção.

- Posso? - ele puxou a cadeira ao meu lado.

Meu Deus! Ele tem um pedaço do céu no lugar de olhos.

- Claro! - sorri, hipnotizada com aqueles olhos profundos como o mar.

- Confesso que estou intrigado em saber por que uma garota tão linda está sozinha?

Porque ainda não tinha te encontrado!

- Talvez ela esteja esperando a companhia certa. - pisquei para ele.

- Bom, creio que já a encontrou. - Ele respondeu com sorriso despretensioso, o sorriso mais lindo e sedutor que já tinha visto na vida. - A propósito, Caleb. - estendeu a mão.

- Sophia. - apertei sua mão.

Passamos o resto da noite juntos, ele era uma pessoa muito agradável e com incrível senso de humor. Dançamos e trocamos carícias. Porque era difícil resistir aquele homem de olhos azuis intensos e sorriso largo. No final da noite ele pediu meu número. E no outro dia ligou me convidando para jantar.

Bom um mês depois, já estávamos namorando.

Caleb era leve, descomplicado, romântico, engraçado, teimoso e cabeça dura. Tínhamos uma cumplicidade e sintonia enorme, adorava a forma com que ele me fazia sorrir, e de como me compreendia quando algo em meu dia não ia bem. Resumidamente ele era meu príncipe imperfeito perfeito para mim.

No nosso aniversário de dois anos de namoro, ele me levou para um passeio na London Eye. Havia alugado uma cabine na mesma com direito a champagne e canapés. Durante o passeio, o vi tirando do bolso de sua jaqueta uma caixinha de veludo vermelha. Meu coração na hora acelerou quando imaginei o que aquilo significava. Ele então se virou para mim, segurou minhas mãos, olhou dentro dos meus olhos, ambos estávamos com a respiração ofegante. Quando ele tomou a iniciativa e começou a falar:

- Sophia Salvatore, desde o dia em que te vi pela primeira vez, tive plena certeza de que à queria ao meu lado pelo resto de minha vida. E esses últimos dois anos, serviram para confirmar o que eu sempre soube desde aquele dia. Amo ouvir seu sotaque meio italiano, adoro a forma enigmática que me olha quando está chateada com algo, gosto de ficar te ouvindo cantar quando estamos no carro e da sua forma leve e positiva de ver a vida. Você me passa segurança de que tudo na minha vida dará certo, desde que esteja ao meu lado. É com você que me imagino construindo uma família, é você que quero como mãe dos meus filhos e como esposa. Pode parecer bobo não sei, mas não consigo imaginar minha vida sem você. E se você aceitar esse pedido de casamento prometo te amar e respeitar pelo resto de nossas vidas.

Senti meus olhos marejarem, tentei, mas foi em vão segurar as lagrimas que começaram a escorrer pelo meu rosto. Em frações de segundos, vi um filme passando em minha cabeça, que começava desde do dia que o conheci até a nossa velhice juntos. Imaginei nosso casamento, nossos filhos pequenos correndo pela casa, depois eles se casando e seguindo suas vidas. E no final eu e Caleb sentados na varanda de nossa casa de mãos dadas, bem velhinhos observando o tempo passar.

Fui interrompida de meus devaneios pela sua voz suave.

- Amor ainda estou esperando sua resposta. - Ele me olhava com aquele olhar que me deixava fora da orbita da terra, como amava aquele olhar, como eu o amava.

- Sim! - Gritei eufórica. - Claro que aceito. - Disse novamente o puxando para um beijo apaixonado.

Ele abriu a caixinha e retirou o anel, segurou minha mão direita e o colocou em meu dedo anelar. Depois deu um suave beijo em minha mão. Fiquei maravilhada com a delicadeza de meu anel. Era um filho único com um pequeno diamante no centro, em volta havia pequenas pedrinhas de brilhante. Era simplesmente lindo, foi o momento mais bonito da minha vida, minha cena hollywoodiana.

- Eu te amo muito. - Ele sussurrou em meu ouvido.

- Eu também te amo muito meu amor.

Despertei de meus pensamentos levantando em um pulo. Não poso me atrasar, terei um dia cheio no spa. Depois de um banho morno, resolvi vestir uma roupa leve e confortável, já que era verão em Londres. Parei em frente ao espelho e fiquei me olhando igual uma boba apaixonada, depois de dois anos juntos, eu ainda me sentia assim. O celular vibrou em cima do criado mudo me assustando.

Kate!

- Oi amiga!

- Soph está pronta?

- Adoro a pontualidade britânica. - ri.

- Claro, jamais me atrasaria! Agora trate de me esperar na portaria, chego em cinco minutos.

- Ok Kate, já estou descendo. -Desliguei.

Kate era uma de minhas madrinhas de casamento e junto com Marion minha melhor amiga, conhecemos-nos ainda crianças quando me mudei da Itália para Londres com minha família. E desde então somos inseparáveis.

Peguei minha bolsa e caminhei em direção a saída, quando passei pelo corredor vi a porta do quarto de Marion entre aberta. Enfiei a cabeça entre o espaço e a vi dormindo.

- Mari. - A chamei. Ela demorou um pouco a despertar, mas logo me respondeu, espreguiçando-se com cara de sono.

Marion era tão linda, que nem quando acordava conseguia ficar feia. Nos conhecemos na faculdade, ela era do interior da Inglaterra, havia se mudado para Londres para estudar. Como eu precisava de alguém, para dividir as despesas com o apartamento, a convidei para morar comigo. Temos sido melhores amigas, ela e Kate são as irmãs que eu não tive.

- Já estou indo para o spa! Sabe como Kate é ansiosa, já está chegando para me levar.

- Ok amiga. - Ela bocejou. - Nos encontramos na igreja. Aproveite bem seu dia, algo me diz que hoje será inesquecível.

- Pode deixar Mari. - Escutamos uma buzinação que só poderia ser de Kate.

- Kate. - falamos juntas. - Preciso ir Marion nos encontramos na igreja. - mandei um beijo.

Ela sorriu e o retribuiu voltando a dormir. Deveria está cansada, pois trabalhava a noite como promoter em um clube no Soho.

Por um pequeno segundo parei entre a porta da sala, me virei e olhei para meu pequeno "apertamento". Era impossível não me lembrar dos momentos bons que tive ali, sentirei falta desse lugar. Fechei a porta e desci o lance de escadas do meu prédio rumo a portaria.

- Bom Dia Sr. Green. - acenei para meu vizinho, que estava entrando pela portaria do meu prédio cheio de sacos de compras nas mãos.

- Bom Dia! Srta. Sophia. - Ele tentou acenar de volta.

Escutei novamente Kate buzinando e me apressei em direção à saída. Ela estava com seu fusca cor de rosa estacionado na porta do meu prédio. Acho que Kate era a única pessoa em Londres que tinha um fusca cor de rosa. Dei a volta e entrei, me sentando no banco do carona. Ela mal me esperou fechar a porta e já pisou no acelerador.

- Kate! O que é isso? - perguntei assustada, com a velocidade que estava dirigindo.

- Ansiedade amiga. - Ela suspirou, voltando a fixar os olhos na direção.

- Ok, apenas lembre-se que para haver casamento a noiva precisa está viva. Rimos juntas e começamos a conversar sobre o assunto do ano, meu casamento com Caleb O'Brien.

Meia hora depois chegamos ao Mandarim Oriental, um luxuoso hotel spa com uma elegância atemporal. Kate entregou a chave de seu fusca ao manobrista, e nos dirigimos ao hall de entrada do hotel. A nossa espera estava a Sra. Ling, uma adorável recepcionista que nos recebeu amavelmente. Ela me encaminhou para onde passaria o resto do dia me arrumando.

~:~

- Oh Soph, está maravilhosa! - Minha mãe gritou emocionada quando me viu vestida de noiva.

Virei-me em direção ao espelho e não conseguir acreditar no que via. Estava incrivelmente perfeito, do jeito em que eu imaginava. Meu vestido era um modelo princesa, com mangas rendadas com uma fina renda, possuía um leve bordado com cristais na altura da cintura.

Terminei de colocar o véu contendo as lagrimas para não borrar a maquiagem. Sempre sonhei em encontrar um príncipe encantado e me casar, e agora esse sonho estava se tornando realidade. Kate caminhou em minha direção, trazendo meu buquê misto de rosas cor de rosas e brancas. Me deixando ainda mais emocionada.

- Você está maravilhosa. - Ela falou se segurando para não chorar.

- Não vamos chorar. - sussurrei a abraçando.

Entrei na limusine que estava a minha me espera. - Podemos ir Peter. - assenti para o motorista. Mal conseguia conter minha ansiedade. O trajeto até a igreja durava cerca de vinte minutos, mas parecia uma eternidade.

Quando finalmente viramos na rua da igreja. Meu coração começou acelerar, senti um delicioso frio na barriga, e involuntariamente minha boca se abriu em um largo sorriso.

Ai meu Deus!

Porém, quando nos aproximamos da igreja notei algo errado. A maioria dos convidados estavam na porta da igreja com expressão de espanto. Desci da limusine e fui ao encontro de meu pai. Ele me aguardava com uma expressão séria, poucas vezes o vi assim.

- O que está acontecendo papá?

- Eu sinto muito bambina mia. - Ele respondeu com a voz embargada.

Fiquei sem entender o motivo de sua resposta. Olhei para o lado e vi meu irmão Giovanny muito alterado. Sua esposa Samantha tentava o acalmar, mas parecia ser em vão. Virei-me e vi Antonny meu outro irmão vindo em minha direção com o rosto cerrado.

- Antonny, por favor, me diga o que está acontecendo? - o abracei, mas ele não me respondeu.

Fiquei ainda mais angustiada, ninguém me dizia o que estava acontecendo, mas sentia que era algo muito grave com Caleb.

- Antonny! - Gritei.

- Sophia, eu não sei como te dizer isso. - ele fez uma pausa. - É Caleb. - Ele continuou e pude perceber sua raiva pelo o modo que falou.

- O que aconteceu com Caleb? - Perguntei já imaginando o pior, mas ele permaneceu imóvel com o olhar distante.

- Antonny! - Gritei o sacudindo. - Por favor, me diga o que aconteceu com meu noivo?

- É... É que ele... - As palavras não saiam.

- Ele o que Antonny? - Tentei manter o pouco que me restava de calma.

- Ele te abandonou Sophia! - gritou exaltado.

Os sons daquelas palavras ecoaram em meu cérebro como fortes trovões ecoam no céu. Meu mundo parou junto com meu coração. Senti minhas pernas fraquejarem com a revelação, e implorei para que elas aguentassem o peso daquelas palavras. Uma dor latejante tomou conta de meu peito, me fazendo faltar o ar.

Comecei a caminhar atordoada, mas meu corpo estava relutante em obedecer meus comandos. Minha mente não queria acreditar no que estava acontecendo, e talvez por esse motivo, ela tenha parado de enviar comandos ao meu corpo, pois o senti amolecer pronto para despencar no chão a qualquer momento. A mão de Antonny tentou me amparar, mas com um impulso o empurrei para longe de mim.

Voltei a caminhar em direção a rua, não podia suportar a forma que as pessoas me olhavam, eram olhares de pena e compaixão. Vi um táxi se aproximando e pedi a Deus para que ele estivesse vazio. Dei sinal e o mesmo parou, entrei desesperada batendo a porta. Meus irmãos correram atrás do taxi gritando, mas ordenei o motorista a arrancar imediatamente dali e ele o fez.

Uma vez em meu apartamento o primeiro que fiz foi ligar para o numero de Caleb. Precisava me assegurar que estava tudo bem, que tudo não passava de um engano. Liguei mais de dez vezes na esperança que fosse um problema de rede. Mas, o único som que escutei, era o de sua operadora dizendo que o número chamado se encontrava fora de área.

Corri em direção ao meu quarto e no caminho me deparei com a porta do quarto de Marion aberta. Era estranho, pois ela sempre a trancava antes de sair, entrei no cômodo e me deparei com seu armário totalmente vazio.

Fiquei atordoada, sem entender o que esta acontecendo, quando avistei um envelope branco em cima de sua penteadeira. Peguei o mesmo e vi meu nome escrito com a letra de Marion, o abri imediatamente sem entender o porquê ela havia o deixado ali.

Soph acredite escrever esse bilhete foi à coisa mais difícil que já fiz em toda minha vida. Há algum tempo atrás, tive a infelicidade de me apaixonar pelo noivo de minha melhor amiga. Acredite, tentei o tirar- lo de meu coração, para não te ver sofrer. Porém, não sei como aconteceu, mas Caleb também correspondeu esse sentimento. E hoje, quando estava a ponto de sair de casa, para o casamento de vocês me deparei com ele em meu quarto, e nosso amor foi mais forte. Espero que um dia possa nos perdoar.

Marion

Não pode ser! Tonteei para cair, sentindo como se meu corpo pesasse toneladas. Foi então, que a dor que minha mente estava evitando, começou a se alastrar em meu peito. Todos os meus sentidos pareciam ter me abandonado, restando apenas a visão, para que eu pudesse ver meu mundo desmoronando. Quando me dei conta, estava no chão aos prantos, gritando e ao mesmo tempo rasgando meu vestido. Agora nada mais fazia sentido, estava perdida em meio minha dor.

Por que meu Deus? Por que fizeram isso comigo?

Criei forças para me levantar. Me olhei no espelho e senti um ódio absurdo tomar conta de mim. Havia um vidro de perfume em cima de sua penteadeira, por impulso o peguei e o arremessei contra o espelho que se desfez em pedaços. A dor naquele momento era tão insuportável, que eu precisava a parar de qualquer forma. Dói muito quando a traição vem de quem menos esperamos.

Olhei para os cacos do espelho e avistei um maior que os outros. O peguei em um ato de desespero apertando-o contra minha mão. Imaginei Caleb e Marion juntos, vivendo o meu sonho, e outra pontada invadiu meu coração. Aquilo não podia estar acontecendo de verdade. Não podia ser real, minha melhor amiga e meu noivo juntos, não pode ser! Tudo parecia sombrio, distante e dolorido demais.

Olhei o caco de vidro que ainda estava em minha mão, então em um ato desesperado, o passei sobre meu pulso depositando toda minha força. Senti uma dor aguda no local, mas nem ela foi capaz de me deter. Fiz o mesmo com o meu outro pulso. O sangue começou escorrer sobre o que sobrou de meu vestido. Aquela dor física estava conseguindo aliviar a dor de minha alma.

Meu corpo dolorido caiu no chão, senti que não podia respirar. Todos os meus sonhos estavam mortos. Caleb voce me deve uma explicação, porque partiu o meu coração?

Caleb o chamei antes de tudo escurecer.

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Olá amores! Esse é o modelo do vestido da Soph lindo né? 😍

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