Capítulo 7
"Onde há desejo, haverá uma chama. Onde há uma chama, alguém está sujeito a se queimar. Mas só porque queima não significa que você vai morrer. Você tem que se levantar e tentar..."
Try, P!nk.
Passei a noite toda de olhos abertos, encarando o teto do meu quarto fixamente. As palavras de Caleb não saíram da minha cabeça nem por um segundo.
"Mas sabe, tenho que te agradecer. Porque graças a você descobri Marion, uma mulher maravilhosa, digna e honesta. Eu a amo muito, como nunca pensei amar alguém."
Não consegui dormir, na verdade, nem sono eu conseguia sentir nesse momento. Lembrar da forma com que falou de Marion cortava meu coração.
"Ter conhecido você aquela noite foi uns dos maiores erros da minha vida. Por sorte descobri antes de casar contigo, suas mentiras e suas traições."
Precisava descobrir o que realmente aconteceu há cinco anos, e começaria a partir de hoje.
Forcei-me a sair da cama praticamente rastejando até o banheiro. Quando encarei meu reflexo no espelho, vi uma Sophia que não conhecia mais, desde quando abandonei a clinica de reabilitação. Meus olhos estavam inchados e eu estava com uma aparência abatida. Senti uma lagrima fujona descer pela minha bochecha, e a sequei com raiva.
Nunca mais voltarei a chorar por você Caleb O'Brien.
Tirei minha camisola de seda preta e entrei no chuveiro deixando a água quente cair pelo meu corpo, me preparando mentalmente para enfrentar o dia que teria pela frente. Eu sabia que ao sair do quarto teria que encarar Caleb, então, demorei o máximo que pude no banho imaginando que assim evitaria um confronto pelo o que eu disse a ele ontem. Tenho certeza que minhas palavras aumentaram ainda mais seu ódio por mim.
Fechei os olhos, ainda entorpecidos pela sensação de calmaria que a água quente caindo em meu corpo proporcionava, e vi nossa história, minha e de Caleb, se passar pelos meus olhos. Nosso primeiro encontro naquele maldito pub no Soho, a primeira sensação de borboletas no estomago, nosso primeiro beijo, o primeiro abraço, o primeiro toque, o primeiro eu te amo, o pedido de casamento na London Eye, e a sensação de vazio horrível que senti quando fui abandonada no altar. Tudo o que me fez mais feliz durante dois anos de namoro, passou a doer lascivamente durante esses últimos cinco anos. E depois de ouvir Caleb falar daquela forma, tive plena certeza de que tudo o que vivemos não passou de uma farsa. Sufoquei novamente um soluço dentro do meu peito, segurando as lágrimas que insistiam rolar sobre meu rosto. Ele não me merece, assim como nunca mereceu nenhuma delas.
"Engraçado como o coração pode iludir, mais do que apenas uma vez. Por que nos apaixonamos tão facilmente? Mesmo quando isso não é certo... "
Saí do banho enrolada em uma toalha e fui para o closet me vestir. Escolhi um conjunto de blazer e calça vinho, combinado com uma camisa branca, e sapatilha, algo casual, porém sofisticado. Sequei rapidamente os cabelos, e fiz uma maquiagem bem leve, somente para disfarçar os olhos inchados.
Uma hora depois abri a porta do quarto, com a bolsa no ombro e um sobretudo preto na mão. Caminhei fazendo o mínimo de barulho possível pelo corredor. Ao entrar na enorme sala de jantar dei de cara com Elena, que estava me esperando para servir o café da manhã. Achei que encontraria Caleb ainda em casa, mas não o vi. Puxei uma cadeira me sentando, Elena logo começou a servir meu café. Como um tradicional café da manhã inglês, havia feijão doce, ovos, bacon, cogumelos, salsicha, suco de laranja, chás, café, pães e cereais. Ficamos em silêncio enquanto eu tomava um pouco de chá, até que criei coragem e perguntei por Caleb.
— E Caleb?
— O senhor O'Brien vai cedo trabalhar todas as manhãs e sempre toma seu café da manhã sozinho, já que a senhora O'Brien costumava-se levantar mais tarde. — Elena me respondeu secamente, deixando-me curiosa em saber se a cobra havia vivido naquela casa.
— Marion viveu aqui? — perguntei me fazendo de desinteressada, enquanto passava geléia de amora em uma fatia de pão.
Elena ficou um tempo me encarando. Hesitou em me responder, mas por fim falou:
— Não. Quando se separaram, o sr. O'Brien comprou esta casa, deixando-a com o apartamento em que viviam.
— Tem muito tempo que trabalha para Caleb? — Liguei o modo FBI.
— Desde quando estavam recém casados. — Ela continuou parada me olhando com despeito.
— Será que eram felizes? — sussurrei mais para mim mesma. Mas Elena ouviu e logo sua fisionomia fechada, se abriu em um sorriso demoníaco.
— Sim, os dois se amavam demais. O Sr. O'Brien adorava até mesmo o chão que a Sra. O'Brien pisava. Por isso, acho melhor a senhorita não criar muitas ilusões. — ela esbravejou enquanto começou retirar a mesa bruscamente, sem esperar eu terminar de tomar meu café da manhã.
— O que? — perguntei ainda sem acreditar que estava ouvindo aquilo.
— Disse para não ficar iludida com o sr. O'Brien. Ele continua amando a sra. O'Brien e você... — ela fez uma pausa enquanto me fitava com desprezo. — Não é mais que um passatempo enquanto ele não se reconcilia com ela.
Calma Sophia respira fundo.
Por mais que eu quisesse gritar com aquela mulher, dizendo que ela não tinha nada a ver com minha vida, e que ela seria a última pessoa no mundo a quem eu pediria conselhos. Ela tinha razão, eu não passava de um passatempo para Caleb até se reconciliar com Marion. Mesmo assim, eu não era obrigada a ficar recebendo patadas gratuitas de ninguém. Quando estava pronta para lhe dizer tudo o que ela merecia ouvir, uma voz feminina chamou minha atenção.
— Elena, então é assim que você trata sua futura patroa? — a voz feminina a recriminou.
Quando me virei rapidamente, fiquei boquiaberta. Jade O'Brien, a irmã caçula de Caleb, estava parada entre o vão que separava as duas salas.
— Jade? — perguntei atônita.
Da última vez em que a vi, ela era uma adolescente rebelde com o cabelo pintado de azul e rosa.
— Sim, sou eu Soph! — um sorriso largo me saudou.
— Nossa... — Me levantei indo em sua direção, gesticulando com as mãos, sem acreditar no que estava vendo. — Como você está diferente, está tão linda!
— Você também está linda! — ela sorriu me abraçando apertado.
Diferente da adolescente rebelde que estava acostumada a ver. Jade agora era uma mulher feita, os cabelos curtos cor de rosa e azul, agora eram escuros e compridos totalmente lisos. A camiseta preta de banda, o jeans rasgado e o all star foram substituídos por um vestido tubinho nude e scarpins preto. Estava maravilhoss com seus vinte e cinco anos.
Nos abraçamos ainda mais forte, mexendo no cabelo uma da outra.
— Senti tanto a sua falta. — ela falou.
— Eu também roqueirinha. Nossa! Olha para você, está tão... Madura. — falei e começamos a rir.
Ficamos assim por um tempo. Nossa diferença de dois anos de idade, além de outras coisas, nos fazia muito apegadas uma com a outra. Estava muito feliz em reencontrá-la depois de tanto tempo.
— Senhorita O'Brien posso mandar retirar a mesa? — Elena interrompeu nosso momento nostálgico.
— Pergunte diretamente a srta. Salvatore, Elena. São as ordens dela que deve cumprir. — Jade falou secamente.
Ela ficou parada, enquanto olhava pra gente com um olhar furioso. Mas Jade pareceu não se importar, continuou parada encarando Elena com as mãos na cintura.
— Vamos Elena, não temos o dia todo a sua disposição.
— Srta. Salvatore posso mandar retirar a mesa do café da manhã? — Ela perguntou novamente, mas dessa vez direto para mim.
— Sim Elena, por favor. — A respondi de forma calma, mostrando que ao contrario dela, eu sabia tratar bem as pessoas.
Ela então caminhou em direção a cozinha, quando Jade a chamou, com seu jeito meigo, mas duro o suficiente para que Elena entendesse.
— Elena volte aqui por um instante. — Bastou essa simples frase para Elena voltar murcha para a sala de jantar. — Espero que tenha entendido que agora quem manda nesta casa é a Srta. Sophia, e que situações assim não voltaram a ser toleradas. Porque se houver uma próxima vez em que falar com Sophia naquele tom, eu mesma me encarregarei de dispensar seus serviços. Estamos entendidas? — Jade perguntou de forma autoritária.
— Sim, srta. O'Brien. — ela respondeu com a cabeça baixa.
— Ótimo, agora pode se retirar. — Jade ordenou, mostrando bem a quem puxou.
A governanta de Caleb foi obrigada a sair da sala, aparentando ter uma humildade que não tinha.
— Perdão por isso Sophia, Elena é team Marion. — Jade se desculpou revirando os olhos. — Que tal conversamos um pouco?
— Sim, claro. — Sorri amistosamente.
Fomos para a sala de estar, nos acomodando no enorme sofá de couro preto. Começamos a conversar como duas amigas que não se viam há muito tempo. Jade continuava a mesma de cinco anos atrás: divertida, curiosa e rebelde é claro. Ela me contou tudo sobre sua vida. Como largou seu conceituado emprego na bolsa de valores em Nova Iorque, para trabalhar com moda e abrir sua própria boutique. Nesse meio tempo, Antonny me ligou contando que finalmente nosso pai foi transferido para um quarto comum e que estava melhor, já fora de perigo. E claro ela quis saber tudo sobre meu irmão do meio. Falei para ela que ele estava no ultimo ano de sua especialização em cardiologia, que continuava sendo o mesmo cara tranquilo de sempre, negando o sangue quente italiano que corria em suas veias.
Quando eu contei que ele continuava solteiro e que nunca tinha nos apresentado uma namorada séria, ela ficou boquiaberta. Pudera, meu irmão era lindo, alto, tão loiro quanto eu e ostentava um belo par de olhos verdes. O homem perfeito? Seria se não fosse um galinha incorrigível. Jade sempre nutriu uma paixonite por Antonny, mas Antonny nunca a correspondeu. Talvez fosse por respeito à Caleb, que até então era seu amigo.
Continuamos conversando sobre a vida do meu irmão, e eu estava agradecendo o interesse dela em saber tudo sobre ele. Eu não queria falar da minha vida pessoal, o que implicaria ter que falar do meu passado na clínica de reabilitação. Além do mais, eu não saberia o que responder se ela perguntasse sobre como eu e Caleb reatamos a relação. Conhecendo ele como eu conhecia, tinha certeza que não havia contado para ela que nossa relação não se passava de uma farsa.
As coisas entre nós fluíram tão bem, que nem percebemos o tempo passar. Quando nos demos conta, já estava quase na hora do almoço ser servido.
— Sophia... — Ela parou como se estivesse tomando coragem para continuar. — Eu sinto muito, eu realmente sinto muito por tudo o que aconteceu há cinco anos. — Ouvir aquilo me fez fechar os olhos com força. Tentei forçar um sorriso, mas Jade notou minha reação. Ela então tocou em meu braço, me fazendo abrir os olhos novamente e sorrir para ela.
— Tudo bem Jade. — Segurei em sua mão antes de continuar. — Isso já foi há algum tempo, as coisas mudaram muito. Nós mudamos, por favor, não vamos falar do passado.
— Tem razão. Eu só queria que soubesse que eu nunca quis me afastar de você, depois do que... Você sabe bem, eu tentei te procurar, mas seus irmãos me impediram. Também queria que soubesse que minha família nunca apoiou o que Caleb e Marion fizeram. — ela comentou séria.
— Jade fique tranquila, isso realmente não tem mais importância.— a tranquilizei. — Eu e seu irmão decidimos esquecer o passado e recomeçar do zero. — Menti feio, mas foi necessário. Precisava morrer aquele assunto o quanto antes.
— E eu estou tão feliz por vocês estarem juntos novamente. — ela sorriu empolgada.
Suspirei, tentando atuar da melhor forma possível. — Sério? E como ficou sabendo que estávamos juntos? — a indaguei.
— Caleb mandou Elizabeth, sua secretaria, ligar para Brianna, minha vendedora, pedindo que ela enviasse por email vários modelos de vestidos para que ele selecionasse. Quando Brianna me contou fiquei muito curiosa, pois depois que se separou de Marion, nunca mais o vi com ninguém. — Ela meu olhou com uma expressão engraçada no rosto. — Então eu fui até seu escritório, e praticamente o obriguei a me contar para quem era aquele vestido. — Sem querer soltei uma gargalhada, quando imaginei os métodos persuasivos que Jade usou, para convencer o irmão a confessar.
Jade voltou a me encarar com os seus olhos azuis profundos, sorri um pouco sem graça tentando adivinhar o que ela queria me dizer.
— Eu sempre soube que Caleb ainda te amava. — Ela falou por fim me pegando de surpresa. — Ele só precisava se dar conta sobre esse fato. — ela falou como se fosse a coisa mais simples do mundo.
— Me amava? — Perguntei meio no automático, surpresa com o que ela tinha acabado de dizer.
— Vem comigo! — Ela saiu me puxando rápido pela mão em direção ao escritório de Caleb, me fazendo a seguir. — Preciso te mostrar algo. — Ela falou enquanto entrávamos em seu escritório totalmente organizado.
No local havia uma mesa central de madeira como uma poltrona de couro preta, e um sofá de couro branco. No outro canto havia um mini bar com varias garrafas de uísque caro e uma enorme estante com vários livros. Em cima da mesa, tinha um MacBook prato, e ao lado dele um porta retrato com uma foto de Jade, Caleb e Christine a mãe deles. Percorri a mesa com olhos, procurando alguma foto de Marion. Mas além dessa foto, só havia uma pilha de papeis bem organizados.
Jade então pegou uma pequena chave dentro de um vaso decorativo, abriu a gavetinha da mesa, e retirou uma foto escondida no meio de alguns papeis. Ela então olhou para mim com os olhos brilhando, e me entregou a foto com um sorriso no rosto. Peguei a foto com receio, e quase caí para trás, quando vi que se tratava de uma foto minha.
— Se lembra do dia que Caleb tirou essa foto? — ela inquiriu sorrindo.
Fiquei mais um tempo analisando aquela foto, quando me lembrei. Pela a roupa que estava usando, deduzi que a foto foi tirada no nosso almoço de noivado, na casa dos meus pais. Lembro-me de Caleb sussurrando em meu ouvido, que revelaria aquela foto e a guardaria pelo o resto de sua vida. De todas as inúmeras fotos que tiramos naquele dia, segundo ele, aquela era a mais bonita, pois foi tirada espontaneamente enquanto eu ria de algo. Fiquei atordoada com as lembranças que aquela foto me trouxe. Não entendia o motivo de Caleb guarda-la depois de tantos anos... Depois de tudo o que aconteceu entre nós.
— Sim... — respondi quase para mim mesma.
Ela então se achegou um pouco mais próximo a mim, segurou minhas mãos me olhando com aquela imensidão azul e disse:
— Caleb mudou muito nos últimos anos... Não é mais o mesmo Caleb que conheciamos, na verdade desde que se casou com Marion, se tornou um homem amargo, autoritário, frio... — Ela me olhava de forma apreensiva, enquanto colocava meu cabelo atrás da orelha. — Porém, a unica coisa que não mudou em todos esses anos, foi o amor que ele sempre sentiu por você.
— Como descobriu sobre essa foto? — perguntei.
— Bom, como eu disse antes, eu e minha família nunca aceitamos o casamento de Caleb com Marion. O que levou Caleb se afastar de mim e de nossos pais. Ele deixou de frequentar a casa dos meus pais, ficando até seis meses sem dar notícias. Mas você sabe como sempre fui apegada a ele. — Realmente eles sempre foram muito apegados. — Então certa vez fiquei sabendo que Marion havia viajado para algum lugar qualquer, e aproveitei que Caleb estava sozinho para visitá-lo. Cheguei de surpresa, indo direto para seu escritório. Quando me aproximei da porta o vi parado próximo a janela olhando fixamente para uma foto. Caleb estava tão distraído que nem percebeu minha presença, depois quando me viu ali, logo guardou a misteriosa foto na gavetinha da mesa. — ela deu uma pausa dando um longo suspiro, depois prosseguiu. — Passamos o resto do dia juntos, mas a imagem dele olhando aquela foto não saiu da minha cabeça. Pois ele a olhava de uma forma tão intensa, tão melancólica, um olhar que até então eu nunca tinha visto antes. Que precisava descobrir que foto era aquela, que o deixou daquele jeito. Então quando Caleb subiu para seu quarto, indo se arrumar para o jantar. Aproveitei a oportunidade para revirar seu escritório, a procura da chave que abria a gavetinha da mesa. Não demorou muito, até ei encontrá-la escondida dentro de um vaso. Quando abri a gavetinha encontrei esta foto debaixo de alguns papeis. Então pela forma que ele olhava para a foto e pelos ataques de mal humor que tinha, toda vez que ouvia seu nome. Deduzi que Caleb ainda te amava, apesar de ter sido um completo idiota com você. — ela bufou de raiva ao dizer as ultimas palavras.
— Uau... — Foi a única coisa que conseguir falar depois de ouvir tudo aquilo.
Emoções indescritíveis conflitavam-se dentro de mim. Ouvir tudo aquilo era tão inesperado, surpreendente, que eu já não sabia o que pensar ou como agir. Mas logo as imagens daquele dia, a dor, o sangue voltaram na minha mente, me trazendo de volta para realidade. Mesmo que Caleb ainda sentisse alguma coisa por mim, eu não poderia perdoá-lo. De modo que suspirei fundo e lhe dei um sorriso falso, fingindo estar feliz com o que ela tinha acabado de me contar.
— Espero que agora ele volte a ser o Caleb de antigamente... Agora que a vida lhe deu uma segunda chance de reconquistar quem ele sempre amou. — ela me abraçou.
Fiquei atônita com suas últimas palavras. Por Deus! Como ela não conseguia enxergar o quanto Caleb era louco por Marion?
— Também espero Jade... — retribuí seu abraço.
— Agora vamos voltar para sala, se Caleb nos pega aqui fuçando suas coisas, vai ter uns de seus ataques. — Ela soltou uma gargalhada.
Voltamos para sala comentando sobre as novas tendências de moda, completamente distraídas com o assunto.
— Boa Tarde! — uma voz seca nos despertou.
Encarei a figura parada na nossa frente.
— O que faz aqui? — perguntei confusa.
Caleb estava me encarando com um olhar penetrante, encostado no batente da porta.
— Vim almoçar em casa. — ele me respondeu friamente com os olhos ainda fixos em mim.
— Nossa que estranhos vocês dois. — Jade comentou enquanto nos analisava com seu olhar azul.
— Por quê? — Caleb perguntou franzindo o cenho.
— Vocês dois costumavam ser mais quentes... — Ela falou juntando as suas duas sobrancelhas castanhas.
Caleb não a respondeu, apenas revirou os olhos se aproximando mais de mim. Ele então me abraçou aconchegando meu rosto em seu peito. Na verdade, eu já esperava por isso, afinal não podíamos deixar Jade desconfiada. Mesmo assim, senti um frio no estômago com sua proximidade. Os dois começaram a conversar, mas logo já estavam ameaçando uma discussão. Por alguma coisa relacionada ao antigo trabalho de Jade em Nova York. Por sorte, Elena logo apareceu anunciando que o almoço estava servido, encerrando a discussão.
— Almoça com a gente Jade? — a convidei. Depois da discussão de ontem a noite com Caleb, não queria ficar sozinha com ele.
Caleb franziu a testa e me olhou assustado e ao mesmo tempo confuso. Estava claro que a presença de Jade o incomodava, mas eu não queria ter que almoçar sozinha com ele. Jade também me olhou um pouco confusa, mas no fim acabou aceitando.
Nos acomodamos em torno da grande mesa. Elena tocou um sininho e no instante seguinte, duas mulheres entraram carregando bandejas com a comida. Havia peixe empanado com batata frita, diferentes tipos de tortas salgadas e legumes cozidos.
Nos servimos em silêncio, mas não demorou muito para que Jade começasse a falar sobre o lançamento de sua grife de roupas. Tinha certeza que estava falando sobre aquilo, somente para irritar seu irmão. Já que me contou, que Caleb foi o único que não apoiou sua mudança profissional. Mas quando viu que Caleb parecia não se importar com o assunto, permaneceu calada até o final da nossa refeição.
Durante todo o tempo, notei, pelo canto do olho, que Caleb não tirava os olhos de mim. Mas me concentrei em olhar apenas para o meu prato, estava totalmente sem paciência para suas grosserias. Após a refeição, Caleb levantou-se em silêncio e seguiu calado para seu escritório. Jade e eu conversamos mais um pouco, depois ela foi embora, me fazendo prometer que visitaria sua boutique ainda essa semana.
Peguei minha bolsa, avisando a cobra da Elena que sairia sem ter hora para voltar. Quando já estava próxima a porta do hall de entrada, Caleb apareceu na minha frente impedindo a minha passagem.
— Onde você está indo? — ele questionou quase rosnando.
Arqueei minhas sobrancelhas.
— Não lhe devo nenhum tipo de satisfação. — Tentei seguir, mas ele continuou na minha frente impedindo minha passagem.
— Sophia, onde você está indo? — ele deu um passo a frente, ficando ainda mais próximo a mim.
Soltei o ar que nem percebi que estava prendendo.
— Caleb, acho que você está confundindo as coisas. Nós não temos nada um com outro. Sendo assim, não te devo nenhum tipo de satisfação. — Dei um passo para trás me afastando dele.
— Sophia, por favor...
Levantei minha mão o interrompendo.
— Hoje não Caleb. — Saí andando, o deixando parado me olhando, enquanto eu cruzava a porta do hall de entrada.
Smith seu motorista estava me esperando, pedi gentilmente para ele trazer meu carro até a porta.
— Não precisa Smith. — Merd@!
— bufei revirando os olhos. O que deu nesse homem hoje? Tirou o dia para me aborrecer. — Eu mesmo levarei a Srta. Sophia ao seu destino. Por favor, traga o meu carro. — Caleb ordenou.
Virei em sua direção incrédula com o que tinha acabado de ouvir. Ele me olhou com aquele sorriso cretino, enquanto eu o fuzilei com os meus olhos.
— O que significa isso Caleb? — o encarei.
— Estou voltando para o meu escritório, posso muito bem dar uma carona a minha amada namorada. — ele ameaçou a sorrir, mas logo o sorriso se desfez.
— Não, não pode! — Vociferei sentindo meu rosto queimar de raiva. — Não quero ir a lugar algum com você.
Se Caleb estava fazendo tudo isso para me irritar, devia lhe dar os parabéns, pois ele estava conseguindo.
Ficamos nos encarando em silêncio. Até que Smith voltou com a BMW de Caleb.
— Vamos... — ele abriu a porta do carona para mim.
— Não vou a lugar algum com você. — Fiquei parada com os braços cruzados o observando.
— Sophia, não me obrigue a te colocar dentro desse carro a força.
— Tente. — o provoquei.
Caleb então com um leve sorriso de lado, caminhou até a mim, me encarando com aqueles olhos azuis intensos.
— Você não deveria ter dito isso Sophia Salvatore.
Ele então me agarrou pelo braço e sem que eu tivesse forças físicas suficientes para impedi-lo, me fazendo entrar dentro da sua BMW, pela porta do motorista. Logo em seguida ele entrou no carro, travando todas as portas, inclusive a do carona.
— Qual seu destino primadona? — ele me deu um largo sorriso sarcástico.
— Cretino. — Falei entre os dentes enquanto colocava o cinto de segurança.
Ele continuou imóvel, me olhando como se não tivesse ouvido o que eu disse. Olhei para o teto do carro como se estivesse suplicando a Deus uma dose extra de paciência.
— Deixe-me no hospital St. Mary, por favor. — Disse ainda irritada com o que tinha acabado de acontecer.
Ele ameaçou a dizer alguma coisa, mas logo em seguida ligou o carro dirigindo rumo à saída da mansão. Cruzei os braços e fiquei olhando a rua e as mansões vizinhas. Fazendo o possível para ignorá-lo.
— Queria conversar com você sobre o que aconteceu ontem quando chegamos da casa de Giorgio. — Ele falou quebrando o silêncio que prevalecia entre nós.
— Eu não quero falar sobre isso. — comentei entediada.
— Mas precisamos. — respondeu sem olhar para mim.
Suspirei. — Não Caleb, nós não precisamos.— Cruzei os braços voltando a encarar a janela.
— Sophia, não complique as coisas. Apenas escute o que eu tenho a dizer, precisamos pelo menos ter uma convivência pacifica, se queremos que isso dê certo até o final. — Nisso ele tinha razão. — Por pouco Jade não descobriu a verdade sobre nos hoje.
— Ok Caleb, se você quer uma namorada apaixonada e melosa em público, fique tranquilo serei uma ótima atriz. Agora quando estivemos sozinhos, por favor, não me dirija à palavra. — falei batendo minhas mãos em minhas pernas.
— Sophia... — ele murmurou e respirou forte.
— Caleb, não quero mais falar sobre isso, por favor, respeite a minha decisão. — Ele me fuzilou com o olhar, mas pelo menos não falou mais nada.
Ficamos em silêncio o restante do caminho. O flagrei me olhando de soslaio por algumas vezes, mas continuei o ignorando. Depois do que aconteceu ontem, cheguei a conclusão que era melhor não termos nenhum tipo de contato que não fosse estritamente profissional. Sim, era assim que eu via nossa relação, como um trabalho temporário, que acabaria logo. Não demorou muito para que ele estacionasse na garagem subterrânea do hospital. Ele desceu do carro, deu a volta e abriu a porta para que eu pudesse sair.
— Obrigada. — sussurrei enquanto descia do carro.
Caleb não me respondeu, apenas bateu a porta do carro com força. Comecei andar em direção ao elevador, quando senti sua mão puxando meu braço, parei para encará-lo.
— Posso ir com você? — ele perguntou olhando dentro dos meus olhos.
— Está louco?! — perguntei surpresa, claro que ele não poderia ir comigo. Meu pai acabou de sair da UTI, e com certeza voltaria para lá novamente, se me visse com Caleb.
— Não, por quê? — inquiriu, apertando a parte interna dos olhos com o polegar e o indicador.
— Porque sabe muito bem, que minha família ainda não sabe sobre nosso acordo. Se Giovanny te encontrar lá em cima, eu não quero nem pensar... — falei quase soletrando, para ver se ele entendia de uma vez por todas.
— Giovanny... — ele falou sério, contraindo maxilar.
— Sim Caleb, Giovanny. Sabe como meu irmão tem o sangue esquentado.
— Tarde demais Soph. — ele continuou encarando fixamente algo a sua frente. Seu rosto havia se transformado em uma carranca, e ele estava apertando fortemente meu braço involuntariamente.
— Caleb do que está falando? — semicerrei os olhos, esperando sua a resposta. Mas ele pareceu nem ter escutado o que perguntei.
Girei o corpo nos calcanhares e olhei para a mesma direção que Caleb olhava. Dei de cara com Giovanny, olhando fixamente para a mão de Caleb em meu braço.
— Gio-Giovanny... — gaguejei prendendo o ar.
~:~
Jade O'Brien
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