Capítulo 44

Capitulo sem revisão

Caleb O'Brien

Desvatado!

Era assim que eu me sentia quando deixei o apartamento de Sophia naquela tarde fria de inverno.

Mas não havia como me senti diferente.

Eu tinha acabado de perder a mulher que eu amava pela segunda vez, e dessa vez, para sempre. Eu me sentia o homem mais desgraçado do mundo, por ter-la magoado tanto.

E a única forma de tentar compensar todo o mal que eu a causei, era me afastando de uma vez por toda de sua vida.

Eu não conseguiria jamais continuar vivendo, sabendo que ela continuava infeliz. Sophia mais do que ninguém nesse mundo, merecia recomeçar de novo, ter uma segunda chance para alcançar a felicidade arrancada duramente por mim e Marion.

Ela merecia ser feliz. E para isso, Sophia precisava deixar todo o passado no passado.

O que incluía a mim!

Sophia precisava construir um novo caminho, sozinha ou com um novo amor, não me importava a sua escolha, desde que ela estivesse feliz.

Era por esse motivo que eu estava devolvendo minha parte na vinícola, porque queria que ela se libertasse de todas as amarras que a prendia a mim. Eu estava disposto a fazer tudo para não vê-la sofrer, para a libertar-la da dor que minha presença a causava. Se eu tivesse o poder de apagar aquele sofrimento todo, se eu pudesse fazê-la esquecer tudo o que aconteceu no passado, eu faria. Na verdade, eu faria qualquer coisa para tirar esse sofrimento dela. Minha mãe sempre me disse que quando se ama alguém, você quer fazer de tudo para não vê-la sofrer. Finalmente depois de anos, passei a entender o peso que aquela frase significava.

Agora eu digo que se eu pudesse sugar a dor dela com um beijo, ou apagar da sua memória toda aquela sujeira, eu faria sem pensar duas vezes. Qualquer coisa para não precisar vê-la continuar sofrendo e perdida.

Você está fazendo a coisa certa Caleb. Sophia precisa seguir em frente. Minha razão gritava nos meus pensamentos.

Levei as mãos a cabeça. Passei os dedos com força para frente e para trás puxando meu cabelo. Meu Deus, por que tudo precisava ser tão difícil, tão sofrido?

Empurrei a porta de vidro da portaria do prédio dela com força. Precisava sair daquele prédio o mais rápido possível. Atravessei a rua em passos largos em direção ao meu carro anestesiado pela dor.

Distante em meus pensamentos escutei a voz de Sophia me gritando ao fundo, balancei a cabeça em um gesto de negação. Eu estava ficando louco em achar que ela voltaria atrás em sua decisão.

Mas a cada passo que eu dava, sua voz ficava ainda mais alta. Porque minha mente insiste em brincar com meu coração?

Me virei de costas e avistei Sophia correndo em minha direção, desesperada e incrivelmente linda.

Comecei a andar rápido em sua direção, agradecendo mentalmente a Deus por aquela segunda chance. Um sorriso bobo brotou em meus lábios.

Um sorriso de alivio e extrema felicidade que foi substituído pelo desespero que tomou conta de todas as minhas células, quando ouvir aquela maldita moto cantando pneu, vindo em direção de Sophia.

Uma corrente de adrenalina percorreu todo meu corpo. O pânico ao ver aquele objeto platinado apontado em direção de Sophia, não me deixou pensar nem duas vezes. Ela parou congelada esperando pelo pior.

E em frações de segundos conseguir a alcançar e me jogar na sua frente, quando os disparos ecoaram pelo ar.

Contornei seu corpo e nos dois caímos juntos no chão. Diante de tamanha adrenalina, não conseguia sentir mais nada, além do pânico de Sophia ter sido atingida pelos projeteis daquela arma. Sentia algo quente molhando minha camisa, mas não tinha forças para me mover.

Caleb! Você está bem? Era a voz de Sophia.

Continuava inerte, desorientado pelo calor do momento.

Caleb! ela me chamou novamente.

Meu Deus! O que está acontecendo?

Eu não tinha forças nem para sussurra seu nome. Senti suas mãos apertando forte meus braços e com muita luta, ela conseguiu tirar meu corpo de cima do dela. Senti uma dor aguda em meu peito, mas não sabia identificar se era uma dor física.

Soph... Soltei um gemido em meio à dor queimante em meu peito.

Ela se virou para me olhar, e foi naquele momento que seu rosto se transformou em uma careta de dor. Eu quis tranqüilizar-la, dizer que tudo ficaria bem. Que aqueles últimos instantes ao lado dela valeram mais que uma vida. Que eu a amava com toda minha alma. Mas, assim que ameacei abrir a boca, senti a vida se esvaindo de mim, como a chama de uma vela preste a ser apagada.

No mesmo instante, senti que mais uma vez, sairia com o coração destruído e sem Sophia na minha vida. E dessa vez, não haveria uma terceira chance, eu estava morrendo.

Primeiro senti raiva, me questionei porque aquilo estava acontecendo com nos dois. Depois, coloquei toda a culpa em Deus, odiando-o, perguntando por que Ele estava permitindo toda essa merda acontecer. Em seguida, bateu o sentimento de gratidão, ao me dar conta que Sophia estava salva. Era inimaginável, esmagador, doloroso demais, imaginar que ela poderia estar no meu lugar naquela situação.

Fixei meus olhos nos céus, concentrando todas as minhas forças em orar e pedir para o mesmo Deus que a protegesse. Implorando para não morrer. Para não abandonar-la. Mas todas as minhas preces pareciam em vão, a cada milésimo de segundo que se passava, sentia meu corpo mais fraco.

Minhas pálpebras ficavam cada vez mais pesadas, estava travando uma batalha para não fechar meus olhos.

Não, não, não!

Quanto mais eu lutava para permanecer acordado, mais sonolento me sentia. Comecei a me da conta que aquela luta estava sendo em vão. Sentia o calor das mãos tremulas de Sophia tocando meu rosto gelado. Suplicando para permanecer acordado, mas eu já não tinha forças mais.

Eu tentei dizer que estava tudo bem. Tentei acalmar-la, mas minha voz estava presa diante da dor latejante em meu peito.

Soltei um ultimo gemido de dor, antes de tudo se apagar.

***

Acordei com a cabeça latejando, pesada, e os olhos ardendo em brasas. Acima de mim, tudo era branco. Minha garganta estava ardendo, e sentia um pouco de dificuldade em me movimentar, era como se todos os músculos do meu corpo estivessem doloridos.

Alguma coisa me furou no braço, quando tentei movê-lo, e percebi que estava no soro. Então, aos poucos, as lembranças foram voltando, vívidas.

Sophia!

Eu precisava saber se ela estava bem. Viva! Sã e salva.

O quarto se encontrava a meia luz, mas ainda assim reconheci a figura deitada encolhida na poltrona, os cabelos loiros encobrindo seu rosto. Parecia um anjo dormindo.

Tentei conter a euforia, com receio que estivesse sonhando, mas a dor vinda do meu peito parecia bem real.

Sophia... sussurrei, a garganta ainda bem seca.

Ela se mexeu, levantando a cabeça para me olhar. Ao me encarar, seus olhos verdes rapidamente ficaram úmidos.

De repente, o seu corpo esguio veio em direção a mim, o rosto afogueado em uma expressão de espanto. Seus braços delicados rodearam meu corpo com delicadeza, ela deitou seu rosto em meu peito e começou a chorar copiosamente. A abracei de volta, sem me importar com a dor que aquele simples gesto me causava.

Afundei meu rosto em seu cabelo, inebriado pelo seu cheiro, aos poucos senti as lagrimas caindo sem controle dos meus olhos. O pesadelo tinha acabado. Sophia estava salva.

Obrigada Deus.

Oh meu Deus! Você finalmente acordou. ela murmurou em meio às lagrimas. Como está se sentindo?

Ela me olhou ansiosa, o rosto vermelho devido o choro.

Água murmurei.

Ela se afastou e voltou com um copo e um canudo, me ajudou a levantar meu corpo numa posição adequada para beber um pouco do liquido.

Eu vou avisar Antonny que você acordou.

Não, por favor, não vá. Preciso ter certeza que não estou sonhando, que tudo isso é real. agarrei seu braço.

Sophia se aproximou novamente do meu rosto, encostou sua testa na minha, fazendo-me sentir sua respiração invadir o meu espaço.

Você não está sonhando Caleb O'Brien. ela me disse antes de beijar o meu nariz e a minha boca.

A envolvi em meus braços novamente, a puxando para mais perto de mim, sem me importar com catete ficando meu braço. Nem de longe aquela sensação era um sonho. Eu estava vivo, e pronto para aproveitar minha segunda chance ao lado de Sophia.

Me desculpa. ela sussurrou em meus lábios.

Pelo o quê? perguntei confuso, afastando seu corpo para olhar em seus olhos.

Sophia ficou cabisbaixa, e pude ver o tamanho da culpa que carregava em suas costas.

Por tudo isso. Ela apontou para o meu peito cheio de fios ligados a aparelhos.

Não foi sua culpa. suspirei sem jeito.

Foi sim. Fui eu que trouxe aquela cobra para nossas vidas. Se não fosse por minha ingenuidade e relutância em chegar o verdadeiro caráter de Marion, você jamais a teria conhecido. Ou não... ela parou no meio da frase confusa, o que tirou um sorriso do meu rosto.

Caleb! seu rosto ficou serio, ao perceber que eu estava sorrindo com sua confusão.

Balancei a cabeça em sinal de negação. De onde ela tirou toda essa culpa?

Sophia, você não precisa se senti culpada pelo o que aconteceu. Espere, você mencionou o nome de Marion. O que isso quer dizer? perguntei confuso.

Ela suspirou tensa.

Marion está presa Caleb. seu maxilar travou ao dizer o nome daquela mulher. Foi aquela cobra que planejou o atentado que quase tirou nossa vida. Por sorte, Giorgio descobriu tudo, e a entregou para a policia. 

Fechei os olhos tentando conter o ódio que sentia pela aquela maldita. E mais uma vez o remorso bateu forte, como um soco na boca do estomago. Mais uma vez, por minha culpa, Marion quase vitimou Sophia. Eu era o único responsável por toda aquela merda.

O que eu quero dizer Caleb, a voz de Sophia me trouxe de volta dos meus pensamentos mais macabros. Eu só quero deixar o passado de uma vez por todas no passado. Não quero nunca mais ter que viver esse tipo de situação. Ter essa culpa me corroendo. 

Eu segurei sua mão em um gesto de carinho. Senti sua pele gelada.

Sophia, por favor, não se sinta culpada. A culpa é toda minha, por ter trazido novamente a essa mulher para sua vida. Por ter aparecido naquela tarde chuvosa na porta da sua casa, com aquela proposta inescrupulosa. Mais uma vez coloquei sua vida em risco. Então se tem algum culpado nesta historia, o culpado sou eu.

Não, Caleb, não foi você quem deu três tiros em minha direção, então não se culpe. A verdade é que Marion sempre me odiou, e muito me espanta ela não ter tentado me matar antes. Eu só quero parar de pensar nisso. Esquecer toda essa sujeira, superar tudo isso, pensar apenas no futuro.

Fiz um sinal com a mão pedindo para ela se aproximar, o que trouxe seu corpo para mais perto de mim, a ponto de sentir aquele perfume de flores brancas que eu tanto amava.

Primeiro quero dizer que eu sou um estúpido, um cego e um imbecil, infelizmente. Segundo quero dizer que eu nunca vou desistir de você. Eu só quero te ver bem, sem culpa. Depois de tudo o que passamos para chegarmos ate aqui, a única certeza que tenho, é que eu jamais irei desistir de você e seu amor. Mas para te ver bem, eu estou disposto a me afastar para sempre de sua vida.

Ela ficou calada por um momento. Era possível ver a guerra que ela parecia travar internamente. Relutante em me responder. Estava claro que as coisas entre nos dois não mudariam.

Caleb eu não quero e não vou viver uma vida de ressentimentos ou lamentos. ela fez uma longa pausa, antes de continuar Todo este tempo em que você ficou entre a vida e a morte, eu só pensava o quanto você é importante em minha vida, e não sei se conseguiria suportar viver em um mundo sem você. Eu preciso dessa chance, eu preciso de você.

Um sorriso de esperança surgiu em meu rosto. Meu coração acelerou, o que fez o beep de uma das maquinas ligadas em mim acelerar. Tamanha felicidade. Segurei os contornos de seus braços e a olhei sem hesitar.

Eu te amo. Você foi e sempre será a mulher da minha vida. Te amarei incondicionalmente para todo o sempre.

Eu também te amo Caleb. ela fechou os olhos e eu segurei sua mão novamente.

Agora que temos essa segunda chance. Vamos seguir nossos caminhos, sem remorsos, sem rancor, sem dor. Vou sempre lutar por nós e nunca desistirei de você. O que importa é que eu tenho você novamente em minha vida e nada, nem ninguém, irá nos separar. Eu prometo.

Quando Sophia abriu os olhos às lágrimas estavam ali. Inclinei-me e lhe beijei com ternura a boca e nossos rostos ficaram juntos mesmo quando os lábios já não se tocavam.

Aquele era o começo de uma nova vida ao lado da mulher que eu amo. E eu não iria desperdiçar essa chance novamente.

***

Este é aquele tipo de capitulo em que a autora posta e sai correndo kkkkkkkkk

Então leitores e leitoras, finalmente conseguir postar o bendito capitulo do Caleb. Eu ouvir um amém?!

 Não irei entrar em detalhes, mas infelizmente aconteceram uma serie de coisas, que me impediram de continuar postando a reta final do livro. Uma delas, sem duvidas foi a falta de inspiração, estou voltando a escrever aos poucos, então ainda não sei, quando postarei o próximo capitulo. A única coisa que posso garantir é que não levarei um ano em meio de novo para postar. Prometo!

Quero agradecer a todas vocês leitoras que não desistiram do livro e por todas as mensagens de motivação e carinho que recebi durante esse tempo. Vocês são incríveis, obrigada! 

Bom, ainda teremos algumas reviravoltas ate o desfecho da historia, então nada é definitivo. Tenho três finais em rascunho para a história, e em todos eles essa autora que vos escreve fica de coração partido por algum personagem. É a vida. Me julguem! É isso, não me matem por esse capitulo e, por favor, tenham empatia por mim, esse ultimo ano não foi fácil. E infelizmente, minha inspiração foi atingida em cheio. Mas seguimos firme e forte. 

Um grande beijo! E até o próximo...

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