Capítulo 39

Meu mundo parou no momento que me dei conta que Caleb estava ferido. Quase todos os meus sentidos pareciam ter me abandonado, restando apenas minha visão, para que eu pudesse ver meu mundo desabando.

Desespero. Essa era a palavra que descrevia bem o que eu estava sentindo, no momento em que vi Caleb sangrando no chão.

Me joguei no chão e com lágrimas escorrendo pelos meus olhos, coloquei minha mão sobre o rosto frio de Caleb. Ele estava com os olhos abertos vagos no céu. Os olhos azuis sem reação. Caleb estava me deixando. Aquilo não podia estar acontecendo de verdade. Não podia ser real.

— Socorro! Alguém ajude! Por favor, alguém me ajude! — gritei desesperada por ajuda. — Não me deixe. Caleb, por favor, não me deixe! Alguém me ajude, por favor!

Eu gritava, mas não conseguia ouvir o som dos meus gritos clamando por ajuda. Eu estava fora de mim. Não conseguia ouvir nada, era como se tudo estivesse em câmera lenta. Puxei a respiração para os meus pulmões e tentei me acalmar.

— Por favor, Caleb. — clamei tocando seu rosto com as mãos trêmulas. — Você precisa lutar! Você não pode se entregar! Eu preciso de você meu amor! — eu implorava, mas ele não reagia.

Meu desespero ficou ainda maior, quando Caleb soltou um gemido de dor e fechou os olhos. Um zumbido forte instalou-se em minha cabeça junto com uma dor no peito, quase insuportável.

— Dona Sophia, se acalme... Eu já chamei o resgate... A ambulância já está a caminho. — a voz de Peter meu porteiro pareceu vir de longe.

Ali chorando sobre seu corpo inerte, eu sentia como se o mundo estivesse escapando de mim, como se minha vida estivesse esvaindo do meu corpo.

— Você não pode fazer isso comigo. — supliquei com a testa colada na sua, deixando minhas lagrimas caírem sobre seu rosto sem expressão. — Você não pode me deixar! Não pode!

Não sei quanto tempo levou até a chegada da ambulância. Eu havia perdido a percepção de tempo. Só me dei conta de sua chegada, quando os socorristas chegaram e colocaram seu corpo desfalecido na maca.

— A senhora está ferida?

Olhei para o homem confusa, incapaz de formular uma resposta coerente. Senti tanta coisa ao mesmo tempo que era difícil de descrever. Alívio e esperança. Um medo paralisante.

— Eu... Eu estou bem. — disse no automático, anestesiada pela situação.

Entrei na mesma ambulância que ele estava. Estava desesperada e preocupada. Quando me sentei ao seu lado na maca, tudo o que eu queria era me jogar em seus braços, mas me contive em apenas pousar minha mão contra a sua. Seus dedos se entrelaçaram entre os meus e eu não soltei mais. Mesmo estando muito nervosa, aquele gesto me tranqüilizou, enchendo meu coração de esperança.

Assim que chegamos ao hospital St. Mary, os socorristas nos separaram contra minha vontade. Doeu quando senti sua mão escorregar pela minha, mas era algo extremamente necessário. Engoli em seco, enquanto observava as portas duplas por onde os médicos haviam passado levando Caleb balançarem nas dobradiças.

Me apeguei na certeza que Caleb estava em boas mãos e que não deveria ficar estressada ou angustiada. — Eles conseguiriam salvá-lo, com as bênçãos de Deus. — Ainda sim, não conseguia afastar os dedos da desesperança que queriam me alcançar, principalmente quando olhei para meu corpo. Sangue, muito sangue. Sangue pelo meu corpo inteiro. Sangue por toda minha roupa. Ainda em choque fui até a recepção do hospital para tentar saber mais alguma informação.

— Por favor, gostaria de saber informações sobre o paciente Caleb O'brien.

— A senhora é o que do paciente? — a recepcionista continuou digitando algo no computador, sem me olhar.

— Ele é meu noivo. — quando eu dei por mim, as palavras já haviam saído da minha boca.

— Claro... Claro... um instante. — ela continuou olhando para tela do computador, senti minhas mãos geladas e um frio na barriga. — Senhorita, ele está na sala de cirurgia com a equipe do Dr. Antonny Salvatore, nosso cardiologista de plantão. Não se preocupe Dr. Antonny é um dos melhores cardiologistas da cidade, seu noivo está em ótimas mãos. — pude ver como seu rosto corou ao falar do meu irmão, na certa era mais uma de suas conquistas.

— Eu sei, Antonny é meu irmão.

Ela me olhou de boca aberta.

— Nossa! Que coincidência... Digo... Perdão. — ela se atrapalhou toda. — Por favor, peço que a senhora aguarde na sala de espera.

— Obrigada.

Sair caminhando até o corredor que dava acesso a sala de espera, sem dar a mínima importância ao que tinha acabado de acontecer. Me sentia um pouco mais tranqüila em saber que Antonny estava cuidando de Caleb, mas não conseguia me tranqüilizar totalmente. Eu precisava ser forte naquele momento, mas não sabia de onde tirar forças para enfrentar aquele pesadelo. Eu estava tão paralisada pelo medo de perder-lo que não conseguia me apegar a esperança. Era como se tudo tivesse congelado ao meu redor e estivesse vendo as coisas acontecerem de fora do meu corpo.

Me sentei em uma das cadeiras da sala de espera do hospital. Minha cabeça rodando, confusa e desestabilizada devido aos últimos acontecimentos. Eu precisava criar coragem para fazer aquela ligação.

Fechei meus olhos apenas por alguns segundos e respirei fundo. Precisava fazer aquilo. Eu tinha que avisar-los. Peguei meu celular dentro da minha bolsa e disquei para o numero de Jade. Bastaram apenas três toques para ela atender.

— Soph! — a voz animada do outro lado da linha.

— Jade... — para o meu desespero, desabei a chorar.

— Sophia, o que aconteceu? — ela perguntou preocupada.

— C- c- Caleb... — conseguir responder, soluçando. — Eles atiraram. Caleb foi baleado.

— O que? Como isso aconteceu?

— Eu não sei! Eu não sei! — falei em meio aos soluços.

— Para qual hospital Caleb foi levado, Sophia?

— P- a- para o hospital St. Mary. — meu choro mal me permitia falar.

— Calma! Eu estou indo para ir agora.

Desliguei o coração martelando no peito. As lágrimas continuaram cair e não tentei impedir. Deixei que toda dor, angústia, raiva, tristeza, impotência, fossem colocadas para fora em forma de um choro compulsivo. A idéia de perder Caleb novamente me apavorava. Meu coração parecia estar sendo destroçado dentro do peito e a dor ameaçava me deixar sem respirar. Ali sentada na sala de espera daquele hospital, eu fechei os olhos e conversei com Deus.

Pedi a ele que protegesse Caleb.

Supliquei para que ele o salvasse.

Implorei a ele por tudo o que era mais sagrado que tivesse misericórdia de mim. Porque eu já tinha sofrido muitas perdas ao longo desses anos, mas essa seria dura demais, não sabia se conseguiria suportar perder-lo daquela forma.

Me assustei quando uma mão pousou em meu ombro, me virei e encontrei Jade. Ela me abraçou sem hesitar. E não teve jeito, nós duas choramos até soluçar. Jade foi a primeira a tentar se acalmar, ela estava um pouco mais tranqüila do que eu. Me afastei um pouco, limpando as lágrimas que caíram pelo meu rosto.

— E Caleb? — a voz fraquejando.

— Nada. Eles não me dizem nada! Já deve ter mais de uma hora e ninguém apareceu para me dizer algo.

— Já tentou falar com Antonny ou Kate?

— Sim. Antonny é um dos médicos plantonistas que estão operando Caleb e Kate está participando de um congresso de Medicina fora daqui.

Ela soltou um suspiro de alivio.

— Fico mais tranqüila em saber que seu irmão está com ele, ouvir dizer que Antonny é um dos melhores cardiologistas da cidade.

Não respondi. Eu estava muito angustiada e naquele momento não conseguia pensar em mais nada, além do que estava acontecendo naquele bloco cirúrgico.

— Calma Soph! Não se preocupe, vai dar tudo certo. — ela me puxou para um abraço. — Eu sei o que você está sentindo. A idéia de perder meu único irmão também me apavora, mas temos que ser forte nesse momento.

Me deixei ser abraçada, gostando da sensação de tranqüilidade. Após alguns segundos, nos separamos.

— Oh! Sophia você está horrível. — ela olhou para mim horrorizada, se dando conta do meu estado. — Eu tenho uma muda de roupas limpas no carro, vou pegar para você poder se trocar. — antes de me recusar, ela saiu limpando os olhos rumo ao estacionamento do hospital.

Depois de um tempo ela voltou trazendo uma sacola de sua boutique. Me limpei e troquei de roupas ali mesmo no banheiro de visitantes do hospital. Quando voltei à sala de espera, Jade estava consolando sua mãe que se desmanchava em lágrimas. Ao perceber minha presença, Christine se soltou dos braços da filha para falar comigo.

— Oh, Sophia... Eu não sei se tenho forças para perder meu filho. — aquelas palavras acabaram comigo.

— Não diga uma coisa dessas Christine! — a rebati, puxando para meus braços. — Temos que confiar na misericórdia de Deus. Confiar e ter fé, minha querida! — ela assentiu.

— Eu já avisei ao papai, ele disse que pegará o primeiro vôo que encontrar de volta para Londres. — Jade avisou a mãe.

— Por favor, Sophia, me conte o que houve. — Christine engoliu em seco. — Eu preciso saber em detalhes o que aconteceu com meu filho.

Suspirei e comecei a falar. Contei a elas tudo o que aconteceu naquele fim de tarde. Foi muito doloroso relembrar tudo em voz alta. No final nós três chorávamos ainda mais.

— Meu Deus Sophia! Você também poderia está gravemente ferida. — ela demonstrou preocupação, acariciando meu rosto. — Você acha que Marion pode ter ligação com esse atentado? — Christine perguntou séria, demonstrando no tom de voz o ódio que sentia por aquela mulher.

Eu não tinha duvidas que aquele demônio de saias estivesse envolvido no que tinha acontecido. Mas também não descartava a participação de Giorgio. Ele odiava Caleb e já havia demonstrado que não era uma pessoa de confiança. Eu queria ver a pessoa responsável por aquela covardia atrás das grades, queria ver Marion morta, aquela mulher não era digna de existir. Ela era uma maldita, um ser maldito que merecia receber as piores coisas do mundo em troca de sua maldade. E se Giorgio fosse seu cúmplice, desejava que ele também fosse punido por todas as suas maldades. Eu nunca fui uma pessoa de guardar rancor, mas era impossível não odiar Marion por todo o mal que ela havia causado a mim.

— Não tenho duvidas de que ela e o noivo estejam envolvidos. — foi à única coisa que conseguir responder.

— Aqueles malditos vão pagar! Vão pagar por todo mal que estão causando a você e ao meu irmão. — Jade disse com raiva.

— Eles vão pagar... — falei, tentando me convencer de que os verdadeiros culpados não sairiam impunes.

Horas mais tarde meu irmão caminhou em nossa direção com uma prancheta nas mãos. Christine foi a primeira a se levantar, ainda chorando e muito nervosa. Senti um frio na boca do estômago quando olhei para Antonny. Ele estava sério demais, pela sua expressão não trazia boas noticias, ele parecia estar escolhendo as palavras.

— Como Caleb está? — perguntei aflita, olhando dentro dos seus olhos.

— Caleb foi alvejado em duas partes do corpo. Um projeto atingiu seu antebraço esquerdo, mas o outro projétil está alojado em uma pequena cavidade no pulmão, muito próxima ao coração.

Christine caiu sentada no banco com as mãos no rosto tentando negar o que meu irmão estava dizendo.

— O que isso significa? — Jade perguntou apreensiva.

Ele suspirou pesadamente, antes de continuar.

— Caleb passou por uma cirurgia no tórax, pois estava com embolia pulmonar. Retiramos 500 ml de sangue na região, mas optamos por deixar a bala no local e acompanhar a evolução do quadro. Além disso, Caleb teve duas costelas quebradas em decorrência ao impacto do projétil na região.

— Então o estado de saúde dele é muito grave? Caleb corre risco de morrer?

Passei a mão sobre a testa aflita.

— O estado de saúde dele é bastante grave. Caleb ainda corre risco de vida, por isso ele está na UTI em coma induzido

Meus olhos se arregalaram, senti minha garganta seca.

— Estamos monitorando a evolução do quadro. Existe um risco de trombose ou deslocamento do projétil que poderia trazer conseqüências fatais. Por isso, optamos pela sedação profunda. Precisamos avaliar melhor se realizaremos outra tentativa para extração do projétil. É uma cirurgia de alto risco e Caleb está muito fraco neste momento. Precisamos ser muito cautelosos em relação a qualquer decisão que iremos tomar. Essas primeiras horas serão cruciais...

Jade e Christine se abraçaram em prantos de choro. Aquelas noticias haviam nos deixado devastadas.

Eu não conseguia acreditar. Tudo estava desmoronando por completo. Caleb ainda corria risco de morrer. Eu me sentia sem forças.

Me joguei nos braços do meu irmão, abraçando-o com vigor. Antonny me apertou forte em seus braços e eu deixe que minhas lágrimas molhassem seu jaleco. Eu chorei, chorei com todas minhas forças, chorei tudo que tinha para chorar.

— Eu não posso perdê-lo, Tonny. Eu não posso! Não posso!

— Se acalme pequena. — ele afagava meu cabelo. — Eu prometo que tudo o que estiver ao meu alcance eu farei para salvar Caleb.

Não sentia nada, além de tristeza, não sentia nada mais, além de dor e angustia. 

Capítulo não revisado*

~:~

Oi amores!

Queria conversar com vocês sobre alguns comentários que venho recebendo a respeito do livro. Se você chegou até aqui com certeza você leu o capitulo notas da autora, onde eu deixo bem claro que esse livro fala de superação, amadurecimento e segundas chances.

Quando eu digo segundas chances, não significa que a Sophia terminará a historia com o Caleb, eu tenho cinco opções de finais para o livro. E ainda, estou trabalhando muito para ter um final digno de todas as minhas expectativas como autora. Infelizmente mesmo com esse leque de opções, não conseguirei agradar a todas, porque cada uma de vocês torce por um desfecho diferente da história. Então, o que eu peço é que tenham paciência, porque repito, até eu postar o ultimo capitulo, nada que está acontecendo até aqui é definitivo.  E não posso mudar a história a cada comentário que recebo de reclamação. Essa história querendo ou não é da Sophia e do Caleb, eu apenas conto para vocês. Até o Gran finale, teremos mais reviravoltas.

Então vamos ter paciência com essa autora, não adianta me matar porque vocês precisam de mim para terminar a história 😂😂😂

Queria ver se vocês topam participar de um desafio, assim que esse capítulo chegar em 300 votos o capitulo 40 sai. O que acham? Isso porque eu venho percebendo que tem muita gente lendo sem votar (e os votos ajudam muito o livro a crescer e me motivam muito a escrever também). Tem alguns capítulos com mais de 1k de leituras, mas com apenas 100 votos, o capitulo 37, por exemplo, está com 492 leituras, então dá para chegar em 300 votos tranqüilo.

Beijos e até o próximo. ❤️😘

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top