Capítulo 36

— Mas que droga Antonny! Será que era pedi muito que você deixasse de ser um galinha pelo menos uma noite? Com tantas mulheres na Toscana para você se diverti, por que foi se envolver logo com Kate? — eu estava furiosa com meu irmão.

Antonny arregalou os olhos e levantou as mãos.

— Sophia você está pegando muito pesado comigo. O que eu e Kate tivemos foi um momento maravilhoso entre duas pessoas livres e desimpedidas.

— Seu babaca! Será que você nunca percebeu que Kate sempre foi apaixonada por você? — esbravejei ainda mais irritada.

Ele deu uma gargalhada.

— Kate afim de mim? Pelo amor de Deus Sophia! Kate nunca foi afim de mim. Sempre fez pouco caso quando eu tentava me aproximar dela, nunca aceitou sair comigo e sempre deixou bem claro que o máximo que seríamos era colegas de trabalho. E hoje quando acordei de manhã esperando encontrá-la ao meu lado, a cama estava fria e vazia.

— Você realmente não sabe o porquê ela fugiu do quarto?

— Não.

— Justamente para não ouvi o que você sempre diz pela manhã quando vai descartar uma de suas conquistas. — o fuzilei furiosa. — Kate não é como as outras Antonny que se agarram em uma pontinha de esperança, sonhando que você mude de idéia depois de um "momento maravilhoso". — dei ênfase nas aspas com as mãos. — Você achou mesmo que Kate esperaria você acorda para ser descartada? Que poderia agir com ela como se nada tivesse acontecido?

— Eu nunca faria isso com Kate, porque eu realmente sinto algo que não consigo explicar por ela.

Meu queixo caiu. Antonny apaixonado por alguém? Era muito para meu cérebro processar em um dia.

— Isso definitivamente é uma exceção na sua vida... — murmurei.

— Você fala como se eu fosse um filho da puta que engana e leva mocinhas indefesas para a cama. — foi à vez de Antonny esbravejar. — Sempre deixei bem claro para todas as mulheres que fiquei, que aquilo não passaria de uma transa. E mesmo assim, nenhuma delas desistiu de passar a noite comigo.

Me ajeitei na poltrona que estava sentada em seu quarto, inclinando meu corpo para frente, na direção em que Antonny estava.

— Dá para deixar a síndrome de Don Juan por pelos menos um segundo? Só estou falando que o normal dessa dinâmica é uma mulher correndo atrás de você o tempo todo e sendo ignorada solenemente.

Antonny suspirou. — Não tenho culpa se as coisas funcionam assim.

Bateram na porta mais de três vezes até que eu me aproximasse para abrir-la. E pela a impaciência da pessoa o mundo devia está acabando e eu não sabia.

— E aí fratellos, como estão? — Giovanny passou por mim e entrou sem ser convidado.

— Não, não está nada bem. — respondi fuzilando Antonny com o olhar.

— O que ela tem? — Giovanny perguntou ao irmão do meio, apontando o dedo para mim.

— Estamos tendo uma pequena discussão entre irmãos. — Antonny respondeu entediado.

Giovanny levantou a sobrancelha e deu um sorriso malicioso.

— Que maravilha uma pequena reunião entre os caçulas dos Salvatore. Eu vivi para ver esse dia. O dia em que vocês finalmente discordariam de alguma coisa. Qual o problema de vocês?

É obvio que Giovanny estava se divertindo com aquela situação. Antonny e eu nunca fizemos da sua vida um mar de rosas. Sempre nos uníamos para aprontar com ele o excluindo de praticamente tudo em relação a nossa amizade entre eu e Antonny.

Me sentei de novo na poltrona e cruzei as pernas. — Vamos Antonny, conte para Giovanny sua ultima burrada.

Ele inspirou profundamente antes de falar. — Eu dormi com Kate essa noite.

Giovanny olhou para ele com os olhos arregalados.

— Deixa ver se eu entendi, Kate dormiu com o Don Juan aqui? — Giovanny apontou para Antonny.

— Sim. — confirmei.

Cazzo! Kate é a melhor amiga de Sophia, crescemos juntos em Londres como irmãos... Como você pôde fazer uma merda dessas Antonny? Não acredito que vai tratar-la como se Kate fosse descartável?

— É claro que não Giovanny! — Antonny disse irritado.

Giovanny levantou as mãos. — Espero, porque é isso o que você tem feito nos últimos anos com todas as garotas que já ficou.

— Jamais faria isso com Kate. — respondeu entre os dentes. — O que eu estava tentando fazer Sophia entender antes de você chegar, é que Kate não quer nada sério comigo. Então vocês dois não precisam perder tempo me dando sermões, porque tudo não passou de uma noite.

— Desisto! — Levantei as mãos me dando por vencida.

— Espera aí. Eu ouvi errado? Ou você disse que pela a primeira vez na sua vida uma mulher está te rejeitando?

— Vai te ferrar Giovanny! — foi à resposta pouco diplomática de Antonny.

— Ouvir essa frase do homem que sempre teve todas as mulheres que quis é algo realmente inusitado. — Giovanny falou claramente se divertindo com a situação.

Dava para sentir o clima diferente no quarto. Giovanny sempre foi debochado e não iria perder aquela oportunidade para infernizar Antonny. Decidi diminuir o sofrimento do meu irmão. Giovanny não iria o deixar em paz tão cedo.

— Claro que tudo tem uma primeira vez na vida. Mas o que eu estava tentando fazer o Don Juan aqui entender é que Kate sempre foi apaixonada por ele. Embora nunca tenha demonstrado esse sentimento, justamente pelo o fato de não aceitar ser apenas mais uma na vida dele. E convenhamos Antonny você não tem muito a oferecer-la, além de momentos de prazer.

— Então o que você quer que eu faça Sophia? Por que sinceramente não entendi até agora a aonde você quer chegar com esse assunto.

— Acho melhor você esquecê-la...

Antonny olhou para o chão e sua mente parecia estar em vagueando. Sua expressão ficou abatida, me levando acreditar que ele realmente poderia está envolvido emocionalmente com Kate.

— Eu prefiro isso Antonny a ver Kate sofrendo. Nos dois sabemos muito bem, que você não é capaz de ter um relacionamento sério com alguém. E se tem alguém que não merece sofrer, essa pessoa é Kate. Por isso, é melhor você se afastar dela antes que a descarte como papel higiênico. — A minha maneira de falar foi tão fria que assustei meus irmãos.

Depois de piscar várias vezes e balançar a cabeça lentamente, Antonny suspirou e levantou saindo em silêncio do quarto.

— Você pegou pesado com ele. — Giovanny falou assim que ele saiu.

— Acredite, fiz isso pelo os dois. — suspirei pesarosamente.

É claro que eu não queria ver meu irmão sofrer. Mas ao mesmo tempo eu amava Kate como uma irmã e queria o melhor para ela. E naquele momento eu sabia que meu irmão não era a melhor opção para ela. Seria como Kate carimbar o passaporte dela para o sofrimento. Se ele realmente estivesse sentindo alguma coisa por ela, depois de ouvir aquelas palavras, tinha certeza que Antonny iria lutar por ela.

— E Samantha onde está? — perguntei a Giovanny que mexia impaciente em seu celular do outro lado do quarto.

— Então Sophia é por esse motivo que estou aqui. — o olhei sem entender. — Samantha sumiu. — ele passou a mão pelos os cabelos impaciente.

— Mas como sumiu? Ela não estava com você no hotel?

— Sim. Me lembro de ir dormir com ela ao meu lado, mas quando acordei o quarto estava vazio e todas as suas roupas junto com sua mala haviam sumido.

— O que? Tem certeza? — perguntei chocada.

— Sim, já procurei por toda a cidade e não a encontrei. Então decidi vim para cá, para procurá-la.

— Giovanny, você está me dizendo que Samantha sumiu e você esteve aqui esse tempo todo aporrinhando a vida de Antonnny ao invés de está procurando por ela?

— Me distrai quando cheguei e vi a reunião de família. — ele deu de ombros.

Dio Santo!

— Eu sinceramente não sei qual de vocês é pior. — comentei me levantando da poltrona num pulo. — Então vamos!

— Para a onde?

Semicerrei meus olhos. — Como para onde? Procurar Samantha.

— Sophia desde quando ficou tão mal humorada?

Ele bufou e me deu as costas saindo do quarto.

— Vou ser obrigada a ignorar seu comentário. — falei enquanto saia do quarto o seguindo. — Já perguntou a Vovó ou a Tia Pietra se elas viram Samantha por aqui?

— Não. — murmurou.

— Então vamos até a cozinha perguntar, se Samantha veio para cá vovó com certeza deve saber onde ela está.

Fomos direto para a cozinha. De longe era possível ouvi as vozes vindas do local, pelo visto todos estavam reunidos na grande lá.

— Bom dia famiglia! — Dei um beijo no rosto de vovó Medina que estava sentada na cabeceira da mesa.

— Mas olha só, alguém acordou de muito bom humor hoje. — Martin me provou, mostrei minha língua para ele.

— E você Giovanny, por que está com essa cara azeda? — Vovó direcionou o olhar para meu irmão.

— A cara dele é essa mesmo Vovó. — Valentina soltou automaticamente, fazendo todos gargalhar de sua provocação.

— E você continua insuportável Vale. — Giovanny franziu as sobrancelhas olhando para a prima.

— E a onde está Samantha? — Vovó Medina voltou a perguntar, sem parar de cortar seus tomates para o molho.

Giovanny e eu olhamos um para o outro antes dele responder a pergunta da nossa avó.

— Eu pensei que a senhora soubesse?

Vovó riu da pergunta dele.

— Ô meu querido como eu vou saber a onde sua mulher está? — Vovó respondeu colocando a panela de tomates em cima da mesa. — O que houve meu bem?

Mas antes que Giovanny pudesse responder, Tia Pietra entrou na cozinha chorando com um papel nas mãos.

— Mamãe o que aconteceu? — Valentina levantou indo amparar a mãe.

— Uma desgraça bambina! Uma desgraça! — Minha tia chorava copiosamente com as mãos no rosto.

Dio santo Pietra! O que aconteceu? — Foi à vez de Vovó Medina perguntar, com um olhar de preocupação no rosto.

— Valentim... — E mais soluços.

— Pare de chorar e me diga logo o que aconteceu com meu neto. — A voz de vovó denunciando sua agonia.

— Valentim fugiu com Samantha! — Tia Pietra gritou entre as lagrimas.

— O que? — Todos perguntamos em uníssono.

E eu vi o mundo de meu irmão rui pela sua atitude. Por um segundo era como se Giovanny estivesse em uma espécie de transe.

— Eu não sei o que deu na cabeça do meu filho para ele fazer isso. — ela sacudia a cabeça de um lado para o outro como se fosse uma forma de acordar de um pesadelo. — Ele disse nessa carta que sempre amou Samantha e que agora que ela finalmente o correspondeu, não poderia deixar a oportunidade de ser feliz ao lado do amor da sua vida passar.

— Santo Deus! — Minha voz saiu baixa como um sussurro.

— Pelo menos agora sabemos quem é o amor misterioso de Valentim.

— Martin! — Valentina o repreendeu severamente. — Agora não é hora para suas inconveniências.

— Eu vou matar aquele farabutto! — Giovanny gritou irado indo em direção a cozinha.

Meu irmão avançou em direção a porta como uma fera sedenta a estraçalhar o primeiro que aparecesse em sua frente. Tia Pietra se colocou na sua frente impedindo sua passagem.

— Não Giovanny! Por favor, não faça nada... Vocês dois não podem brigar, meu Deus do céu vocês são primos... — ela gritava desesperada tentando segurar o sobrinho.

— Me solta tia, por favor... Eu vou acabar com aquele miserável. — ele gritava enfurecido. — Como ele pode fazer isso comigo? Fugir com minha mulher?

Martin se levantou de onde estava sentado para tentar conter meu irmão. Em poucos minutos a confusão estava armada na cozinha e de longe era possível ouvir os gritos. Eu apenas observava a situação sem reação. Nunca antes na historia da família Salvatore presenciei uma cena como aquela.

— Aí meu coração!

A voz de Vovó Medina ecoou pela cozinha atraindo atenção de todos que estavam presente ali. Virei-me a ponto de ver as pálpebras da Vovó Medina se fechando lentamente, a cor deixando seu rosto ao mesmo tempo em que seu corpo amolecia nos braços do meu pai, que havia vindo correndo depois de ouvir os gritos vindos da cozinha. Nona Medina tinha desmaiado.

Depois de ajeitá-la em meio aos travesseiros e almofadas em sua cama. Todos nós ficamos aguardando ansiosos pelo seu médico que já estava a caminho. Não havia nada que lembrasse que há pouco tempo todos estavam discutindo aos berros. O silêncio tomou conta do quarto da minha avó. Um silêncio que só era cortado pela as reclamações de vovó.

— Eu estou bem meus queridos. — ela reclamou pela milésima vez.

— Não mamãe, a senhora não está. — Meu pai repreendeu num tom carinhoso. — A senhora sofreu um desmaio depois de senti uma dor forte no peito, algo muito preocupante na sua idade.

Vovó o olhou com um olhar ameaçador, fazendo meu pai se arrepender do que disse instaneamente.

— Por um acaso você está me chamando de velha? — ela se sentou na cama colocando a mão na cintura.

— Eu não quis dizer isso mamãe.

— Acho bom mesmo. — Vovó ameaçou e tive que me segurar para não rir da cena. — Ouçam bem eu já estou bem melhor, inclusive podem ligar para o médico avisando que não precisa vim. E chega dessa confusão em minha casa! — ela se ajeitou melhor na cama. — Giovanny nem precisa gastar seu tempo procurando por Samantha e Valentim, uma hora dessas aquelas dois devem está longe. Não a mais nada a fazer, não ser deixar que eu tempo cuidar disso. Agora por favor, saiam todos do meu quarto, tive um dia cansado e preciso descansar um pouco.

O queixo de todo mundo caiu.

— Vocês vão ficar parados ou vou ter que expulsá-los a chineladas? — Vovó gritou.

Diante a terrível ameaça de morte, todos saíram ainda abalados com os últimos acontecimentos do dia.

— Tenho quase certeza que a vovó simulou aquele desmaio. — a voz de Valentina ecoou pelo corredor.

— Bem típico da Vovó. — Martin deu de ombros antes de desaparecer.

— Pelo visto loucura está no DNA dessa família. — Giovanny passou por mim mal humorado.

— Espere meu filho, precisamos conversar. — Papai gritou indo atrás do meu irmão.

Em poucos minutos todos haviam desaparecido me deixando sozinha no corredor. Meu telefone tocou no bolso da minha calça, era uma ligação de Andrew.

Aló. — atendi de olhos fechados, pressionando a tempora.

Feliz ano novo Salvatore!

Para você também Andrew! Você me fez me senti importante agora senhor Brandt. — ironizei.

Você é importante Salvatore, pode acreditar. — ele riu do outro lado da linha. — Eu detesto ser um estraga prazeres, principalmente porque sei o quanto você está à vontade trabalhando na Toscana...

O que aconteceu Andrew? — perguntei séria, indo direto ao assunto.

Andrew suspirou.

Preciso que você volte para Londres o mais rápido possível.

Droga!

~:~

Gostou do capítulo? Então não deixe de votar e comentar. =)

💋

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top