Capítulo 13

Amores do meu coração, sugiro que leiam o capítulo escutando a música do vídeo acima. Boa leitura!

~:~

Sentindo-me usada

Mas ainda estou sentindo sua falta

E eu não consigo ver o fim disso

Apenas quero sentir seu beijo

Contra os meus lábios.

Sophia Salvatore

Abri meus olhos lentamente me deparando com a cama vazia, Caleb não estava mais ao meu lado. O quarto estava totalmente escuro e silencioso. É claro que ele havia saído, é claro que tudo não passou de um erro. E o que aconteceu não teve nenhum significado para ele.

Um ato estúpido e inconseqüente, a onde eu estava com a cabeça meu Deus!?

Sentia-me tão vazia, como se estivesse arrancado algo do meu interior até me deixar sem vida. Estava me sentindo usada, me sentindo sozinha e não conseguia ver o fim daquilo tudo. Mais uma vez em labirinto sem saída, sem opções, abandonada pela segunda vez. Eu precisava sair daquele quarto, sair daquela casa, fugir... Mas não podia, tinha um trato com Caleb e cumpriria, e mais importante que isso... Tinha que ajudar meu pai e deixar meu nome limpo de tanta mentira.

Seus beijos, seu toque incendiando minha pele, seu perfume amadeirado impregnado nos lençóis, uma onda de sentimentos controversos me deixando ainda mais confusa. Lembranças do passado invadindo minha mente sem pedi permissão. Eu amei Caleb de maneira intensa, com toda a minha alma. Eu amava o modo como ele cuidava de mim, o modo como ele me fazia feliz, o modo como ele me amava, os meus dias eram iluminados quando namorávamos. Agora esse sentimento estava de volta, para ser novamente pisado e destroçado.

Eu passei cinco anos tentando esquecer-lo. Cinco anos dizendo para mim mesma todos os dias, que Caleb era apenas passado, parte de um passado que eu queria esquecer. Nos últimos dois anos, me sentia totalmente segura de que já havia o superado, de que o único sentimento que sentia por ele era o de indiferença.

Mas depois de tudo o que aconteceu, me dei conta que o muro que construí entre nos dois se desmoronou facilmente. Como doía o ver todos os dias e perceber o quanto eu precisava dele. Eu não conseguia mais esconder de mim mesma, eu não podia mais negar que depois de todos esses anos eu ainda o amava. O meu coração mesmo ferido, magoado pulsava por ele.

Não... eu não posso passar por isso... eu não posso.

Tentei de varias maneiras esquecê-lo, matar esse sentimento dentro de mim, mas a lembrança dele estava impregnada em meu ser. Por mais que ele me ferisse, me magoasse, me destruísse, eu era escrava desse maldito sentimento.

Sempre sinto falta de quem

Eu não deveria sentir

Às vezes você precisa queimar

Algumas pontes para criar

Uma certa distância...

Estúpida, trouxa, idiota! É o que eu era, porque mesmo Caleb cometendo um erro injustificável eu ainda o amava. Como doía assumi isso para mim mesma. Feria meu orgulho ainda amar o homem que me fez tanto mal, que estava me usando para conseguir a mulher que ele amava de volta. A mesma mulher que se dizia minha amiga, mas me apunhalou covardemente pela as costas. Ele a queria, ele precisava dela e eu nunca seria ela.

Sentei-me na cama abraçando meus joelhos e comecei a chorar copiosamente. Como eu odiava o amar tanto, como eu odiava querer Caleb O'Brien. Ódio, amor, desejo, magoa, rancor... Sentimentos tão controversos que explodiam em meu peito de maneira intensa.

Você não se importa, você nunca se importou, você não dá a mínima para mim...

Depois de um longo tempo, fechei meus olhos tentando pegar no sono, mas infelizmente não conseguia. E o resto da noite seguiu assim, vez por outra, eu abria os olhos olhando fixamente para um ponto indefinido no teto, tentando dormir, tentando aplacar a dor que sentia dentro de mim.

Os primeiros raios de sol penetravam de forma tímida as cortinas da janela, estava amanhecendo e Caleb ainda não tinha voltado para casa. Não ganhava nada continuando acordada o esperando chegar. Virei-me na cama ficando o mais quieta possível, fechei os olhos até o sono me consumir.

Como é que você nunca nota?

Que você está me matando lentamente...

Acordei no outro dia com minha cabeça latejando muito. Céus como doía! Levantei da cama meio tonta indo direto para o banheiro. Olhei-me no espelho analisando o estrago de toda aquela choradeira. Até que não estava tão mal, apenas o de sempre, olhos e nariz um pouco vermelhos por causa do choro, cabelos desgrenhados.

Liguei o chuveiro deixando a água quente cair sobre o meu corpo. Demorei tempo suficiente, para deixar que a água fizesse meu corpo relaxar. Escovei os dentes e vesti a primeira coisa que achei no closet. Estava frio devido à aproximação do inverno, então optei por um conjunto de moletom cinza escuro. Fiz um rabo de cavalo meio torto nos cabelos e saí do closet cabisbaixa.

Você está novamente sentindo pena de si mesmo Sophia.

Nesse momento ouvir o som do meu celular vibrando no criado mudo, o que me fez ter um leve sobressalto.

- Alô!

- Que tipo de amiga você é que some sem dá noticias? - ouvir uma voz estridente e a reconheci imediatamente.

- Oi, Kate.

- Nossa que animação! Aconteceu alguma coisa?

Não tinha jeito, Kate me conhecia como ninguém.

- Não, estou bem querida - tentei soar convincente.

- Sabia que você está estampando a capa dos principais jornais e revistas da Inglaterra?

- Como assim? - perguntei sem muita emoção.

- Não se faça de sonsa. Você sabe muito bem que estão falando sobre o almoço beneficente do famoso Duque Mc Loucghlin e da sua dança com a namorada do multimilionário e rival Caleb O'Brien, a bela Sophia Salvatore. E... Nossa! O duque é muito gato, um verdadeiro deus grego! Sabe o que é o melhor? - ela perguntou exasperada - Alguns tablóides já dão como certo o fim do noivado do Duque com Marion, estão apostando em um romance entre você e Giorgio.

- Ai, nem me lembre desse almoço.

- Não, não, não... Vamos lá, me conte tudo sobre esse almoço.

- O que quer que eu fale? - me fiz de desentendida.

- Você pode começar pelo o Duque. - cantarolou divertida.

- Acredite amiga não há nada demais no Duque. - afirmei entediada.

- Como assim? Tem certeza que estamos falando do mesmo Duque?

Lembrei de Giorgio e um sorriso leve brotou em minha face.

- Sim Kate, estamos falando do mesmo Duque. Aquele homem frio, calculista e muito objetivo chamado Giorgio Mc Loucghlin.

- Oh meu Deus! Então é mesmo verdade tudo que dizem do Duque gostoso.

- Comigo ele sempre é muito gentil, um verdadeiro gentleman por assim dizer.

- Então aquele gostoso mexe contigo?

- Não.

- Então é mais grave do que eu imaginei. Uma doença crônica sem cura, coitada da minha amiga.

- Está louca? Eu não estou doente!

- Claro que está, sua doença se chama Caleb Ex Traidor O'Brien.

Acabei rindo com aquilo.

- Ah Kate! Não vamos começar.

- Desculpa, ainda estou digerindo essa sua volta repetina com seu ex. E por falar em traidor, como foi seu reencontro com aquela cobra da Marion? - ela perguntou seria.

Revirei os olhos.

- O pior possível, descobrir que Marion armou para me separar de Caleb no passado. - cerrei os punhos lembrando-se da minha conversa com ela.

- Sempre soube que tinha um braço inteiro daquela cobra nessa historia. - vocifera - Aquela historinha de que se apaixonaram nunca me desceu. Ela confessou tudo? Não me diga que caíram no braço? Deu na cara daquela vadia?

- Ela não confessou em todos os detalhes, mas tivemos uma conversa bem tensa. - pausei um pouco antes de continuar - E não caímos no braço, embora eu tenha me segurado muito mantive a classe.

- Que classe o que Sophia! Aquela cria do demônio não tem nenhuma classe, uma bofetada na cara ainda é pouco diante do que ela te fez. E agora o que pretende fazer? Por que com certeza mesmo que esteja bem com Caleb, ele deve ter caído na armação que a cobra armou. Ouça bem! Nada justifica o que ele te vez, nada no mundo justifica ele ter sido um canalha com você, mas na certa ele agiu por influencia daquela cobra manipuladora.

- Não posso afirmar nada, - fiz uma pausa - ainda. Até por que... Preciso de provas.

- Você bem que poderia dar o troco naquela víbora, sabe pagar na mesma moeda tirando o Duque dela. Pelo o que os jornais publicaram é nítido o interesse dele em você. Além do mais, sou totalmente contra a essa sua volta repentina com Caleb.

- Fofocas Kate, você não faz a mínima ideia de como as coisas realmente são. - suspirei.

- Não!

Acabamos rindo.

Escutei um barulho do liquidificador batendo e de coisas caindo no chão.

- Kate que barulho é esse?

- Estou testando uma receita nova de um suco detox, mas aparentemente o liquidificador criou vida própria e decidiu sacanear meu suco. - ela bufou entediada.

Dei uma gargalhada, não importava o quão ruim meu dia estava sendo, Kate sempre dava um jeito de me animar. Ainda que fizesse isso indiretamente sem saber, era muito bom poder contar com ela.

- E Antonny? - perguntei como quem não queria nada.

Pude ouvir sua respiração ficar pesarosa pelo celular, houve alguns segundos de silencio até ela me responder.

- Eu estou bem Sophia. - ela respirou fundo.

- Mesmo? Sabe que me preocupo com você.

- Sim, mas não se preocupe, uma hora vai passar, tem que passar.

- Como eu queria que as coisas fossem diferentes para nos Kate, como eu queria que Antonny fosse diferente em relação a você...

- Mas infelizmente querer não é poder Sophia. - ela me interrompeu.

Decidi morrer o assunto, Kate ainda não se sentia bem para falar de seus sentimentos. E não queria forçar a barra, sabia que no momento certo ela se abriria novamente comigo.

- Que tal almoçar comigo amanhã?

- Hummm pensarei no seu caso gatinha. Agora me fale mais sobre o almoço beneficente.

O final da minha manhã se resumiu a isso. Fiquei conversando com Kate sobre o almoço beneficente, matando sua curiosidade sobre os membros da realeza e evitando o máximo falar sobre meu relacionamento com Caleb.

~:~

Caminhava inquieta no meu quarto, não sabia o que dizer, como agir quando Caleb voltasse para casa. Estava tão agoniada que fui incapaz de comer algo o dia todo, meu estomago não parava de protestar por comida.

Depois de muito postergar, decidi comer alguma coisa. Já havia passado da hora do almoço e não estava com vontade de comer sendo observada por Elena. Sendo assim desci a passos lentos até a cozinha, a fim de fazer um sanduíche e voltar rapidamente para meu quarto. Não queria correr o risco de encontrar com Caleb.

Abri a geladeira pegando os ingredientes para o sanduíche, estava distraída o preparando quando uma presença feminina na cozinha me assustou.

- Desculpe senhorita, não me foi minha intenção assustá-la.

Olhei para a figura parada em minha frente, era uma mulher baixinha e esbelta de olhos e cabelos castanhos, aparentava ter uns 30 anos. Estava vestida com o uniforme vinho que deveria ser o uniforme das empregadas da mansão. Dei um sorriso amarelo, tentando ser cordial, mesmo não querendo ser.

- Quem é você? - perguntei a ela, já que não me lembrava de ter-la visto antes.

- Perdão senhorita, me chamo Meg, sou uma das arrumadeiras da mansão. - ela respondeu resignada.

- Não me lembro de ter-la visto antes Meg, alias além de Elena, nunca vi outra empregada na mansão. Vocês ficam escondidas em algum canto durante o dia?

Desde que cheguei à mansão, nunca tinha visto nenhum outro empregado além de Elena. Todos os dias era ela que servia meu café da manhã, meu almoço, ela que arrumava meu quarto. Era como se ela fosse à única empregada na casa, exercendo todas as funções alem da de governanta.

- Desculpe senhorita, mas temos regras explicitas de nunca permanecer na presença dos patrões.

Como assim?

- Quem criou essas regras tão estúpidas? - perguntei boquiaberta.

Meg êxito um pouco antes de me responder.

- A senhora Marion. - falou sem graça.

- Ah! Tinha que ser! Bem a cara dela.- levantei as mãos para o alto em sinal de tédio. - Há quanto tempo trabalha aqui Meg?

- Há dois anos senhorita.

- E como Marion tratava o restante dos empregados? Como Marion tratava Elena?

Perguntei, mas depois logo me arrependi de ter feito aquela pergunta. Não deveria me interessar pela vida de Marion na mansão, logo, logo não estaria vivendo mais ali. A forma com que ela tratava os empregados não era problema meu, afinal de contas, não adiantava em nada mudar as regras da casa. Marion logo estaria de volta à mansão. Senti uma dor no peito só de me lembrar, mas precisava ser realista e aceitar o fato de uma vez por todas.

- Me lembro de ter visto à senhora Marion pouquíssimas vezes, embora já trabalhe aqui há dois anos. - começou receosa. - Ela nunca permitiu que nenhum empregado, além de Elena se aproximasse dela. Sempre foi Elena que atendia todas as suas ordens. A senhora Marion nunca suportou respirar o mesmo ar que nos empregados respirávamos. Sempre se referia a nos empregados, como mortos de fome que só estavam aqui para servi-la. - percebi o tom de indignação na sua voz.

Não fiquei nenhum pouco surpresa ao ouvi tudo aquilo. Já era de se esperar algo deste tipo, vindo de uma pessoa tão sem caráter como Marion. Afinal cada um oferece aquilo que tem, e de uma pessoa tão maldosa e cruel como ela, era impossível se esperar atos de bondade.

- Então Marion e Elena eram muito próximas? - perguntei como quem não queria nada, enquanto guardava o pote de maionese na geladeira.

- Sim senhorita. - respondeu sucinta.

- Que estranho...

- Sim. Estavam sempre juntas, o que era estranho, pois, Elena também é uma empregada. Uma vez flagrei Elena chorando segurando um retrato da senhora Marion. A srta. não acha isso estranho? - ela cochichou baixinho.

Uma atitude estranha vindo de duas cobras.

- Sim, e quando Marion foi embora por que Elena não foi junto com ela?

- Isso ninguém sabe, mas aparentemente a senhora Marion não quis levá-la.

Pelo os poucos minutos de conversa com Meg, percebi que ela era uma pessoa que gostava de falar, e que também não gostava nada de Marion e Elena. Talvez, fosse interessante ter alguém que pudesse ter um pouco de confiança dentro da mansão.

- Meg a partir de hoje quero que fique exclusivamente responsável pelos meus cuidados. Não quero que ninguém mais, além de você tenha acesso ao meu quarto. Você será responsável pela arrumação dele. Também será responsável em cuidar de todos os outros assuntos que me desrespeitam aqui na mansão.

Ela me olhou com espanto, um tanto receosa confesso.

- Desculpe senhorita, mas não posso aceitar, Elena não permitiria.

- Elena não manda em mim Meg e tampouco sou igual à Marion. Já está decidido e não se fala mais nisso. - peguei meu sanduíche saindo em direção a porta, quando Elena apareceu.

- Matando serviço novamente Meg? - ela gritou com a moça.

Ela entrou na cozinha de repente pegando Meg de surpresa. Estava com sua habitual cara sisuda. Não percebeu minha presença ali.

- De forma alguma Sra. Williams, só estava vendo se a Srta. Salvatore precisava de alguma coisa.

Foi só nesse momento que Elena me viu ali. Ela me olhou assustada, mas logo voltou em sua habitual pose carrancuda.

- Quantas vezes já te disse Meg, para não incomodar os patrões? - ela falou de forma rude, repreendendo-a - Perdão pelo constrangimento Srta. Salvatore, prometo que isso não irá mais acontecer. - dirigiu seu olhar a mim.

- Não precisa se desculpar Elena. A propósito, que bom que está aqui, assim posso lhe falar pessoalmente. A partir de hoje, quero que Meg fique responsável pelos meus cuidados aqui na mansão.

- Como?

Ela me olhou confusa e Meg soltou um risinho por trás de suas costas.

- Isso mesmo que ouviu Elena. Quero Meg responsável pela arrumação do meu quarto, pela recepção dos meus recados, pela arrumação das minhas refeições. Enfim, responsável por tudo e qualquer assunto referente a mim.

- Mas Srta. Salvatore, Meg não pode exercer essa função. - ela me olhava estarrecida.

- Por que não? - perguntei calmamente.

- A Srta. Meg compõe o quadro fixo de empregados da mansão. Como pode imaginar devido ao tamanho dessa casa, temos vários colaboradores que exercem cada qual sua função. Se tirar Meg de seus afazeres fixos, teremos um buraco no quadro de funcionários que acarretará em um serviço ineficaz. Alem do mais, o Sr. O'Brien me incumbiu de cuidar de todos os assuntos referentes a senhorita, lhe dando toda assistência necessária vinte em quatro horas. Não posso contestar uma ordem dele, creio que o Sr. O'Brien não concordaria com essa decisão.

Coloquei meu sanduíche em uma bandeja acompanhado de um copo com suco de laranja. Elena me olhava com os olhos flamejando, mas não me importei nenhum um pouco com sua raiva e não me intimidei. Não queria alguém tão próxima e fiel a Marion cuidando dos meus assuntos. Não confiava nela nem um pouco. E era incapaz de me senti a vontade, com sua presença me rondando vinte quatro horas por dia. Sendo assim, minha decisão já estava tomada, até segunda ordem somente Meg me ajudaria dentro daquela mansão.

- Elena, creio que Caleb não contestará minha decisão, assim como não contestou minha vontade de ter meu próprio quarto e minha privacidade reservada. Alem do mais, ele me deu carta branca para resolver qualquer assunto dentro da mansão que me incomodasse. A partir de hoje, não quero que os empregados sejam tratados como leprosos ou como um nada aqui. Respeitando minha privacidade, não me importo em ver empregados circulando no resto da casa, enquanto estiverem fazendo seus afazeres.

- Mas Srta. Sophia são regras...

- Regras de Marion Elena e como pode ver Marion não está mais presente nesta casa. - a interrompi educadamente - Enquanto eu viver aqui, não quero que ninguém se sinta inferior por exercer um trabalho digno.

Ela ficou em silêncio me olhando com cara de parede.

- Estamos entendidas Elena?

- Sim Srta. Salvatore. - Ela respondeu entre os dentes.

- Ótimo! Meg estarei em meu quarto descansando, por favor, não quero se incomodada por ninguém, nem mesmo por Caleb. Se ele chegar, diga que ele é a ultima pessoa que quero ver na face da terra.

- Sim Srta. Sophia. - Meg respondeu atrás de mim.

Saí da cozinha carregando a bandeja com meu sanduíche nas mãos, deixando uma Elena enfurecida plantada feito uma estatua lá.

Quando cheguei ao meu quarto tratei logo de me forçar a comer. Não valia a pena martirizar mais meu corpo por causa dos últimos acontecimentos. As coisas aconteceram sim, de uma forma inesperada, mas não havia como voltar atrás.

Minha cabeça ainda doía muito, latejava de forma insuportável, eu sabia bem do que precisava.

Peguei o copo com suco de laranja e o levei em minhas mãos até meu closet. Quando me olhei no espelho a minha frente, além de ver rosto inchado, vi os grandes círculos roxos ao redor dos meus olhos, estava literalmente um caco.

Abri minha nécessaire azul vasculhando entre as maquiagens, achando lá no fundo o que precisava. Deixei o copo em um canto, destaquei um comprimido da cartela da taja preta, levei-o até a boca e engoli junto com meio copo de suco de laranja. Guardei novamente a cartela dentro da nécessaire.

Pronto agora quero ver ficar pensando em Caleb O'Brien.

Voltei para o quarto fechando as cortinas para escurecer o ambiente. Caleb ainda não havia chegado e duvidava que voltasse em casa tão cedo, não iria chorar mais, não iria me importar mais. Deitei-me na cama e apenas fechei meus olhos. Chega de pensar em Caleb por hoje.

~:~

Acordei com um barulho em meu quarto, estava com a boca seca, mas a cabeça já não doía mais. Meg estava no pé da minha cama segurando uma bandeja nas mãos.

- Perdoe-me Srta. Sophia, não queria acordá-la. Mas como está dormindo algum tempo sem se alimentar, fiquei preocupada e decidi trazer uma sopa de cebola para jantar.

- Obrigada Meg, mas estou sem fome. - respondi meio zonza devido o efeito do remédio, me sentando na cama.

- A senhorita precisa se alimentar, tenho certeza que não quer ficar doente fraca em cima dessa cama.

Ela colocou a bandeja sobre meu colo e ficou parada esperando eu comer.

- Você não irá desistir mesmo, não é?

- Com certeza não senhorita. - ela deu um sorrisinho.

- Está bem. - me dei por vencida.

A sopa estava deliciosa acompanhada com fatias de pão. No final das contas, não foi nenhuma missão impossível limpar o prato. Depois que terminei, Meg pegou a bandeja para que eu pudesse me levantar da cama. Olhei no celular e vi que já eram 20h10min.

Fui até o banheiro lavar meu rosto e escovar meus dentes. Olhei-me no espelho e vi que já estava com aparência bem melhor, não estava tão abatida como antes. Mas o sossega Leão ainda estava fazendo efeito, estava me sentindo um pouco sonolenta. Quando saí do banheiro me surpreendi ao encontrar Meg ainda ali me esperando com uma caixa marrom nas mãos.

- Pode ir se deitar Meg, estou bem melhor e pretendo voltar a dormir.

- Já estou indo Srta. Sophia, mas antes tenho que te entregar isto.

Ela me entregou a caixa marrom com um grande laço de fitas verde com vermelho. Era uma caixa de bombons da marca suíça Delafée, uns dos chocolates mais caros do mundo. Seus bombons eram feitos com flocos de ouro comestíveis, verdadeiras jóias em forma de chocolate.

- Quem me mandou isso Meg? - perguntei curiosa.

- Não sei senhorita, foi entregue agora a pouco. A caixa veio sem cartão como pode ver, mas com certeza é uma surpresa do Sr. Caleb. - ela me olhou com os olhos brilhando e um sorriso maroto.

Achava pouco provável Caleb mandar chocolates para mim, depois de tudo o que aconteceu. O Caleb de anos atrás talvez sim, mas essa versão fria e prepotente, essa com certeza seria incapaz de fazer algo assim.

- Vou deixar eles aqui Meg, amanhã eu abro e vejo se tem algum cartão aqui dentro. - coloquei a caixa em cima do criado mudo. - Obrigada por tudo, agora pode ir descansar.

- Não tem o que agradecer senhorita é um prazer servi-la. Se precisar de qualquer coisa estou à disposição. Boa noite!

Dito isso ela saiu fechando a porta. Fiquei olhando aquela caixa de bombons ali no criado mudo. Será que Caleb era o responsável por ela? Será que havia a mandado para se desculpar pelo o que havia acontecido?

Seja lá o que era, só iria me preocupar com aquilo no outro dia. Ainda estava frágil, precisava ter uma boa noite de sono, para me fortalecer e enfrentar os leões do dia seguinte. Voltei para a cama disposta a dormir novamente, quando meu celular vibrou debaixo do travesseiro. Olhei no visor e vi que o numero era desconhecido. Hesitei por um instante em atender, mas a curiosidade me venceu.

- Alô.

- Recebeu os bombons?

Logo reconheci a voz grave do outro lado da linha.

Giorgio!

- O que pretende com isso Giorgio? - fui direto ao assunto sem rodeios.

Estava cansada demais para participar de seus joguinhos.

- Perdão Sophia, não quis ser evasivo. Queria apenas agradecer por ter me dado a honra de dançar com você ontem.

- Obrigada pela gentileza milorde, mas agradeça sua noiva, foi ela quem organizou aquele leilão de dança.

- Delicada e desafiadora ao mesmo tempo... É isso que me fascina em você Sophia, tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Mas o motivo de minha ligação não é apenas elogiá-la.

- Se é que posso considerar isso um elogio. - pensei comigo.

- Se me permite gostaria de te fazer um convite bela Sophia.

- Que convite? - perguntei um pouco impaciente.

- Gostaria de convidá-la a me acompanhar amanhã para uma visita a instituição. Acho que seria uma ótima oportunidade, para conhecer um pouco mais do meu trabalho com as meninas.

- Muito obrigada pelo o convite Giorgio, mas amanhã irei visitar o meu pai e não poderei te acompanhar.

- Por favor, Sophia, será apenas uma breve visita, prometo não tomar muito seu tempo. Podemos ir logo após sua visita ao seu pai, tenho certeza que se encantará com minhas princesinhas.

Ponderei por um segundo antes de responder. A idéia de passar algumas horas sozinhas com Giorgio, me deixava totalmente constrangida só de pensar. Em contrapartida, as palavras de Kate vieram na minha cabeça me atiçando. "Você bem que poderia dá o troco naquela víbora, sabe pagar na mesma moeda tirando o Duque dela." Talvez fosse mesmo à hora de começar a dá o troco em Caleb e Marion. Deixar de ser a Sophia boba e fragilizada. Não queria me igualar a Marion usando Giorgio, mas também não queria continuar fechando todas as portas ao meu redor por causa do que aconteceu no passado. Seria uma ótima oportunidade de conhecer melhor o misterioso Duque, avaliar todas as possibilidades. Não podia negar, Giorgio era um homem atraente e estigante.

Dá uma nova chance para mim mesma.

- Eu aceito seu convite milorde, tem razão tenho certeza que ficarei encantada com as meninas. Além disso, será uma honra conhecer melhor seu trabalho na instituição.

- Ótimo! Mando meu motorista buscá-la amanhã a onde desejar.

- Obrigada Giorgio, mas prefiro ir eu mesma dirigindo. Por favor, me mande à localização por mensagem.

- Ah claro! Se assim prefere, não irei me opor. Mandarei amanhã de manhã a localização para você. Boa noite Sophia.

- Boa noite Giorgio.

Acabei sorrindo depois de desligar o telefone. Estava ansiosa em conhecer um pouco mais do Duque. Estava na hora de expandir meus horizontes. Arejar minha cabeça, sair daquela mansão. Talvez tenha sido uma excelente ideia aceitar seu convite, só esperava não está enganada quanto a isso.

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Oi meus amores! Gostaram do capítulo? Quem aqui alem de mim está ansiosa para o próximo capitulo? Prevejo muitas reviravoltas chegando. Não deixem de votar.
Beijos e até o próximo.

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