Capítulo 8
No sábado eu já estava uma pilha de nervos por ter inventado de ir naquela bendita festa. Por mais que Andressa estivesse mais do que contente por finalmente me tirar de casa depois de tanto tempo, ela não tinha a mínima ideia do que eu estava sentindo naquele momento.
Antônio não trabalhava na escola nas quintas-feiras e eu não trabalhava nas sextas, o que basicamente causou um grande desencontro para entregar os convites da danceteria. Ele poderia muito bem ter entregado na quarta, mas por acaso acabou se esquecendo de levar para o trabalho. Foi assim que deu um jeitinho de aparecer antes das minhas aulas, justamente quando eu estava com minha melhor amiga no café do meu curso.
Sutileza era algo que não fazia parte do vocabulário de Andressa. Quando os apresentei, ela foi tão óbvia que eu pensei em gritar, por favor, que parasse de ser ridícula, mas isso faria com que Antônio ficasse morrendo de vergonha.
Por esse motivo, ele parecia bastante empolgado, e não parecia ser apenas porque se formaria logo. Era bem claro para mim que ele tinha imensas intenções de me beijar tão rápido quanto possível. E eu não sabia mais como fazer para impedir que aquilo acontecesse sem que as coisas ficassem bem estranhas entre nós.
Tinha certeza de que ele achava que estava sendo correspondido. Mas, bem, ele não deixava de ter razão. Eu apenas queria tentar esconder aquilo ao máximo para não deixá-lo sem entender nada. Eu era a rainha de deixar os caras Contudo, Dêssa parecia não querer me ajudar.
Estava na fila da entrada com minha melhor amiga e sua colega de curso, Luana, uma morena de longos cabelos escuros quase de minha altura, quando recebi uma mensagem de Antônio, dizendo que me esperaria (sabe-se lá o que isso significava!), e outra de Júlia, dizendo que já estava indo para lá.
Foi o suficiente para meu nervosismo dobrar de tamanho. Caramba, seria muito difícil falar com ele!
Embora não fosse mais do que meia noite, o lugar estava bem cheio, provavelmente porque havia muitos formandos e porque tinha bebida em dose dupla até uma da manhã. Não pensei duas vezes antes de puxar minhas acompanhantes até o bar para encher a cara o quanto antes. Era o único jeito de passar por aquela noite sem ter um surto ridículo.
Estava bastante tumultuado. Dêssa, sempre tão determinada e intimidadora, conseguiu se enfiar em um buraco e pedir duas caipirinhas de morango, o que resultou em quatro copos da bebida.
Saímos de perto do bar e paramos em um canto da pista, onde havia um balcão. Imediatamente comecei a beber o drink adocicado, esperando que logo fizesse efeito.
Junto a isso, passei os olhos pelo lugar à procura de meus novos colegas no meio da multidão.
— O Antônio já tá aqui, Cá? – Dêssa perguntou em meu ouvido por cima da música.
Revirei os olhos e dei de ombros, querendo mudar de assunto. Quanto mais demorasse em encontrá-lo, melhor. Dava tempo de o álcool se espalhar por meu sangue.
A música estava ótima naquela noite. Era pop e dançante, e aos poucos estávamos nos balançando conforme o ritmo. Cada uma olhava para um lado diferente, sem quase conversar, como numa espécie de caça ao tesouro.
Era sempre assim. Falar no meio de tanto barulho seria quase impossível. Mal nos entenderíamos.
Depois de duas ou três músicas diferentes, escutamos tocar uma música nova que adorávamos. Andressa deu um grito, levantando as mãos para o alto e a imitamos, felizes. Minha bebida já estava no fim, o que explicava porque não achei nada embaraçoso seu modo de agir.
Quase corremos até a pista depois de deixar meu copo vazio no balcão e pegar o extra. Dançamos durante umas três ou quatro músicas até notar Antônio ao longe enquanto varria o salão com meus olhos já meio turvos.
Ele não me viu de imediato. Ria e conversava com uma garota de cabelos escuros e cacheados no meio de um grupo. Todos vestiam a mesma camiseta preta.
A garota se virou para um rapaz alto ao seu lado e finalmente Antônio me viu. Ele abriu um de seus sorrisos maravilhosos e eu não pude não sorrir de volta. Estava muito gato com os cabelos castanho-claros meio arrepiados com gel.
Decidi não olhar mais para onde se encontrava. Não queria atrapalhar suas filmagens ou o que quer que estivessem fazendo naquele momento. Continuei dançando e bebendo, o álcool se espalhando e minha mente aos poucos começando a flutuar. Meus movimentos passaram a ser mais descontraídos e meus olhos iniciaram novamente a procura por alguém que me chamasse atenção. Quem sabe se ficando com outro cara, Antônio percebesse que eu não queria nada com ele.
Foi então que notei que não eram apenas os outros dois estagiários da escola que tinham ido à festa. Lá estava ele, alguém que nunca imaginaria estar naquele local, no canto do bar, abraçando a cintura de uma garota linda, com longos cabelos loiros alisados, usando um vestidinho preto curto e justo.
Igor vestia jeans e camiseta branca, o que contrastava bastante com seus cabelos e barba escuros, além de chamar muita atenção na luz negra. Ele por si só já chamava bastante atenção, mesmo sem se esforçar. O cara era de uma beleza e charme inacreditável.
Observei ele se inclinar e falar algo no ouvido da garota e ela rir, passando um dos braços ao redor de seu pescoço. Imaginei que fosse a suposta namorada e senti uma sensação muito esquisita no estômago, como se estivesse vendo meu ex com alguém.
Sabia que ele não era isso, uma vez que nunca chegáramos a ter um relacionamento de fato, mas meu cérebro parecia não entender aquilo.
Ah, como seria difícil conviver com o Desconhecido! Eu esperava poder esquecer sua presença evitando-o ao máximo. E encontrar alguém com quem me preocupar para não ficar pensando nele era a ideia mais inteligente a se fazer.
Acabei por não comentar que vira o professor de Geografia, porque Andressa me faria prestar mais atenção nele do que deveria. E o cara estava até acompanhado! Não que ela, sozinha, não fosse descobrir. Dificilmente ele não seria notado.
Então voltei minha atenção para o outro lado, pedindo aos céus que algum cara da festa se aproximasse, mesmo que fosse apenas para ocupar meu tempo e eu não precisasse ir embora cedo.
Fui beber mais um gole quando percebi que meu copo já estava completamente vazia, exceto pelo gelo derretendo. Assim, peguei o copo de Luana, que se mantinha quase intocado.
— Calma, aí, sua bebum. – disse ela, rindo, mas me entregando mesmo assim.
Dei apenas um gole, sentindo a bebida doce e gelada descer por minha garganta e subir ao meu cérebro com uma rapidez incrível. Devolvi o copo, sentindo que minha mente já estava turva demais. Era melhor parar antes de fazer alguma besteira.
— Preciso ir ao banheiro. – Andressa comunicou em seguida, me fazendo voltar à realidade.
Já a estava seguindo quando vi Antônio vindo em minha direção, por isso parei. Seria esquisito ir embora agora que ele havia me visto. Pareceria de propósito.
— Vão vocês. Vou ficar cuidando nosso lugar. Meu colega tá vindo aqui.
— Hmmm... O bonitinho? –minha amiga tinha um sorriso diabólico no rosto.
Ela pegou Luana pela mão e foi puxando a garota em direção aos banheiros, sem nem perguntar se ela queria.
Antônio, por sua vez, conseguiu driblar algumas pessoas que dançavam na pista, finalmente chegando até mim.
— Fiquei feliz que você veio. – agradeceu ele, próximo ao meu ouvido, ou pareceu ter sido isso, já que era muito difícil entender em meio ao som alto da festa.
Inclinei-me para responder, sentindo o agradável perfume de sabonete e desodorante masculino e pensando que, além de bonito, ele era um cara cheiroso.
— A festa tá ótima. – falei. – As minhas amigas estão adorando. Eu apresentaria, se elas não tivessem ido ao banheiro.
— E deixaram você sozinha? – ele riu, se afastando um pouco para me olhar.
Dificilmente eu conseguia ficar sem sorrir quando ele estava perto, então não foi diferente naquele instante.
— Eu disse que você estava vindo aqui.
— Você queria ficar sozinha comigo?! – perguntou maliciosamente, entendendo as coisas diferentes do que realmente eram.
Engoli em seco quando um de seus braços envolveu minha cintura, antes que pudesse ter qualquer tipo de reação (não que a essa altura eu conseguisse ter alguma reação rápido, por causa do álcool).
Era claro para mim que ele também já havia bebido. Seus olhos estavam um pouco desfocados e não me parecia típico de Antônio tentar uma aproximação assim tão agressiva. Ele era sempre gentil, educado. Um cavalheiro como os dos livros que lia.
Fiquei imaginando se conseguiria lutar contra o desejo de ficar com ele depois de beber dois copos de caipirinha. Naquela altura do campeonato, ele parecia incrivelmente lindo. E cheiroso!
— Não seja bobo. – consegui dizer. – Eu quis ser educada e não deixar você perdido no meio do caminho.
— Eu esperaria por você quanto tempo fosse.
Senti meu estômago virando um milhão de cambalhotas. Minhas sobrancelhas estavam arqueadas e meus olhos arregalados, mas ele não conseguia ver.
Ele era bonito, cheiroso e fofo! E me queria! Ah, cada vez ficava pior!
Precisaria deixar bem claro qual era minha opinião sobre ficar com um colega de trabalho antes que fosse impossível mudar de ideia. Foi assim que decidi que seria melhor se nós conversássemos sobre isso de uma vez e eu pudesse explicar a ele que péssima ideia era aquela sem que o machucasse e estragasse nossa relação atual, impedindo qualquer possibilidade futura. Se nos conhecêssemos melhor antes, ficaria mais fácil decidir se ficaria com ele ou não, e ainda dava tempo de ele se formar e sair da escola.
— Que tal se nós formos para o mezanino, onde podemos escutar melhor o que o outro diz? – sugeri, pousando a mão em seu braço.
Ele sorriu, soltou minha cintura e me conduziu pela mão para as escadas, ainda que achasse que ele não queria conversar efetivamente. Eu também não tinha sido nada sutil em minhas palavras!
Abrimos caminho por entre as pessoas que dançavam na pista de dança e subimos até o segundo andar, onde havia vários sofás e mesas. Dali era possível vislumbrar todo o espaço e as pessoas do andar inferior (inclusive Júlia e Douglas, que até então não havia encontrado), mas o som da música era bem mais baixo. Percebendo que todos os lugares estavam ocupados, parei próximo ao parapeito metálico e o puxei, impedindo-o de continuar. Antônio não imaginava o teor da conversa que teríamos, muito pelo contrário de acordo com sua reação.
— Você tá bastante alta hoje. – ele apontou, se aproximando, depois de me analisar de cima a baixo. – Quase da minha altura.
— Quase, mas não tanto. – sorri desajeitadamente.
Eu estava com uma blusa vermelho carmim bem justa, uma calça jeans flare e saltos, para ao menos não ficar tão mais baixa que Andressa. Pintei os olhos com um esfumaçado preto, passei rímel e delineador e um batom matte vermelho escuro. Tudo isso contrastava bastante com meu cabelo em ondas até os ombros.
Para piorar a minha situação, estávamos mesmo quase da mesma altura, o que significava que meu colega não tinha mais do que 1,75 m. O que também significava que meu rosto ficava na mesma altura que o dele. O que também significava que a sua boca estava muito perto. Perto demais para minha sanidade ficar intacta!
Balancei a cabeça espantando os pensamentos, antes de mais nada. Eu sabia que seria difícil, porém não achei que fosse tanto.
Por que mesmo eu tinha bebido mais de um copo?
— Você também tá muito linda hoje. – elogiou Antônio, seu corpo mais perto do que devia, seus olhos já fitando meus lábios.
Já havia notado seu interesse durante a semana, mas nunca pensei que ele arriscaria algo tão cedo, afinal éramos colegas. O que aconteceria se por acaso não fosse legal ou não desse certo? Precisaríamos nos ver todos os dias durante os próximos... não sei se fecharia mais de dois meses. Em janeiro ele estaria formado e não seria mais estagiário. Só precisaríamos esperar esse tempo, ou melhor, eu precisaria enrolá-lo por esse tempo, o que talvez fosse bom.
— Eu esperava ser bonita todos os dias. – resolvi responder, na esperança de que ele interpretasse isso como um rechaço.
— Er... er... – gaguejou, confuso, mas completou com um daqueles seus lindos sorrisos, dessa vez me olhando nos olhos. — Você é sempre linda, mas hoje... Tá ainda mais!
E deu uma piscadinha antes de continuar:
— Melhorou?
Quando foi que o fofo Antônio havia virado o sedutor Antônio? Meu jogo não havia funcionado. Teria que ser mais enfática.
Olhei para baixo, para a pista de dança, me certificando se algum conhecido estaria nos vendo. Vi Andressa e Luana nos olhando e rindo (eu ouviria muito naquela noite). Vi Douglas e Júlia, mas eles não pareciam ter me encontrado ali.
Outro par de olhos nos observava. Igor. Assim que percebeu que o tinha notado, virou-se para a namorada rapidamente e eu para meu colega.
— Claro. – dei de ombros, forçando um sorriso amarelo. – Obrigada. O senhor é sempre muito gentil.
— Adoro quando você fala assim. – Ele me disse, abraçando minha cintura novamente, agora com as duas mãos.
— Você quer dizer quando falo como alguém do século XIX? – perguntei. – É por causa do tanto de tempo que levo lendo romances de época, sabe.
— Então você gosta de ler romances. Por que isso não me surpreende?
Antônio estava cada vez mais próximo, como se tudo que eu dissesse tivesse algum tipo de convite implícito. E, ainda que estivesse olhando nos meus olhos, de vez em quando mirava minha boca por alguns milésimos de segundo. Eu já nem sabia se gostava mais do Antônio bêbado ou do sóbrio.
— É legal ver como os homens daquela época se comportavam de outra maneira, sabe, tão cavalheiros. – soltei, mas me pareceu que Antônio não entendeu essa indireta também.
— E qual você prefere? – ele perguntou com a voz mais rouca, seu rosto se aproximando.
Meu coração quase parou de bater. Ele ia me beijar.
No meu pensamento, me senti em um filme em câmera lenta, pensando nas mil possibilidades que aquele beijo implicaria em minha vida, se deveria aceitar ou evitar que aquilo acontecesse. Na vida real, não passou mais do que um segundo e eu só tive tempo de virar o rosto rapidamente, enquanto ele me beijava na bochecha.
Antônio se afastou, embaraçado, no entanto não soltou minha cintura.
— Acho que não é o momento para algo desse tipo. – declarei, sem encará-lo. — Nós acabamos de nos conhecer.
Esperei que ele me soltasse e se afastasse, que dissesse que estava tudo bem e que entendia. Era o Antônio, ele parecia ser esse tipo de cara. Porém, tudo o que disse foi:
— E..?
Não era nada do que eu estava esperando. Achei mesmo que concordaria de imediato.
— Não acho que ter alguma coisa com um colega de trabalho seja algo saudável. – completei.
— Não vejo nenhum problema.
Arregalei os olhos, sem acreditar no que estava ouvindo. Não pude segurar minha risada.
Eu devia estar falando grego! Antônio parecia não entender nada do que eu dizia!
— Já pensou se você se apaixona e eu não correspondo? – brinquei.
Ele se afastou um pouco, me encarando com uma expressão estranha.
— Porque acha que eu vou me apaixonar e você não?
Apertei os lábios, sem saber o que fazer para continuar aquele duelo e sem saber como esconder meu sorriso idiota.
— Seria bom você saber que eu não sou do tipo que me apego fácil. – expliquei.
Não era de todo verdadeiro, mas ele não havia como saber.
Quando achei que finalmente o tinha vencido, Antônio então se inclinou para frente e murmurou em meu ouvido, fazendo minha pele toda se arrepiar:
— Acho que não me importo. Posso fazer você mudar de ideia.
Maldito!
Nunca achei que ele pudesse conseguir me seduzir daquele jeito. Assim ficava bastante difícil resistir!
— Antônio! – gritei, rindo de tão nervosa, me segurando bem firme na grade para não acabar caindo de tão tonta que fiquei.
— Não tô preocupado com o que vai acontecer no futuro. – falou. – Quero você agora.
Puta que pariu!
Fazia quatro meses que eu não ficava com ninguém. Eu já estava doidinha para que me beijasse. E o pior é que ele parecia saber disso.
— Você sabe que na segunda vou fingir que nada aconteceu. – provoquei. – Você sabe que nada disso pode acontecer na escola.
— Então você tá concordando? – perguntou, sorrindo, para ter certeza.
Não era óbvio que eu estava? De que adiantava fingir que não?
Antes mesmo que pudesse responder, já o estava puxando pelo pulso até o corredor perto do banheiro, um lugar mais escuro e vazio, onde ninguém pudesse nos ver. Se aquilo realmente aconteceria, eu faria com que ninguém mais soubesse de nosso envolvimento. Nem mesmo minha melhor amiga.
Eu sabia que iria me arrepender de tudo aquilo. Sabia que era errado, sabia que daria errado. Sabia que não devia ter bebido dois copos de caipirinha e mesmo assim, lá estava eu, novamente fazendo uma burrada sabendo das consequências. O problema era que eu sempre acabava preferindo curtir o momento, fosse como fosse.
Provavelmente Antônio também se arrependeria no futuro por ter me provocado.
Encostei meu corpo na parede vazia e esperei até que ele me beijasse.
Ainda que tivesse bebido, ele continuava sendo o Antônio fofo e carinhoso. Assim, enquanto esperava ser agarrada com vontade e beijada como se não houvesse amanhã, ele se aproximou lentamente, me olhando nos olhos e me deixando cada vez mais ansiosa. Queria que chegasse logo, já estava a ponto de puxá-lo pela gola.
Eu já não estava abrindo uma exceção? Para que perder tempo?
Quando finalmente seus lábios encostaram-se aos meus, já estava quase perdendo a vontade. Era lento demais, sensível demais, sem a intensidade que achei que viria depois de tudo que dissera e fizera. Antônio era gentil até em um momento daqueles!
Abri minha boca apenas para testar seus movimentos e de repente sua língua encontrou a minha e seu corpo estava mais próximo. Aos poucos comecei a me interessar novamente por aquele beijo estranho, que começara de um jeito chato e sem graça, mas que ficava cada vez melhor conforme o tempo passava.
Ele se afastou por alguns instantes e passou os dedos por meus cabelos, descendo até minha nuca. Minhas mãos subiram para seu pescoço, fazendo com que me sorrisse.
Sério?! Como resistir àqueles sorrisos perfeitos sem sorrir se volta?
Eu esperava não acabar me apaixonando tão rápido por Antônio.
*******************
Que merda Carolina foi fazer?
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