IV

Pete já estava se sentindo sufocado com tantos olhares sobre si. Com duas semanas no presídio começava a entender o porquê de muitos detentos tentarem fugir. Não, obviamente não era pelos mesmos motivos que ele, esse pensamento era apenas um comparativo nada inteligente da sua parte.

Sua mente estava uma bagunça todos aqueles dias e a tendência era piorar a cada minuto mais. Durante as duas primeiras noites ele não conseguiu dormir. Sempre que fechava os olhos, as lembranças de seu pai sendo levado pela perícia, como foi abordado pela polícia, os olhos cheios de lágrimas da sua mãe e as vozes de seu pai o xingando, tomavam sua mente. Ele se sentia preso de todas as formas, principalmente em sua própria mente e se sentia enlouquecendo.

— Aí está você. — a voz irritante de Tawan alcançou seus ouvidos, o fazendo se virar rapidamente para encará-lo.

Durante toda a semana, não houve um dia que Tawan não o incomodou. Ele aproveitava todos os momentos possíveis para irritá-lo, fosse no refeitório, no pátio ou na lavanderia, como agora. Pete não entendia os motivos dele pegar no seu pé, mas sempre que ele o provocava algo queimava em seu interior o deixando muito, muito irritado.

— Qual é? Não falará nada? — Tawan perguntou, apertando seu queixo com força, o fazendo grunhir de dor. — Você tá começando a perder a graça. — continuou, soltando seu queixo e caminhando até o carrinho de lençóis dobrados.

— Por que você é assim? — Tawan virou o rosto em sua direção franzindo o cenho e logo balançando a cabeça em negativa, uma clara indicação que não queria ouvir as próximas palavras.

— Você realiza um bom trabalho. — disse, voltando seu olhar para a pilha de lençóis. — nunca recebe punições e insiste que não matou o pai, mas sabe? Pra mim isso não passa de uma fachada. — explicou, derrubando uma das três pilhas de lençóis no chão. — Pra mim você não passa de um mentiroso de merda. — concluiu derrubando o restante dos lençóis e pisando em cima.

Pete fechou os punhos com força, sua respiração se tornou ruidosa e seus batimentos eram tão fortes que temia que logo seu peito fosse rasgado. Ele estava cego de raiva e nem mediu as consequências. Em um ato impulsivo, deu dois largos passos até Tawan e socou sua cara com toda sua força, ou achava que era. Tawan cambaleou duas vezes para trás e quando conseguiu se equilibrar tentou avançar sobre ele, sendo impedido por um aperto em seu braço.

— Sai. — Tawan olhou assutado para o recém-chegado e antes que pudesse falar algo, sentiu o aperto se intensificar. — Mandei sair! — tornou a falar, a voz endurecida assim como seu olhar. Tawan fez menção de sair, mas voltou com um puxão forte. — E é bom que você e seus capachos limpem a bagunça feita. — disse entredentes, o olhar se voltando para a pilha de lençóis no chão.

— V-ve...

— Isso não é um pedido! — rosnou e Tawan se encolheu, rapidamente concordando com a cabeça.

Pete estava alheio a tudo, seu sangue ainda estava quente, mas observei cada mini partícula dessa cena: como o olhar furioso de Vegas e o medo que transitou node Tawan.

— O que... você tá fazendo? — Pete perguntou tomando consciência de Vegas caminhando lentamente em sua direção. — Eu...

— Shiii! — Vegas fez um gesto com o indicador para ele fazer silêncio. — Não vou te machucar. — afirmou, uma mão indo ao encontro do seu queixo, onde ainda tinha as marcas dos dedos de Tawan. — Da próxima vez... — começou a falar, seus olhos se encontrando com os de Pete, que engoliu seco pela aproximação e toda áurea misteriosa que o cercava. — ... não se contenha. — Pete franziu o cenho tentando se afastar e sendo impedido pela outra mão de Vegas, segurando sua cintura. — Você sabe muito bem do que tô falando Pete... essa raiva que fica presa aí dentro... esse é o lugar exato pra você extravasar. — concluiu, sorrindo indecorosamente.

— Eu não... você não sabe nada sobre mim! — Pete falou entredentes, mais uma vez tentando se afastar.

Pobre Pete, ele estava tão confuso. As últimas semanas não foram realmente boas para ele, mas, no fundo, ele sabia exatamente do que Vegas estava falando. Há dois dias ele havia tido um sonho revelação, não era muito, comparado a tudo que rondavam sua mente, mas ele acordou ofegante, com os olhos fixos nas mãos, essas que no sonho estavam cheias de sangue. Um pequeno fragmento daquela noite, onde mais uma vez o pai batia na mãe e ele se colocava na frente e depois, apenas o sangue em suas mãos. Isso era o suficiente, ele soube naquele momento que havia mesmo matado seu pai e agora tudo se tornava ainda mais confuso.

— Talvez eu saiba mais do que você mesmo. — Vegas falou, puxando sua cintura com força, fazendo Pete arfar involuntariamente. — Os seus olhos dizem muito mais sobre você, do que sua postura forçada.

— Você tá me chamando de mentiroso. — em meio ao seu tom acusatório, transitava uma fagulha de decepção.

Não entenda errado, quando Pete esbarrou com Vegas a primeira vez, algo no seu interior parecia chamar por ele. Depois disso, ele sumiu do seu campo de visão, então soube por seus colegas de cela, que Vegas havia ficado uma semana na solitária por matar um dos detentos e nos últimos dias, ele aparecia no momento menos oportuno e ficava por minutos a fio apenas o observando. Pete não se incomodava, algo em Vegas era instigante e ele até gostava de não ter outros detentos tentando o intimidar, porque se sentia intimidado por Vegas. Essa era a primeira vez que ele realmente lhe dirigia a palavra e para sua insatisfação, essas o deixava totalmente desconfortável.

— Não, só tô dizendo que você tá confuso, mas vou te ajudar. — Vegas respondeu em um tom tranquilizador e inconscientemente levou a mão para apoiar em seu ombro.

— E como você pode me ajudar, Vegas? — perguntou, seu corpo relaxando mesmo em meio a toda tensão.

— Apenas deixe fluir, não tente controlar o que você sente. — sussurrou se aproximando um pouco mais.

Pete fechou os olhos, por instinto, quando Vegas apertou seu corpo contra o dele. Uma sensação de satisfação invadindo-o, deixando-o leve e quando deu por si, seus lábios estavam sendo sugados por Vegas. Ele sentiu um frio em sua espinha e logo um arrepio percorreu seu corpo. Era isso que ele queria desde o primeiro momento. A boca de Vegas não tinha piedade da sua, o beijo era afoito e sem nenhuma intenção de ser carinhoso. Vegas alternava, mordendo e chupando seus lábios com voracidade, percorrendo toda sua cavidade com a língua, enquanto suas mãos passeavam sem pudor pelo corpo alheio, repousando a mão sobre o tecido que cobria o pau de Pete, recebendo como resposta um arfar rouco.

— Não! — e uma vez mais a confusão abraçou Pete. Ele queria cada investida de Vegas, mas temia que fosse irreversível, por isso tentou se afastar do toque, ofegante

Vegas debochou da sua atitude, voltando a se aproximar e lambendo seu rosto, enquanto sua mão voltava a acariciar seu pau e a outra ia ao encontro do seu pescoço em um aperto forte, mas não incomodo.

— Não vou te forçar. — Vegas sussurrou próximo ao seu ouvido. — Você vai ser meu por vontade própria. — Pete arfou quando Vegas tomou o lóbulo de sua orelha na boca e sugou sem piedade. — Porque você não tem como fugir do que você é.

— E... o que... o que eu sou? — Pete perguntou ofegante, seu coração batia tão forte contra o peito que ele temia Vegas puder sentir tal movimento.

— Você é igual a mim, Pete. — Vegas disse pausadamente, lambendo seu rosto mais uma vez, antes de se afastar e verificar o estado caótico que o novato se encontrava. — Ainda vamos nos divertir muito, novato. — concluiu, tomando a boca de Pete mais uma vez, em outro beijo endurecido.

Pete podia tentar se enganar, mas seu corpo o entregava em cada partícula. Ele não resistiu ao beijo, pelo contrário, retribuiu com voracidade, sua língua brigando por controle e suas unhas cravando na nuca de Vegas. Ele queria dificultar, única e exclusivamente, porque não entendia todo aquele desejo e falta de controle do próprio corpo. Por isso, não hesitou em morder o inferior de Vegas até sentir o gosto do sangue e esse separar do ósculo limpando a boca, mas ao contrário de raiva ou fúria, um sorriso de escárnio preencheu seus lábios e foi naquele momento que Pete soube que Vegas seria sua perdição.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top