Capítulo 68

- Então meu pai foi quem iniciou essa guerra. - a princesa disse olhando para os papéis mais uma vez - Se eu soubesse disso antes...

- Não iria assumir essa guerra. - Marlon concordou abraçando ela.

- Você tinha ter me contando. - ela bufou - Não só você, mas minha tia também!

- Não sabia como. - ele concordou - Sinto muito.

Ela apertou os braços do rapaz e respirou fundo. Sentia que haviam tirado o seu chão, mais uma vez, assim que tinha o recuperado, estava com dificuldade de respirar e queria muito sair correndo dali, ficar sozinha e pensar mais.

- Vamos então ao plano B. - ela suspirou - Com menos chance de dar certo. Temos que chamar Akanta para cá.

- Você realmente não quer compartilha o que pretende fazer comigo?

- Vai tentar fazer com que eu mude de ideia. - ela passou os dedos do cabelo dele - Quanto tempo ainda teremos antes da batalha?

O rapaz apenas pegou ela pela cintura de deu mais um de seus doces beijos nos lábios dela."

Gwem deu bebeu a cerveja e quebrou o clima da situação abrindo um largo e grande sorriso. Olhou para o ruivo que revirou os olhos e deu um sorriso torto, aconteceu ali uma comunicado entre os dois, a qual mais ninguém na taverna entendeu.

- Esses dias que se seguiram foram estranhos. - ela se virou para o grupo mais uma vez - Os soldados de Zaark ficaram tensos o tempo todo, qualquer movimentação do lado criava uma confusão considerável, imagino que ao lado de Catalan o mesmo deve ter acontecido.

"Enquanto isso, Avalon teve que brigar e insistir que deveriam está com Akanta no acampamento em breve. A princesa ainda não tinha conseguido olhar para a cara do lorde Knightley e ele mesmo não tinha interesse de encará-la. Particularmente, eu acredito que o homem não tinha forças o suficiente para fazer isso.

Então chegou o dia, Avalon tinha levado Akanta para dentro de sua tenda, conversou com ela durante todo o dia, até que um soldado avisou que o inimigo estava se movendo de maneira suspeita. Não deve ter levado meia hora e eu vi todos os homens marcharam em direção ao meio dos acampamentos.

Em, tinha recebido ordens de ficar no acampamento junto aos seus pais para, caso necessário, corressem em direção do castelo, avisando todos ali dentro a necessidade de fugirem, mas a menina, deu um jeito de se entrar na floresta e dali assistir os eventos que iriam se seguir.

Haviam um espaço entre os dois exércitos, um grande grupo de Guerreiras cobriam a parte da frente junto com o clã Saeb, formando uma barreira de proteção e ataque considerável. Já Aires, arrumou seu exército para que um muro de escudos fosse formado. Frente a frente eles se encararam e esperaram o que viria se seguir.

Demorou um tempo para que o rei de Catalan encontrasse a princesa bárbara no meio do exército, mas assim que seus olhos encontraram, ele levantou a mão, pronto para dar o sinal. Avalon se movimentou, saiu do muro de proteção, apresentando na sua frente Akanta com uma faca no pescoço.

- Quero conversar! - ela gritou.

- Meio tarde, não? - Darlan respondeu arrancando risadas do exército inimigo.

- Não com você, com o seu rei! - ela resmungou - Devolvo Akanta assim que ele vier aqui.

O primo ia dizer algo, mas Aires o impediu. Olhou para a sua irmã ali, e percebeu que a faca estava bastante distante do pescoço dela, suspirou enquanto descia do cavalo. Não podia deixar que a sua última família morresse, mesmo que ele não acreditasse que Gayla ou Avalon fosse fazer algo.

- O que deseja? - ele deu uns passos para frente, mas não saiu da sua proteção.

- Venha mais para perto!

- O que me garante que seu exército não vai acertar uma flecha no meu olho?

- Minha palavra de rainha.

- Pelo que sei, você ainda não é rainha. - ele bufou.

- O que deseja, então?

- Que solte a minha irmã.

- Qual será a minha garantia? - Avalon riu olhando para as flechas apontadas para ela.

- Justo. - Aires pensou mais um pouco, pegou seu escudo e sentiu a mão do primo, impedido dele ir, desvencilhou e caminhou devagar até uma distância segura da inimiga - Assim está bom?

- Perfeito. - Avalon soltou Akanta, que apenas soltou o ar aliviada e olhou para a amiga fazendo uma reverência - Desculpe por isso.

A irmã sorriu negando com a cabeça e correu para o irmão dando um grande abraço. Avalon esperou esse reencontro acontece pacientemente, imaginava o quanto os dois deveriam sentir falta um do outro.

- Você está bem? - Aires sussurrou ainda encarando Avalon.

- Melhor do que se eu estivesse em Catalan. - a menina riu, vendo no seu exército Caleb sair do meio do grupo e acenando - Escute ela, meu irmão.

- Akanta...

- Agora, rei Aires. - a princesa o interrompeu - Eu tenho uma proposta!

- Não quero nada de você! - ele disse já dando de costas a ela - Vamos lutar hoje e acabar com essa guerra!

- Quem disse que vim com outra proposta de paz? - ela resmungou - Você é filho de Cordelia, a qual era filha de Arthur, lorde Lillac. Mesmo que o sangue de Zaark não seja o seu, você tem alguma ligação com nosso passado e terras, por isso, eu invoco a lei das guerras dos lordes e imploro que você aceite ela.

Aires parou, apesar de mandar a sua irmã ir para a segurança. Não conhecia a lei e não tinha ideia do que a princesa falava, se virou e disse.

- O que seria isso?

- No tempo de Celina, nossa primeira rainha, ela disse que quando dois lordes tivessem um desentendimento e uma guerra fosse declarada, apenas os Lordes deveriam lutar. - ela tirou o machado e cravou no chão - Aires, filho de Cordelia, linhagem Lillac, eu quero que lute comigo, aos moldes dessa lei.

Aires olhou para aquilo com uma expressão de espanto e confusão. Atrás dele o seu exército começava a falar, assim como o dela.

- Não temos o dia todo. - ela disse levantando a mão e com um sorriso no rosto.

- Por que eu aceitaria isso? - ele disse por fim.

- Poupar vidas.

- Você não parecia disposta a isso quando matou Alec.

A princesa vacilou. Aires percebeu quando os olhos ficaram muito tristes e sua expressão confiante ficou forçada.

- Não seria a primeira vez que eu cometo um erro. - ela suspirou - Nem minha linhagem.

O rei apertou os lábios e encarou a moça por mais um tempo. Decidiu que a resposta da próxima pergunta iam guiar seus próximos passos.

- Você sabia?

- Não. - ela disse mais alto e seu rosto fez uma careta de nojo - Nem passou pela a minha cabeça que algo desse tipo tinha sido feito. Aires... sinto muito.

Sem notar a reação dos exércitos perante aquela fala, Aires tirou a espada da capa e disse que aceitaria lutar com ela. Rapidamente, foi explicado para ele que ambos teriam que entrar na floresta, assim evitando que no meio da batalha alguém interferisse.

Enquanto a confusão de uma pequena comitiva ser criada para esse caminho ser feito sem trapaças, Liam entrou na floresta e Em viu.

Demorou muito tempo para que os dois fossem deixados na clareira e fossem deixados sozinhos, ou quase. Avalon avaliava seu machado a medida que procurava os cabelos ruivos do menino no meio da mata. Não podia mais julgar seu pai pelos planos sujos. Infelizmente, precisava garantir o bem esta do seu povo.

- Já fizemos lutas como essas antes. - ela disse suspirando e se preparando.

- Quem diria? - o rei disse rindo amargo.

O primeiro ataque veio dele e por muito pouco a moça conseguiu desviar. O golpe seguinte não demorou muito para acontecer e outro e o outro. Aires percebeu a falta de iniciativa da menina para o atacar, primeiro acreditou que ela estava o cansando, até de fato ficar cansado e ela permitir o seu descanso.

- Não vai lutar? - ele resmungou após sentir o empurrão que ela deu contra o último golpe.

- A ideia era trazer você aqui para conversar! - ela disse engolindo seco e tomando um pouco de ar.

- Ainda quer paz? - ele parou um pouco rindo, respirou fundo e se jogou para cima dela - Não percebe que isso é impossível?

- Não, não é! - ela girou o machado de forma ameaçadora pela primeira vez - Essa guerra não é nossa! Ela é de nossos pais!

- Que visão simples! Avalon, seu pai encomendou a morte da minha mãe e irmã! - ele gritou e a espada arrancou uns fios de cabelo da moça - O que vamos fazer com isso, esquecer?

- Não. - a moça atingiu a lâmina com o cabo do machado e Aires bufou, ela estava mais forte - Assim como não vamos esquecer que seu pai matou os meus e me sequestrou. Assim como não dá para eu esquecer que Akanta era minha irmã e ele meu pai!

O rei hesitou diante dessas palavras, o suficiente para que a moça o jogasse no chão e subisse nele com o cabo em seu pescoço. Mesmo assim não o machucava.

- É confuso! - ela gritou e uma lágrima escorreu no rosto dela - Aires, eu estou confusa desde o dia que sei quem sou! Não aguento mais não ser de Catalan nem de Zaark! Ser a princesa e a moça que traiu o povo! Ser a refém e filha. Chega! Essa luta não é minha!

- Mas a guerra não vai parar por causa sua! - ele revirou os olhos enquanto tentava sair - Mimada não combina com você!

- Vai me dizer que isso não te incomoda.

- Não!

- Me matar não te incomoda?

O rei olhou nos olhos da menina que corria com ele pelos corredores do castelo e desviou o olhar. Não conseguiria falar que sim, mesmo que devesse.

- Não importa que queremos!

- Quem disse? - ela riu - Aires, não vamos ganhar nada material com essa guerra e ninguém manda de nós!

- Que anti-climático! Treze anos para um acordo de paz?

- Por que não? - foi a primeira vez que ela apertou o cabo contra do pescoço dele - O povo ainda vai se odiar e nossas nações não seriam amigas como eram tão cedo, mas, podemos viver sabendo que não matamos mais gente agora.

- O que meu pai pensaria?

- Ele foi o motivo da paz. - ela sorriu - Se seu pai não tivesse me sequestrado aquele dia, eu nunca ia pensar em não lutar e, se você não me conhecesse já teria pegado aquela espada.

De fato, a arma de Aires não estava longe, mas ele ainda não tinha a agarrado por não ter reparado naquilo. Avalon se levantou e fez algo que chocou Aires, Liam e Em, jogou o machado no chão e se ajoelhou.

- Eu já me decidi. Não vou te matar. Não quero ganhar uma guerra para falar que meu sangue não se mistura com o seu. - ela fechou os olhos - Pode me matar, se achar que minha vida e os nossos anos de amizade não valem tanto assim. Mas, se assim como eu, sabe que não temos que carregar a herança de nossos pais. Acabou!

Aires olhou para Gayla no chão e para a espada na sua mão, engoliu seco a medida que a levantava. Enquanto isso a corda de um arco era tensionada pelo menino ruivo, uma flecha ia acertar a cabeça dele.

O rei respirou fundo e pensou na lâmina sendo afundada na cabeça da menina, mas a imagem dela dançando e sensação gostosa que tinha quando ela sorria em sua direção o atingiu. A espada ficou levantada e seu braço perdeu a força a medida que ela saia de perto dela.

- Gayla... - ele sussurrou chorando - Eu gosto de você! Muito! Se eu soubesse que você deixaria seu papel de guarda de lado para fugir comigo, teria contado isso antes. E meio tarde, mas quero saber se você teria feito isso?

A princesa abriu os olhos e olhou para seu amigo confusa e com o coração disparado. A flecha tinha sido abaixada e um garoto soltava o ar aliviado, não mataria seu primeiro homem hoje.

- Aires... - ela sorriu, ainda de joelhos.

- Eu só preciso saber! - ele gaguejou.

- Nunca teria fugido. - a concordou - Nunca fugi de nada e nem pretendo, por mais que já tenha adiado muita coisa. Mas, você era correspondido. Eu peço desculpa.

O rei sorriu e limpou uma lágrima.

- Eu que peço.

O rapaz olhou para a arma e depois para ela e se projetou para frente. Dessa vez, Liam não teria tempo de atirar.

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