Capítulo 48
Na cabeça de Asterin fazia sentindo que Marlon a carregasse até o castelo, seus sentidos estava girando e suas pernas pareciam pesadas, já estava pendurada no rapaz, era só ele passar o braço por debaixo das... o pé dela tropeçou em uma pedra e, imediatamente, Marlon e Kay a seguraram.
- Já disse que não é uma boa ideia você beber... - Marlon disse suspirando.
- Eu não bebi... - ela bufou - Estou apenas cansada.
- A ressaca do dia seguinte também vai ser cansaço? - Kay questionou preocupado.
- Deixem a menina viver! - Val disse rindo, carregando Em no cavalinho e Liam ao lado - Ela não vai morrer porque bebeu um pouco além da conta.
- Não chamaria isso de um pouco além da conta. - Kay bufou.
- Claro! Porque daquela vez que eu te encontrei desmaiado entre as garrafas de cerveja e quando acordou começou a cantar o hino de Zaark no ritmo da música dos Lillac, você estava melhor! Ou então, quando achei você deitado na grama do castelo... - Val disse levantando uma sobrancelha - Ou melhor...!
- Já entendi... - Kay disse rindo - Eu sou um bêbado.
- Não, você não é. Só não é exemplo de nada.
- Essa doeu. - a princesa disse sorrindo.
Os braços do amante dela ficaram mais fortes ao redor dela a medida que eles se aproximavam do castelo. Sem refletir na quantidade de tropeços que ela estava tendo, jogou a cabeça para trás e viu as estrelas vendo-a, riu. A vida poderia ser boa e estava sendo.
Assim que os pés dela encontraram o chão estável do castelo, sentiu o braço quente de Marlon sair da sua cintura, reclamou baixinho, mas não estendeu o trabalho dele. Estava pronta para dormir e, principalmente, agarrar o rapaz até o amanhecer.
- Prima... - Kay disse suspirando - Posso mostrar uma coisa?
- Agora?
- Sim... - ele disse sorrindo - Depois eu ajudo você chegar no seu quarto.
- Devo me preocupar? - Marlon disse rindo para ela, que respondeu dando uma cotovelada em seu ombro.
- O que você vai me mostrar, aniversariante? - ela disse rindo indo em sua direção.
- Na verdade isso é um pedido da sua tia. - ele disse caminhando a levando em direção da biblioteca - Aloïsia disse que você tem que ver isso antes de viajar e... acho que não tem momento mais apropriado.
- E o que seria? - a menina disse reparando em algumas coisas a luz da lua, como os quadros e tapeçarias.
- Estamos a caminho, por que estragar a surpresa? - ele disse rindo.
Asterin apertou os olhos e começou a provocá-lo, vendo se não conseguia arrancar nada dele nesse curto período de caminhada, além de tentar se manter em pé durante todo o processo.
- Chegamos! - ele disse rindo e parando na frente de uma enorme porta de madeira com vários desenhos de dragões, fadas, selkies e outras criaturas mágicas.
- Esse quadro... - Asterin disse apontando para a imagem de uma mulher sorrindo e empunhando uma espada - Por que estou nele?
- Não é você... olhe melhor.
A princesa se virou para o quadro é continuou observando a mulher sorridente. Não fazia sentindo ser ela, afinal, não tinha dado tempo para fazerem um retrato dela e a moça na pintura parecia ser mais velha, além disso não sabia usar uma espada. Ainda assim parecia com ela. Então viu, no fundo da pintura, um dragão voando no horizonte, sua silhueta estava disfarçada entre as várias cores usadas para imitar o por do Sol.
- É Celina...
- Sim... - Kay riu - Acho que não tivemos nenhuma rainha tão parecida com ela do que você, apesar de todos os Briendal se parecerem.
- É assustador. - os dedos da menina foram para o vestido verde dela.
- Não deveria. Significa que você está destinada a grandeza.
A garota não quis falar que era exatamente isso que a assustava.
- Veio me mostrar um quadro velho e falar de destino? - ela disse com um sorriso brincalhão, animada para mudar de assunto.
- Não. - ele riu pegando na maçaneta de uma pedra brilhante - Aqui já foi mais bonito, mas... deixa eu mostrar!
A porta pesada foi empurrada e uma enorme sala redonda apareceu na frente da princesa, uma luz azulada descia calmamente pela cúpula de vidro acima da cabeças deles, era possível ver parte do caminho das estrelas ali. Várias árvores de pequeno porte cresciam sem ordem e roseiras brancas tomavam conta de tudo, algumas flores de lis persistiram na loucura, assim como lavandas e margaridas. Era magnífico, principalmente a loucura.
Ela entrou com calma, sentindo o seu coração disparar, no centro de tudo, sendo iluminada e brilhando fortemente, uma pequena árvore de prata e ouro enchia seus olhos e frutos de pedras preciosas chegavam a parecer apetitosos. Aquilo era real! A árvore de Zaark, a protetora daquelas terras.
Ajoelhou no chão, maravilhada e, então, escutou algo caindo na grama. Um som abafado, mas bem claro para os dois ali. Perto das raízes estava uma tiara de prata, delicadamente feita para parecer com a árvore, galhos delicados, folhas idênticas as orgânicas e frutos de pedras preciosas. Olhou para Kay em busca de respostas, mas o rapaz só foi na direção dela, tirando a coroa de galhos verdadeiros da cabeça dela e jogando em algum lugar, puxando a de ouro em seus dedos.
- Essa árvore se recusou a produzir uma joia para mim... - ele riu - Ela sabia quem era a pessoa que deveria ter linhagem real de verdade.
- Como isso funciona? - a garota se levantou olhando para a árvore e depois para o primo.
- Mágica? - ele riu dando de ombros - Importa muito?
Ela negou com a cabeça sorrindo, era incrível e ponto.
- Normalmente ela produz coisas pequenas. - Kay riu - Acho que ela também concorda com o que eu falei sobre grandeza. Seus pais também pensavam assim...
- Acha que eles estariam felizes comigo? - a voz dela saiu mais triste do que queria.
- Por que não estariam? - ele sorriu jogando uma mecha de seus cabelos para trás da orelha - Você está sendo uma princesa incrível!
- Não fiz nada de relevante.
- Ainda... pode ser. Mas eu tenho fé em você! Você é a luz do caminho, um vagalume!
Ela riu com tristeza, negando levemente. Seus olhos voltou para a árvore mais uma vez e suspirou. Fé... luz... aquilo não deveria ser depositado nela, apenas no Criador, talvez Ele desse forças para ela.
- Desculpa. - ela disse baixo.
- Pelo o que?
- Pela briga que tivermos... - ela suspirou - Pelo fato de eu não ter vindo antes... por ter arrumado um relacionamento, eu sei que éramos para está comprometidos.
- Avalon... - ele puxou o queixo dela sorrindo - Você se lembra como foi falado que íamos nos casar?
- Não.
- Meu pai sentou na minha frente e você foi colocada ao meu lado, seus pais sentaram na sua frente e seguraram sua mão. Deram a notícia e falaram que não era nada obrigatório ou certo, tínhamos que crescer e... bem, escolher. - ele riu - Você chorou e disse que não ia casar comigo e eu cruzei os braços e comecei a discutir com o meu pai. Levou um tempo para que eu começasse a gostar da ideia de tê-la ao meu lado, mas o principal era proteger e aconselhar nos tempos difíceis e isso... isso eu sempre gostei e gosto de fazer. Minha prima, só o fato de tê-la viva e vê-la feliz me basta.
- Então você seria meu conselheiro? - ela disse sorrindo.
- Isso é dever do príncipe regente.
- Marlon está tão perdido quanto eu. - ela riu - Precisamos de ajuda e... meu primo...
A garota pulou no pescoço do rapaz, que deixou com um certo alívio ser abraçado por ela.
- Feliz aniversário, Kay. - ela disse soltando ele.
- Obrigado. - ele disse a soltando e colocando a coroa na cabeça dela com cuidado - Minha princesa e futura rainha.
Ela sorriu, tinha medo do peso daquelas palavras, mas desejava fazer jus aquilo. Voltaram em silêncio, sorrindo e felizes, talvez realizando pela primeira vez que estavam juntos como família depois de tanto tempo.
- Boa noite... - Kay deu um beijo na testa dela e saiu caminhando calmamente para o outro lado.
Entrando no quarto encontrou Marlon deitado na cama com a cabeça apoiada nos braços, Oto estava no teto com os olhos fechados dormindo tranquilamente. A princesa tirou a tiara da cabeça e a colocou em uma mesa com muito cuidado, sorrindo para aquele presente mágico, trocou de roupa e aninhou no peito do rapaz que a abraçou.
- O que ele queria? - ele disse de modo suave.
- Me mostrar a árvore de Zaark. - ela riu - Acredita de ela existe?
- Por que não existiria?
- Uma árvore de ouro e prata? Acho que se eu não tivesse visto com meus olhos duvidaria.
- Se eu duvidasse de tudo que eu não vejo... - ele riu - Teria problemas.
A garota se virou e viu o rosto pacífico dele, sorrindo, mas tinha uma marca leve das sobrancelhas de preocupação. Ela passou os dedos sobre o lugar e tentou adivinhar seus pensamentos.
- Acho que as coisas para você devem ser diferentes. - ela apertou os lábios.
- Sempre vai ser, mas não me importo.
- Não mesmo? - ela sussurrou, verdadeiramente preocupada.
- Não. - ele suspirou - Claro que eu queria ver como você é ou como o mundo se parece, mas há beleza em outros lugares. O calor do Sol continua sendo calor, o cheiro da comida saindo do forno ainda é gostoso, o som dos pássaros de manhã ainda trás paz, seus passos continuam anunciando a sua chegada. Acho que, ironicamente, tudo é questão de ponto de vista.
A moça sorriu e depositou um selinho na boca dele. Abraçou o corpo quente dele e continuou ouvido o coração delicado em seu peito. Fechou os olhos e concordou, ainda era ele ali, mesmo sem ver.
- A única coisa que me incomoda é como ninguém acha que estou a altura para você... - ele riu com tristeza - Vai demorar até todos confiarem em mim.
- Acho que todos confiam demais em mim. - ela bufou - Eu que não mereço tudo isso.
Os dois ficaram em silêncio durante um tempo, o rapaz passou os dedos devagar pelos fios do cabelo dela, tinha que falar os pensamentos que andava o preocupando. Não ia ser fácil.
- Asterin... - ele suspirou - Eu estava pensando... como vai ser durante a guerra?
- Bem... é costume que os governantes assumam a dianteira durante as batalhas. Talvez eu deva treinar mais... ou discutir mais com Kay e Aloïsia sobre essas coisas.
- Não é isso e... - ele apertou os lábios - Eu nunca matei ninguém, mas eu sabia que um dia eu poderia fazer isso enquanto lutava com os ladrões. Estou anos amadurecendo a ideia de um dia tirar a vida de alguém e aceitei, mas e você?
- Não parei para pensar... - ela suspirou - Mas, você está certo, quando eu tiver no meio do campo de batalha eu posso... eu vou acabar matando alguém.
- Asterin... não... Avalon, acho que você ainda não chegou ao ponto da questão. - ele suspirou - Você não vai matar alguém, provavelmente você vai matar uma pessoa que conhece. O príncipe... ou melhor o rei de Catalan, a princesa, os guardas que você conheceu e os soldados, todos eles são seus inimigos. Está pronta para matar eles?
Ela respirou fundo e sentiu o corpo tremendo.
- Quando a hora chegar... eu vou.
Longe dali, na fronteira de Zaark com Uhall, uma vila era acordada com homens de Uhall entrando com uma cavalaria e atacando fogo nas casas. O povo cansado das festividades, corriam assustados, pegando o que podia e se defendendo com o que achavam. Uma mulher que viu tudo acontecer, fazia sinais de fumaça, para avisar a todos sobre o ataque.
A guerra começava com um ataque surpresa, não pela capital, como todos estavam pensando, mas pela fronteira de outro país ressentido.
Aires não dormiu... foi assombrado com os gritos dos camponeses sendo atacados em sua cabeça.
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