Capítulo 44

O sumiço de Akanta só foi notado no dia seguinte. No baile, todos acreditaram que a moça tinha se retirado para os aposentos, descansar após tanto trabalho que teve para organizar as festividades, durante boa parte da manhã as pessoas pensaram que ela estava ainda dormindo ou que apenas não tinham visto naquele enorme castelo. Apenas na hora do almoço que a menina fez uma falta considerável.

Os empregados e nobres começaram a perceber que ninguém havia visto desde a noite passada. Não só ela como Caleb também, e o rapaz normalmente ficava na porta da moça ou treinando. De certa forma, sentiram que estavam revivendo o incidente do desaparecimento de Gayla.

Aires no trono mantinha um expressão de cansaço e desinteresse, como se não estivesse afetado com aquela situação. Sem muita cerimônia, ele já instruiu os guardas olharem na cidade ou pelas redondezas da floresta. Ele se lembrava que Akanta estava tendo um caso com Caleb, pensou que a moça foi se distrair um pouco da bagunça que a vida dos dois havia se tornado. Não a culpava e nem discutiria por isso.

- Não há sinais da princesa no castelo. - Darlan disse entrando na sala do trono pisando duro.

A aparente paz que o novo rei emanava fazia um contraste claro com toda a raiva e ódio, a qual seu primo estava carregando. A atmosfera ao redor do rapaz andava sempre esquisita, parecia que havia um ódio emanando de seu coração constantemente e dificilmente era gentil. Até as moças que ele tinha tanto zelo em cortejar, estavam falando que estava diferente."

- Atmosfera ao redor dele? - o ruivo riu - Sério isso?

- Vai implicar com a forma em que eu descrevo as coisas agora?

- Sim.

Eu não poderia deixar de notar que aqueles dois eram muito próximos, talvez anos de convivência e amizade. Rapidamente eles trocaram olhares e tinha algo a mais ali do uma simples pareceria e cumplicidade, talvez fossem mais do que amigos.

Gentilmente ela olhou para mim e disse algo como "dá para acreditar?", o homem ruivo riu e deu mais um longo gole de cerveja.

- Eu diria de outra forma... - ele se ajeitou na cadeira e respirou fundo - Darlan, aquele filho da mãe, sabia que tinha sido dado para trás duas vezes pela rainha Avalon e agora se sentia como um completo idiota, porque era! A vontade dele era socar a cara de alguém e culpar essa pessoa por sua infelicidade e incompetência.

- Acho que você soou bem parcial. - eu disse meio gaguejando.

- E você acha que essa moça aqui não está sendo? - ele riu - Talvez ser uma contadora de história envolva também ser uma mentirosa. Ela não contou como Liam deixou de achar Em um pé no saco.

- Estamos desfocando da história... - Gwendolyne disse ficando vermelha.

- Em por algum motivo se agarrou ao menino e por onde ele ia, estava a piralha atrás.

- Você está muito tonto... - a moça tentou o interromper.

- Mas o que ela não tinha reparado era que Liam não tinha ido com a cara dela. Um dia no meio do treinamento ela pediu para participar, então, ele fez uma aposta. Se a garotinha o conseguisse não ser derrubada ele teria que dançar e cantar, mas se ela caísse teria que fazer isso. - ele riu - Por incrível que pareça, Em deu trabalho para Liam, levou um minuto para que ela estivesse no chão.

- Gosto mais quando você está sóbrio e de cara fechada. - Gwem bufou.

- Então, aproveitando o seu momento de vergonha ela foi cantar e dançar no meio de todos, criativamente ela fez uma canção para ofender Liam. - ele riu - Depois dessa o rapaz tinha que admitir que era uma garotinha interessante.

- Voltando a história...

- Querem escutar a música? - ele disse mais animado.

- Voltando a história! - ela quase que gritou de volta com um sorriso no rosto - Darlan não estava sozinho, logo atrás dele duas cozinhas andavam de cabeças baixas, envergonhadas por estarem recebendo tanta atenção dos nobres.

"Aquelas moças sabiam que deveria ter um nobre ou outro tendo a atenção generosa deles sobre elas, mas a maioria estava apenas curioso ou julgando as roupas velhas e sujas, além de seus cabelos desalinhados e seus rostos cansados. No meio do caminho uma delas levantou seu queixo mais para o alto, orgulhosa da suas marcas de quem trabalha muito, algo que muitos daqueles parasitas nunca ia precisar fazer, pela sorte de suas bundas imprestáveis.

Pararam na frente do rei e assustaram levemente, a mesma reação que tiveram com Darlan. Como aquele garoto sorridente que corria pela cozinha por causa de alguma brincadeira ou roubava doces, estava daquela forma? O que havia acontecido?

Havia tanto pesar em seus ombros e seus olhos refletiam uma tristeza tão profunda que se perguntaram como ninguém havia tentado oferecer ajuda. Quando ele levantou uma sobrancelha e deu um sorriso vazio a imagem de Vincent surgiu na frente delas.

- Senhoras... - ele falou dando um pequeno aceno com a cabeça.

- Vossa Majestade... - a mais velha pigarreou levando para acompanhá -la na reverência - Temos informações sobre Akanta, mas gostaríamos de falar apenas com sua graça.

O rapaz ficou em silêncio por um tempo e com um simples movimento de mão pediu para que seus homens desse licença. A contragosto um por um se levantaram, até que Aires teve que reforçar para que Darlan deixasse a sala. Nervosa, a mais nova limpou o suor das mãos no avental.

- Majestade...

- Aires. - o rapaz insistiu bufando - Me conhecem desde o nascimento e já estou farto de formalidades.

- Aires... - a mais velha tomou o controle da conversa - Sua irmã ontem pediu para que as criadas da cozinha ajudá-la a sair do castelo. Sabemos que erramos, mas a menina disse que queria se divertir... e... não tem sido fácil para nenhum dos dois. Mas Caleb estava com ela e...

- Eu sei do caso dos dois. - ela disse com O seu primeiro sorriso verdadeiro - Não precisam temer em deixar isso claro.

- Certo. - a mulher ficou vermelha, mas continuou sem hesitar - Ela disse que queria ser um casal normal e longe de olhos curiosos da corte. Permitimos que ela fosse pela porta da cozinha, de acordo com ela, para a cidade durante a noite e voltaria antes do Sol nascer. Mas ficou um criada durante a noite na porta a esperando e... ela está lá até agora.

- Bom... - ele deu de ombros -Significa que ela foi para cidade, logo deve está em casa...

- Majestade! - a mais nova o interrompeu imprudentemente - Eu tinha reparado que ela estava carregando muita coisa, mas não quis comentar. Agora, desconfiada fui até o quarto dela e encontrei mapas da Floresta da Fronteira.

- O que você quer dizer? - ele continuou tenso.

- Akanta foi para Zaark. - a mais nova rasgou.

Aires respirou fundo e soltou o ar. Nunca pensou que isso aconteceria, mas pela primeira vez percebeu que teria deixar sua irmãzinha por conta própria.

Em Zaark a voz do lorde Knightley soou pelas paredes do Conselho enquanto Avalon engolia seco. Ele realmente não gostou da ideia de deixar a princesa sair em uma missão diplomática agora.

- Não estou pedido permissão, Aran. - Aloïsia disse cruzando os braços e levantando a sobrancelha.

- Eu sei disso! - ele bufou - Você nunca pede! Pouco importava para você na época que voltou com as Guerreiras se tinha um reino para comandar, você abandonou tudo! Na hora que Zaark perdeu tudo, você também sumiu sem avisar! Mas eu não vou deixar a senhora fazer o mesmo com sua sobrinha!

- Creio que Avalon consiga falar por si. - Ravena disse calmamente enquanto amamentava Eloi.

- Ela é uma criança! - o homem disse apontando para a moça, que corou e fechou o semblante.

- Concordo com o lorde Knightley... - o lorde Lillac disse suspirando - Haverá tempo para isso, porém não é agora.

- Se não for agora, não haverá mais. - Aloïsia suspirou - Não entenderam? Se ela não for apresentada devidamente para os nativos, perderão nosso apoio e entrarão em guerra com eles.

- De que nos adiantou eles até agora? - um dos nobres disse bufando - Ficaram na floresta o tempo todo e não saem por mais que o mundo acabe!

- Não acho que devemos tratar os nativos assim. - Valentina interrompeu - Concordo com Aloïsia! A terra é deles, viemos depois e eles cederam espaço, não ao contrário. Ficamos treze anos sem ela, podemos viver umas semanas. Sem ofensas.

- Do que você sabe, criança? - o lorde insistiu.

- Por quanto mais tempo você vai invalidar o que alguém tem a dizer aqui, não pelos seus argumentos, mas pela pessoa? - Asterin disse por fim, irritada - Senhor Aran, peço que você pense um pouco antes de falar.

As palavras tinham escapado da boca da princesa sem pensar, já de pé e com as mãos em frente do vestido roxo com bordados pratas caindo pelas mangas abertas e tão compridas quanto o vestido. Ela com o diadema de prata e ouro estava cada vez mais parecida com as pinturas de Celina.

- Eu também não acho que é o tempo ideal para tal atitude, mas isso está previsto nas leis de nossos antepassados. Meu pai e antigas rainhas assim fizeram. Como eu não farei?

- Mas não será coroada rainha agora. - Estêvão disse engolindo seco.

- Não, mas vou assumir a guerra. - ela olhou para Kay - Isso é trabalho de rainha e os nativos já me deixaram nesse patamar.

- Minha prima está certa. - Kay bufou - Val também. Isso é inconveniente, mas sem dúvida seria pior se ficássemos sem as Guerreiras ou tivéssemos mais inimigos.

- Vocês não podem está falando sério... - o lorde Knightley bufou.

- Minha princesa, quero que você me responda uma única coisa. - o lorde Lillac suspirou - O que você espera que façamos enquanto você estiver fora? Tomemos a decisão por você?

- Eu sei que minhas palavras tem mais impacto nessas discussões e muitas vezes tenho que tomar decisões sozinha. - ela suspirou - Esse pouco tempo nessa posição deixou isso claro, não posso deixar meu cargo vago. Então...

Ela suspirou e olhou ao redor, já tinha pensado nisso, mas não tinha combinado nada, não teve tempo.

- Deixaria algumas pessoas para tomar essa frente. Kay, Val e Marlon.

- Está de brincadeira... - Knightley começou, mas Asterin o interrompeu.

- Os três tem idades próximas a minha, pensam de maneira próxima a minha e, até agora, me demonstraram boas intenções! - ela disse firme - Para mim isso não só basta como é o mais importante.

Marlon não disse e nem esboçou nada, mas internamente pensou em conversar com a garota depois. Já Kay e Val abriram um sorriso enorme no rosto, satisfeitos da confiança que tinham da próxima rainha.

- Então está bem. - o lorde Lillac disse abrindo um sorriso sincero, Asterin teve um vislumbre de Akanta em suas feições.

- Bem, estou apenas avisando vocês sobre essa atitude que irei tomar. - a moça disse tirando alguns fios de cabelo do rosto.

- Falou como sua tia. - o lorde Knightley disse e não soou como um elogio.

- Aran, Aran... - a mulher disse rindo - Continuou o mesmo.

O homem revirou os olhos, preferia não dizer o mesmo sobre a mulher. Talvez tenha sido bom ela ter desistido de sua posição e o casamento arranjado com ele, os dois tentariam se matar e ela teria feito vista grossa a algumas coisas que não poderiam acontecer.

- Mas alguma coisa? - ele disse por fim e de péssimo humor.

- Pensei em comemorar o aniversário de Kay e o solstício na cidade. - a princesa disse ignorando a má criação do homem - Bem, se for da vontade do aniversariante...

- Por favor! - o rapaz disse rindo - Já passou da hora de voltar a ser o que éramos!

- Desde que tenha muita bebida o clã Saeb agradece. - Valentina disse rindo.

- Bem... - Asterin sorriu - É isso, então.

Os nobres começaram a sair aos poucos e a princesa foi capaz de ouvir o lorde Knightley bufar sobre idade mínima para entrar no Conselho, mas preferiu não continuar aquela discussão. Valentina se aproximou dando um tapa nas suas costas e fazendo com que a coroa quase caísse da sua cabeça.

- Grande rainha! - ela disse rindo - Já tá pegando o jeito da coisa!

- Ah, é? - a menina riu se ajeitando - Por que eu discordo?

- Meu pai está sendo teimoso... - Kay bufou aproximando -se das duas - Ignore-o.

- Não é sábio não ouvir os mais velhos. - Marlon disse sorrindo - Vai por mim.

- Por que? - Valentina disse rindo - Quantos anos tem?

- Não, não é porque eu sou o mais velho do que vocês, bando de crianças. - ele disse cruzando os braços e rindo. - Só porque eu já tive vontade de ignorar tudo o que minha mãe me dizia.

- E aí você foi morar no meio da floresta? - Asterin disse rindo.

- Mais ou menos. - ele assoviou para Oto que pousou em seu ombro - O senhor de idade aqui, precisa dormir um pouco. Depois, gostaria de conversar com você, Avalon.

- Claro! - ela disse indo até ele e depositando um beijo em suas bochechas que coraram em seguida - Vou treinar um pouco.

- Ainda não vi minha rainha lutando. - Val disse animada.

- Poderia mostrar um show melhor se não tivesse que usar esses vestidos. - a garota riu vendo Marlon sair.

O rapaz cego já tinha se acostumado com os corredores compridos e os tapetes que deixavam os passos de quem quer que se aproximavam mais difíceis de ouvir. Marlon, era capaz de até dizer quem estava vindo se fosse mais próximo dele, como Asterin, Kay, Em e ultimamente Valentina, por isso sabia que não era próxima da pessoa que estava vindo.

- Você vai ser um estorvo para a princesa. - as palavras saíram estranha, como quem tenta disfarçar a voz, mas Marlon identificou que era alguém do clã Knightley, ainda que não fosse o lorde.

- Sério? - o rapaz girou o bastão e ouviu a pessoa tropeçando - Acho que só o seu lorde que pensa assim.

- Não e você sabe disso. - a outra pessoa disse se recompondo - Avalon foi criada de modo errado e por isso que decidiu ficar com você. Assim que ela perceber que sua presença não é vantajosa vai se livrar de você! Faça um favor e já vá embora.

- Precisa muito mais do que ameaças e apontar minhas limitações para me assustar. - o homem disse, levantou o queixo e sorriu - Sou fiel a nossa princesa, obedeço apenas ela e, enquanto compartilhamos a mesma cama e ela diz que me ama, não vou arrastar o pé daqui!

Sem querer estender essa conversa por mais tempo o rapaz deu as costas e continuou andando, batendo seu bastão no chão. O nobre que o ameaçará ficou olhando isso, enquanto Marlon falava ele foi capaz de ver toda a postura de rei que o rapaz tinha, não se intimidou e nem abaixou a cabeça em frente uma ameaça, além de que o golpe sutil que aplicou foi extremamente eficiente ao ponto dele se perguntar se ele era cego de fato. Era uma pena que alguém do tamanho e força dele tenha sido prejudicado na visão.

Quando, enfim chegou ao quarto, Marlon sentiu Oto sair de seu ombro e deitou na cama. Fechou os olhos e sua mente foi para o que tinha acabado de acontecer. Sim, ele sabia que, talvez não fosse o suficiente para uma rainha.

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